Mulher e mídia: uma pauta desigual?

“A mídia comanda, sem mandar. Mandam a mulher ser bela, ser magra, ser boba, ser mãe, ser invejosa, competir com as outras[…]” 

Intensa repercussão nas redes sociais problematizando o papel da mídia na construção da ‘mulher ideal”. Imagem: Reprodução Coletivo Não me Kahlo.
Intensa repercussão nas redes sociais problematizando o papel da mídia na construção da ‘mulher ideal”. Imagem: Reprodução Coletivo Não me Kahlo.

Para muitos/as pesquisadores/as, os veículos de comunicação fixam estereótipos geradores de preconceitos e discriminação, produzindo e reproduzindo valores e hábitos consoantes a formações ideológicas sexistas. A mídia reforça um modelo de superwoman, isto é, da mulher que está inserida no mercado de trabalho, que cuida dos filhos, do marido e da casa e ainda está sempre arrumada, reforçando modelos de beleza calcados na feminilidade e na juventude.
Para a coordenadora do Observatório da Mulher[1], Rachel Moreno, “a mídia comanda, sem mandar. Mandam a mulher ser bela, ser magra, ser boba, ser mãe, ser invejosa, competir com as outras, manda correr em busca da felicidade perfeita que virá a partir da compra de produtos e valores, da exibição de marcas e etiquetas que nos identifiquem e qualifiquem. Sem tom de mando, a mídia evita a resistência e a rebelião” (MORENO, 2009, p. 13).
Como exemplo do que foi elencado por Rachel Moreno, podemos citar a reportagem da revista Veja, publicada em 18/04/16, intitulada Bela, recatada e “do lar”. A matéria, assinada pela jornalista Juliana Linhares, apresenta um perfil da vice-primeira-dama do Brasil, Marcela Temer, descrita como uma mulher “43 anos mais jovem que o marido, aparece pouco, gosta de vestidos na altura dos joelhos e sonha em ter mais um filho com o vice” (LINHARES, 2016).
A veiculação do texto pode ser concebida como exacerbação de uma “fórmula para o sucesso”, ou mesmo a exaltação de um aspecto da condição feminina que naturaliza a subalternidade até com certo glamour, uma vez que expõe faces do cotidiano da mulher de um dos políticos mais influentes no Brasil. Contudo, a matéria deixa de explicitamente problematizar tal naturalização, o que poderia ter oferecido, aos seus/suas leitores/as, um cardápio eclético acerca do significado do que pode vir a “ser mulher” em nossa sociedade.
Ao longo de cinco parágrafos, o texto evidencia as qualidades de personagem, ao exercer seu papel de mãe e esposa dedicada, reforçando estereótipos da maternidade plena e da beleza feminina. Desse modo, a revista aposta, mesmo que de modo subliminar, na exacerbação do que considera como positivo para o modelo “ideal” de esposa para um politico. Uma receita que explicita o patriarcado, mas não questiona as razões que justificam a sujeição ao lar como único destino para uma parcela das mulheres brasileiras.
Não seria exagero dizer que a mídia detém grande poder de sedução e influência sobre a sociedade justamente por fazer a mediação entre a esfera pública e a privada. Ou melhor, por sua capacidade de reproduzir, para um grande número de pessoas, algum fato social. Tal postulação fica evidente quando percebemos que o texto “Bela, recatada e ‘do lar’” tornou-se um dos assuntos mais comentados nas redes sociais e provocou a reação dos/as internautas, que rechaçaram a exposição do modelo de mulher estampado nas páginas do semanário, e utilizaram postagens com a hashtag #belarecatadaedolar e a paródia #belaescrachadaedobar.
A revista talvez não contasse com a capacidade de mobilização de diversos/as leitores/as que acessaram as redes sociais para problematizar o papel da mídia no Brasil e visibilizar perfis de mulheres que puderam fazer outras escolhas, aquelas que subverteram a ordem comandada pelos desvalores que imputam sérias restrições ao público feminino. Mulheres que não se enquadram no que o veículo expõe como o “padrão de feminino” tão necessário para a conformação da ficcional e cada vez mais encenada “tradicional família brasileira”.

*Ana Veloso é professora do Departamento de Comunicação da UFPE e pesquisadora do Observatório de Mídia – Gênero, Democracia e Direitos Humanos.

  1. Organização que busca contribuir, resgatar e tornar visíveis as lutas das mulheres no Brasil. Tem como objetivos promover os direitos das mulheres, democratizar a comunicação e produzir e veicular informações sob o ponto de vista das mulheres (http://observatoriodamulher.org.br/site/).  Acesso: 15 set 2010.

 
Referências:
MORENO, Rachel. Vigiar, seduzir, excluir – a colonização das mentes. In: LIMA e VICENTE. O Controle social da imagem da mulher na mídia. São Paulo: Articulação Mulher e Mídia, 2009, p. 11-16.
LINHARES, Juliana. Bela, recatada e “do lar”. Revista Veja, 18/04/2016.
Fonte: ombudsPE

Ativistas da comunicação preparam ato contra mídia

Fórum avalia que movimento pró-impeachment desnudou o quanto é danoso monopólio da comunicação nas mãos de grandes grupos econômicos

Renata Mielli defendeu que é preciso união dos movimentos sociais para avançar na democratização da comunicação
Renata Mielli defendeu que é preciso união dos movimentos sociais para avançar na democratização da comunicação

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) prepara um ato para denunciar a participação da imprensa na articulação do impeachment contra a presidenta da República, Dilma Rousseff, no próximo 5 de maio, em várias cidades do Brasil. Com o tema “monopólio é golpe”, a mobilização será realizada em parceria com a Frente Brasil Popular. O Fórum avalia que há um movimento de unidade entre os grupos de telecomunicações e radiodifusão para fortalecer o grupo oposicionista, liderado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB-SP).
“Temos que continuar junto aos demais movimentos sociais que estão nas ruas defendendo nossa democracia, sempre buscando a unidade. Nossos inimigos estão lá fora, articulando e executando o golpe. São os radiodifusores, o capital privado que atua nas comunicações e o monopólio”, afirmou a nova coordenadora executiva do FNDC, Renata Mielli, eleita em plenária realizada no último final de semana.
O fórum também elaborou um plano de ação para intensificar a luta pela democratização da comunicação no país, considerada inadiável na atual conjuntura política. “Todo este processo político desnudou o quão danoso é o monopólio da comunicação para uma sociedade. A disputa de narrativas na sociedade se coloca como elemento central para enfrentar a onda reacionária e conservadora que tem uma dimensão política – a de derrotar políticas públicas de caráter progressistas –, mas que tem uma dimensão cultural perigosa, ao impor uma agenda de ódio e discriminatória contra mulheres, negros, índios, LGBT’s, dentre outros”, diz o documento.
O documento propõe ainda que os integrantes do FNDC aproveitem as eleições municipais para elaborar propostas de políticas públicas locais de comunicação, compondo uma plataforma a ser apresentada para candidatos aos Executivos e Legislativos. Além disso, pretendem ampliar a coleta de assinaturas do Projeto de Lei da Mídia Democrática, intensificar a luta pela criação dos conselhos de comunicação, discutir critérios para distribuição da verba de publicidade dos municípios, a ampliação de espaços para a comunicação comunitária e de políticas de acesso livre à internet.
Segundo o documento do FNDC, “o cenário de crise política e econômica que vivemos – no Brasil e em outros países – nos coloca num quadro de resistência. É o momento de ampliar a unidade do movimento social em torno da defesa da democracia, da denúncia do golpe em curso no país, contra as medidas neoliberais e de regressão de direitos”. Para o grupo, a luta pela democratização dos meios de comunicação, por mais pluralidade e diversidade na mídia brasileira, “é estratégica e imprescindível para o enfrentamento de uma crise que tem na mídia hegemônica seu elemento propulsor”.
Fonte: Rede Brasil Atual

Parceria entre EBC e Rádio Brasil Atual reforça a comunicação pública

A Rádio Brasil Atual passa a transmitir com exclusividade para São Paulo o programa ‘Nacional Brasil’, comandado pelo jornalista Sidney Rezende, que será apresentado de segunda a sexta, das 7h às 10h

Novo programa Nacional Brasil, com Sidney Resende, reforça a prestação de serviços e o jornalismo cidadão
Novo programa Nacional Brasil, com Sidney Resende, reforça a prestação de serviços e o jornalismo cidadão

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) acaba de fechar parceria com a Rádio Brasil Atual para transmitir conteúdo em rede nacional, em mais uma iniciativa que reforça a democratização da comunicação e fortalece a rede de emissoras públicas de rádio e televisão, da qual a TVT também faz parte. A cerimônia de lançamento da parceria e do novo programa Nacional Brasil, comandado pelo jornalista Sidney Rezende, ocorreu na segunda-feira (25) em São Paulo.
O programa Nacional Brasil estreia na próxima quarta-feira (4), e vai ao ar a partir da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, da EBC, e será apresentado de segunda à sexta, das 7h às 10h. Na Grande São Paulo, a coprodução e a retransmissão do programa serão exclusividades da Rádio Brasil Atual. Brasília e região amazônica também serão contempladas.
Sidney Rezende diz que a sociedade quer o aprofundamento da democracia e que, para isso, é preciso respeitar a pluralidade de pensamentos. “O nosso slogan é respeitar a forma do outro pensar. Ninguém pode mais impor um pensamento a alguém”, falou Sidney ao repórter Jô Miyagui, para o Seu Jornal, da TVT.
Para o diretor-geral da EBC, Pedro Henrique Varone, a parceria com a Rádio Brasil Atual é estratégica e um dos objetivos é trazer um novo olhar para o jornalismo. “É um programa de jornalismo de serviço, com informação, tentando trazer os temas factuais do dia, muitos serviço sobre trânsito, sobre a situação das pessoas, procurando olhar também para as periferias das grandes cidades.”

Paulo Salvador, coordenador da Rádio Brasil Atual, considera que essa parceria vai fortalecer a democratização da comunicação e trará ainda mais qualidade ao jornalismo da Rádio Brasil Atual. “O Brasil e os cidadãos ganham ao produzirmos mais notícias. Será um ganho à democratização da comunicação e, portanto, à cultura, ao conhecimento e à cidadania. Vai fazer com que a gente possa viver melhor.”
Para o presidente da TVT, Valter Sanches, o público da Grande São Paulo e do litoral paulista vai ganhar um jornal com conteúdo diferente das rádios comerciais tradicionais. “Vamos poder fazer chegar mais longe o nosso princípio de dar a notícia que os outros não dão.”
Fonte: Rede Brasil atual

Belém recebe Encontro Estadual de Comunicação

O Secretário de Comunicação esteve no ‘Sem Censura’ para falar sobre o evento que acontece nos dias 2 e 3 de maio
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O “Sem Censura Pará” de segunda (25/04)recebeu o Secretário de Estado de Comunicação, Daniel Nardin, para falar sobre o Encontro Estadual de Comunicação, o Publicom, que acontece nos dias 2 e 3 de maio.
Encontros parecidos com esse já haviam sido realizados no interior. “Nós optamos por começar pelo interior pra regionalizar a comunicação. Nós começamos por Xinguara, fizemos recentemente em Redenção e agora estamos preparando pra fazer em Belém”, disse o secretário.
O evento promovido pela Secretaria de Comunicação (Secom) terá inscrições abertas para profissionais de comunicação da gestão pública, da imprensa e estudantes. Entre os palestrantes cofirmados estão: Marcelo Canelas (Tv Globo), Vinicius Dônola (Tv Record), Marcelo Torres (SBT) e Luli Radfahrer (professor e doutor de comunicação Digital da Universidade de São Paulo).
O encontro contará ainda com debates, palestras e workshops no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. As inscrições serão gratuitas e feitas exclusivamente no site secom.pa.gov.br/publicom.
A apresentadora Renata Ferreira também recebeu a antropóloga Wilma Leitão, que falou sobre o lançamento do segundo volume de “Ver­o- Peso: Estudos Antropológicos sobre o Mercado de Belém”. O livro reúne estudos antropológicos sobre o ver­o­pesoe será lançado na terça feira, dia 26 de abril, às 18h na Livraria Fox, na Dr. Moraes, entre Conselheiro e Mundurucus.
No último bloco, o músico Quiure Soares falou sobre o seu primeiro CD autoral de nome “Orgânico”, a ser lançado no Teatro Margarida Schivasappa, com show na terça­feira, 26 de abril, às 20h. O instrumentista comemora seus 25 anos de carreira e reúne, no show, participações  especiais de músicos como Luiz Pardal (Pa) Fernando Nunes (AL) e Thiago Silva (RJ).

Prefeitura de Bonito lança canal de comunicação instantâneo para turistas e cidadãos

Para turistas estrangeiros, há também uma versão do sistema em inglês no mesmo número. / Divulgação
Para turistas estrangeiros, há também uma versão do sistema em inglês no mesmo número. / Divulgação

A Prefeitura de Bonito acaba de implantar uma nova forma de comunicação entre a Administração, o cidadão e os turistas. Com o Bonito ZAP, a gestão municipal disponibiliza, de forma programada ou por meio de atendentes, informações instantâneas, visualizados diretamente no aplicativo de mensagens WhatsApp.
Para utilizar o sistema, basta cadastrar o número na agenda do celular e enviar uma mensagem para o contato. A partir deste momento, a pessoa passa a fazer parte da nova rede de comunicação da Prefeitura.
Para se informar sobre o setor de turismo, o número é 67 8469.8932. Após cadastrar na agenda do celular, o usuário deve enviar a mensagem “bonitozap”, para começar a receber materiais com informações sobre hospedagem, gastronomia, atrativos, agências de turismo e informações complementares sobre o município. Para turistas estrangeiros, há também uma versão do sistema em inglês no mesmo número.
Já para o cidadão, o número para cadastro é 67 8469.8845 e a palavra-chave “bonitozapcidadão”. Após a mensagem, o participante poderá saber sobre a atuação da administração municipal e informações da área de saúde, educação, obras, assistência social, meio ambiente entre outras informações para o desenvolvimento do município.
O sistema é uma via de mão dupla e o usuário pode participar enviando sugestões, críticas, elogios e questionamentos. O aplicativo envia e recebe informações por meio de áudios, vídeos, imagens e textos. Os atendentes encaminham as solicitações diretamente para as Secretarias responsáveis, permitindo que pequenos problemas que vierem a ocorrer sejam sanados rapidamente, dando mais agilidade e conforto ao cidadão.
“Bonito novamente está um passo à frente, somos o primeiro órgão público brasileiro a lançar este tipo de canal para comunicação, que aproxima turistas, cidadãos e o município. Eu sempre falo que a participação da população é fundamental para o desenvolvimento de Bonito e estamos investindo cada vez mais em um governo participativo e democrático”, destacou o prefeito de Bonito, Leonel de Souza Lemos (Leleco).
Yuri Borowsky, diretor da empresa Social Chatter, desenvolvedora do sistema, afirma que Bonito foi a primeira entidade pública a se preocupar em oferecer uma solução de comunicação que integre órgão e população. “A Prefeitura acreditou em uma forma inovadora de comunicação. Com a plataforma, turistas e cidadãos ficam sabendo instantaneamente das novidades do município e das potencialidades turísticas. Veja você mesmo, cadastre o número do turismo e saiba tudo o que Bonito tem a oferecer”.
Fonte: a crítica

Ministério das Comunicações pode deixar de existir no governo Temer

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Com a possibilidade da presidente Dilma Rousseff ter que deixar seu cargo e dar lugar ao vice-presidente Michel Temer, o político do PMDB tem plantado notícias na mídia, e a mais recente delas é surpreendente. Segundo informações da agência Reuters, no “futuro governo” do vice-presidente, um grande enxugamento será feito nos ministérios, e o das Comunicações seria uma das instituições do governo que simplesmente deixaria de existir.
A decisão seria feita para dar à Anatel plenos poderes em relação à formulação de políticas e regulações do setor de comunicações do país. Rumores também indicam que um super ministério seria criado, abrangendo os de Minas, Energia e Aviação.
Não se sabe o que aconteceria com o setor de radiodifusão, mas existe uma suspeita de que as demais atribuições do Ministério de Comunicações seriam atribuídas ao Palácio do Planalto, como regulação de mídia e publicidade.
Fonte: CanalTech

Governo e PT pagam a conta por não investir em agência de notícias

Ausência de agência que informe a imprensa estrangeira sobre o Brasil deixa a narrativa nas mãos de grupos privados.

Em 2015, o então ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, conversa com correspondentes estrangeiros
Em 2015, o então ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, conversa com correspondentes estrangeiros

A crise política que o Brasil vive virou manchete na imprensa internacional. Mas como essas informações são produzidas e qual relação existe entre esse processo e a arquitetura do sistema de comunicação brasileiro? Para compreender essas questões, o Intervozes convidou o jornalista e pesquisador Pedro Aguiar para abordar a situação das agências de notícias em nosso país e em outras nações.

Os correspondentes que cobrem a crise política brasileira agora já entendem um pouco melhor os meandros do nosso sistema político. Quando começaram a mandar matéria, no segundo semestre do ano passado, sobre a crise em curso, a maioria estava bastante perdida.
Mesmo alguns que já estão baseados no País há anos tiveram certa dificuldade para explicar como é que uma presidenta sabidamente ilesa de qualquer acusação de corrupção estava sofrendo impeachment por uma tecnicalidade contábil e não por acusação objetivamente relacionada ao escândalo da investigação Lava Jato.
Repórteres estrangeiros expatriados no Brasil vivem o que chamo de “Síndrome de Magu”, em referência ao antológico personagem criado por Fritz Utzeri (1944-2013).
Com seu humor sarcástico, o premiado jornalista inventou, em suas crônicas, o infeliz Harald Magnussen, o “Magu”, correspondente do fictício jornal sueco Montbläat, que sofria de descrédito junto ao editor para quem mandava matérias do Brasil. Da longínqua e perfeitinha Suécia, o chefe não conseguia acreditar nas rocambolescas, porém reais, tramas da política brasileira.
Certa vez, o editor deu a Magu o prazo de 24 horas para desmentir a existência do PMDB. “Como é possível que exista um partido que seja, ao mesmo tempo, da oposição e do governo? Isso é simplesmente impossível! Ou você para de beber ou vai para o olho da rua!”, vociferava o chefe sueco contra o pobre correspondente, numa crônica de julho de 2005.
É, no entanto, exatamente essa a função dos correspondentes. Eles precisam não só explicar, mas frequentemente convencer os seus superiores e colegas nos países de origem de que estamos, sim, à beira de um impeachment sem crime, reféns de umparlamento cujo presidente da câmara baixa é réu por corrupção, mas campeão da moralidade, em que setores da social-democracia pedem a volta do autoritarismo e em que a esquerda corteja o apoio do partido da ditadura militar para tentar se sustentar no poder.
E essa tarefa seria bem menos árdua se o País contasse com um aparato institucional de distribuição de notícias sobre nós mesmos e que fossem escritas pelos nossos próprios jornalistas, nas línguas estrangeiras. Isso seria feito com uma agência de notícias internacional. Mas não.
O Brasil fez uma opção histórica por não ter uma agência de notícias voltada para fora, publicando em inglês e em espanhol, dada a nossa inserção na América Latina, e enviando– não só publicando, mas fazendo a logística da informação da fonte até o cliente, até que chegue nas mãos dos jornalistas estrangeiros – esse tipo de conteúdo.
Fizeram essa opção tanto o governo, que em 13 anos de PT abdicou de construir uma política nacional de comunicação, confiando na docilidade da mídia privada nacional, quanto os empresários dessa própria mídia, que nunca articularam uma agência cooperativa formada por joint-venture entre os principais jornais brasileiros, como são aAssociated Press norte-americana, a Ansa italiana, a DPA alemã e a Kyodo japonesa, entre muitas outras.
Todas essas agências são resultado da associação entre os jornais, revistas e emissoras de seus respectivos países, que deixam de lado a concorrência setorial para montar um serviço que beneficie a todos, compartilhando custos de cobertura e de distribuição externa de seu material original (sem abrir, é claro, mão do material exclusivo nem dos furos).
Em vez disso, temos basicamente dois tipos de “agências” brasileiras: ou a dos conglomerados (Agência Estado, Folhapress, Agência O Globo), que são balcões de revenda de fotos e textos já produzidos pelas equipes dos jornais de cada grupo; ou nossa única agência de notícias estatal federal**, a Agência Brasil, a qual produz uma quantidade ínfima de quatro ou cinco matérias em inglês e espanhol por dia (ainda que o trabalho, conduzido pela jornalista Olga Bardawil, seja admirável, respeitável e melhor que nada, já que era rigorosamente nada até 2012).
Nos dois casos, essas agências produzem notícias brasileiras para brasileiros. Para os gringos, de fato, ninguém escreve nada.
Mas a “introspecção” da Agência Brasil não é a única causa, e sim um ponto entre uma série de escolhas políticas feitas pelos governos Lula e Dilma. Não aderir à Telesur, criada em 2005 com participação de Venezuela, Argentina, Uruguai e Equador, foi uma escolha. Acabar com o Canal Integración, que produzia conteúdo audiovisual em espanhol para a América Latina, em 2010, foi outra escolha.
Não redistribuir a verba publicitária federal, atribuída pela Secretaria de Comunicação Social (Secom), levando ao sufocamento financeiro de mídias independentes, inclusive algumas históricas que também tinham edições internacionais em outros idiomas, como aCadernos do Terceiro Mundo, foi mais uma escolha.
Tudo isso contribuiu para a manutenção do isolamento midiático do País, a despeito de esporádicas capas da The Economist. Esse tipo de ausência faz o Estado brasileiro pagar caro por não ter quase ninguém que entenda de Brasil publicando na imprensa internacional.
No fim de março, o jornalista Glenn Greenwald notou, em artigo, que grande parte da cobertura estrangeira sobre o Brasil é feita citando a mídia corporativa privada brasileira, que tem partido tomado na crise e está longe de tentar isenção.
No começo de abril, na TV Brasil, o professor Laurindo Leal Filho, especialista em comunicação pública, elogiou o trabalho dos correspondentes baseados por aqui, mas notou a dificuldade em manter a soberania informativa sobre as informações a respeito do País e que saem deste.
Brasil está isolado no cenário mundial da produção de notícias
Em outros países de mesmo grau de desenvolvimento que o Brasil, como os que compõem os BRICS, há alguma agência de notícias que distribui, de forma permanente, notícias em inglês. Os modelos e arranjos institucionais são variados, mas os exemplos servem para ilustrar as possibilidades de organização das agências.
A China sustenta a gigantesca Xinhua, que presta serviço noticioso em dez idiomas, emprega 8 mil jornalistas e tem 138 escritórios espalhados pelo mundo.
A Rússia mantém duas agências distintas – a TASS, desde os tempos soviéticos, e a recém-criada Sputnik, que produz conteúdo para rádio em cinco idiomas e web em 31 idiomas, além de enviar 790 matérias por dia, em média. A PTI, da Índia, é outro colosso formado pela cooperação entre jornais concorrentes indianos, com 400 jornalistas que produzem 2 mil matérias por dia.
Para ficarmos só em nossa região, a Argentina mantém a Télam (Telenoticiosa Americana) desde a primeira época de Perón. Embora ameaçada pelos cortes orçamentários do governo Mauricio Macri, segue como um canal de referência nacional e internacional para bom jornalismo – e para cobrir as notícias argentinas.
Os governos da guinada à esquerda latino-americana entenderam o potencial multiplicador das agências e, por isso, investiram no setor.
A Venezuela de Chávez remodelou sua antiga Venpress como a AVN (Agencia Venezolana de Noticias), enquanto o Equador de Rafael Correa estabeleceu a Andes (Agencia de Notícias del Ecuador y Sudamérica), a Bolívia de Evo Morales criou a ABI (Agencia Boliviana de Información) e o Paraguai de Fernando Lugo fundou a IP-Paraguay.
Os países sul-americanos que não têm agências públicas de notícias são Colômbia e Chile, justamente os dois geopoliticamente mais próximos dos Estados Unidos.
Nenhuma dessas empresas é só “um site”, como ocorre com a nossa Agência Brasil. Ao contrário desta, as demais contam com estrutura de transmissão de informação até os destinatários finais, seja por linha dedicada, intranet ou conexão via satélite.
Com exceção da ABI e da IP-P, elas operam em mais de um idioma (em geral, pelo menos o nativo e o inglês), fazendo da tradução parte central de sua rotina produtiva. E, com isso, conseguem tornar-se referência mundial na cobertura do noticiário sobre seus respectivos países, especialmente garantindo que os jornalistas estrangeiros tenham acesso aos pormenores do dia a dia.
Mesmo que só publiquem uma pequena fração do conteúdo, eles pelo menos recebem e leem conteúdos mais completos. Assim, na hora de cobrir uma crise, não partem do zero, mas de uma base informativa construída paulatinamente.
Não podemos esperar que os jornalistas lá fora aprendam português para nos cobrir com propriedade, factualidade, apuração própria e checagem minuciosa. Não podemos contar com a boa vontade deles em vir buscar informações verídicas e de fonte confiável sobre nossa realidade, nosso contexto e nossos processos históricos.
Não podemos confiar na imparcialidade já há muito abandonada da nossa imprensa privada para ser referência junto aos repórteres e editores do exterior.
O cenário só será alterado quando o Estado brasileiro contar com uma agência de notícias voltada para fora, com serviço permanente em língua estrangeira e volume significativo deoutput, com entrega garantida por canais de distribuição e logística de transmissão própria e soberana.
Enquanto isso não ocorre, continuamos largamente ignorados e vistos como exóticos pela cobertura estrangeira – que, na falta do fluxo contínuo de notícias em língua estrangeira, só fala do País na excepcionalidade de crises ou do pitoresco –, deixando que os outros contem para o mundo os acontecimentos que definem a nossa própria história.
*Pedro Aguiar é jornalista e doutorando em Comunicação Social na UERJ. 
** O Intervozes trabalha com o conceito de comunicação pública ao referir-se à Agência Brasil, mas manteve, no texto, o termo apresentado pelo autor que, como convidado do nosso blog, manifestou livremente sua opinião sobre os assuntos abordados.
Fonte: Carta Capital 

"Acontece hoje, no Brasil, uma guerra de informação"

Nesses tempos de  maniqueísmo  nos debates políticos, a escritora, psicóloga e doutora em filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Viviane Mosé chama a atenção para os formatos de informação que chegam ao povo brasileiro.

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Viviane Mosé, escritora, psicóloga e doutora em filosofia Foto: Christian Gal/Divulgação

Conhecida por sua disposição em traduzir temas filosóficos para uma linguagem cotidiana, Viviane Mosé já  encabeçou o quadro “Ser ou Não Ser”, no programa global Fantástico. Ela adianta para A TARDE que está envolvida no processo de escrita do seu próximo livro “Como Cego em Tiroteio: A Guerra da Informação”, em que abordará questões sobre a mídia nacional.  Comentarista da rádio CBN e educadora, Viviane fala nesta entrevista  sobre a sua próxima publicação, analisa o cenário político do Brasil e acredita que, para alguns Países, é interessante que o Brasil perca o papel de relevância na cena mundial. “Na minha opinião, também há algum movimento para retirar o Brasil do protagonismo internacional”.
Nesse processo atual, de intensa discussão dentro e fora das redes sociais, o que ganhamos ou perdemos?
Nós ganhamos muito pouco nesse processo. Perdemos muito. Esse processo começa, em 2013, quando, movidos pelas novas ferramentas – as chamadas novas mídias -, nós descobrimos que poderíamos acessar uns aos outros e construir novas correlações de forças. Aconteceu uma euforia com essa vitória.   Então, tivemos duas ou três milhões de pessoas nas ruas. Só que elas não entendiam  bem o que faziam ali. Elas sabiam, pelo menos, que eram contra a desigualdade social, a má qualidade dos serviços públicos e os altos índices de inflação, por exemplo. Com uma razão mais do que justa. Só que toda essa indignação não apareceu com a qualidade de uma direção. Ela não apareceu como proposta e, sim,  com gritos. O que aconteceu ali? Todas as forças  da sociedade estavam representadas.  Tanto as  chamadas do bem quanto  as que  dizemos  do mal.
Qual a situação política que o Brasil enfrenta hoje? 
Temos uma população, com total honestidade e verdade, dizendo: “eu não aguento mais”. Isso é fato em todos os lados e direções.  Agora, não há solução para sair dessa situação. Muito pelo contrário. Então, as pessoas têm ódio e raiva umas das outras.  Essa polarização não leva ninguém a nada, mas não há proposta. A situação que temos, no Brasil, hoje é a seguinte: há uma radicalização e fortalecimento da esquerda, o que por um lado é ótimo, mas por outro é perigoso porque há um radicalismo em relação ao impeachment e a tudo isso que está acontecendo. A esquerda, que estava complementa desgastada até final de dezembro do ano passado, agora cresceu. Numa ponta oposta, há  radicalização do modelo absolutamente de direita, que é o Eduardo Cunha. Ele não é só de direita, ele ri na nossa cara em rede nacional. Ele diz: “ninguém me tira daqui”. É um negócio bem ostensivo o que Eduardo Cunha está fazendo. Esse presidente da Câmara está como PMDB, partido que hoje domina o Brasil. Então, temos Eduardo Cunha, Michel Temer e Renan Calheiros mandando no País. No meio disso, há o PSDB destruído porque está envolvido na Operação Lava Jato, não tem liderança e não é capaz de se colocar.  Eu acho que o PSDB foi quem mais perdeu nisso tudo.
E a população brasileira?
A população está no meio gritando histérica. Isso fica muito bem representado na  figura da [jurista] Janaína Paschoal berrando e agitando bandeira como uma louca. Isso não é atitude digna de uma mulher que busca levar adiante o processo de impeachment. O Brasil está numa encruzilhada.
Há um maior interesse sobre temas políticos no País?
O maior ganho desse momento é o interesse dos brasileiros por política. Ganho é que, nas próximas manifestações de rua, vamos ter um volume cada vez maior. Ganho é este amadurecimento político. Mas, ele precisa, urgentemente, de lideranças que tenham um mínimo de noção. Não temos, hoje no Brasil,  sequer um nome que possa representar isso. Então, o que de fato vai acontecer?  Não vejo solução. Vejo apenas uma crise política sem precedentes num País que acha que o  problema é apenas econômico. Há, sem dúvidas, um problema econômico. Só que o problema político do Brasil é a desintegração partidária.
Nos discursos de votação do processo de impeachment na Câmara dos Deputados, ficou claro que as minorias não estão ali representadas.    
Os  deputados não representam a população brasileira. Estamos vendo o fim do sonho de uma sociedade mais ética e mais justa. O fim de causas importantes, como a valorização das minorias e a diminuição das desigualdades. É em prol delas que as pessoas precisam ir à luta. O abismo entre  classes é uma realidade no Brasil sem tamanho: os preconceitos velados contra negros, a ocultação das mulheres, os debates retrógrados sobre  gênero  com vereadores impedindo discussões sobre o tema em escolas. Vivemos um momento de retrocesso político. O Brasil, até 2013, estava caminhando para o amadurecimento. De lá para cá, entramos numa onda de retrocesso. Estamos andando para trás. Até 2013 ninguém em sã consciência imaginava um cartaz pedindo regime militar em inglês. Isso é uma vergonha para qualquer que seja a liderança nacional. Hoje, é possível ver tudo isso na rua. O preconceito voltando de uma maneira inacreditável. É como se alguém, só  porque diz “não quero Dilma Roussef”, fosse representante do bem e quem não quer a saída da presidente  representasse o mal. Ninguém está olhando para o lado: vivemos sérias perdas de direitos.
Manchetes de jornais internacionais falam sobre a crise política que o Brasil vive. As Olimpíadas estão bem próximas. Como fica a imagem do País  vivendo esse conflito?  
Eu acho que essa coisa é um pouco mais densa porque o Brasil, há pouco tempo, era visto no mundo inteiro como uma referência. O Brasil, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), puxou no mundo a diminuição da desigualdade social. Enquanto todos achavam que  desigualdade  iria aumentar e caminharíamos para um caos, o Brasil puxou   mudanças em relação a tal postura. Representamos a possibilidade de ascensão para os menos favorecidos. Só que estamos vendo, diante desses acontecimentos, e, na minha opinião, não por acaso antes da Copa do Mundo e das Olimpíadas,  um interesse de desfazer no Brasil na cena mundial. Há um índice chamada Risco Brasil, que é consultado por  investidores para saber se entram ou  não no País. Se você tem um Risco Brasil alto, outros Países vão ter o investimento que  não temos. Na minha opinião, também há algum movimento para retirar o Brasil do protagonismo internacional.
Quais  os tipos de informação que os brasileiro acessam nesse cenário complexo?
O que está acontecendo nas ruas não está representado no enredo que aparece nos jornais e na grande mídia. Este enredo que está sendo contado não é o único. Tem o enredo de quem não concorda com o impeachment e ele vai continuar aparecendo. Diante de uma eleição, o que vale não é a manipulação de manchetes.   Nós não estamos sabendo ler. O Brasil ainda não aprendeu a ler. O Brasil acha que ler é repetir o que viu na tevê, na postagem de um amigo ou aquilo que leu no jornal. A gente não sofistica a capacidade de interpretação. Hoje somos guiados pela notícia. Estou escrevendo um livro que adoro o título, “Como Cego em Tiroteio: A Guerra da Informação”. A informação é a bomba de nêutrons que achamos que iríamos ter no século 20. A informação é a arma para construir ou destruir uma sociedade. Quem carrega a informação está com tudo. O que acontece hoje, no Brasil, é uma guerra de informação. Você não sabe o que de fato é uma investigação da Lava-Jato ou manipulação política com interesse de afastar uma presidente. O Brasil ainda não saber ler.
Fonte: A tarde 

Governo de Brasília arrecada bolsas usadas com itens pessoais para moradoras de rua

Campanha foi lançada após ações semelhantes serem divulgadas na web. Escova, pasta de dente e maquiagem estão entre pedidos; prazo é até 30 de abril

Material da campanha para arrecadação de produtos para mulheres (Foto: Reprodução)
Material da campanha para arrecadação de produtos para mulheres (Foto: Reprodução)

Inspirado em ações que surgiram em redes sociais, o governo do Distrito Federal lançou campanha para arrecadar itens de higiene pessoal e beleza para mulheres de rua. A ideia é que mulheres doem escovas, pasta de dente, hidratante, absorventes, peças íntimas e maquiagem dentro de bolsas que não usam mais.
A campanha “Com que bolsa eu vou?” foi divulgada na web no dia 17 de Fevereiro e alcançou quase 900 compartilhamentos em nove horas. As doações podem ser feitas até 30 de abril e entregues nos centros especializados de atendimento à mulher da Estação 102 Sul do Metrô e da QNM 02 de Ceilândia, além de na Casa da Mulher Brasileira, na 601 Norte.
Dados da Secretaria de Direitos Humanos apontavam em 2015 haver 4 mil moradores de rua. “Dá tempo de falar com as amigas e fazer um mutirão para ajudar as mulheres que tanto precisam”, postou o GDF. “E os homens que se sensibilizarem com a causa também podem participar.”
Outras ações
O GDF também já usou redes sociais para falar sobre aleitamento materno, racismo, assédio sexual no transporte público, doações de sangue, medula e cabelo, economia de água, lixo jogado nas ruas, tráfico de pessoas, valorização dos espaços públicos, uso de bicicleta, saúde do homem e da mulher e campanha de doação de água para Governador Valadares.
Fonte: G1

Ministério da Justiça lança campanha sobre recall

Em uma animação bem divertida, um esquilo e uma raposa assiste ao anúncio de recall que aparece na TV da sala e descobrem que não podem comer o único cereal que restava em casa

Em 2013, a Unilever foi obrigada a fazer um recall de alguns lotes de sucos de maça por contaminação com produtos de limpeza. Em 2015, a Heinz se viu na mesma situação, devido ao nível de chumbo (alto) em alguns dos seus cereais infantis.
Você pode não se lembrar desses casos, mas são exemplos clássicos de riscos à saúde do consumidor. E é exatamente por isso que o recall não é apenas uma questão de bom senso das empresas: é um direito seu! Mas de nada adianta, se o consumidor  não presta atenção ou simplesmente não exerce o seu direito. Para reforçar a importância de atender o chamado dos fornecedores e para valorizar o instrumento do recall, o Ministério da Justiça lançou uma campanha voltada exclusivamente para o recall de alimentos e a importância das informações sobre rotulagem.
Em uma animação bem divertida, um esquilo e uma raposa assiste ao anúncio de recall que aparece na TV da sala e descobrem que não podem comer o único cereal que restava em casa. Sem mais opções até receberem o novo produto, correm para o mercado para comprar mais comida. “Fique atento aos recalls e às rotulagens dos alimentos! Em caso de recall, entre em contato com o fornecedor do produto para que seja realizada a troca, sem ônus. No caso de rotulagem de alimentos, saiba o que você está consumindo e não coloque sua saúde em risco“, alerta a mensagem final do filme.
De acordo com o site do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), o Brasil ainda não possui estatísticas sobre a ocorrência desses tipos de defeitos em produtos. Por isso, o Inmetro criou um banco de dados onde o consumidor pode relatar casos como intoxicação alimentar, corte ao abrir embalagens, entre tantos outros. O Idec destaca que essas informações são fundamentais para a redução de incidentes e aperfeiçoamento de produtos e serviços oferecidos aos clientes.
Fonte: Comunica que muda
 

Mídia social torna linha entre jornalismo e ativismo embaçada

A questão de qual é a diferença entre jornalismo e ativismo criou uma animada discussão durante um painel no Simpósio Internacional de Jornalismo Online (ISOJ).
Painelistas concordaram que embora a linha entre os dois tenha se tornado mais difícil de discernir dadas as mídias sociais de hoje em dia, ainda existem algumas diferenças importantes e fundamentais entre jornalistas e ativistas.
A discussão foi iniciada pela painelista Pam Fine, presidente da Sociedade Americana de Editores de Notícias (ASNE), professora de jornalismo na Universidade de Kansas e Knight Chair de Noticías, Liderança e Comunidade. Pam Fine destacou como a ênfase para os jornalistas mudou ao longo do tempo – desde destacar a objetividade ao “esforço para ser justo e preciso”.
No entanto, com as mídias sociais, as expectativas dos leitores também mudaram – especialmente a geração milênio, as pessoas nascidas entre o início dos anos 1980 e os anos 2000s.
Joel Simon, diretor-executivo do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), começou a falar sobre o porquê de diferentes partes interessadas se preocuparem com as diferenças entre jornalistas e ativistas – destacando que nunca foi fácil fazer a distinção, uma vez que esta baseia-se fortemente em contexto. Simon ainda acrescentou que o que os jornalistas fazem pode não ser completamente distinto do trabalho feito por ativistas.
Em última análise Simon concluiu que a diferença pode não ser importante, porque “os jornalistas operam em um quadro jurídico e político mais amplo que protege a liberdade de expressão e eles devem compartilhar este espaço e defendê-lo ao lado de ativistas.” “No final do dia”, diz Joel Simon:
“Os jornalistas são mais livres, mais seguros e mais confiantes quando a linha que separa os jornalistas dos ativistas é um pouco embaçada.”
Jake Horowitz, fundador da Mic.com, ecoou esse sentimento de indefinição das duas categorias, enquanto sublinhou que a distinção é importante. Ele salientou que a mídia social tem desempenhado um grande papel no sentido de tornar as diferenças menos clara, especialmente por jornalistas usarem diferentes plataformas para relatar e compilar histórias.
No entanto, Horowitz disse que o papel dos jornalistas é ” fazer as perguntas difíceis…, mas sem levar as pessoas a se engajarem em causas ou assinarem petições.” Para os defensores, há também uma série de semelhanças entre seu trabalho e o trabalho de jornalistas.
Emma Daly, diretora de comunicações da Human Rights Watch, disse que o trabalho de campo de pesquisadores da organização se parece muito com o de jornalistas. Para Daly, a distinção final tem aver com o que acontece após a informação ser disseminada. “Nós produzimos jornalismo, mas nãosomos jornalistas. Nós não ficamos apenas pela história, nós procuramos recomendações sobre comoresolver o problema”, disse ela.
Daniela Gerson, editora envolvimento da comunidade para o Los Angeles Times, destacou as maneiras como o LA Times está adotando ferramentas para retratar perspectivas que de outra forma não seriam representadas, se esforçando para apresentar ambos os lados da história. O Los Angeles Times tem sido capaz de fazer isso através da integração de mídia social em seu processo de elaboração de relatórios, de acordo com Gerson .
Embora todos os participantes tenham concordado que a linha entre ativismo e o jornalismo com o surgimento da Internet não está claramente definida, Joel Simon também realçou a importância do contexto.
“Se você operar em um país onde a repressão e violência e intimidação são o nome do jogo todos os dias, então a cada dia que você está defendendo o seu nome próprio e o nome dos seus colegas”, disse ele.
ISOJ ocorreu nos dias 15 e 16 de abril, no Blanton Museum of Art, no campus da Universidade do Texas, em Austin. A conferência foi transmitida em Inglês aqui e em espanhol aqui.
Fonte: Journalism in the Americas University of Texas

Torta amarga

Conheça o projeto da rede de padaria e confeitaria francesa “Paul” que busca combater a desigualdade de gênero com tortas
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E o maior pedaço do bolo vai para…
Como reza essa tradição, logo após os parabéns o primeiro pedaço do bolo costuma ir para a pessoa mais importante. Mas este projeto da rede de padaria e confeitaria francesa Paul mostra que em algumas situações, os mais valorizados não levam o primeiro pedaço. Mas sim o maior. Isso se encaixa, por exemplo, na diferença de salários entre homens e mulheres na maioria dos países.
De acordo com o Relatório Global de Equidade de Gênero, apresentado no Fórum Econômico Mundial 2015, a Romênia foi classificada como número 114 de 145 países no quesito igualdade política e igualdade financeira entre homens e mulheres. Para escancarar alguns dados assustadores a cerca dessa desigualdade no país e incentivar ações para combatê-la, as filiais romenas da rede Paul incluiram em seu menu as “Bittersweet pies“, uma nova linha de tortas decoradas com gráficos com essas estatísticas. No formato daqueles gráficos conhecidos como “pizza”. Apesar dos dados serem difíceis de engolir, todas as tortas são 100% comestíveis e inspiradas em receitas originais e bastante populares da rede francesa.
A nova linha tem cinco tipos de torta, chamadas: “Diferença salarial”, “Falta de representação política”,  “Extremamente ricos”,  “Exclusão de startups” e “Teto de vidro duplo”. Todos representado questões preocupantes na Romênia – e  outros países.  O bolo pode ser fatiado entre as maiores formas de desigualdade  de gênero. A criação é da MRM/McCann.
E a arrecadação vai para…
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De acordo com os criadores da campanha, 5% da verba gerada pelas vendas das novas tortas serão doados para a Fundação FILIA , uma organização sem fins lucrativos voltada para a filantropia e causas feministas. Ela usará esses fundos arrecadados no desenvolvimento de projetos de capacitação de mulheres rurais para trabalhos modernos, na busca pela redução do abismo entre os gêneros. 
Em entrevista ao Adweek, a Diretora de Marketing da Paul Romenia, Monica Eftimie, afirma que a “Bittersweet pies” é a primeira linha de sobremesas  social do mundo e explica a origem da campanha.  “O projeto CSR ‘ Bittersweet Pies ‘ começou a partir de uma questão social cada mulher romena enfrentou pelo menos uma vez em sua vida. Sabendo a partir de dados de pesquisa que doces são mais frequentemente consumida por mulheres do que por homens , estamos lançando uma variedade de bolos para despertar a conversa sobre a desigualdade de gênero , convidando as mulheres a tomar as medidas necessárias para ter os mesmos direitos que os homens têm . Estamos muito animado e muito orgulhoso de ser pioneiros em ter a primeira vez linha ‘ sobremesa social ” e espero que os nossos clientes irão apreciar e contribuirá para reduzir esta diferença de gênero“.
Fonte: Comunica que muda

Com foco no direito do cidadão à informação, à participação e no dever do Estado de prestar contas de suas ações, foi criada a Associação Brasileira de Comunicação Pública - ABCPública.