Centro cultural para discutir jornalismo independente é inaugurado no Rio

A programação inclui eventos, conversas entre jornalistas e o público, workshops, exposição de fotos, exibição de filmes e diversas atividades

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A Casa Pública funcionará de quarta-feira a sábado, na Rua Dona Mariana, 81, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro (Imagem: Akemi Nitahara/Agência Brasil)

A Casa Pública, primeiro centro cultural do Brasil para discutir o jornalismo e apoiar o trabalho investigativo e independente foi inaugurada no último sábado (19) no Rio de Janeiro. A programação inclui eventos, conversas entre jornalistas e o público, workshops, exposição de fotos, exibição de filmes, participação de jornalistas internacionais e produção de jornalismo com experimentação de novas linguagens, unindo informação com novas tecnologias, uso de grandes bases de dados e arte.
Segundo a jornalista Natália Viana, diretora da Agência Pública, organização que produz jornalismo investigativo e idealizadora do projeto, o espaço vai suprir o segundo objetivo da agência, que é promover jornalismo investigativo e independente. “É um espaço para reflexão, troca e incentivo para quem está produzindo jornalismo independente no Brasil. É uma tentativa de olhar para frente, para o que vai ser o jornalismo e como podemos ajudar ao movimento de novas iniciativas que estão pipocando pelo Brasil afora, criadas por jornalistas com o objetivo de voltar à raiz do jornalismo, que é a independência editorial, e como ajudar a fortalecer esse movimento.”
Durante dois anos a Casa terá apoio de quatro fundações internacionais que financiam projetos de direitos humanos e jornalismo independente. Ela funcionará de quarta-feira a sábado, na Rua Dona Mariana, 81, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro. As portas estarão abertas para quem quiser conversar, trabalhar ou utilizar o espaço para entrevistas. “É um espaço para apostar no novo, no que vai ser o jornalismo. Todo mundo sabe que o jornalismo está em crise, há um questionamento, uma crise de confiança, econômica e cultural. A forma como as pessoas consomem jornalismo mudou. Queremos trazer o jornalista para conversar com o público sobre isso”, esclareceu Natália.
Na inauguração, foi aberta a exposição fotográfica coletiva Legados, que traz os impactos dos megaeventos realizados no Brasil e na vida da população. Outro trabalho apresentado hoje foi a intervenção Eu amo camelô, do coletivo artístico Opavivará, que fez cartões postais com fotos de vendedores ambulantes que trabalham dentro dos trens da cidade.
Uma das representantes do grupo, que prefere não dar o nome para não individualizar o trabalho que é coletivo, informou que o Opavivará trabalha com a reflexão sobre o uso e ocupação dos espaços públicos, sempre dialogando com os acontecimentos atuais, como o jornalismo.
“De alguma forma, trabalhando com arte, estamos sempre ligados ao que está acontecendo. Acho que é o espaço do jornalismo alternativo, que não é comprometido com interesses corporativos e políticos como são as grandes mídias do país. É muito pertinente a discussão da existência de um espaço aberto para discussões que não estão nesse contexto mais midiático de massa”, acrescentou.
O primeiro evento da Casa foi um debate sobre a checagem do discurso público, modalidade de jornalismo que tem crescido mundialmente. Para a fundadora do site argentino Chequeado, pioneiro do tipo na região, Laura Zommer, o debate sobre democratização da mídia e novas formas de se fazer jornalismo é indispensável. Segundo ela, porém, sem modelo de financiamento é impossível se manter novas vozes ativas por muito tempo.
“Temos grandes jornalistas falando que vão revolucionar o jornalismo, mas tem de buscar o dinheiro e o modelo de financiamento. Não dá para fazer grande jornalismo sem dinheiro. Quando eu trabalhava no La Nacion, não queria saber de onde vinha o dinheiro, mas quando investigávamos alguma coisa e nos diziam ‘isso não’, descobríamos de onde vinha. Mas nos inteirávamos tarde e não podíamos fazer nada. Não se faz jornalismo sem dinheiro. Entre amigos só se pode fazer por um tempo, com a indenização do dinheiro anterior, mas não dá para fazer sem dinheiro”.
Sobre a Lei de Meios da Argentina, que entrou em vigor em 2009 para garantir a diversidade nos veículos de comunicação do país e que sofreu fortes intervenções do novo governo, Laura afirmou que o texto é muito bom, mas a aplicação foi feita de forma errada.
“O texto da lei é muito bom, mas a implementação foi fatal. O governo anterior fez uma boa lei com fundamentos para divulgar novas vozes, mas investiu sistematicamente contra um meio oposto a seu governo. O governo de Cristina Kirchner castigou o Clarín e se associou ao grupo Telefónica. Os dois são gigantes. A lei se provou contra uns e não contra todos que concentram veículos de comunicação”.
Na inauguração da Casa Pública também foi lançado o Mapa do Jornalismo Independente, com 70 iniciativas de sites liderados por jornalistas que buscam novas formas de trabalho. “Levantamos 70 sites. Todo mundo que está querendo descobrir o que está sendo produzido de legal no jornalismo, interessante, completamente independente e com um monte de informações que você não vai ver em outro lugar. Quem quiser pode entrar no nosso mapa e sugerir outras iniciativas. Já tem mais de 100 que outras pessoas sugeriram”, concluiu Natália Viana.
 
Fonte: Comunique-se

Gestor comunicador – o canal mais eficiente da Comunicação Interna

Quando a empresa entende que o melhor caminho é o alinhamento e a sintonia da sua comunicação a partir do gestor.

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Marcas fortes são aquelas que ouvem, veem, sentem e tocam as pessoas. São empresas movidas por um grande desejo de realizar algo verdadeiramente missionário: levar satisfação plena para seus diversos stakeholders e carimbar o passaporte para a grande viagem social, política e econômica que é o mundo dos negócios.
Marcas fortes possuem um grupo de lideranças capaz de mobilizar um time inteiro para uma caminhada de propósitos. E quando se trata de mobilização é preciso ir além de uma grande estratégia empresarial. Faz-se necessário desenvolver a competência comunicacional dos líderes e gestores para que assumam a responsabilidade de se tornarem o principal canal da Comunicação Interna.Há quinze anos venho realizando uma pesquisa nos ambientes corporativos, que está sendo traduzida no livro Gestor Comunicador, na qual peço que as pessoas desenhem sua percepção acerca do processo de comunicação na empresa, na família e entre amigos. É larguíssima a desvantagem da comunicação empresarial. Os percentuais de pessoas insatisfeitas com a comunicação na empresa atingem 80%. Existe uma queixa generalizada de que os gestores não facilitam em nada a comunicação com a base. Por sua vez, os gestores queixam-se de que seus líderes – presidentes/executivos/CEOs – são muitas vezes inacessíveis e dificultam o livre diálogo. Por parte destes líderes acontece uma queixa, praticamente unânime, de que estão “sedentos” para encontrar um time de gestores intermediários que possua estrutura emocional, consistência técnica e metodologia para boas argumentações e trocas que realmente acrescentem valor nas rotinas e decisões empresariais. Neste meio ainda está a área de Recursos Humanos, sentindo-se frustrada na difícil tarefa de mediar estas relações.
Diante deste cenário, temos um grande desafio pela frente que exigirá uma mudança de comportamento em todos os níveis.
A insatisfação com o processo de comunicação dentro da empresa vai continuar crescente se nada for feito e se não revolucionarmos comportamentos e crenças retrógradas que limitam as relações humanas. Na sociedade capitalista, nascemos emoção e nos tornamos razão. Mas estamos vivendo uma grande revolução existencial que abre as portas para o “sentir”. Não é mais suficiente ser ou ter, a busca está pelo sentir. A terceirização da Comunicação Interna, inicialmente aos tradicionais informativos e murais, e agora aos meios eletrônicos, preconiza um cenário impessoal sem qualquer empatia para a contextualização dos fatos de forma a gerar mobilização do público interno. O mundo mudou, sim, mas a tecnologia é apenas uma ferramenta e as pessoas continuarão sendo, enquanto o planeta Terra existir, a mente pensante, intuitiva e espiritual.
O fato é que o mais eficiente canal da Comunicação Interna está no humano e parte das lideranças. GESTOR COMUNICADOR: este é o único canal capaz de provocar nos colaboradores o “sentir”, a apropriação de uma causa, o engajamento e a mobilização.
Fonte: Jornal do Comércio

Lésbicas ganham visibilidade no cinema e na publicidade

A representação do amor entre mulheres vive um boom no cinema, na publicidade e na moda, segundo reportagem publicada pelo jornal francês Le Monde.

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Cena do filme “Carol”, com Rooney Mara e Cate Blanchett

O sucesso de filmes como “A Vida de Adele”, de Abdellatif Kechiche, “Carol”, de Todd Haynes, e “Free Love”, de Peter Sollett, colocaram o tema em evidência e proporcionaram uma fonte de identificação para as mulheres lésbicas.
O mesmo acontece na publicidade, com empresas como Adidas, o banco norte-americano Wells Fargo e até uma marca de roupa indiana retratando esse segmento da sociedade, muitas vezes relegado a um segundo ou terceiro plano.
Cena do filme francês "A Vida de Adèle"
Cena do filme francês “A Vida de Adèle”

“Acho essa representação muito positiva porque, até algum tempo atrás, na literatura, no cinema e nas artes em geral, quando havia amor entre duas mulheres, era sempre uma história trágica, com um final triste, geralmente envolvendo suicídio, alcoolismo ou loucura. Tenho uma colega que sempre diz que não há ‘Sabrina’ com duas mulheres, ou seja, um romance leve, sem tragédia. É importante e relevante que haja essas figuras identificatórias”, disse em entrevista à RFI a psicanalista Anna Paula Pires.
Marcelle Esteves, vice-presidente do grupo gay Arco-Íris e membro da Articulação Brasileira de Lésbicas, acha que “a partir do momento que a sociedade pode ver e perceber a existência com naturalidade desses casais, isso proporciona maior entendimento e uma diminuição do preconceito, que ainda é muito grande”.
Exposição significa mais aceitação
Para a psicanalista, a presença de lésbicas na mídia pode fazer com que uma mulher aceite melhor sua atração por
Julianne Moore e Ellen Page em "Free Love"
Julianne Moore e Ellen Page em “Free Love”

uma pessoa do mesmo sexo. “Pode ser um estímulo. Mas não cria algo que já não está lá. Acho que cada pessoa tem sua orientação sexual, desejo, gosto. Isso não vai aumentar o número de lésbicas, apenas pode liberar um desejo contido. Mas não vai incitar ninguém a virar gay, algo que muitas pessoas propagam erroneamente.”
Marcelle concorda: “Acredito que, quando as relações forem vistas com naturalidade, as mulheres reprimidas por medo do preconceito podem abrir a possibilidade de reconhecer a sua lesbianidade”.
A exposição na mídia também está servindo para quebrar estereótipos e diminuir a discriminação. Recentemente, a marca de roupas Anouk Ethnic criou o primeiro comercial com lésbicas da história da Índia, mostrando o casal se preparando para encontrar os pais de uma delas. “Tentamos evitar os estereótipos associados aos gays e fazer algo delicado”, disse o produtor Avishek Ghosh ao jornal indiano “Times”. O vídeo viralizou rapidamente em um país ainda dominado pela homofobia.
Casal de mulheres no Dia dos Namorados
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Homenagem da Adidas ao Dia dos Namorados

A marca esportiva Adidas, para comemorar o Dia dos Namorados este ano, colocou um post na sua página no Facebook com uma foto das pernas de duas mulheres, de frente uma para a outra, usando o mesmo modelo de tênis, possivelmente durante um abraço afeituoso ou um beijo, com a frase: “O amor que você recebe é igual ao amor que você dá”.
A ação foi bombardeada de comentários negativos, como “Que vergonha, Adidas, vou comprar Nike agora”, que a marca respondeu com um “Bye bye”. A Adidas anunciou que introduziu uma cláusula em todos os seus contratos de patrocínio mostrando seu comprometimento com os direitos do coletivo LGBT(lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros).
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Cena do primeiro comercial indiano com um casal de lésbicas

“Essas reações negativas são a prova de que ainda vivemos em uma sociedade patriarcal, permeada pelo machismo e pelo sexismo”, afirma Marcelle. “Ainda hoje as mulheres foram feitas para casar, para servir aos maridos, para gerar filhos e ficar cuidando do lar. A partir do momento em que esses paradigmas são quebrados, que as mulheres dizem que não precisam de um homem e de um falo para ser felizes e ter prazer, a sociedade ainda se assusta.”
Apesar do aumento da presença na mídia, Marcelle acha que ainda é pouco. “A gente precisa ainda de muito mais visibilidade na TV, nos filmes, nas capas de revistas, para que a sociedade efetivamente compreenda que as mulheres podem, sim, viver afetivamente e sentir prazer com outra mulher.”
Fonte: rfi

Prefeitura de São Paulo implanta 20 novas salas públicas de cinema

10% dos paulistanos nunca foram a uma sala de cinema. Nas classes D e E, esse número sobe para 30%.
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São Paulo começará a ganhar a partir da próxima semana, por meio do Circuito Spcine, as primeiras 20 novas salas públicas de cinema, que estarão espalhadas por todas as regiões da cidade, montadas com equipamentos de alta tecnologia.
As duas primeiras salas serão abertas na próxima quarta-feira (30), nos Centros Educacionais Unificados (CEUs) Butantã, na zona oeste, e Meninos, na região do Ipiranga, zona sul da capital paulista. A expectativa é que as outras 18 salas sejam abertas até o fim de maio.
Um estudo da JLeiva apontou que, na média de toda a cidade, 10% dos paulistanos nunca foram a uma sala de cinema. Nas classes D e E, esse número sobe para 30%.
“A gente descobriu que 30% dos paulistanos, ou seja, um em cada três, nunca pisaram em uma sala de cinema. Já imaginou na maior cidade do hemisfério sul uma pessoa nunca ter pisado em uma sala de cinema? Nós vamos acabar com isso e começar com 20 salas de cinema pela cidade inteira, privilegiando a periferia. O cinema é uma forma de ativar a imaginação das pessoas”, afirmou o prefeito Fernando Haddad, na última terça-feira (22), durante agenda na zona leste.
Das 20 salas do projeto, 15 serão em CEUs, sendo cinco na zona leste, cinco na zona sul, quatro na zona norte e um na região oeste. As outras cinco salas ficam em equipamentos culturais como a Galeria Olido, no centro, duas no Centro Cultural São Paulo (CCSP), na Vergueiro, uma no Centro de Formação Cultural de Cidade Tiradentes e mais uma na Biblioteca Roberto Santos, no Ipiranga.
“Ficaria muito feliz de ir no cinema e ver ‘Carrossel’, porque nunca fui em um. Quando abrir aqui, vou pedir para todo mundo de casa me trazer todos os dias”, disse Marcela Eduarda de Oliveira, 7 anos, aluna do 2º ano do CEU Meninos e moradora de São Mateus, na zona leste
Tudo pronto!
Nesta quinta-feira (24), no CEU Meninos, aconteceu um teste das vinhetas que serão exibidas antes dos filmes do Circuito Spcine e apresentação dos equipamentos de projeção cinematográfica adquiridos pelo município.
O investimento total de equipamentos em todo o projeto foi de R$ 7,4 milhões, além de mais R$ 2,5 milhões para a operação das salas.
“Além de diminuir as desigualdades entre o centro e a periferia, esse projeto pretende fortalecer a cadeia do audiovisual, atuando na formação de público. Queremos que essas salas formem plateia, criem o costume do cinema e fortaleça o público para o cinema nacional”, disse Ana Louback, coordenadora de Difusão da Spcine.
Programação
Por meio do Circuito Spcine, o CEU Meninos contará com exibição do filme “O Escaravelho do Diabo”, dirigido por Carlo Milani, baseado no livro clássico da literatura infanto-juvenil, lançado em 1972 na Série Vaga-Lume. A sessão será na próxima quarta (30), às 16h. Cerca de 200 alunos de escolas da região receberão os ingressos, e outros 150 serão distribuídos gratuitamente a partir das 15h, no local.
No CEU Butantã, será exibido o filme “Mundo Cão”, do diretor Marcos Jorge, com os atores Lázaro Ramos e Babu Santana. A sessão acontece às 20h, e 300 ingressos serão distribuídos gratuitamente no próprio CEU a partir das 17h. Como preparação para a diversão, a partir das 18h, a Banda Paralela, com Carlos Malta, fará uma apresentação no pátio da unidade.
Quando todas as salas do circuito estiverem em operação, a Spcine estima que serão cerca de 200 sessões semanais, com expectativa de 960 mil espectadores por ano.
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Salas do Circuito Spcine

LOCAL ENDEREÇO
CEU Aricanduva Rua Olga Fadel Abarca, s/n – Jardim Santa Terezinha – Itaquera
CEU Butantã Rua Engenheiro Heitor Antônio Garcia, 1700/1870 – Jardim Esmeralda / Butantã
CEU Caminho do Mar Rua Engenheiro Armando de Arruda Pereira, 5241 – Jabaquara
CEU Feitiço da Vila Rua Feitiço da Vila, 399 – Chácara Santa Maria / Campo Limpo
CEU Jaçanã Avenida Antonio César Neto, 105 / Jardim Guapira
CEU Jambeiro Avenida José Pinheiro, 60 – Guaianases
CEU Meninos Rua Barbinos, 111 – São João Clímaco / Ipiranga
CEU Parque Veredas Rua Daniel Muller, 347 – Itaim Paulista / São Miguel Paulista
CEU Paz Rua Daniel Cerri, 1549 – Jardim Paraná / Brasilândia
CEU Perus Rua Bernardo José de Lorena, s/n – Pirituba
CEU Quinta do Sol Avenida Luís Imparato, 564 – Cangaíba
CEU São Rafael Rua Cinira Polônio, 100 – Conjunto Promorar Rio Claro / São Mateus
CEU Três Lagos Estrada do Barro Branco, s/n – Jardim Três Corações / Capela do Socorro
CEU Vila Atlântica Rua José Venâncio Dias, 840 – Jardim Nardini / Pirituba
CEU Vila do Sol Avenida dos Funcionários Publicos, 369 – Jardim Capela / Campo Limpo

 

LOCAL ENDEREÇO
Galeria Olido Avenida São João, 473 – Centro
Centro Cultural São Paulo (CCSP)
| Sala Lima Barreto
Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso
Centro Cultural São Paulo (CCSP)
| Sala Paulo Emílio
Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso
Centro de Formação Cultural de Cidade Tiradentes (CCTiradentes) Avenida Inácio Monteiro, 6900 – Cidade Tiradentes
Biblioteca Roberto Santos – Temática de Cinema Rua Cisplatina, 550 – Ipiranga

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Fotos: Leon Rodrigues
Fonte: Prefeitura de São Paulo
 

Publicidade abusiva para crianças está em canais populares do YouTube

Dos 100 canais de maior audiência no YouTube, 36 deles abordam conteúdo direcionado ou consumido por crianças de 0 a 12 anos
Se você é um pai ou mãe de uma criança e tem acesso fácil à internet, já pode ter recorrido aos vídeos infantis disponibilizados no YouTube para entreter seu menino ou menina. Mas se algum deles mostrar brinquedos sendo tirados da caixa ou virando personagem de historinhas, pode ser que ele(a) esteja na verdade assistindo a um anúncio disfarçado.
Há um ano, a professora Luciana Corrêa, da ESPM Media Lab, vem mapeando o alcance de canais brasileiros do YouTube destinados aos jovens. O sucesso impressiona: dos 100 canais de maior audiência no YouTube, 36 deles abordam conteúdo direcionado ou consumido por crianças de 0 a 12 anos.
Em sua pesquisa, Luciana identificou mais canais do gênero, chegou a um montante de 160. Alguns exemplos de canais de sucesso nas suas categorias são “Galinha Pintadinha” (musical, não disponível na TV); “rezendeevil” e “VenomExtreme” (sobre games e “Minecraft”, um jogo de montar mundos); “TototoyKids” e “Brinquedos & Surpresas” (propaganda de brinquedos e “unboxing”); “Bel para Meninas” (youtuber mirim); “Chiquititas SBT” (novela da TV); “5incominutos” (da youtuber teen Kéfera Buchmann); e “Manual do Mundo” (educativo, parceiro do UOL).
Em vários dos canais observados, marcas e produtos destinados às crianças são apresentados nos vídeos. Isso é predominante na categoria “propaganda de brinquedos e unboxing”. Os vídeos normalmente trazem brinquedos populares como Barbie, “Peppa Pig”, “Frozen” e a marca de massa de modelar “Play-Doh”, sendo tirados das caixas, apresentados em detalhes ou em brincadeiras e histórias, com narração infantil ou com crianças à frente do vídeo.
Para o procurador do Ministério Público de Minas Gerais, Fernando Martins, esses tipos de vídeos ferem a resolução 163 da Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente), órgão ligado à Secretaria de Direitos Humanos, que diz considerar abusiva a publicidade direcionada a crianças. A resolução tipifica esse tipo de conteúdo quando traz elementos como linguagem infantil, efeitos especiais, excesso de cores, músicas infantis, personagens ou apresentadores infantis, bonecos ou similares, com a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço.
“Mesmo que não haja um contrato formal [entre a empresa citada e o produtor do vídeo], cai no conceito de comunicação mercadológica quando o público-alvo são menores de 12 anos. Nesses vídeos, não se pode citar marcas ou produtos e não cabe ao MP comprovar contrato de merchandising por trás disso”, diz Martins.
Segundo ele, os Ministérios Públicos Federal e Estaduais atuam conforme recebem denúncias desses casos, e daí abre inquéritos para apurar eventuais abusos. Foi assim que o MP-MG protocolou ação envolvendo as citações a marcas no canal Bel para Meninas, um dos mais populares entre o público mirim, após contato da reportagem do UOL.
“Entendo que há sim um abuso, pois o próprio Código de Defesa do Consumidor trata da questão da publicidade que se aproveita da falta de maturidade da criança”, diz Ariel de Castro Alves, advogado fundador da Comissão da Criança e do Adolescente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). O artigo 37 do Código considera abusiva a publicidade que “se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança”.
O presidente da Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos), Synésio Batista da Costa, entende que o fenômeno dos vídeos de brinquedos e unboxing é “educativo”. “As meninas adoram bonecas, então qualquer uma delas pode querer criar um blog ou publicar um vídeo detalhando as características delas. A forma, a mensagem desses vídeos não é abusiva nem fere as normas do Conar”, disse. Se tais vídeos são mesmo patrocinados, ele disse não saber. “Não conseguimos acompanhar tudo”, justifica.
Para a professora de Ética e Legislação Publicitária da ESPM Denise Fabretti, esse fenômeno da publicidade infantil no YouTube é decorrência da resolução 163 da Conanda, que desde 2014 vem inibindo muitas empresas a continuar anunciando nos veículos mais tradicionais, como rádio e TV.
“Isso abriu espaço para outras situações que não se tem controle. Sou contra proibições do tipo porque se torna muito difícil comprovar se um conteúdo que cita marcas é espontâneo ou não. Posso subir um vídeo de festa de aniversário do meu sobrinho, com aparições de brinquedos, e não ter sido paga por isso. O caso das blogueiras foi um exemplo de como é difícil tomar providências”, diz ela, lembrando quem em 2012 o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) advertiu a Sephora e três blogueiras por propaganda velada dos produtos da loja na internet.
Além da propaganda, os canais também levantam outras questões delicadas, como o conteúdo inapropriado para menores. Canais como o “Gustavo Paródias”, citado na pesquisa, usam palavrões e linguagem não apropriada para redublar a novela infantil “Chiquititas”, e o “rezendeevil” tem uma série de vídeos chamada “Pelados”, com personagens de “Minecraft” nus.
O UOL procurou os donos dos canais “Galinha Pintadinha”, “Bel para Meninas”, “rezendeevil”, “VenonExtreme” e “Brinquedos & Surpresas”, mas eles optaram não participar da reportagem ou não responderam até o fechamento. O YouTube também não sugeriu porta-voz para falar sobre o assunto.
Os donos do “Tototoykids” responderam dizendo que moram “nos Estados Unidos, mas a princípio preferimos manter nossa identidade privada”. Não há em nenhuma parte do canal, ou nas redes sociais que o divulgam, os nomes dos responsáveis. Em um segundo contato, não responderam às perguntas enviadas por e-mail.
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Quem fiscaliza?

A fiscalização de canais infantojuvenis ainda é ineficiente. Para Pedro Hartung, conselheiro da Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente), responsável pela resolução que indicou a publicidade infantil como abusiva, aponta como órgãos fiscalizadores da lei os MPs, Procon e Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor, ligado ao Ministério da Justiça).
O conselheiro se diz favorável à presença de crianças na internet, mas faz ressalvas. “O youtuber mirim é um fenômeno muito interessante porque abre espaço para a criança se comunicar, mas, por outro lado, as empresas têm se utilizado dela para fazer merchandising, o que mostra a falta de ética de muitos anunciantes que se aproveitam da vulnerabilidade infantil para veicular publicidade”, critica.
Em nota, o Procon-SP disse que “está apto [a fiscalizar] e havendo denúncias, a fundação irá analisar e dar o devido encaminhamento com base no Código de Defesa do Consumidor”, mas destacou que cabe aos pais o monitoramento do conteúdo assistido pelos filhos na internet.
O Senacon não respondeu aos pedidos da reportagem, que também procurou a posição do Conar. A entidade, que costuma regular abusos da publicidade em rádios, TVs e meio impresso, disse que, no ano passado, o número de processos éticos envolvendo o meio digital foi aproximadamente o mesmo dos processos envolvendo TV, sem dar detalhes. No entanto, o órgão se isentou de verificar abusos envolvendo conteúdo editorial dos vídeos: “uma peça publicitária em página de mídia social está fora do alcance do Código”.
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Cuidado dos pais ainda é vital

Mas o quanto é nocivo ou não expor a criança ao YouTube, afinal? Para a professora Luciana Correa, autora da pesquisa sobre os canais infantis, a mediação dos pais é o fator mais importante. “Como as crianças são nativas digitais e conhecem mais que os pais, muitos se afastam ou ignoram em vez de aprender com eles”.
No ano passado, a pesquisa TIC Kids Online, realizada no Brasil com apoio do NIC.br (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR) e do CGI.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil) constatou que assistir a vídeos e utilizar redes sociais são as atividades mais citadas por crianças e adolescentes entre 11 e 16 anos no Brasil e mais sete países.
Maria Eugenia Sozio, pesquisadora do Cetic (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, ligado ao NIC.br), afirma que o uso da internet por parte das crianças é basicamente via dispositivos móveis. “Isso dá a eles mobilidade, privatização e a intensificação desse uso. Esse novo padrão é obviamente mais difícil para pais e professores de observarem o que ocorre”.
Irene Maluf, conselheira da Associação Brasileira de Psicopedagogia, não vê como totalmente prejudicial o uso do YouTube pelos jovens. “A dificuldade aumentou com o celular, então o que garante que meu filho não vai deixar de atender aos limites que dou a ele? É a educação dada anteriormente para ele, a confiança que ensinou ao filho. Ensina-se a ele esses limites do que é bem e mal, e até onde pode ir”.
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Fonte: Uol

Publicidade na internet supera TV em 2017

Os gastos globais com publicidade na internet vão superar a televisão já no próximo ano, segundo indica uma nova pesquisa da ZenithOptimedia (da gigante francesa da propaganda Publicis). Até lá, a publicidade combinada para dispositivos móveis e desktops deve bater nos US$ 209 bilhões (algo como R$ 750 bilhões) em um mercado total de US$ 603 bi (ou mais de R$ 2 trilhões).
“A publicidade na internet é o principal motor do crescimento global dos gastos com propaganda. Esperamos um crescimento da publicidade na internet em 15,7% este ano, mais de três vezes superior à média geral”, diz o relatório. “Ate 2018 esperamos que a publicidade na internet atraia 37,6% de toda a propaganda depois de superar a televisão e se tornar o principal meio de publicidade do mundo em 2017.”
Segundo a ZenithOptimedia, o crescimento sustentado da propaganda online deve bater 19% este 2015 – graças à conjunção das eleições presidenciais nos Estados Unidos, as Olimpíadas no Brasil e o campeonato de futebol na Europa (Copa da UEFA). Até 2018, o crescimento médio desse segmento deve ficar em 13% – portanto, sempre acima da média geral, entre 4% e 5%.
Embora as Olimpíadas no Rio tenham impacto significativo no desempenho de 2015, o relatório diz que esse crescimento sustentado da propaganda online acima de dois dígitos, “combinado com recuos da televisão no Brasil e na China nos levaram a concluir que a publicidade na internet vai superar a da televisão globalmente em 2017”. Para a consultoria, a TV teve seu pico em 2012, quando representou 39,5% dos gastos globais com propaganda.
Essa tendência vai continuar. Em 2018, a internet deve morder 37,6% de toda a publicidade, enquanto a TV vai ficar com 34,1%. Ainda segundo a pesquisa, o desempenho da publicidade online é puxado principalmente pelas mídias sociais (31,9%), vídeos online (22,4%) e resultados de buscas pagos (15,7%). Em especial, no mundo móvel. A propaganda para dispositivos móveis deve responder por 92% de todo o crescimento do mercado até 2018.
“Estimamos o crescimento da publicidade móvel em 72% em 2015 e prevemos um crescimento médio anual de 32% até 2018”, diz o relatório, calculando essa fatia em US$ 50 bilhões no ano passado – ou 31,3% dos gastos com publicidade online (e 9,2% do total). Em 2018, os números deverão ser US$ 115 bilhões, com a propaganda móvel representando 49,6% dos gastos na internet e 18,7% dos investimentos totais em publicidade. “Em contraste, a publicidade para desktops deve crescer apenas 2% ao ano.”
Fonte: Convergência Digital

Encontro discute futuro do audiovisual na América Latina

Na região, a produção audiovisual se intensificou a partir da digitalização das tecnologias, dos canais de difusão e dos sistemas e processos criativos.
bauru_unespEntre esta segunda-feira (29) e quarta-feira (30), será realizado o  3.º Congresso Internacional Red INAV || 5.º Encuentro Iberoamericano de Narrativas Audiovisuales, na Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) da Unesp, campus de Bauru.
O projeto, organizado em conjunto com professores, pesquisadores e estudantes da faculdade e da Red Iberoamericano de Narrativas Audiovisuales, apresenta uma programação direcionada às discussões sobre o planejamento, desenvolvimento, produção e pesquisa de conteúdos audiovisuais de realidade e de ficção no País e na América Latina.
Nos os três dias de eventos estarão presentes renomados pesquisadores brasileiros, espanhóis, argentinos e equatorianos, que se apresentarão em conferências e painéis. Também estão confirmados mais de 200 inscritos, sendo mais de 150 conferencistas que apresentarão suas pesquisas nas dimensões propostas pelo Congresso.
A Rede Ibero-americana de Investigação em Narrativas Audiovisuais -INAV- foi organizada em 2005, durante a 5ª Bienal Ibero-americana da Comunicação, realizada no México, no Instituto Tecnológico de Monterrey. A Rede tem como principais objetivos a pesquisa e o desenvolvimento integrado da produção audiovisual ibero-americana. Nos países da região, a produção audiovisual se intensificou a partir da digitalização das tecnologias, dos canais de difusão e dos sistemas e dos processos criativos utilizados nos diversos campos da comunicação midiática.
O 3º Congresso Internacional Red INAV é organizado pelos Departamentos de Comunicação Social, Departamento de Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Mídia e Tecnologia, Laboratórios de Estudos em Comunicação, Tecnologia e Educação Cidadã (Lecotec); Programa de Educação Tutorial Interdisciplinar de Rádio e TV (Grupo PET-RTV), o Grupo de Estudos Em Comunicação Esportiva e Futebol (Gecef), além do Laboratório de Estudos Sobre Novas Narrativas e Dispositivos Móveis (Mobilab Research) e a Red Iberoamericana de Narrativas Audiovisuales (Red Inav).
A programação completa do evento pode ser acessada pelo endereçohttp://mobilabresearch.wix.com/redinav2016br
Quem tiver interesse poderá efetuar sua inscrição como ouvinte na sala do Grupo PET de Rádio e TV (no prédio administrativo da Faac/Unesp) durante os três dias do evento.
Fonte: JCNET

"Comunicação e informação em tempos de zika" disponibilizada em vídeo

Existe sensacionalismo ou o noticiário sobre a epidemia de zika aponta os alertas necessários à população? A discussão está no vídeo que reproduz integralmente a aula de abertura do curso de especialização em Comunicação & Saúde, oferecido pelo Icict, intitulada “Comunicação e informação em tempos de zika”.
No vídeo, produzido pela VideoSaúde Distribuidora que tem a duração de 2h47m, é possível ver o debate que aconteceu em 10 de março de 2016, na Biblioteca de Manguinhos, onde foram analisados aspectos relacionados à cobertura, produção de informação e circulação de notícias sobre a epidemia de zika, tanto no contexto da grande mídia, quanto da comunicação pública.
Participaram do debate Raquel Aguiar, coordenadora de comunicação do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde (PPGICS/Icict/Fiocruz), Inesita Soares de Araujo, professora do PPGICS/Icict/Fiocruz e pesquisadora do Observatório Saúde na Mídia do Laboratório de Comunicação e Saúde (Laces/Icict/Fiocruz), Luis Castiel, professor e pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública Serio Arouca (Ensp/Fiocruz) e Guilherme Franco Netto, da Vice-presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz) e especialista da Fiocruz em Saúde, Ambiente e Sustentabilidade. A aula foi mediada pelo vice-diretor de Informação e Comunicação do Icict, Rodrigo Murtinho.
Assista o vídeo na íntegra, abaixo:

Fonte: Fiocruz

Código florestal e o alcance do desmatamento ilegal zero

O objetivo do seminário, dirigido a profissionais da imprensa, é facilitar o entendimento da importância deste instrumento para o alcance do desmatamento ilegal zero e sua situação atual de implementação
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Nos dias 29 e 30 de março, a ANDI – Comunicação e Direitos e a Conservação Internacional, como o apoio da CLUA – Aliança pelo Clima e Uso da Terra, promovem em Brasília uma qualificação direcionada a jornalistas sobre as implicações do Código Florestal como legislação essencial para a preservação da Amazônia.
O Código Florestal completará quatro anos e o prazo estabelecido para a inscrição no Cadastro Ambiental Rural (CAR) esgota-se no dia 5 de maio.  O objetivo do seminário, dirigido a profissionais da imprensa, é facilitar o entendimento da importância deste instrumento para o alcance do desmatamento ilegal zero e sua situação atual de implementação.
O evento propiciará acesso a dados, troca de informações com especialistas e fontes primárias de consulta, além de análises. Em debate, a relação entre o Código Florestal e a capacidade do País em cumprir as metas assumidas na COP 21, conferência da ONU sobre o clima que ocorreu em Paris ao final de 2015.
 
Evento:
Código Florestal e o alcance do desmatamento ilegal zero
Agenda do seminário
Data: 29 e 30 de março
Local: Manhattan Plaza Hotel – Setor Hoteleiro Norte, Quadra 2, Bloco A
Para participar, envie seu nome e veículo para codigoflorestal@andi.org.br (jornalistas freelancer que cobrem essa temática também podem participar)

O que de fato divide os brasileiros (não é o impeachment)

 “A defesa do impeachment se dá na mesma proporção em todas as classes sociais. Mas as razões de cada grupo para pedi-lo são diametralmente opostas” disse Renato Meirelles, presidente do instituto de pesquisas Data Popular
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Faz parte da retórica polarizada que tomou conta do debate político brasileiro contrapor  a vontade das elites à das classes populares em relação ao governo. Segundo essa lógica, só os ricos seriam a favor do impeachment, e os pobres, contra. Na prática, porém, não é assim que funciona. As pesquisas feitas pelo Datafolha nas manifestações pró e anti-governo mostram que até havia diferenças entre os dois grupos. Entre os pró-impeachment, 37% ganhavam mais do que 10 salários mínimos; entre os apoiadores de Dilma, 24% tinham a mesma renda. Nos protestos contra o governo, 12% eram empresários. Nos pró-Dilma, 15% eram funcionários públicos. Tanto numa como noutra manifestação, porém, perto de 80% dos manifestantes tinha ensino superior, cerca de 30% tinha carteira registrada, e mais da metade ganhava mais do que 5 salários mínimos. Do que se concluiu que, de um lado e de outro, quem estava na rua era parte significativa da elite. Poucos se deram ao trabalho de perguntar o que pensam da crise os que estão na base da pirâmide e não saíram de casa nem para tentar derrubar o governo, nem para apoiá-lo.
Esse é o trabalho do instituto de pesquisas Data Popular, que se especializou em compreender o que se passa na cabeça dos brasileiros com renda familiar abaixo de 3 500 reais por mês – as chamadas classes C, D e E. O Data Popular descobriu que os mais pobres não foram às manifestações porque, primeiro, as consideram “coisa de rico”. Depois, porque são totalmente descrentes dos partidos e do sistema político e não acreditam que a queda de Dilma Rousseff vá trazer mudanças radicais no panorama econômico e social. Quando se aprofunda a compreensão sobre o que pensa essa parcela da população, emerge o fator que realmente separa ricos de pobres. E não é o impeachment.
“A defesa do impeachment se dá na mesma proporção em todas as classes sociais. Mas as razões de cada grupo para pedi-lo são diametralmente opostas”, explica Renato Meirelles, presidente do instituto. “Os brasileiros estão bem menos divididos quanto ao impeachment do que sobre o que deve ser o futuro do país.” Segundo ele, a classe C está mais indignada com o encolhimento de benefícios como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o Prouni e o Pronatec do que propriamente com a corrupção. “Para eles, a Dilma tem de sair porque não cumpriu os compromissos de campanha e não conseguiu ampliar esses benefícios.” Esse público, portanto, defende o Estado eficiente, mas provedor – que Meirelles chama de “estado vigoroso” –, enquanto nos estratos de maior renda ocorre justamente o oposto. “Os 20% mais ricos, em geral, querem um estado enxuto.” É aí que está o fosso ideológico que realmente importa, e é com esse tema que o país terá de lidar assim que o impasse do impeachment for resolvido. Como o Estado brasileiro está quebrado e o ajuste será inevitável, o embate fatalmente será traumático.
Na interpretação do presidente do Data Popular, o único fator capaz de atrair para os atos pró-impeachment o engajamento dos mais pobres seria um projeto ou um líder que representasse a promessa de melhoria no pós-Dilma. Mas não há sinal de algo do tipo no horizonte.  Em janeiro, o Data Popular perguntou a 3 500 pessoas de todas as classes sociais se conseguiriam dizer o nome de uma pessoa capaz de tirar o país da crise – 89% disseram que não seriam capazes.  Entre os 11% que apontaram algum nome, a maioria citou papa Francisco. Esses e outros dados que Meirelles apurou lhe dão a convicção de que o próximo presidente eleito no Brasil será alguém que nunca se candidatou.
Fonte: Revista Piauí

Por favor, onde posso me informar sobre a crise?

A crise política funcionou como agravante de uma situação que as pessoas já vinham sentindo quando entravam em alguma rede social e percebiam a avalanche de novos dados
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Esta é a pergunta que mais tenho escutado nos últimos dias durante conversas pela internet e em debates públicos ou de botequim. Impressiona a quantidade de brasileiros confusos e desorientados diante de uma batalha informativa que aumenta de intensidade a cada dia e cujo desfecho não é possível vislumbrar. É o drama vivido por pessoas que não vestiram nenhuma camiseta partidária e que sofrem as consequências de um turbilhão de versões e contra- versões difundidas freneticamente por uma imprensa que perdeu o senso de isenção.
Para tentar dar uma resposta aos milhares de leitores perplexos é necessário primeiro entender por que as pessoas estão vivendo este tipo de preocupação hoje . A desorientação informativa tem duas causas principais: uma estrutural, a mudança nos hábitos, comportamentos e valores informativos provocada pela internet, redes sociais, blogs e outros sistemas que dão às pessoas o poder de publicar suas opiniões e informações; e uma causa conjuntural, provocada pela crise político/partidária que estamos vivendo no Brasil e que gerou uma polarização ideológica nos veículos de comunicação do país.
A crise política funcionou como agravante de uma situação que as pessoas já vinham sentindo quando entravam em alguma rede social e percebiam a avalanche de novos dados, fatos e eventos que desafiam a capacidade de compreensão e contextualização, ou seja, de transformá-los em informações capazes de orientar nossos comportamentos.
O tsunami noticioso
A guerra de versões e contra-versões já existia em crises anteriores, como o golpe de 1964 e o impeachment de Collor, mas os protagonistas da guerra informativa se resumiam a uns poucos jornais, uma dúzia de emissoras de rádio e não mais de três redes de televisão. Agora há quase 100 milhões de brasileiros com acesso à rede social Facebook, onde se informam e opinam sobre os fatos de atualidade. Cerca de 25 milhões dos internautas tupiniquins visitam diariamente blogs noticiosos, um número muito maior do que a soma de todos os leitores de todos os jornais e revistas publicados no país. O resultado inevitável é uma mega cacofonia informativa.
A busca de resposta para a pergunta do título implica num mergulho em um dos mais complexos dilemas da nova era informativa que estamos vivendo. As pessoas estão procurando uma referência, uma espécie de oráculo informativo no qual possam confiar integralmente. Mas a dura realidade é que este oráculo não existe, o que nos leva a ser contaminados pela sensação de que vivemos no meio de um caos informativo. As pessoas procuram certezas mas só encontram dúvidas.
Fomos, em grande parte, educados na tradição cristã de que há uma verdade absoluta. Os antigos acreditavam que ela emanava de divindades. Hoje, a cultura ocidental tende a transferir a certeza informativa para empresas, como jornais, e instituições como os tribunais, juízes e cortes supremas. No entanto, depois da revolução nas tecnologias de informação provocada pela internet, até esta certeza começou a ser posta em dúvida graças à divulgação massiva de dados, fatos, eventos e processos antes ocultos sob o manto do sigilo e da omissão noticiosa.
A ilusão da verdade absoluta
O certo é que perdemos o conforto de depositar em alguém ou em alguma instituição a tarefa de nos dizer o que é certo ou errado, justo ou injusto, necessário ou supérfluo. E na atual conjuntura de crise nacional, não temos nem um jornal plenamente confiável e nem uma televisão acima de qualquer suspeita. Não podemos nem mais acreditar no que dizem governantes, políticos, magistrados, pesquisadores e líderes religiosos. Suas declarações e ações respondem a interesses ou estratégias partidárias e nos faltam elementos para identificá-los e compreendê-los.
As pessoas comuns sentem os efeitos da insegurança informativa de forma diferente. Quem vestiu a camiseta partidária tem menos preocupações porque de certa forma transferiu suas dúvidas para uma instituição ou liderança. O que o partido ou dirigente partidário decidirem, é o que vale e é verdadeiro. Já os que não militam em organizações políticas e decidiram pensar pela própria cabeça estão mergulhados na incerteza, que é angustiante e que motiva a pergunta do início deste artigo.
Para respondê-la é necessário primeiro admitir que não podemos nos informar lendo apenas um jornal, uma revista ou assistindo apenas a um telejornal ou só os blogs com os quais concordamos politicamente. A diversidade de fontes é hoje mais importante do que nunca por causa da avalanche de informações publicadas diariamente em todos os veículos de comunicação, tanto os impressos e audiovisuais, como os da internet. É o que dizem os pesquisadores científicos, talvez aqueles que mais dependem de informação confiável e exata para poder desempenhar seu trabalho.
Evidentemente são pouquíssimas as pessoas que dispõem de tempo para ler diariamente vários jornais, revistas, assistir diferentes telejornais e passar várias horas na internet navegando por sites noticiosos. Mas o pouco que cada um sabe pode se transformar num belo acervo informativo quando compartilhado em grupos ou comunidades sociais. É o que está acontecendo em países onde a avalanche informativa é mais intensa, como os Estados Unidos.
Apanhadas no meio do fogo cruzado da batalha informativa as pessoas buscam nas conversas e debates com vizinhos, colegas ou amigos a forma de compensar a angústia por não terem condições de entender o que está acontecendo. Os que já praticam esta modalidade de captação, processamento e difusão de notícias sabem que é inviável chegar a certezas absolutas. Mas pelo menos a angústia diminui.
A produção colaborativa de informações não é mais um jargão exclusivamente jornalístico pois está sendo adotado também por grupos de cidadãos que já sentem na carne a necessidade de mudar comportamentos e valores na hora de se informar. Estamos sendo obrigados a reaprender a ler uma notícia porque suas causas e consequências passam a ser mais importantes do que o fato, dado ou evento noticiado . Também estamos sendo forçados a trocar nossos valores individualistas pela colaboração. Para nos informar visando formar opiniões pessoais, precisamos agora mais do que nunca conversar com outras pessoas e ouvir delas os dados e informações de que não dispomos.
Talvez esta não seja a resposta que muitos esperavam, mas é a melhor que se pode dar no contexto atual.
Fonte: Observatório da Imprensa

Seminário na UFRGS orienta como divulgar pesquisa científica e inovação nos meios de comunicação

O evento acontecerá no dia 5 de abril as 14 horas na UFRGS
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Professores, pesquisadores e estudantes podem participar da palestra “Como divulgar a pesquisa científica e a inovação”, que ocorre dia 5 de abril, das 14h às 15h30min, no Auditório do Prédio 67, do Instituto de Informática (Av. Bento Gonçalves, 9500/ Campus do Vale).
No bate-papo, a repórter e colunista de Tecnologia e Inovação do Jornal do Comércio, Patricia Knebel, discutirá o que é notícia e as formas adequadas de divulgar para a sociedade, por meio dos veículos de comunicação, a pesquisa científica e as inovações geradas no ambiente acadêmico.
Serviço: palestra “Como divulgar a pesquisa científica e a inovação”
Data: 5 de abril
Horário: 14h
Local: UFRGS -Auditório do Prédio 67, do Instituto de Informática (Av. Bento Gonçalves, 9500/ Campus do Vale)
Entrada franca, sem necessidade de inscrição prévia. Informações pelo telefone: 51 3308.9400 (Setor de Comunicação) ou pelo e-mail comunica@inf.ufrgs.br.
Fonte: UFRGS

Com foco no direito do cidadão à informação, à participação e no dever do Estado de prestar contas de suas ações, foi criada a Associação Brasileira de Comunicação Pública - ABCPública.