Diretora da Secom defende transparência do Senado em artigo na Folha de S. Paulo

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O Jornal Folha de S.Paulo publicou nesta segunda-feira (24) artigo da diretora da Secretaria de Comunicação do Senado Federal, Virgínia Malheiros Galvez, sobre a reportagem “Congresso gasta R$ 103 mi e mantém 1.200 servidores na comunicação” (25/9) e o editorial “Congresso perdulário” (27/9).

Veja a íntegra do artigo:

O Senado transparente para o cidadão

Encarar o sistema de comunicação do Congresso como algo dispendioso e desnecessário é desprezar o cidadão e negar a ele o direito à informação, um dos alicerces da cidadania e da democracia.

O cenário político-parlamentar, que vem sendo revelado ao grande público pelas lentes da TV Senado há pouco mais de 20 anos, constitui uma das mais importantes fontes de informação, conscientização e formação de cidadania.

Pela internet, o público tem acesso à TV Senado até pelo celular e pode assistir a um congressista, da tribuna, ser instado a falar do que não quer ou a votar abertamente a cassação de um colega ou o impeachment do presidente da República.

Tudo o que acontece no Plenário e nas comissões pode ser acompanhado ao vivo, sem qualquer corte ou edição. Isso é transparência. Isso é prestação de serviço público. É educação, é cidadania.

A comunicação do Senado reúne veículos de distribuição de informação primária e oficial. Não há disputa por audiência com a mídia privada. Ao contrário. Parte do nosso trabalho é alimentar os jornais, portais e emissoras de rádio e televisão, que escolhem livremente o que e como desejam divulgar.

Os sinais da TV e da Rádio Senado ficam disponíveis para retransmissão gratuita. A cobertura jornalística abrange toda a atividade legislativa em tempo real. É equilibrada, correta e de abordagem institucional.

Nos seis dias de julgamento do impeachment, a TV e a Rádio Senado transmitiram mais de 60 horas ao vivo. Inúmeras emissoras retransmitiram nosso sinal, além de portais como o próprio UOL, do Grupo Folha. Esse aproveitamento reforça, estimula e dá sentido à nossa atividade.

A página da TV Senado na internet somou quase 7 milhões de visualizações. O Portal de Notícias foi aberto 1,5 milhão de vezes — foram acessados 327 áudios, 299 vídeos, 192 matérias e 213 notas em tempo real.

O Jornal do Senado saiu diariamente com todos os discursos. A Rádio Senado inaugurou transmissões ao vivo pelo YouTube com mais de 15 mil acessos.

Recebemos a imprensa nos seis dias do julgamento. Emissoras de televisão, de rádio e fotógrafos puderam registrar tudo a partir do exíguo espaço das galerias do Plenário.

Foram 350 novos pedidos de credenciamento, totalizando 1.500 profissionais de imprensa de 14 países, de todos os continentes.

Mas foi a logomarca da TV Senado que se viu nas telas dos aparelhos de televisão, de computadores e de celulares, no longo dia da defesa da ex-presidente Dilma Rousseff, nos debates acalorados e na posse do presidente Michel Temer.

O cidadão está atento, e as redes sociais constituem importante termômetro. Mais de 2 milhões de pessoas seguem o Senado no Facebook. Em janeiro de 2015, eram 200 mil seguidores.

Esse crescimento surpreendente alçou o Senado ao 5º lugar no ranking das páginas institucionais de governo, ultrapassando 20 outros órgãos. No Twitter, o Senado também avança rápido e está em 9º lugar.

Temos orgulho da missão e da responsabilidade de prestar serviço tão importante e necessário à sociedade, de aproximar o Senado do cidadão.

Como servidores públicos e profissionais de comunicação, seguimos atuando para estreitar ainda mais esse vínculo, aperfeiçoando recursos de transparência e divulgação, integrando rotinas, atentos aos avanços tecnológicos, sempre com o cuidado ético de bem utilizar recursos materiais e humanos.

VIRGINIA MALHEIROS GALVEZ, jornalista, é diretora da Secretaria de Comunicação Social do Senado Federal

Fonte: Agência Senado

Plataformas brasileiras de fact-checking se unem para checar debate de candidatos a prefeito no Rio

Seguindo o exemplo de colaborações entre grupos de fact-checking na América Latina, quatro plataformas brasileiras de checagem de dados vão juntar suas experiências e talentos para analisar o debate dos candidatos a prefeito do Rio de Janeiro, no segundo turno das eleições municipais de 2016.
Mais de 20 pessoas das plataformas de fact-checking Agência Lupa, Aos Fatos, Truco (do site de jornalismo investigativo Agência Pública) e o Detector de Mentiras (da ONG Meu Rio) vão trabalhar juntos no dia 28 de outubro, a partir das 22h, checando o debate entre Marcelo Crivella e Marcelo Freixo na TV Globo.

Cristina Tardáguila, diretora da Agência Lupa e membro do Poynter’s International Fact-Checking Network, disse que ela teve a ideia da iniciativa após ler sobre projetos colaborativos de plataformas de checagem de dados.
Cristina Tardáguila, diretora da Agência Lupa e membro do Poynter’s International Fact-Checking Network, disse que ela teve a ideia da iniciativa após ler sobre projetos colaborativos de plataformas de checagem de dados.

Enquanto pensava no assunto, Tardáguila recebeu um convite de Borja Echevarria, vice-presidente e editor-chefe digital da rede de televisão Univision, baseada em Miami.  Tardáguila foi chamada para se unir a um time da Univision e outros dez jornalistas da América Latina para checar o último debate das eleições presidenciais dos Estados Unidos, em 19 de outubro. Depois do telefonema, Tardáguila decidiu que a Agência Lupa replicaria o modelo de colaboração no Rio quando ela voltasse.
A viagem para Miami, que foi uma oportunidade de aprender e contribuir, foi uma prova de que “pessoas com trajetórias diferentes podem trabalhar juntas e compartilhar experiências em áreas diversas”. Independentemente do tamanho, organizações de mídia, grandes e pequenas, podem trocar experiências e ideias inovadoras.
Quando Tardáguila voltou ao Rio, ela primeiro entrou em contato com a Agência Pública e conseguiu que a equipe do Truco participasse. As agências decidiram aumentar o grupo e chamaram o Meu Rio e Aos Fatos.
“Se a gente puder se reunir e trabalhar juntos para que os eleitores tenham a melhor informação possível, ao vivo, enquanto assistem aos candidatos na TV ou na internet, teremos feito bem o nosso trabalho”, disse Tardáguila. “Não há necessidade de competir nesse momento. É importante demais para a cidade e para os eleitores saberem exatamente o que é verdade ou não nos debates eleitorais”
A motivação é trabalhar pelos leitores e para dar a eles uma informação rápida, ela explicou. “Você se torna um fact-checker porque você quer mudar as coisas, certo? E você se torna um fact-checker porque você quer que a verdade apareça e seja espalhada.”
As quatro organizações se reuniram no dia 22 de outubro para planejar como eles vão checar ao vivo o debate entre Marcelo Crivella e Marcelo Freixo. Os fact-checkers vão ser divididos em quatro equipes, segundo Tardáguila.
Dois grupos vão ficar baseados na Casa Pública, um centro cultural da Agência Pública inaugurado em março de 2016. Uma das equipes vai trabalhar em aperfeiçoar a transcrição do debate. A outra vai gerenciar e distribuir frases para checagem. Um terceiro grupo será formado por fact-checkers e editores, localizados nos escritórios de cada plataforma participante. Já o quarto grupo, de mídias sociais, vai trabalhar para promover o material na internet.
A Agência Lupa e o Meu Rio já trabalharam juntos para checar um outro debate, mas essa é a primeira vez que as quatro organizações colaboram em um único projeto.
Individualmente, cada plataforma tem checado candidatos nas eleições municipais no Rio desde agosto,segundo um comunicado que anuncia a colaboração.
Na sexta-feira, as declarações vão ser classificadas como corretas, incorretas, exageradas ou fora de contexto, segundo o comunicado. Os resultados vão ser compartilhados nos sites e nas mídias sociais, com a hashtag #checado.
“A colaboração entre veículos vira um pilar do jornalismo contemporâneo na mesma época em que a checagem em tempo real ganha tração mundial. Juntar esses dois fenômenos é essencial”, ressalta Tai Nalon, diretora do Aos Fatos, no comunicado.
Fonte: Knight Center

Campanha arrecada fundos para treinar cachorros que melhoram a vida de cadeirantes

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Além de serem ótimas companhias, os cachorros também são perfeitos para auxiliar humanos com necessidades especiais. Essa característica faz com que muitos animais sejam treinados para ajudar pessoas em diversas atividades e, inclusive, ajudem cadeirantes a ter mais autonomia.
Agora, uma campanha de financiamento coletivo no site Kickante busca doações para adquirir um cão da raça golden retriever e treiná-lo durante um ano para poder doá-lo a pessoas com dificuldade de locomoção. A iniciativa é da Cão Inclusão, criada pelos treinadores Leonardo Ogata e Sara Favinha.
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Segundo eles contam no site do projeto, é necessário treinar o cão por dois anos para que ele esteja pronto para acompanhar uma pessoa com necessidades especiais. A campanha visa o custeio do primeiro ano de treinamento do animal, que posteriormente será doado através do programa a um cadeirante. O objetivo é que o cão possa ajudar em funções que envolvam abrir e fechar portas, acender luzes, buscar objetos ou acionar campainhas, por exemplo.
Até o momento, a campanha Cão Inclusão já entregou dois animais. O primeiro deles é o Toddy, um golden retriever que ajuda o rapper cadeirante Billy Saga; enquanto o outro acompanha a menina Aninha, de 10 anos, que sofre com mucopolissacaridose tipo 6.
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Por enquanto, a campanha para aquisição e treinamento de um novo cão atingiu apenas 17% do seu objetivo final, que é arrecadar R$ 53.500 para tornar o projeto realidade – mas você ainda pode fazer a sua doação clicando aqui.
O vídeo abaixo conta mais sobre essa campanha:

Fonte: Hypeness

Como jornalistas digitais da América Latina estão ultrapassando a mídia tradicional

 
Os prêmios de jornalismo Gabriel García Márquezsão considerados um dos reconhecimentos de 5982555530_26e0e6e22e_bmaior prestígio da mídia de língua espanhola e portuguesa. Notavelmente, em 2016, mais da metade dos indicados em três categorias — texto, reportagem e inovação — produziu um trabalho para sites digitais.
E quando os prêmios “Gabo” foram anunciados em uma conferência de jornalismo em Medellín, Colômbia, no dia 29 de setembro, todos os vencedores nestas categorias foram jornalistas em organizações de notícias online que existem há menos de uma década. E o vencedor do prêmio Gabo à excelência global em jornalismo foi El Faro de El Salvador, o mais antigo site somente online de jornalismo investigativo na América Latina, lançado em 1998.
Este foi sem dúvida um evento importante para os jornalistas da mídia digital em uma região onde as redes tradicionais de TV, rádio e jornais ainda detêm grande influência sobre as suas audiências.
Janine Warner, bolsista Knight do ICFJ, participou da conferência em Medellín e ficou impressionada pelo grau de reconhecimento que canais digitais independentes estão recebendo pelo seu trabalho — e a notável ausência da mídia tradicional latino-americana e espanhol entre aqueles que foram nomeados e os que ganharam.
“Quando soube que mais da metade dos finalistas para os prêmios Gabo foram empreendedores de mídia, eu tive que vir”, explica Warner em espanhol no vídeo abaixo. “E, vendo que todos os vencedores foram jornalistas empreendedores me fez pensar que este vai ser o ano da inovação do jornalismo na América Latina.
“Este ano, eles não só estão demonstrando sua coragem e sua capacidade de lançar novas mídias, mas também a sua capacidade de produzir o jornalismo de mais alta qualidade e ganhar o prêmio mais importante da região”, acrescenta ela. “Parabéns a todos!”

Warner é diretora e fundadora da SembraMedia, que visa ajudar empreendedores de mídia digital em espanhol a encontrar modelos de negócios sustentáveis. A organização está rastreando o aumento de canais digitais de notícias e investigação da América Latina, e mantém um diretório de centenas de organizações que surgiram no que poderia ser chamado de boom do jornalismo online regional.
Os vencedores dos prêmios Gabo 2016 incluem a jornalista e empreededora colombiana Juanita León, que ganhou por suas reportagens sobre o processo de paz na Colômbia para La Silla Vacía, que ela fundou em 2009. A Fundação Civio, uma organização não governamental espanhola, que usa reportagem de dados para aumentar a transparência desde 2011, ganhou o prêmio de inovação para um projeto que analisou o alto custo de medicamentos em países em desenvolvimento. Além disso, Natalia Viana do site brasileiro de jornalismo investigativo Agência Pública ganhou o prêmio por sua matériasobre uma comunidade indígena que sofre com a maior taxa de suicídio do Brasil.
Em Medellín, Warner falou com outros jornalistas latino-americanos e membros da SembraMedia sobre suas reações aos prêmios Gabo deste ano e se é uma indicação de que os jornalistas digitais da América Latina estão ultrapassando os meios de comunicação tradicionais na produção de trabalho inovador de alto impacto. Os vídeos também podem ser vistos em uma lista no canal da SembraMedia no YouTube.
Estes vídeo são trechos de entrevistas da Warner e foram traduzidos e editados para maior clareza.
Mauricio Jaramillo Marín
Fundador e diretor do +Journalism Hangouts e membro da SembraMedia na Colômbia

“Isso não significa que a mídia tradicional não têm excelentes jornalistas… mas os empreendedores de mídia com sua escassez de recursos precisam ser ainda mais criativos, ainda mais inovadores, assumir mais riscos. E assumir riscos significa que às vezes você falha e às vezes você alcança esse sucesso que se manifesta em prêmios, mudanças sociais, melhorias na sua comunidade e assim por diante.”

Rosental Calmon Alves
Professor and Catedrático Knight da Faculdade de Jornalismo da Universidade de Texas em Austin e membro do conselho da SembraMedia 
https://www.youtube.com/watch?v=QjewCsGgZAc
“Primeiro, eu acho que foi uma coincidência. Não houve nada intencional — é um processo de seleção muito complexo, com muitos juízes. Por um lado eu acho que mostra uma certa maturidade entre os novos canais digitais. E, por outro lado, talvez deve ser um alerta para os meios de comunicação tradicionais que não estão dedicando o tempo e os recursos necessários para projetos especiais.”
“Esses projetos jornalísticos que ganharam precisaram de tempo, dedicação, investigação, etc. Por isso, pode ser que os nativos digitais, os [canais] menores, estão botando mais tempo nisso e talvez a mídia tradicional não esteja. Mas isso é apenas uma opinião, porque a realidade é que foi apenas uma coincidência.”

Elaine Díaz Rodríguez
Diretora do site cubano Periodismo de Barrio e membro da SembraMedia
https://www.youtube.com/watch?v=aH6DChMmvbE
“Enquanto os meios de comunicação de maior dimensão têm enfrentado uma crise econômica, os meios menores têm sido capazes de superar por ser muito mais criativos sobre que histórias vão contar e como usam seus recursos de forma mais razoável. Se você olhar para as obras dos finalistas, vai ver que são projetos de equipe ou colaborações entre vários canais e quase todos eles foram publicados online. Então, não havia esse custo adicional da impressão em papel. Portanto, esta falta de recursos, combinada com o desejo de atrair um novo público através da produção de um jornalismo de alta qualidade, é por que que estamos vendo tantos exemplos maravilhosos de empreendedorismo de mídia digital neste festival. ”

Luz Mely Reyes
Cofundadora e diretora do site venezuelano Efecto Cocuyo e editora regional da SembraMedia
https://www.youtube.com/watch?v=JZRolF0m5kk
“O que eu acho que vimos a partir de 2016 nos prêmios Gabriel García Márquez é que muitos jornalistas estão produzindo jornalismo em seus próprios sites, e tudo isso é resultado das mudanças tecnológicas e outras mudanças que tivemos em alguns países latino-americanos e, é claro, do nosso desejo de produzir um jornalismo de alta qualidade.”
Imagem principal sob licença CC no Flickr via Ohbendorf
Fonte: IJNet

UnBTV foi homenageada pelo Senado

A UnBTV foi criada para estimular uma comunicação pública que respeite os anseios do cidadão e difundir conhecimento e cultura por meio de uma programação educativa.

A sessão especial, proposta pelo senador Hélio José (PMDB-DF), comemorará o 10º aniversário da emissora
A sessão especial, proposta pelo senador Hélio José (PMDB-DF), comemorará o 10º aniversário da emissora

A UnBTV, projeto desenvolvido pela Universidade de Brasília, foi homenageada pelo Senado Federal na última segunda-feira (24). A sessão especial, pedida pelo senador Hélio José (PMDB-DF), comemorou o aniversário de 10 anos da emissora e debater a comunicação pública brasileira. Contou com a presença de autoridades universitárias e parlamentares, docentes e estudantes da universidade.
— O canal é um trabalho excepcional conduzido pela professora Neuza Meller, diretora da UnBTV e pelos repórteres e de todos os outros profissionais envolvidos — disse Hélio José.
A UnBTV foi criada para estimular uma comunicação pública que respeite os anseios do cidadão e difundir conhecimento e cultura por meio de uma programação educativa. O canal universitário foi ao ar pela primeira vez no dia 21 de novembro de 2006, pelo Canal 15 da NET, e hoje atua como um dos principais veículos de divulgação de ensino, pesquisa e extensão na universidade.
Na sessão especial também foram comemorados os 30 anos do Centro de Produção Cultural e Educativa (CPCE), da UnB, que foi criado em 1986 para promover a educação e a cultura por meio de multimeios. Dessa forma, buscava-se um centro de referência para a produção audiovisual no Centro-Oeste.

Fonte: Agência Senado

Criação de rádio e projetos de comunicação movimentam debate na UFRJ

Aberto ao público, o evento reuniu, em grande parte, profissionais de comunicação da UFRJ, interessados em contribuir com experiências e soluções dentro da área.
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A Casa da Ciência recebeu na quarta-feira, 19/10, a segunda edição do ciclo de debates A Comunicação na UFRJ. A criação da Rádio UFRJ foi um dos destaques do evento. Com potencial promissor, a iniciativa tem sido vista pelos profissionais da área como uma grande oportunidade de alterar os paradigmas da comunicação pública no país.
Os convidados da mesa foram o assessor de imprensa da Casa da Ciência e ex-assessor do Gabinete do Reitor, Fernando Pedro Lopes; a coordenadora de comunicação da Coppe, Dominique Ribeiro; e o superintendente de comunicação do Fórum de Ciência e Cultura, Fernando Salis. A mediação ficou por conta do assessor de imprensa do Gabinete do Reitor, Jean Souza.
Fernando Pedro Lopes contou um pouco de sua atuação em projetos ligados à comunicação nos últimos anos, como a produção dos jornais e publicações da UFRJ. Ele falou também sobre o processo de criação de assessorias dentro da Universidade, entre elas a da Coppe e a Coordenadoria de Comunicação do Gabinete do Reitor.
Atuando em um universo tão amplo como o da Universidade, o jornalista reconheceu que, apesar dos problemas, as experiências e projetos de comunicação interna e externa vêm evoluindo ao longo dos anos.
A crítica recorrente à fragmentação da comunicação dentro da Universidade existe até hoje, o que reforça a importância do debate, segundo Jean Souza. Assim, a solução, segundo os profissionais, é a construção de uma política de comunicação institucional e a busca por um modelo de comunicação integrada.
Há mais de 20 anos à frente da assessoria de imprensa da Coppe, Dominique Ribeiro avaliou que valores como credibilidade e confiança foram fundamentais para consolidar a comunicação com o público e com a imprensa.
Dominique apontou ainda para o potencial de protagonismo da Universidade na definição da agenda pública. “Apesar de não deixar de atender às demandas, nosso interesse também era pautar os veículos”, concluiu.
Rádio UFRJ e a comunicação pública no país
Olhando para frente, a rádio UFRJ aparece como “o principal projeto de comunicação pública do país”, segundo o superintendente de comunicação do Fórum de Ciência e Cultura, Fernando Salis.
Ele apresentou ao público os desafios burocráticos e principalmente políticos enfrentados no processo de implantação do projeto, que já está em curso.  A rádio foi concedida pelo governo federal à UFRJ e se inspira em iniciativas bem sucedidas como as rádios das universidades federais de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul.
Sem perder o caráter educativo, a pretensão é fazer dela uma concorrente das líderes de audiência no Rio de Janeiro. Para isso, Salis reforça que a estrutura e o planejamento devem ser consistentes, o que segundo ele já está sendo feito.
O superintendente chamou atenção para o potencial da rádio. Segundo ele, a iniciativa pode mudar os paradigmas no cenário da comunicação pública. “A gente tem que radicalizar uma política de comunicação pública no país e a universidade pública é pioneira nisso”.
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Aberto ao público, o evento reuniu, em grande parte, profissionais de comunicação da UFRJ, interessados em contribuir com experiências e soluções dentro da área.
O próximo debate vai tratar de políticas de comunicação em instituições públicas, em novembro, ainda sem data definida.
Todos os registros do ciclo de debates podem ser acessados no site www.ufrj.br/debatescomunicacao.  O vídeo do último encontro está disponível na WebTV UFRJ.
Fonte: UFRJ

Pesquisa sugere que Twitter da Câmara dos Deputados não consolida ciberdemocracia

Dois pesquisadores analisaram como a Câmara dos Deputados se comunica com seus públicos por meio do Twitter. Para isso, examinaram o conteúdo das postagens no período entre 01 e 05 de junho. Os resultados indicam que o perfil tem um grande alcance de usuários e dissemina a atuação do parlamento federal na rede social. “Entretanto, a ausência da interação com os demais usuários revela qual o modelo de comunicação pública que os gestores e responsáveis pelo perfil adotam”. Concluem dizendo que o perfil da Câmara dos Deputados “não atende, assim, aos requisitos de uma comunicação pública conforme discute Matos (2007, p.49), na qual os entes governamentais e os atores sociais possam interagir e utilizar esse ambiente digital como uma esfera de debate e negociação a respeito das decisões que os representantes do povo tomam em seu nome. As práticas de ciberdemocracia não se consolidam nesse espaço, restando assim o uso do perfil como mero canal de divulgação de atividades. Numa época de inquietação e descontentamento com os representantes eleitos, a sociedade como todo perde mais um importante espaço de interlocução“.
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EBC comemora nesta segunda nove anos de atuação

A Empresa Brasil de Comunicação começou a ser idealizada em maio de 2007, quando o tema TV pública foi debatido durante o 1º Fórum Nacional de TVs Públicas, em Brasília.

Especialistas concordam que o modelo de gestão da EBC precisa ser reestruturado (Foto: ABr)
A empresa foi criada em 2007 para fortalecer o sistema público de comunicação – ABR

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) completa hoje (24) nove anos de atuação. Criada em 2007 para fortalecer o sistema público de comunicação, a EBC tem o objetivo de divulgar informação de qualidade sobre os principais acontecimentos no Brasil e no mundo. Sua atuação espelha a diversidade cultural, étnica e social do povo brasileiro, com a transmissão, produção, programação e distribuição de conteúdos.
“Eu tenho a convicção de que modernizar a programação tornará os veículos de comunicação da EBC mais informativos e dinâmicos. A valorização dos profissionais da empresa é o primeiro passo para essa transformação. Estimular os funcionários, que acompanham de forma dedicada a sua história, reforçará a aproximação da empresa com a sociedade”, afirma o diretor-presidente da EBC, Laerte Rímoli.
A Empresa Brasil de Comunicação começou a ser idealizada em maio de 2007, quando o tema TV pública foi debatido durante o 1º Fórum Nacional de TVs Públicas, em Brasília. O evento, que envolveu amplos setores da sociedade civil, como acadêmicos, comunicadores, cineastas, jornalistas, movimentos sociais, dirigentes de emissoras de rádio e televisão não comerciais, assim como grupos e entidades dedicados a refletir sobre a comunicação, resultou numa proposta básica denominada Carta de Brasília. Em outubro de 2007, com a edição da Medida Provisória 398, depois convertida pelo Congresso na Lei 11.652/2008, foi autorizada a criação da empresa.
Ao herdar os canais de rádio e TV geridos pela estatal Radiobrás e pela Associação de Comunicação Educativa Roquette-Pinto (Acerp), a EBC ficou encarregada de unificar e gerir, sob controle social, as emissoras federais já existentes, instituindo o sistema público de comunicação. Além disso, adquiriu como missão articular e implantar a Rede Nacional de Comunicação Pública.
Atualmente, a estrutura da EBC é formada por: assembleia geral, órgãos da administração (Conselho de Administração e Diretoria Executiva) e órgãos de fiscalização (Conselho Fiscal e Auditoria Interna).
TV Brasil
Com a criação da EBC, nasceu a TV Brasil, a emissora pública nacional. Em parceria com outras emissoras educativas, a programação chega a 24 estados e ao Distrito Federal. A TV Brasiltambém está entre os canais por assinatura e chega a mais de 60 milhões de brasileiros que usam antena parabólica.
A emissora é uma das maiores janelas de exibição da produção audiovisual independente do país. Também dedica cerca de 41 horas semanais da grade ao público infantil. Exibe as mais premiadas séries internacionais, como O Planeta Azul e Ártico com Bruce Parry, além de ciclos de cinema com filmes inéditos na televisão brasileira, como os asiáticos, iranianos, africanos e os da 2ª Guerra Mundial.
Comunicação Pública
A EBC é gestora da TV Brasil, TV Brasil Internacional, Agência Brasil, Radioagência Nacionale do sistema público de rádio, composto por oito emissoras: Rádio Nacional AM do Rio de Janeiro (1.130 KHz), Rádio Nacional AM de Brasília (980 KHz), Nacional FM de Brasília (96,1 MHz), Rádio MEC AM do Rio de Janeiro (800 KHz), MEC FM do Rio de Janeiro (99,3 MHz),Rádio Nacional da Amazônia OC (11.780 KHz e 6.180 KHz), Rádio Nacional AM do Alto Solimões (670 KHz) e Rádio Nacional FM do Alto Solimões (96.1 MHz).
Fonte: Agência Brasil

UnB, USP e Metodista são as melhores em Comunicação e Informação

Prêmio Melhores Universidades 2016: veja as instituições que possuem os melhores cursos na área

Comunicação e Informação - USP: Fachada da Escola de Comunicação e Artes (ECA-USP) (crédito: Marcos Santos/ USP Imagens)
Comunicação e Informação – USP: Fachada da Escola de Comunicação e Artes (ECA-USP) (crédito: Marcos Santos/ USP Imagens)

Melhores universidades públicas: UnB e USP
Alunos dos cursos de Comunicação e Informação da da UnB e da USP aprendem produzindo revistas, jornais, filmes e programas de rádio e TV
UnBcomunicacao
O foco na prática é forte na Faculdade de Comunicação (FAC) da Universidade de Brasília (UnB). Além de ter o jornal-laboratório mais antigo em atividade no país, o Campus, a FAC também produz revistas e um portal de notícia online de atualização diária. Possui também uma emissora própria de TV, a UnBTV, que transmite telejornais, anúncios e filmes produzidos pelos próprios alunos nos seis estúdios de gravação, que contam com tecnologia de ponta. São os estudantes também os responsáveis por editar os conteúdos nos laboratórios especializados.
Um número significativo de projetos de pesquisa e extensão ligados à comunicação acontecem anualmente na UnB. O “SOS Imprensa” acompanha e avalia criticamente a forma e a maneira com que as notícias são veiculadas na grande mídia, por exemplo. Já o “Curtas na Sala de Aula” exibe filmes e curtas metragens realizados por alunos e professores da FAC em salas de aula da rede pública de ensino do Distrito Federal. Há ainda três empresas juniores: a Facto, de serviços de comunicação integrada, a Pupila, de produção de vídeos institucionais e animações, e a Doisnovemeia, esta última com vinte anos de atividades ininterruptos em planejamento e execução de campanhas publicitárias.
“Não há maneira melhor de construir conhecimento do que aliar ensino teórico, aulas práticas, pesquisa e extensão”, afirma Fernando Oliveira Paulino, diretor da FAC. Ele destaca ainda o fato de a universidade trabalhar permanentemente na atualização do corpo docente, promovendo cursos, palestras e discussões. Além disso, periodicamente ocorrem as reuniões do “Sempre FAC”, um grupo de egressos dos cursos que sugerem atividades e melhorias para a faculdade. “Não podemos negar que as pessoas são nosso maior patrimônio”, finaliza.
USP
Considerada pioneira na construção do pensamento comunicacional e artístico do Brasil, a a Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP) comemorou 50 anos em 2016. “Formamos gerações de comunicadores, artistas e pensadores que atuaram e atuam ativamente na sociedade até hoje”, conta Margarida Maria Krohling Kunsch, diretora da ECA. Referência na América Latina, a Escola se destaca não só pela qualidade do corpo docente – todos os professores são no mínimo doutores –, mas também pela diversidade dos cursos oferecidos. São sete no total, dentre os quais a licenciatura em Educomunicação, a única do país. Os seus alunos também têm oportunidade de realizar pesquisas com bolsa de iniciação científica em um dos 53 grupos de pesquisa em atividade atualmente.
Em relação à extensão, a ECA possui dez projetos que envolvem a comunidade, como as disciplinas oferecidas a alunos da terceira idade que, ao mesmo tempo que aprofundam conhecimentos, têm a oportunidade de interagir e trocar experiências com os estudantes mais jovens.
Entretanto, o que mais caracteriza a ECA é o fato de os estudantes aprenderem na prática. Para isso, eles têm à disposição uma biblioteca com 270 mil volumes, além de uma editora de livros, uma empresa júnior de publicidade e relações públicas, um jornal quinzenal e a Agência Universitária de Notícias, órgão que pauta os assuntos da USP para os veículos de comunicação de todo o Brasil. Há ainda os novos laboratórios de cinema, rádio e televisão, que comportam até doze pessoas para trabalhos em grupo, além de três estúdios de imagem e som.
Melhor universidade privada: Universidade Metodista de São Paulo
Por meio de atividades práticas que promovem a integração com a comunidade, a Metodista oferece aos alunos de comunicação vasto leque de experiências profissionais
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Redação Multimídia utilizada pelos alunos de Jornalismo da Metodista (crédito: divulgação Metodista)

Um projeto pedagógico que encara uma redação experimental como sala de aula. A descrição feita por Rodolfo Martino, coordenador do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo, em São Bernardo do Campo (SP), resume a forma como a instituição enxerga o ensino de comunicação e incentiva as produções dos alunos. Há mais de 40 anos oferecendo cursos de nível superior, a Metodista mantém laboratórios e projetos que estimulam a autonomia dos estudantes, integrando conhecimentos teóricos e práticos e estreitando a relação da universidade com a comunidade.
Os conhecimentos dos diferentes cursos – Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Relações Públicas e Rádio, TV e Internet – se unem na Agência Integrada de Comunicação (AGiCOM). Primeira experiência prática dos graduandos na área, a agência oferece estágios logo nos primeiros anos da graduação. Há funções em assessoria de imprensa, relações públicas, elaboração de peças publicitárias, produção gráfica e audiovisual. A criação de campanhas de comunicação mercadológica e marketing, envolvendo clientes externos, alia-se ao trabalho desenvolvido na Redação Multimídia, onde os alunos produzem conteúdos jornalísticos e institucionais para TV, rádio, veículos impresso e internet.
Conteúdos e plataformas
A ideia de recriar as condições do mercado de trabalho passa também pelas disciplinas e atividades obrigatórias. Por meio do periódico quinzenal Rudge Ramos, os alunos de Jornalismo se familiarizam com a dinâmica da redação de um jornal, ao apurar, redigir, editar e publicar notícias sobre o maior bairro de São Bernardo do Campo e a região do ABC paulista. A publicação, impressa desde 1980, é mantida também em sua versão on-line, com criação de conteúdo exclusivo em texto e vídeo.
Da Redação Multimídia surgiu a Rádio Sônica, mantida pelos alunos dos cursos Jornalismo e Rádio, TV e Internet. São eles que realizam, com a monitoria dos professores, quadros jornalísticos e de entretenimento, além da programação musical. Já na TAG TV, graduandos em Rádio, TV e Internet têm espaço para a criação de conteúdos audiovisuais, transmitidos via web.
Fonte: Guia do estudante

Boaventura Santos fala sobre a “Democracia Difícil” na UnB

A “Democracia Difícil” é o tema de sua palestra aberta ao público, em evento pré-ULEPICC 2016 
Depois de quatro anos, o sociólogo da Universidade de Coimbra Boaventura de Sousa Santos volta à Brasília, para a palestra “A Democracia Difícil: É Possível um Novo Contrato Social?”. O evento será no dia 28/10/16, às 17 horas, no Auditório da ADUnB, na Universidade de Brasília, Campus Darcy Ribeiro.
O evento é uma atividade pré-ULEPICC 2016, do Laboratório de Políticas de Comunicação, do Programa de Pós-graduação da Faculdade de Comunicação, da Universidade de Brasília, em conjunto com o Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares, o Núcleo de Estudos para a Paz e os Direitos Humanos, o Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional, e o Programa de Pós-graduação em Direitos Humanos e Cidadania. 
Como participar. O evento é aberto a toda a comunidade acadêmica e a população em geral. Para mais informações, ligue: CEAM (61) 3107-5911 e acompanhe as novidades no evento no Facebook.

O palestrante. Considerado um dos mais importantes pensadores europeu da área de ciências sociais, Boaventura de Sousa Santos nasceu em 1940, em Coimbra, Portugal. Professor universitário, cientista social, jurista, escritor, filósofo da ciência, ativista e poeta, Boaventura de Sousa Santos é autor de Direito dos Oprimidos, sua tese de mestrado, que se transformou num marco fundamental na sociologia do direito. Um dos principais impulsionadores do Fórum Social Mundial, defende a ideia de que os movimentos sociais e cívicos fortes são essenciais ao controle democrático da sociedade e ao estabelecimento de formas de democracia participativa. Boaventura será o homenageado internacional da III Bienal Brasil do Livro e da Leitura de Brasília. 
Serviço
Palestra “Democracia Difícil”
Data: 28/10
Horário: 17h
Local: Auditório da ADUnB – Universidade de Brasília
Para mais informações, ligue: CEAM (61) 3107-5911
Fonte: http://www. bienalbrasildolivro.com.br/ 2016/homenageados-2016/

Globo usa 'A Lei do Amor' para desinformar sobre regulação da mídia

Novela das 21h faz associação mentirosa entre “regulamentação da mídia” e silenciamento de jornalistas; emissora impõe censura a vídeo

A novela A Lei do Amor fez uma associação enganosa entre uma ameaça à liberdade de um jornalista com a “regulamentação da mídia”.
A novela A Lei do Amor fez uma associação enganosa entre uma ameaça à liberdade de um jornalista com a “regulamentação da mídia”.

A televisão segue exercendo um papel central na difusão de ideias na sociedade brasileira: 95% dos brasileiros assistem televisão, 73% diariamente, com uma média de quatro horas e meia por dia em frente ao televisor. Os dados são da última Pesquisa Brasileira de Mídia, realizada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.
Consciente desse papel, o Grupo Globocontinua usando sua rede de emissoras na TV aberta e seus canais na televisão paga para defender seus interesses políticos e econômicos, atuando com velhas e desonestas práticas.
O episódio da última sexta-feira 14 da novela A Lei do Amor foi mais um capítulo da história de desinformação do Grupo Globo. Em uma passagem do folhetim a emissora fez uma associação enganosa entre uma ameaça à liberdade de um jornalista com a“regulamentação da mídia”. Assista aqui ao vídeo.
A associação entre a violência da vilã da trama, que tenta calar um jornalista investigativo, à proposta de “regulamentação da mídia” é mentirosa e irresponsável, isso sem falar na confusão criada com o uso errado da terminologia.
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A Globo deixa evidente sua intenção de confundir o telespectador sobre o debate de regulação dos meios de comunicação, sendo este mais um ataque entre muitos que a empresa já cometeu em todas as ocasiões que a proposta de regulamentação ganhou visibilidade.
Enquanto o tema é tratado de forma enviesada na novela – ficção voltada ao entretenimento – a emissora faz total silêncio sobre ele em seu jornalismo diário. As poucas vezes em que a regulação da mídia foi tratada nos programas jornalísticos acabou sendo associada à “censura”, quase sempre numa crítica inoportuna aos processos de regulação realizados em países vizinhos.
Apesar do respaldo de órgãos internacionais sobre o tema – ONU e OEA defendem a necessária regulação dos meios de comunicação – na maioria das abordagens feitas nos telejornais, não há debate ou consulta a especialistas na temática ou porta-vozes destas instituições.
O que significa “regulamentação da mídia”?
A regulação da mídia corresponde, na verdade, a uma demanda histórica por regulamentar o capítulo V da Constituição de 1988, que trata da Comunicação Social. A ausência da regulamentação dos artigos constitucionais – artigos 220 ao 224 – demonstra um impasse que a sociedade brasileira ainda não superou: o de ampliar as vozes para além de sua elite política e econômica.
A Constituição proíbe a formação de monopólios ou oligopólios da comunicação, estabelece que parte da programação deve ter fins educativos e culturais e que o sistema de comunicação deve ser plural e não dominado apenas pela mídia comercial.
Ainda assim, desde 1988 nenhuma lei que regulamente e detalhe esses dispositivos foi aprovada e sancionada pela Presidência da República – órgão exclusivamente responsável pela regulamentação no país. A regulamentação de tais artigos é condição fundamental para que os princípios constitucionais sejam aplicados.
Tal regulamentação também pretende garantir que o sistema de comunicação no país seja mais bem regulado pelos órgãos competentes, já que garantiria o aparato legal para a regulação dos meios.
Na ausência de regulamentação da Constituição, as ações de regulação do setor acabam sendo objeto de disputas políticas e interpretações variadas e quem perde com isso, obviamente, é o cidadão que, na maioria das vezes, não possui as condições necessárias para intervir nestas disputas.
Para exemplificar este raciocínio, em 2013, o então ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, usou como subterfúgio para ignorar o art. 54 da Constituição, que proíbe concessão de rádio e TV para políticos em exercício, o fato de não haver regulamentação do referido artigo.
E por que a Globo é contra a regulamentação? Porque hoje ela está fora da lei. Segundo o parágrafo 5º do art. 220 da Constituição “os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio”.
A regulamentação deste parágrafo garantiria as atribuições necessárias para corrigir essa grande distorção que é a concentração de propriedade dos meios de comunicação no país.
Além disso, a empresa protagoniza outra violação gravíssima – ao art. 54 da Carta Magna – já que possui vários concessionários em sua rede de afiliadas que são políticos em exercício de cargo, o que também é proibido.
Por esses motivos, todas as vezes que o debate sobre regulamentação ou regulação da comunicação aparece ele é silenciado ou atacado pela empresa. Assim como faz agora na novela, a Globo sempre acusa quem defende o fim do monopólio midiático de querer “calar” a imprensa.
Quem censura quem?
Embora a Globo tente colocar no movimento em defesa da democratização dos meios de comunicação a pecha de censores, tem sido ela que, ao longo dos últimos anos, vem retirando do ar trechos de seus programas de TV usados por movimentos sociais para fazer a denúncia ao monopólio.
Na maioria das vezes a empresa se utiliza da prerrogativa legal dos “direitos autorais” para conseguir retirar tais trechos do ar, como se a intenção de quem expõe tais conteúdos nas plataformas online fosse auferir lucro ou audiência a partir de sua reprodução. Em outras palavras, o que a Globo faz é justamente censurar aqueles que pensam diferente.
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O vídeo aqui citado, que trazia um pequeno trecho (menos de 1 minuto) da novela A Lei do Amor como forma de denunciar a desfaçatez da emissora com a pauta da regulamentação da Constituição foi retirado do ar pelo Youtube horas após ser publicado, obviamente, a pedido da emissora.
Usado para fins de crítica ao próprio conteúdo produzido, tal vídeo não configura violação da lei de proteção dos direitos autorais. Para ficar evidente o absurdo, seria o mesmo que proibir um autor de citar um trecho de um livro para criticá-lo, como se faz, regularmente em qualquer crítica literária ou trabalho acadêmico.
Ao interditar um debate direto, amplo e transparente sobre a regulação da mídia é que os meios monopolizados realizam, esses sim, uma censura. Esse poder desproporcional de controle das narrativas de grande circulação é danoso à democracia e à necessária pluralidade e diversidade de vozes em circulação na sociedade.
Assim, o avanço da censura online é mais um motivo para promovermos a regulação na comunicação de forma a não ficarmos à mercê dos interesses dos grandes monopólios, sejam eles de rádio, TV ou de empresas de telecomunicações.
Os danos do monopólio
Este ataque à liberdade de expressão cometido pela Globo não é um caso isolado. A grande mídia teve e tem um papel central nas narrativas que viabilizaram o golpe em curso no Brasil e atuam, agora, na sustentação do projeto de desmonte dos direitos sociais e da Constituição de 1988. Isso sem falar que a emissora já demonstrou desapreço pela democracia brasileira.
A Globo, especialmente, tem publicado as versões de defesa de Temer a cada ataque que ele recebe nas redes e nas ruas, funcionando como uma assessoria de imprensa contratada pelo governo.
O canal Globo News opera cotidianamente como órgão de “propaganda” das medidas propostas por Temer. É nítido que o tratamento dado a Temer é oposto ao que o Grupo dava ao governo Dilma e à maneira que trata os movimentos sociais.
Nesta última semana, com a prisão de Eduardo Cunha, a narrativa de que “a prisão de Cunha desmontaria a tese de perseguição de Moro ao PT” foi repetida inúmeras vezes, buscando dar legitimidade à Lava Jato e a um eventual pedido de prisão do ex-presidente Lula. Essa narrativa de Moro – o juíz que vazou áudios ao Jornal Nacional – segue sendo defendida acriticamente pela Globo.
Da participação no impeachment à defesa das propostas mais impopulares do governo Temer, como a PEC 241 e a Reforma Trabalhista (que o próprio governo está temeroso em iniciar, tamanha sua impopularidade), a cobertura do Grupo Globo tem trazido pouquíssimas vozes críticas e dissonantes. Além disso, vem silenciando sistematicamente os protestos e manifestações contrárias ao governo.
Por esses motivos, a Semana Nacional da Democratização da Comunicação trouxe, neste ano, o tema “Defender a Liberdade de expressão em tempos de golpe”. Uma das ações do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) foi o lançamento da campanha “Calar Jamais”, contra as violações do direito à comunicação.
Além disso, desde 2014, um projeto de lei de iniciativa popular batizado de “Lei da Mídia Democrática”, que visa regulamentar os artigos constitucionais e regular os meios de comunicação, vem sendo debatido com a sociedade.

O objetivo da proposta é estabelecer condições positivas para ampliar a diversidade e a pluralidade de vozes na sociedade, buscando garantir efetivamente a liberdade de expressão de todos e combater a monopolização da mídia.

Quem deseja que o monopólio midiático pare de censurar debates importantes da sociedade, de impor uma visão única sobre a realidade e de proteger as violações de direitos que estão em curso deve defender imediatamente uma regulação da mídia que promova mais vozes e o fim do monopólio.

Texto: André Pasti é doutorando em Geografia Humana na USP, professor do Cotuca/Unicamp e integrante do Intervozes. Colaborou Marina Pita.
Fonte: Carta Capital

Com foco no direito do cidadão à informação, à participação e no dever do Estado de prestar contas de suas ações, foi criada a Associação Brasileira de Comunicação Pública - ABCPública.