Secretarias de Comunicação da Amazônia criam grupo para ações conjuntas

 

A comunicação pública e governamental foi um dos pontos da pauta do 13º Fórum de Governadores da Amazônia Legal, realizado em Macapá (AP), nos dias 26 e 27 de fevereiro. Durante os debates dos governadores, o secretário de Comunicação do Pará, Daniel Nardin, foi escolhido para fazer uma breve apresentação dos objetivos e das propostas do grupo. “O simples fato de ampliar a participação da comunicação no encontro, permitindo que ela esteja no centro do debate e não somente na divulgação do que foi decidido é um avanço significativo e moderno”, disse Nardin. FOTO: JORGE COSTA / SECOM-AP DATA: 27.01.2017 MACAPÁ - AP
Durante os debates dos governadores, o secretário de Comunicação do Pará, Daniel Nardin, foi escolhido para fazer uma breve apresentação dos objetivos e das propostas do grupo. FOTO: JORGE COSTA / SECOM-AP
DATA: 27.01.2017
MACAPÁ – AP

A comunicação pública e governamental foi um dos pontos da pauta do 13º Fórum de Governadores da Amazônia Legal, realizado em Macapá (AP), nos dias 26 e 27 de fevereiro. Durante os debates dos governadores, o secretário de Comunicação do Pará, Daniel Nardin (e), foi escolhido para fazer uma breve apresentação dos objetivos e das propostas do grupo. “O simples fato de ampliar a participação da comunicação no encontro, permitindo que ela esteja no centro do debate e não somente na divulgação do que foi decidido é um avanço significativo e moderno”, disse Nardin. FOTO: JORGE COSTA / SECOM-AP DATA: 27.01.2017 MACAPÁ - AP
Pela primeira vez, o eixo foi discutido e inserido na Carta de Macapá, documento que os governadores assinam, conjuntamente, focado no desenvolvimento da Amazônia. FOTO: JORGE COSTA / SECOM-AP
DATA: 27.01.2017
MACAPÁ – AP

A comunicação pública e governamental foi um dos pontos da pauta do 13º Fórum de Governadores da Amazônia Legal, realizado em Macapá (AP), nos dias 26 e 27 de fevereiro. Pela primeira vez, o eixo foi discutido e inserido na Carta de Macapá, documento que os governadores assinam, conjuntamente, focado no desenvolvimento da Amazônia.
No documento, os governadores reconhecem e ratificam a criação do Fórum Permanente de Comunicação Pública Governamental da Amazônia, que reúne as secretarias de comunicação dos Estados envolvidos e cuja missão é “fomentar práticas de comunicação voltadas ao cidadão, ampliando a possibilidade de diálogo direto e o fortalecimento de uma comunicação cidadã que envolva e engaje toda a sociedade nas políticas públicas, além de realizar um esforço conjunto para enfrentar os estereótipos historicamente criados acerca da Amazônia”, afirma o texto da Carta de Macapá. (Leia aqui o original)
Durante os debates dos governadores, o secretário de Comunicação do Pará, Daniel Nardin, foi escolhido para fazer uma breve apresentação dos objetivos e das propostas do grupo. “O simples fato de ampliar a participação da comunicação no encontro, permitindo que ela esteja no centro do debate e não somente na divulgação do que foi decidido é um avanço significativo e moderno”, disse Nardin.
“Nossa forma de se comunicar com o cidadão ainda é unidirecional. Precisamos repensar a respeito dos métodos aplicados nos governos, debater sobre o relacionamento com a imprensa e entender as novas tecnologias para se adequar aos novos moldes de divulgação, planejamento e gerenciamento de crises, ouvindo e dialogando diretamente com o cidadão”, completou.
“A linguagem é apresentada de forma diferente entre os Estados da Amazônia Legal. Aqui estamos discutindo as soluções dentro da comunicação, abordando tanto o viés institucional, como a publicidade e a pesquisa”, frisou Giberto Ubaiara, secretário de Comunicação do Amapá.
Entre as ações previstas pelo grupo está, por exemplo, a realização de um esforço conjunto para ações que projetem a Amazônia como destino turístico e de investimentos. “Se tentarmos desenvolver ações isoladas, podemos acabar criando uma limitação que nos impeça de ir mais longe. Já com a associação de esforços podemos produzir uma ação mais efetiva, com estratégia, ampliando a divulgação das potencialidades da Amazônia”, disse Nardin.
Para ele, além das ações efetivas de comunicação, a troca de informações irá ajudar a melhorar os processos dentro dos próprios governos. “Podemos avaliar iniciativas bem sucedidas de outros estados no sentido de dialogar com o cidadão e utilizá-las como modelo. Temos particularidades na Amazônia e a troca de informações e experiências evita o erro”, disse.
Outra idéia validada pelos secretários e que deverá ser implantada é a criação de uma Agência de Notícias da Amazônia, reunindo informações que acabam tendo interesse para quem procura dados sobre a região. “Cada estado tem sua agência e podemos integrar isso. Facilita para o jornalista, para o pesquisador e pra gente mesmo conhecer outras práticas”, disse Daniel Nardin. A idéia é, inclusive, promover diálogos entre as redes públicas de televisão e rádios nos estados, para possibilitar a troca de conteúdo.
A programação do 13º Fórum de Governadores da Amazônia Legal encerrou na última sexta-feira (27). Além do eixo da comunicação, outros seis foram debatidos entre os chefes de Estado e secretários de governo.
Esta é a segunda vez que o Amapá sedia o encontro, que teve sua primeira edição realizada em 2008, com o objetivo de discutir propostas comuns de desenvolvimento sustentável que possam ser implementadas pelos nove estados que compõem a Amazônia Legal: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Tocantins, Maranhão, Roraima, Rondônia e Mato Grosso.
O gestor apresentou aos governadores que integram o fórum as deliberações realizadas e as articulações que serão feitas junto ao governo federal. Nos dias 2 e 3 de fevereiro haverá uma reunião dos secretários com os representantes da Secretaria de Comunicação da Presidência e do Ministério do Turismo.
Entre as propostas que serão apresentadas pelos gestores estão a criação da Agência de Notícias da Amazônia, a inclusão de porta-vozes da região amazônica na Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), além de ações de governo que visam valorizar e promover o turismo na região, assim como é realizado no Nordeste.
Além do eixo da comunicação, outros seis foram debatidos entre os chefes de Estado e secretários de governo no 13º Fórum de Governadores da Amazônia Legal.
(Com informações de Cassio Albuquerque – Secom/AP)
Por Governo do Estado do Pará
Fonte: Agência Pará

Como Trump e o Brexit ajudaram a cunhar a 'palavra do ano' escolhida pelo dicionário Oxford

O termo ganhou popularidade nas campanhas do plebiscito do Brexit e da eleição americana, ambas marcadas pela disseminação de notícias falsas nas mídias sociais e de mentiras por candidatos ou figuras-chave de campanha
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O Dicionário Oxford (Oxford Dictionaries) escolheu post-truth, “pós-verdade”, como palavra internacional do ano de 2016, refletindo o que chamou de 12 meses “politicamente altamente inflamados”.
A palavra é definida pelo dicionário como um adjetivo “relativo a ou que denota circunstâncias nas quais fatos objetivos são menos influentes na formação da opinião pública do que apelos à emoção e à crença pessoal”.
Casper Grathwohl, da Oxford Dictionaries, disse que “pós-verdade” poderia se tornar “uma das palavras que definem nosso tempo”.
O termo ganhou popularidade nas campanhas do plebiscito do Brexit e da eleição americana, ambas marcadas pela disseminação de notícias falsas nas mídias sociais e de mentiras por candidatos ou figuras-chave de campanha.
Em setembro, o termo ganhou proeminência com uma matéria de capa da revista britânica The Economist intitulada “Arte das Mentiras: Política pós-verdade na era das mídias sociais”.
O artigo citava como exemplo de “política pós-verdade” a informação disseminada na campanha pelo Brexit de que a permanência da Grã-Bretanha na União Europa “custava 350 milhões de libras por semana aos cofres públicos” e que o dinheiro – após a eventual saída do bloco – seria destinado ao serviço público de saúde.
Para a revista, o candidato (e depois presidente eleito dos EUA) Donald Trump seria “o expoente máximo da política pós-verdade”, graças a afirmações como as de que o certificado de nascimento de Barack Obama seria falso, ou de que o pai de seu rival republicano Ted Cruz teria estado com Lee Harvey Oswald antes do assassinato de John Kennedy, replicando uma história não comprovada publicada por um tabloide americano.
“Pós-verdade” foi escolhida a partir de uma lista selecionada para refletir as principais tendências e eventos sociais, culturais, políticos, econômicos e tecnológicos de 2016.
O termo acabou desbancando outras palavras que também estiveram ligadas às campanhas mencionadas, como “brexiteer”, derivada da junção das palavras inglesas para “Britain” (Grã-Bretanha) e “exit” (saída) e que era usada para chamar as pessoas que defendiam ou faziam campanha pela saída da Grã-Bretanha da União Europeia, e “alt-right”, usada para descrever o grupo nos EUA que se autodenomina “direita alternativa” – que apoiou Donald Trump e é acusado de racismo e antissemitismo.

Casper Grathwohl, da Oxford Dictionaries, disse que a "pós-verdade" poderia se tornar "uma das palavras que definem nosso tempo"
Casper Grathwohl, da Oxford Dictionaries, disse que a “pós-verdade” poderia se tornar “uma das palavras que definem nosso tempo”

Mídias sociais

De acordo com a Oxford Dictionaries, “pós-verdade” foi usada pela primeira vez em 1992. No entanto, a freqüência de seu uso aumentou em cerca de 2000% em 2016 em comparação com o ano passado.
Segundo Gratwohl, “pós-verdade” vem há algum tempo encontrando sua sustentação linguística “graças à ascensão das mídias sociais como fonte de notícias e uma crescente desconfiança dos fatos oferecidos pelo establishment”.
“Nós vimos, pela primeira vez, o uso atingir um pico este ano em junho com o barulho do voto pelo Brexit e, em seguida, em julho, quando Donald Trump assegurou sua indicação para disputar as eleições pelo partido Republicano”, observou Grathwohl.
Ele completa: “Dado que o uso do termo não mostrou qualquer sinal de abrandamento, eu não ficaria surpreso se pós-verdade se tornar uma das palavras que definem o nosso tempo.”
A “palavra do ano” em 2015 foi, pela primeira vez, um pictograma, o emoji da “carinha com a lágrima de alegria”. No ano anterior, foi a palavra “vape”, como é conhecido o ato de fumar um cigarro eletrônico.

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O britânico Nigel Farage, um dos proponentes da campanha para deixar o União Europeia, compartilha retórica parecida com a usada por Trump nos EUA

As palavras finalistas de 2016

• Adulting – Prática de se comportar como adulto responsável, especialmente para executar tarefas mundanas, mas necessárias.
• Alt-right – usada para descrever um grupo nos EUA que se autodenomina “direita alternativa”, que apoiou Donald Trump e é acusado de racismo e antissemitismo.
• Brexiteer – que foi a favor ou fez campanha pela saída do Reino Unido da União Europeia.
• Chatbot – programa de computador projetado para simular conversas com usuários humanos, especialmente através da internet.
• Coulrofobia – medo extremo de palhaços.
• Glass cliff (penhasco de vidro) – termo usado como referência a uma situação em que uma mulher ou membro de um grupo minoritário ascende a uma posição de liderança em circunstâncias desafiadoras onde o risco de fracasso é alto.
• Hygge – uma qualidade ligada a uma atmosfera aconchegante e um convívio agradável ligada a uma sensação de bem-estar típica da cultura dinamarquesa
• Latinx – pessoa de origem ou ascendência latino-americana; usada como alternativa não-binária de gênero para se referir, ao mesmo tempo, a latinos e latinas.
• Woke (Desperta) – Usada originalmente por afro-americanos para se referir a ficar alerta para injustiças sociais, especialmente racismo.
Fonte: BBC

Rosie, a robô que detecta quando deputados usam mal o dinheiro público

Ferramenta financiada coletivamente na rede já forçou parlamentar a devolver verba gasta com cerveja

Dupla de programadores trabalha para ensinar robô a identificar irregularidades em gastos públicos. PEDRO VILANOVA ARQUIVO PESSOAL
Dupla de programadores trabalha para ensinar robô a identificar irregularidades em gastos públicos. PEDRO VILANOVA ARQUIVO PESSOAL

Um robô criado por um grupo de oito jovens para monitorar gastos públicos conseguiu descobrir, em apenas três meses, mais de 3.500 casos suspeitos envolvendo o uso da cota parlamentar por deputados federais desde 2011. Apelidada de Rosie – em referência a faxineira-robô do desenho Os Jetsons -, a ferramenta faz uma varredura nas milhares de notas fiscais emitidas pelos parlamentares para identificar se os gastos foram legítimos, ilegais ou superfaturados.
Rosie já encontrou, por exemplo, um pedido de reembolso de cervejas compradas por um deputado em um restaurante nos Estados Unidos, mesmo sendo proibido usar dinheiro público para comprar bebida alcoólica. Muitas anomalias foram encontradas também no valor das refeições. Ainda que as despesas sejam autorizadas unicamente para os parlamentares, a ferramenta detectou notas fiscais de dezenas de pizzas em um mesmo dia, um almoço de 12 kg em um self-service a até um pedido de reembolso de quase 1.500 reais em um restaurante que serve bode assado. Cruzando informações de bancos de dados públicos, como o da Câmara e o da Receita Federal, a ferramenta também identificou notas de refeições em cidades muito distantes em um curto espaço de tempo.
“Explicamos ao robô, a essa inteligência artificial, o que é um gasto e o que seria suspeito nele. Uma nota de 400 reais em uma padaria, por exemplo, é um valor muito alto e provavelmente ilegal. Mas, se for de um restaurante do chef Alex Atala, não é ilegal, ele é apenas alto e um absurdo para um gasto público”, diz o jornalista Pedro Vilanova, de 23 anos, um dos integrantes do grupo desenvolvedor do software, que defende que a Câmara imponha um limite para as despesas com alimentação dos parlamentares.
Após a varredura de Rosie, 849 casos foram auditados pelo grupo e destes, 629 foram denunciados à Câmara dos Deputados pelos jovens no próprio site do Legislativo no início do ano. As denúncias questionam, no total, cerca de 378.000 reais pagos com dinheiro público por 216 deputados. O projeto realizado pelo grupo recebeu o nome de Operação Serenata de Amor, em referência a um escândalo ocorrido nos anos 90 na Suécia, conhecido como “Caso Toblerone”, em que a então vice-ministra sueca perdeu o cargo por ter usado dinheiro público com gastos pessoais.

Devolução do dinheiro público

As descobertas de Rosie ainda não fizeram nenhum deputado perder o posto, mas já obrigaram alguns parlamentares a devolverem o dinheiro usado de forma irregular. “Em novembro, resolvemos testar o sistema e denunciamos 43 casos de irregularidade. Desses, já recebemos algumas respostas da Câmara e a decisão de nove devoluções”, conta Vilanova.
O primeiro caso de devolução após as denúncias do grupo foi do deputado federal Celso Maldaner (PMDB-SC) que teve que devolver 727,78 reais, referentes a 13 refeições feitas no mesmo dia e pagas com dinheiro público. Segundo a assessoria, o motorista do deputado cometeu um equívoco por ter colocado as notas no nome do político.

Comprovante que mostra compra de cinco cervejas em restaurante na Califórnia. REPRODUÇÃO
Comprovante que mostra compra de cinco cervejas em restaurante na Califórnia. REPRODUÇÃO

Uma devolução partiu também do deputado Odelmo Leão (PP -MG), eleito prefeito de Uberlândia. Ele gastou 190,05 reais da cota parlamentar (ajuda de custo dada aos políticos que tem de ser justificadas com notas fiscais) com o envio de correspondência da sua campanha eleitoral à prefeitura. Após a denúncia, o deputado teve que pagar ao Fundo Rotativo da Câmara dos Deputados o valor gasto de forma ilegal, já que não são permitidos gastos de caráter eleitoral com dinheiro público.
Outro deputado que já devolveu o valor de um reembolso pedido na cota parlamentar foi Vitor Lippi (PSDB- SP). O tucano pediu o reembolso de 135,15 reais correspondentes a cinco cervejas durante uma viagem aos Estados Unidos. Quando alertado da irregularidade, ele restituiu o valor à Câmara, e a assessora do deputado pediu desculpas em email enviado à Câmara. “Aproveito para assumir a responsabilidade pelo erro cometido, é de praxe dessa assessoria pedir a glosa de itens não autorizados de ressarcimento, tais como bebidas alcoólicas, mas infelizmente dessa vez não identifiquei o produto, já que estava em outra língua”, afirmou Sirlene Silva, assessora de Lippi, que lamentou ainda o transtorno causado.
O robô encontrou também uma fraude em uma série de três reembolsos do deputado Wherles Rocha (PSDB-AC) em um mesmo dia. Duas notas foram emitidas na capital do Acre, Rio Branco, e a outra, a 4.000 km, em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Após a denúncia, o deputado afirmou que na data se encontrava na cidade gaúcha e que a nota do Acre referia-se a uma despesa feita na semana anterior. Ainda segundo o tucano, como estava com pressa em Rio Branco, ele pediu para pagar outro dia e por isso um assessor só conseguiu quitar a dívida no estabelecimento e emitir a nota quando ele estava no sul do país. Mesmo explicando a coincidência dos dias, a Câmara constatou que a Nota Fiscal já encontrava com prazo de validade expirado e por isso o deputado teve que devolver 148 reais.
No fim do ano, o deputado Marco Maia (PT-RS), também teve que devolver dinheiro à Câmara, já que no meio do ano passado emitiu uma nota de 154,50 reais pedindo o ressarcimento de duas refeições em um mesmo local, o que é proibido. Em dezembro, ele teve que restituir 77,25 reais referentes a um almoço adicional.
A primeira fase da Operação Serenata de Amor termina neste mês, mas o plano dos oito integrantes do grupo, que também contam com o apoio de cerca de 400 técnicos voluntários, é continuar passando um pente-fino nas contas do Governo. Para custear a investigação inicial das despesas da Cota de Atividade Parlamentar, eles recorreram a um financiamento coletivo e conseguiram arrecadar 80.000 reais. “Entregamos o que prometemos, entregamos a Rosie. Mas agora queremos aprimorar ainda mais o robô para que os dados sejam ainda mais precisos. Vamos lançar um novo financiamento coletivo”, explica Vilanova. Para ele, a varredura de dados precisa alçar novos voos e não ficar presa apenas a cota parlamentar. “O programa e a operação podem ser replicado a outras esferas, como o Senado e empresas, por exemplo”, explica.
Fonte: El País

Mobilidade urbana nas redes sociais

Ciclovias, ciclofaixas, corredores de ônibus, VLT, trânsito, velocidade máxima, multas, Uber e taxistas. O debate sobre mobilidade urbana está cada vez mais quente e ganha corpo dia após dia, ao menos nas maiores e mais populosas cidades.

O ComunicaQueMuda (CQM), uma iniciativa de comunicação de interesse público da agência nova/sb, foi atrás do assunto mobilidade nas redes sociais para entender o que os usuários de internet pensam, noticiam e opinam sobre este assunto no universo digital.

A leitura do dossiê revela comportamentos tão previsíveis (o desejo por carros) quanto criticáveis do ponto de vista da sustentabilidade (a defesa do uso do transporte individual). Veja a seguir oito pontos relevantes entre as centenas de conclusões que podem ser tiradas da mineração de quase 400 mil menções surgidas nas redes em dois meses, de 5 de agosto a 5 de outubro de 2016:farolredes

  1. Quase 44% dos usuários que tocaram nos temas da mobilidade nesse período rechaçam o uso do transporte coletivo e incentivam o uso do transporte individual.
  2. De cada quatro comentários sobre carros ou motos, um é de alguém que deseja comprar um veículo.
  3. Na nuvem de termos sobre transporte individual, as palavras que mais aparecem são “carro” e “quero”.
  4. Entre os temas mais falados sobre a cultura do transporte individual, estão  “acidentes” (60%), “congestionamentos” (quase 14%) e “indústria da multa” (9%).
  5. 60% das pessoas consideram a multa algo positivo e somente 21%, algo negativo.
  6. O maior problema sobre o transporte público é a lotação dos ônibus, mencionada por 58% dos usuários.
  7. A bicicleta é a queridinha das redes com 83% de sentimento positivo.
  8. Em relação à acessibilidade, o sentimento de que algo precisa mudar é positivo em 93%, mas 43% dos usuários que tratam desse tema contam alguma história negativa sobre o acesso de deficientes ao sistema público de transporte.

De fato, estrutura inadequada, trânsito lento, transporte público de péssima qualidade e abrangência, ausência de formas alternativas de locomoção e falta de segurança, para pedestres e motoristas, estão entre os problemas enfrentados todos os dias por brasileiros, principalmente aqueles que vivem nas capitais e maiores centros urbanos.

Com todos esses problemas, é fato que ainda temos muito a avançar para atingirmos um nível aceitável na mobilidade urbana. Porém, para além das responsabilidades do poder público, quais serão as percepções dos brasileiros sobre o tema? Como o cidadão médio vê essa questão? Será que essa visão está de acordo com o que de fato é necessário para a melhoria da mobilidade em nossas cidades?

Pensando em responder a essas e outras perguntas, o CQM foi fundo para descobrir o que era dito sobre os principais pilares de mobilidade urbana nas redes sociais.

Sempre que alguma palavra ou expressão referente ao tema aparecia em um post do Facebook, do Twitter, do Instagram ou de algum blog ou um comentário em sites da internet, esse conteúdo era recolhido e analisado pela equipe do CQM, com ajuda do Torabit, um software de monitoramento digital.

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Na ponta do lápis, ao todo, foram analisadas 397.932 menções nas redes, sobre os temas relacionados a transporte público, problemas estruturais, cultura do transporte individual, bicicletas e ciclovias, pedestres, entre outros.

De maneira geral, os resultados mostraram que uma forte cultura do transporte individual ainda predomina por aqui, com o desejo de possuir um carro muito presente entre os brasileiros, o que vai contra a ideia de priorização do transporte coletivo e alternativo como forma de melhorar a mobilidade como um todo.

Outros modais de transporte não são vistos como válidos, como, por exemplo, o fato de a  maioria das pessoas ainda ver as bicicletas mais como uma fonte de lazer ou saúde do que propriamente de mobilidade, mostrando uma visão peculiar dos brasileiros em relação ao tema. Além disso, ficou evidente uma avaliação em geral negativa do transporte público, evidenciando a necessidade de mais investimentos para a área.

Acesse o dossiê aqui

Boa leitura!

Fonte: Comunica que muda

Vídeo que denuncia uso da mulher na publicidade é um dos mais vistos de 2016

Um dos vídeos que mais viralizou, em 2016, com mais de dois milhões de visualizações só no Brasil, mostra o uso indiscriminado da mulher na publicidade. Relembre aqui.
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Um dos vídeos que mais viralizou, em 2016, com mais de dois milhões de visualizações só no Brasil, mostra o uso indiscriminado da mulher na publicidade. O filme faz parte da campanha #WomenNotObjects, e foi criado por Madonna Badger, executiva de publicidade.
Ao falar para o Wall Street Journal, Badger conta que já trabalhou em empresas duvidosas, que exploram o corpo da mulher, como a Calvin Klein. Depois de perder suas três filhas em um incêndio em casa, ela começou a demonstrar o impacto prejudicial que esses anúncios podem ter em meninas e mulheres.
Há uma ampla pesquisa para apoiar sua cruzada. Em 2007, a American Psychological Association concluiu que o uso sexual das mulheres em revistas, filmes, programas de TV e sites está ligada a problemas de saúde mental, distúrbios alimentares, baixa auto-estima e depressão em meninas e mulheres. “As consequências do uso indiscriminado da sexualidade das meninas na mídia hoje são muito reais e, provavelmente, serão uma influência negativa sobre o desenvolvimento saudável das meninas”, disse na época o chefe da força-tarefa da APA.
Relembre o vídeo aqui:

Fonte: Revista Fórum

Estudo de caso com dengue mostra imprensa mais preocupada com polêmica do que com orientação

A pesquisadora Edlaine Villela, da Universidade Federal de Goiás, fez estudo em que analisa os discursos da imprensa de 1990 a 1991 a respeito da primeira epidemia de dengue em Ribeirão Preto, São Paulo. Ela examinou 126 textos de jornais e revistas e concluiu que “a mídia desviou a atenção dos leitores para os embates políticos e não para as questões relativas ao binômio epidemiologia/saúde”. Explica, por exemplo, que, “ao transmitir informação sobre dengue durante a primeira epidemia, a mídia preocupou-se mais em polemizar a discussão sobre quem seria o grande vilão da epidemia do que em alertar e esclarecer a população sobre o processo epidêmico em si. O jogo de representações ficou bastante nítido, assim como a relação entre mídia e poder”. Diz, também, que a “miscelânea de informações desconexas e oponentes não contribuiu para que fosse feito um trabalho coletivo e significativo contra a epidemia”. Leia o trabalho completo no link abaixo.
Comunicação de Risco e Comunicação de Crise Um estudo sobre dengue e autoridades

A gente quer inteiro. E não pela metade

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A comunicação pública é uma realidade em muitos países do mundo [1]. Sabe a BBC? Significa British Broadcasting Communications (nada mais que a Emissora Britânica de Comunicações). Por aqui não deveria ser diferente quando a Radiobras passou a se chamar Empresa Brasileira de Comunicações.
Em teste, emissoras públicas são concessões tanto quanto as particulares só que como não tem rabo preso com anunciantes podem e devem tratar de temas necessários para a população que as privadas não teriam condições de debater sob pena de perder anunciantes. Mais do que isso: as emissoras públicas, sejam federais ou estaduais, têm que “por o dedo na ferida” e oferecer integralmente as programações oficiais, como é o caso da NBR.
No dia 9 de Janeiro de 2017, o ministro da justiça Alexandre de Moraes concedeu uma entrevista coletiva sobre a “crise penitenciária”. Consegui assistir apenas alguns trechos na GloboNews, que logo cortou para passar outra matéria (e não há nada de errado disso, é o modelo de negócios deles). Só que fiquei curiosa: o que mais ele disse?
O controle remoto é uma benção! Passei para a NBR pois queria continuar vendo a coletiva. O que ia ao ar era a entrevista de Leonor Pach sobre obesidade. Outra tentativa: TV Justiça, mas o programa era Direito & Literatura. TV Cultura, TV Brasil: nenhuma delas exibia a coletiva do ministro ao vivo.
A mim cabia apenas o “direito” de assistir a edição de uma emissora que pago.
Pensei que era o que os millennials chamam de velha e fui procurar outros meios de comunicação. No site do Ministério da Justiça haviam duas notas à imprensa. Na agenda do ministro, nenhum compromisso (se coletiva de imprensa não é compromisso não sei o que se é).
“Talvez a geração do Mark tenha razão e a informação esteja no Facebook”, cogitei. Havia um compartilhamento de um post do Ministério da Saúde sobre chikungunya na página oficial do Ministério de Justiça e Cidadania. Há também um post sobre a retrospectiva da Secretaria Nacional da Política Sobre Drogas (SENAD) e outro compartilhamento, desta vez do Ministério da Integração Nacional para evitar o desperdício de água. No dia 4 de Janeiro há uma postagem com a retrospectiva do Departamento Penitenciário Nacional. Notas sobre o caos penitenciário de 2017? Nenhuma.
Tudo bem, quem sabe um passarinho me conta alguma coisa? Finalmente, alguns tuiters sobre o tema na conta oficial do Ministério da Justiça e Cidadania! Ali encontrei 23 postagens sobre a “crise penitenciária”. Aqui vale um importante adendo: nesta rede social, cada postagem pode ter no máximo 140 caracteres.
E, antes que me perguntem: o canal da TV Justiça no YouTube transmitia a entrevista da cabeleireira Tânia Luiza (não me perguntem porquê).
Mortos em Manaus, em Roraima, a divulgação de um PDF de 62 páginas intitulado “Plano Nacional de Segurança Pública” apenas com tópicos e sem detalhamentos de como implantar as ações, enfim, em meio ao caos o Ministério da Justiça prefere divulgar metade (um terço? Um quarto) das informações do que a sociedade brasileira merece saber por inteiro.
São muitas perguntas sem respostas e uma coletiva que deveria ser transmitida na íntegra. Por que o silêncio? A sonegação de informações pode parecer, em um primeiro momento, um case de comunicação mal feito. Mas consegue ser pior: O Ministério da Justiça e Cidadania viola um direito humano que está na Declaração Universal dos Direitos Humanos [2]:
Artigo 19º: “Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e idéias por qualquer meio de expressão.”
Esta “seletividade” ao ser observada mais atentamente consegue-se tornar ainda mais estranha para compreender: por que, em pleno domingo, a TV Câmara transmitiu ao vivo a votação dos deputados federais para o impeachment de Dilma Rousseff e neste caso, com tantos meios, o que existe é a falta de informação?
Em seu artigo, “Instrumentos de participação pública como auxílio à participação política dos cidadãos- Avaliação das políticas públicas de cidadania do portal eletrônico do governo da cidade de São Paulo”, Fabíola de Paula Liberato, Pós Graduanda do Mestrado em Comunicação do Programa de Pós Graduação da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação, deixa uma possibilidade raciocínio [3]:
“A comunicação tem como base o intercâmbio de informações, porém, o fato de haver informação sobre determinado tema político, por exemplo, não garante a eficácia da comunicação pública. A comunicação pública deve proporcionar condições de acesso e maior interação entre representantes e representados, a criação de espaços para discussões e exercício da cidadania possibilita a melhora da comunicação e a busca do entendimento, compreensão. Uma característica notável da informação desenvolvida pela comunicação pública é ter conteúdo que seja de interesse de todos”.
O Ministério da Justiça e Cidadania, bem como as outras pastas e a própria sociedade não estão interessados em saber o que houve nos presídios e muito menos o que acontecerá daqui para frente. A barbaridade ali praticada, a admissão de facções criminosas, a ineficácia do sistema: nada disso parece importar para ninguém. E os que se importam, como eu, literalmente não tem nada para ver.
Texto: Ivy Farias – jornalista e estudante de Direito da UMC Villa-Lobos/Lapa em São Paulo e uma das co-fundadoras do movimento Mais Mulheres no Direito.
Fonte: Jornal GGN

Governo Temer erra muito na comunicação

O governo comunica-se mal, vende-se com meias verdades, bate cabeça internamente e expõe-se publicamente. Erra muito —mais do que o aceitável.

Alan Marques - FolhaPress
Alan Marques – FolhaPress

A Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República) lançou neste início de ano edital para contratar as agências de propaganda que administrarão a maior conta de publicidade da Esplanada dos Ministérios.
O cobiçado contrato de R$ 208 milhões, por 12 meses, desperta futricas. No submundo da capital federal, teses sobre um possível jogo de cartas marcadas.
No Ministério da Saúde, segunda maior verba de publicidade do governo federal (R$ 205 milhões), levaram a disputa agências de origem questionável ou com DNA de velhos conhecidos —como os do marqueteiro baiano Duda Mendonça e de Antonio Lavareda, cientista político e conselheiro de Michel Temer.

Teorias conspiratórias de lado, milhões de reais em dinheiro público são gastos com propaganda e comunicação oficial. E o resultado?
O governo comunica-se mal, vende-se com meias verdades, bate cabeça internamente e expõe-se publicamente. Erra muito —mais do que o aceitável.
A propaganda sobre os 120 dias do governo Temer exibe exageros e chega a celebrar medida assinada pela pena alheia —no caso a de Dilma Rousseff, que sancionou a Lei da Repatriação. Os louros foram colhidos pela gestão peemedebista.
Na semana passada, peças publicitárias sobre violência no trânsito, avalizadas pela Secom, causaram furor nas redes sociais. Com a polêmica, a campanha “Gente boa também mata” acabou sendo parcialmente suspensa.
O Leão de Ouro teria ido para a fala atrasada e desastrada de Temer (sugerida por algum marqueteiro?) sobre o massacre no presídio em Manaus, que classificou de “acidente pavoroso”.
Só não o foi porque o secretário Nacional de Juventude, Bruno Júlio (PMDB-MG), agora demissionário, superou a gafe presidencial com o slogan: “Tinha que matar mais. Uma chacina por semana”.
Fonte: Folha de S.Paulo

Justiça do PR contrata 'Disk Limpeza' para assessoria de comunicação

Ação é alvo de questionamento por parte de associação; decisão pode chegar ao TCE
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A Justiça Federal do Paraná contratou uma empresa chamada Disk Limpeza para prestar serviços de comunicação e de assessoria de imprensa. Com a decisão, ações da Operação Lava Jato seriam divulgadas por trabalhadores de uma companhia cuja atividade é faxina.
As informações são da coluna Radar On-Line, do site da revista Veja, desta quinta-feira (5).
De acordo com a revista, a Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom) reagiu negativamente à contratação. A entidade afirma que vai questionar a ação no Tribunal de Contas da União e, caso seja necessário, na Justiça.
“O setor de comunicação corporativa começa 2017 mobilizado para impedir uma prática que é comum em diversos órgãos públicos, especialmente na área da Justiça: a contratação de empresas de mão-de-obra para prestação de serviços de comunicação para tribunais e autarquias”, diz o nota da Abracom.
Fonte: Noticias ao minuto

Coca-Cola, Nestlé e mais empresas unificam regras para publicidade infantil

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Onze empresas multinacionais do setor de alimentos e bebidas firmaram um compromisso para seguirem regras comuns na publicidade voltada para crianças.
A iniciativa, anunciada na última segunda-feira (12), determina que as empresas participantes somente poderão anunciar produtos para crianças menores de 12 anos de idade se estes atenderem aos critérios nutricionais unificados para todo o grupo e definidos de acordo com orientações internacionais. Antes, os critérios seguidos eram estabelecidos por cada empresa.
Participam do acordo Coca-Cola Brasil, Ferrero (dona do Ferrero Rocher, Kinder Ovo, Nutella e Tic Tac), General Mills (Häagen-Dazs e Nature Valley), Grupo Bimbo (Pulmann), Kellogg’s, Mars (M&Ms, Twix, Snickers), McDonald’s, Mondelez (Lacta, Toblerone, Oreo, Tang, Bubbaloo), Nestlé, PepsiCo e Unilever.
As novas regras fazem referência à Política Global de Comunicação de Marketing para Crianças da International Food & Beverage Alliance (IFBA), mas com adaptações para o mercado brasileiro.
A padronização dos critérios nutricionais passará a ser seguida a partir de 1º de janeiro de 2017, considerando um período de adaptação até 31 de dezembro do ano que vem.
Outra mudança será em relação ao aumento da restrição de audiência de público infantil. A nova diretriz que será seguida por essas empresas estabelece que audiências infantis são aquelas cujo público é composto por 35% ou mais de crianças abaixo de 12 anos. O critério anterior era de 50% ou mais.

Monitoramento

O monitoramento das novas regras será feito pela empresa KPMG, que verificará se as campanhas e anúncios feitos ao longo do ano estão de acordo com os critérios acordados.
Segundo a assessoria que representa as marcas participantes, além dessas medidas, cada empresa “pode manter e/ou adotar critérios de publicidade infantil que vão além destes estabelecidos neste compromisso”.
As empresas prometem também não realizar comunicações de marketing de produto em escolas em que prevaleçam crianças abaixo de 12 anos, “exceto se solicitado ou acordado com a administração da escola exclusivamente para fins educacionais específicos”.

Critérios

Segundo o compromisso firmado pelas empresas, as categorias de produtos anunciados para crianças menores de 12 anos com necessidade de adequação ao critério nutricional são:

  • Óleos e gorduras com base vegetal e animal, e produtos à base de gordura e molhos emulsionados
  • Frutas, vegetais e sementes e seus produtos, exceto óleo
  • Leites, produto lácteos e substitutos do leite
  • Produtos à base de cereal
  • Sopas, pratos compostos, pratos principais e sanduíches
  • Refeições para crianças
  • Sorvetes

As categorias que podem ser comunicadas sem necessidade de adequação a critérios nutricionais devido às suas características, segundo as empresas, são:

  • Água engarrafada
  • Suco 100% fruta
  • Produtos 100% à base de fruta ou vegetal, sem adição de sal, gordura ou açúcar
  • Produtos 100% à base de sementes e castanhas, sem adição de sal, gordura ou açúcar
  • Carne crua
  • Gomas e balas “sugar free” (sem açúcar)

Nenhum critério nutricional foi desenvolvido para determinadas categorias, que incluem chocolates, doces e refrigerantes, produtos que as empresas já se comprometem a não anunciar para crianças menores de 12 anos.

Getty Images
Fonte: UOL

Livro examina o papel dos movimentos sociais nas políticas públicas de comunicação na América Latina

Como explicar o processo de transformação das políticas públicas de comunicação promovidas pelas iniciativas da sociedade civil nos países latino-americanos nos últimos anos?
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Essa foi a pergunta inicial que deu origem ao livro Media Movements, Civil Society and Media Policy Reform in Latin America (em português, Movimentos de Mídia, Sociedade Civil e Reforma da Política de Mídia na América Latina), lançado este ano pela editora inglesa Zed Books.
Este livro examina a contribuição ou o apoio dos movimentos cidadãos sobre temas de comunicação – ou movimentos sociais, como precisam os autores – durante um período “único e intenso” de reformas das políticas de comunicação pública na América Latina de 2000 a 2015.
Na América Latina, tem havido “um processo de mobilização cidadã, sem precedentes, bastante importante e notável, de demandas socioculturais (…) O processo é muito similar, no sentido de que se inicia na sociedade civil em todos os países” da região, disse o sociólogo argentino Silvio Waisbord, um dos autores do livro e professor da Universidade George Washington, ao Centro Knight para o Jornalismo nas Américas.
Neste contexto, o livro analisa os movimentos sociais que tentaram modificar o processo de formulação das políticas públicas para redistribuir as oportunidades de expressão pública e torná-las mais democráticas.
Sobre este processo, as três linhas de análise do livro são: leis de sistemas de radiodifusão, acesso à informação pública governamental e leis de liberdade de expressão.
“Até agora, havia muito poucos trabalhos sobre o papel da sociedade civil nas reformas das políticas de comunicação na América Latina dos últimos anos. Em geral, as reformas, especialmente as de radiodifusão, costumam aparecer nos países da nossa região como disputas entre governos e grandes grupos de mídia em cada país”, disse a outra autora do livro, a comunicadora social argentina María Soledad Segura, professora da Universidade Nacional de Córdoba e Conicet ao Centro Knight.

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María Soledad Segura. Foto via Twitter

O livro estuda o caso deste processo transformador em vários países da região, com foco principalmente no Equador, na Argentina, no México e no Uruguai. De acordo com os autores, estes países foram escolhidos porque apresentavam níveis similares de ativismo cidadão em várias políticas de comunicação e governantes de diversos espectros políticos.
“Buscamos casos diferentes, mas comparáveis para (…) podermos fazer um quadro regional”, disse Waisbord. Segundo o autor, eles escolheram o Equador e a Argentina, porque ambos os países têm governos com características populistas, e México e Uruguai porque os dois têm governos muito diferentes, em termos ideológicos.
Tanto para Segura quanto para Waisbord, em todos os processos houve uma participação social inédita na história das políticas de mídia na região latino-americana, que não foi tão estudado pela academia, e que teve pouca repercussão midiática.
Como exemplos deste processo, o livro cita em seu terceiro capítulo alguns casos em que as organizações civis promoveram reformas midiáticas nos países da região.
Por exemplo, em 2014, no Peru, organizações da sociedade civil como Otro Mirada, Calandria, Ideele, Coordenadoria Nacional de Rádio e Associação Nacional de Jornalistas participaram de audiências públicas, conduzidas e representadas pelo congressista Manuel Dammert, para discutir um projeto de lei cujo objetivo era reduzir a concentração de propriedade de meios de comunicação.
No Paraguai, aconteceram também audiências públicas sobre o assunto, conduzidas pela Frente Guasú, com a colaboração do ex-presidente e do senador Fernando Lugo.
Em 2007, no México, organizações civis também participaram de audiências públicas de comissões parlamentares, nas quais discutiram reformas legais na radiodifusão do país. Mais tarde, em 2014, estas organizações participaram de uma consulta pública sobre a lei da radiodifusão e das telecomunicações.
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Silvio Waisbord. Foto via Twitter

“É difícil pensar que qualquer uma destas mudanças surgiu da classe política, do setor empresarial ou de um setor ligado à indústria da mídia. Em todos os casos, acreditamos que as iniciativas surgem na sociedade civil e que eventualmente emerge uma coalizão dentro da sociedade civil a favor das mudanças, que forma alianças amplas dentro da sociedade política e, em alguns casos, dentro do setor empresarial”, Waisbord disse.
Segura explicou que o impacto que a organização e a participação social têm sobre as políticas públicas de radiodifusão não se limitam aos seus objetivos. “No livro, demonstramos que elas efetivamente incidem em cada uma das etapas da formulação de políticas públicas, no debate, na discussão parlamentar e na implementação”, acrescentou ela.
No entanto, outra descoberta significativa do livro, afirmou Segura, está relacionada ao acúmulo de capacidades institucionais das organizações da sociedade civil, tanto na sociedade civil quanto no Estado. Isto se dá, acrescentou ela, a partir do trabalho realizado por estas organizações para promover instituições participativas de políticas de comunicação dentro do Estado.
Dada a instabilidade institucional na América Latina, as reformas propostas e alcançadas pela sociedade civil podem ser facilmente alteradas por novos governos, se não houver uma base de apoio sólida e ampla para estas políticas públicas, explicou Waisboard.
Outra das dificuldades apontadas por ambos os autores em sua análise é a implementação das reformas propostas, e muitas vezes alcançadas, pelas mobilizações e organizações cidadãs. De acordo com uma das afirmações de Waisbord, o Estado continua a ser um ator determinante no desenho de políticas públicas.
Esta afirmação exposta no livro foi comprovada pelo que aconteceu na Argentina, um dia depois de Maurício Macri assumir a presidência no país. O novo presidente modificou, através de decretos, a Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual em aspectos como os limites à concentração da propriedade dos meios de comunicação.
Por exemplo, ela também disse que nos últimos meses de 2016 as organizações conseguiram reverter algumas das políticas que estavam sendo implementadas, como as que se referem a meios de comunicação comunitária, popular e alternativa, que são atores relevantes na Argentina, entre outros.
“Esta mobilização surgiu sem ter aliados políticos no governo”, disse ela.
Ainda sem datas, há planos editoriais para traduzir o livro para o espanhol, afirmaram os autores.
Fonte: knight center

Com foco no direito do cidadão à informação, à participação e no dever do Estado de prestar contas de suas ações, foi criada a Associação Brasileira de Comunicação Pública - ABCPública.