Segura esse coração

 

Um menino introvertido corre o risco de ser dedurado por seu próprio coração, depois que ele sai do seu peito para perseguir o menino de seus sonhos. O menino é Sherwin, um garoto entre 13-14 anos  que se descobre interessado em Johnathan. Mas não tem coragem de assumir a paixão. Seu coração, desobediente, resolve, então, pular do seu peito. A história desse coração fujão e cheio de coragem é o pano de fundo do curta-metragem de 4 minutos, In a Heartbeat.
O filme que fala do primeiro amor entre dois meninos será lançado em junho, gratuitamente, no YouTube e Vimeo. De acordo com seus criadores/diretores, os estudantes de animação na Ringling College de Arte e Design, Beth David e Esteban Bravo, o filme foi feito em homenagem ao Dia Internacional Contra a Homofobia, a Transfobia e a Bifobia. O trailer do filme (acima), que por enquanto só foi visto em festivais de cinema, viralizou logo após ser postado nas redes sociais. O curta foi feito graças a financiamento coletivo lançado no Kickstarter. E conseguiu arrecadar 4 vezes o valor da meta inicial.
17880744_1808014219415840_4701348846952911050_o
Em uma entrevista à Teen Vogue, Esteban explicou que a ideia de contar essa história de amor surgiu pela falta de uma animação em que o personagem principal seja gay. Segundo ele, todo o enredo foi trabalhado com leveza e doçura, em uma pantomima sem diálogos.

Dificuldades em assumir

Jovens entre 18 e 34 anos são duas vezes mais propensos a se identificarem como parte da comunidade LGBT, se comparados aos da geração anterior, de acordo com os resultados de uma pesquisa realizada nos Estados Unidos. O terceiro relatório Accelerating Acceptance, montado anualmente pela GLAAD e criado em parceria com a Harris Poll, entrevistou 2.037 adultos dos Estados Unidos (com 18 anos de idade ou mais) em novembro de 2016. A pesquisa descobriu que 20% dos jovens da chamada “geração do milênio” se identificam abertamente como LGBT, enquanto que apenas 7% da geração do “Baby Boom” (entre 52 e 71 anos de idade) assumem abertamente esse rótulo.
No Brasil, um estudo feito pela consultoria de engajamento Santo Caos analisou o comportamento de uma parcela de jovens do universo LGBT com 116 pessoas, entre 18 e 25 anos, e o resultado apresentou que 63% desses jovens relatam sentir rejeição total, ou parcial, dos familiares após assumirem a orientação sexual; o estudo apontou também que apenas 59% revelam a orientação sexual para os familiares, enquanto que os outros 41% dizem assumir para algumas pessoas, ou preferem esconder totalmente.
Fonte: Comunica que muda

Senado debate suicídios

A cada 45 minutos, uma pessoa se suicida no Brasil, dizem especialistas na CAS
imagem_materia
Enquanto ocorria a audiência pública na manhã desta quinta-feira (25) na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), 3 pessoas cometeram suicídio no Brasil e 199 pessoas se suicidaram no mundo. O dado de que um suicídio ocorre a cada 40 segundos no mundo e a cada 45 minutos no Brasil foi trazido ao debate pelos participantes com o objetivo de instruir os senadores para oferecerem um projeto de lei criando a Semana Nacional de Valorização da Vida.
A iniciativa da audiência partiu do senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), que já havia apresentado um projeto em 2016, mas o retirou da tramitação por um vício de injuridicidade. Na nova proposta, a ideia é de que ele viesse a ser o relator. O senador avaliou que a audiência foi extraordinária e que os senadores terão o desafio de fazer com que o futuro projeto se torne lei e que a imprensa faça a divulgação devida, especialmente no momento de crise política pela qual passa o país.
— Estou aqui há 24 anos no mandato de senador. Terminarei em 2018 e nunca passei aqui por uma crise como essa. Nós estamos num momento político muito difícil. Então nós queremos que a própria crise política não afete o que nós queremos fazer diante desse desafio de termos um suicídio a cada 45 minutos no Brasil. A sociedade não tem a dimensão do problema e nós temos o imenso desafio de fazer com que ela possa se mobilizar em função disso — disse o senador.
Garibaldi também pediu que Marta Suplicy (PMDB-SP) relate o projeto, pois a considerou mais capacitada do que ele. Marta afirmou que será um trabalho conjunto e sugeriu realizar uma reunião entre os Ministério da Educação e Saúde e Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), para que possam entender a dimensão do problema e já organizarem uma primeira atividade na Semana Nacional de Valorização da Vida, que  deve ser fixada em setembro.
— Eu fico satisfeita com isso porque é um tema sobre o qual me debrucei muito na vida, que eu gosto. Suicídio, especificamente, não é um tema que eu tenha me debruçado, mas pessoas, como psicóloga, é algo que realmente me interessa muito — afirmou Marta.

Crescimento no Brasil

Segundo informou o coordenador geral de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Quirino Cordeiro Júnior, o Brasil é signatário do Plano de Ação em Saúde Mental, feito em 2013 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em que se busca a redução da taxa de suicídio em 10% até 2020. No entanto, nos últimos dez anos, o número de suicídios no país tem aumentado, o que tem preocupado o governo.
Segundo a psiquiatra Maria Dilma Alves Teodoro, presidente da Associação Psiquiátrica de Brasília (APBr), o Brasil é o oitavo país no mundo em número de suicídios. Entre 2000 e 2012 houve um aumento de 10,4% na quantidade de mortes, sendo mais de 30% em jovens. E se estima que, até 2020, haverá um incremento de até 50% no número anual de mortes por suicídios.
— Isso tudo equivale a aproximadamente 32 casos por dia, 1 a cada 45 minutos, levando em consideração que a gente ainda tem a subnotificação e essa subnotificação está muito vinculada ao preconceito com relação ao portador de algum transtorno mental — afirmou.
Segundo Quirino, o governo estabeleceu três ações para tentar conter esse avanço. São elas a ampliação e estruturação da Rede de Assistência Psicossocial, um acordo de cooperação técnica entre o Ministério da Saúde e o Centro de Valorização à Vida (CVV) e a organização do Plano Nacional de Prevenção ao Suicídio.

Suicídio entre jovens

De acordo com o diretor da APBr, Carlos Guilherme da Silva Figueiredo, no mundo, 1,3 milhão de jovens morrem por conta de causas evitáveis ou tratáveis, sendo a primeira causa os acidentes de trânsito (11,6%) e a segunda, o suicídio (7,3%).
Carlos informou que a partir de 1995 aumentou muito o índice de suicídio entre os jovens. Entre 1996 e 2002, 66% dos suicídios em São Paulo se deram na faixa etária de 5 a 44 anos. Segundo ele, os principais fatores de risco para o suicídio dos jovens são o afastamento dos pais biológicos, o divórcio dos pais, o suicídio dos pais, parentes próximos ou amigos, a dependência química e, para as meninas, entre 15 e 19 anos, a gravidez precoce e o aborto.
— Seriam alguns fatores para chamar a atenção, em especial, a mudança de comportamento tanto na escola quanto em ambiente familiar. Deixar de participar das atividades em sala de aula, isolar-se mais, desinteresse em atividades que antes a criança e o adolescente consideravam prazerosas e assim como outros sintomas de depressão — afirmou.

Suicídio e saúde mental

O coordenador geral de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Quirino Cordeiro Júnior, afirmou que quase 100% dos casos de suicídios estão relacionados a algum transtorno mental. Ele explicou que a atenção aos pacientes que apresentam transtorno mental é uma das iniciativas mais importantes na prevenção do suicídio.
— Nós temos o Caps, que é o Centro de Atenção Psicossocial. Existe um crescimento importante do número desses centros de atenção. Hoje no Brasil temos quase 2.500 Caps, que atendem pacientes com transtornos mentais graves. E agora nós estamos trabalhando para que haja uma qualificação melhor desses pontos de atenção psicossocial para que esses pacientes sejam tratados de maneira apropriada — afirmou

Mídia e Redes Sociais

De acordo com Carlos Figueiredo, a mídia tem reportado com mais constância e de maneira mais adequada o suicídio, não dizendo o modo como são feitos os suicídios. No entanto, o diretor de Educação da SaferNet, Rodrigo Nejm, foi por uma divulgação sensacionalista da imprensa, que o conhecido jogo da Baleia Azul, originado de uma notícia falsa na Rússia, ganhou proporções maiores no Brasil.
– O Baleia Azul foi uma fake news que se alastrou de forma bastante séria no país a partir da cobertura sensacionalista de alguns veículos de imprensa. Infelizmente, no Brasil, quando o fenômeno chegou aqui, foi justamente por uma cobertura irresponsável de alguns veículos, que, de certa forma, inauguraram o fenômeno aqui, do ponto de vista de que o tal Baleia Azul ganhou materialidade justamente por conta do efeito contágio — afirmou Rodrigo.
Os participantes também ressaltaram o papel do seriado 13 Reasons Why, que trata do suicídio de uma jovem, quanto à necessidade de colocar o assunto em pauta e de se quebrar o tabu sobre o tema. No entanto, eles ressaltaram que a série tem um lado ruim que é mostrar o passo a passo do suicídio realizado pela protagonista.
— O suicídio de fato é contagioso. Por isso, divulgar o ato suicida é prejudicial, mas falar sobre suicídio não. É preciso que o assunto depressão, o assunto sofrimento, o assunto dificuldade sejam pautados — afirmou o psiquiatra e vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal, Thiago Blanco Vieira.

Centro de Valorização da Vida

A coordenadora de comunicação do Centro de Valorização  à Vida (CVV-Brasília), Leila Herédia, afirmou que a instituição existe há 55 anos e hoje atua com cerca de 2 mil voluntários em 70 cidades do país. Os voluntários são pessoas de qualquer formação, que passam por um treinamento e precisam dispor de quatro horas semanais para ouvir o outro.
— A gente funciona como um pronto-socorro emocional. A pessoa precisa conversar, precisa dialogar, precisa falar das angústias que a estão incomodando naquele momento, seja de manhã, de tarde, de noite, de madrugada, ela pode ligar para o CVV, que vai ter, a qualquer momento, nos 7 dias da semana, nos 365 dias do ano, um voluntário para ouvi-la — informou Leila.
Leila informou ainda que a maioria das pessoas que ligam para o CVV é jovem e, no caso das meninas, está ocorrendo muito a automutilação.
— A automutilação em geral começa na faixa entre 12 e 13 anos e se estende até os 30 anos. Entre as motivações, apontadas por eles também (OMS), está uma dor, uma angústia insuportável — disse Leila.
Uma das sugestões para ampliar o acesso ao CVV, além da divulgação é determinar a gratuidade da ligação. O CVV também tem postos de atendimento pessoal e pela internet. O número para ligar é o 141 e o site é http://cvv.org.br.

Fonte: Agência Senado

ABCPública participará do Congresso Mega Brasil de comunicação

O Congresso Mega Brasil de Comunicação, Inovação e Estratégias Corporativas chega a sua 20º edição e este ano traz como tema central “Os desafios da Transversalidade no Universo Corporativo”. Sua programação traz debates com profissionais nacionais e internacionais com inovações, Novos Conceitos, Novas Práticas e Casos de Sucesso.
A ABCPública será representada pelo presidente Lincol, que irá moderar a apresentação “Roque jornalistico: saem os reporteres de economia, entram os de polícia” de Eduardo Oinegue, que irá acontecer no dia 23 as 15h20 e irá falar sobre administração de crise.
Além da apresentação de Oinegue, estão previstas mais de 30 atividades, entre palestras, mesas redondas, TEDs motivadores, conferências nacionais e internacionais nos três dias do evento.
Serviço:
20º Congresso Mega Brasil de Comunicação, Inovação e Estratégias Corporativas
Data: 23 a 25 de maio de 2017, das 9 horas às 21 horas
Local: Centro de Convenções Rebouças – Avenida Rebouças, 600 – São Paulo/SP

Acesso à informação avança, mas só 16% das cidades respondem pedidos da CGU

Pesquisa é da CGU e foi realizada de junho a dezembro de 2016. Apenas Rio de Janeiro e Amapá apresentaram nota abaixo de 5. Conheça o ranking das cidades e Estados mais transparentes

Prédio da Controladoria Geral da União, em Brasília
Prédio da Controladoria Geral da União, em Brasília

Só 16% dos municípios brasileiros respondem corretamente a pedidos feitos por meio da Lei de Acesso à Informação, diz levantamento a Controladoria Geral da União.
O dado está na 3ª edição da Escala Brasil Transparente, divulgada na última 5ª feira (11.mai.2017) pela CGU.
Para testar o serviço oferecido pelos municípios, a pasta enviou anonimamente 4 perguntas aos SICs (Serviços de Informação ao Cidadão).
A EBT avaliou o cumprimento da LAI (Lei de Acesso à Informação) em 26 estados, no Distrito Federal e em 2.328 municípios brasileiros. A análise foi realizada de junho a dezembro de 2016.
Acesse o ranking por Estado, por município, e 1 resumo dos resultados.
Dos governos estaduais, 10 obtiveram nota máxima, e 25 dos 27 Estados analisados –incluindo o Distrito Federal– obtiveram nota acima de 8. Só o Rio de Janeiro (nota 5) e o Amapá (nota 0) tiveram desempenho considerado ruim.
O Amapá só criou uma norma estadual para regulamentar a Lei de Acesso em março de 2017.
ranking
Já entre as capitais, 74% obtiveram nota igual ou superior a 7. A menor nota foi a de Florianópolis (2,08).
r2
Quanto aos municípios, 67 tiveram nota 10. Houve também 1 aumento de 50% no número de prefeituras que obtiveram nota 5 ou mais –de 15% para 30% do total. As cidades com nota 0 caíram de 52% para 22%.
Segundo a CGU, dentre os fatores que contribuíram para esse resultado estão a) a queda de exigências que dificultam ou impedem os pedidos;  b) o aumento da disponibilidade de canal para a solicitação de informações; c) a ampliação dos entes que regulamentam a LAI e o aumento daqueles que responderam às 4 perguntas dos auditores –de 8% a 16%.
Captura-de-Tela-2017-05-13-às-11.07.05-1024x630
Segundo o secretário-executivo do Ministério da Transparência, Wagner Rosário, “Os números da Escala mostram que estamos no caminho certo, mas que temos muito a avançar. As próximas edições terão um viés de fomento do controle social. Hoje avaliamos os órgãos. Agora queremos saber a qualidade do atendimento e a efetividade das respostas recebidas pelo cidadão“.
Fonte: Poder 360

Governo do Pará lança campanha contra a LGBTFobia

Igualdade de direitos e diversidade são motes de campanha do Governo contra a LGBTFobia


O Brasil lidera um dos piores rankings mundiais que diz respeito à LGBTFobia: é o país que mais mata pessoas transgênero. Nos últimos oito anos, foram 868 travestis e transexuais assassinados. A informação é da ONG Transgender Europe (TGEu). No ano de 2016 foram registradas no Brasil 343 mortes, entre janeiro e dezembro, segundo o Grupo Gay da Bahia.
No Pará, foram 18 mortes por assassinato em 2016. Para combater o preconceito que provoca a violência, o Governo do Estado lançou na tarde desta terça-feira, 9, no teatro Margarida Schivasapa, do Centur, a campanha de combate à LGBTFobia. A campanha traz o tema “Diversidade. Eu respeito. E você?”.
A Campanha do Governo do Pará envolve de forma direta e indireta toda a estrutura do Estado, sob a coordenação da Secretaria de Estado de Justiça de Direitos Humanos (Sejudh), Secretaria de Estado de Comunicação (Secom), Fundação Pro Paz e Cultura Rede de Comunicação.
Os dados oficiais, descritos no último Relatório de Violência Homofóbica no Brasil, apontam que, em 2013, foram registradas pelo Disque Direitos Humanos (Disque 100) 1.695 denúncias de 3.398 violações relacionadas à população LGBT. Apesar de assustador, não representa novidade, e só vem crescendo.
Para o secretário de Justiça e Direitos Humanos, Michel Durans, é um desafio grande estar trazendo o tema com toda a sociedade em um momento difícil onde o Brasil apresenta números alarmantes da violência. “Estes números nos trouxeram o alerta e nos permitiram lançar esta campanha para sensibilizar a sociedade e para que o estado possa cumprir seu papel de proteção aos direitos humanos”, comenta.
Para o coordenador de Livre Orientação Sexual da Sejudh, Beto Paes, o Pará é o primeiro estado da região Norte a ter esta iniciativa, na qual o poder público chama a sociedade para refletir sobre o tema. “A campanha é de uma grande sensibilidade, pois trata de sentimentos como o amor, o respeito, a justiça, de identidades, com muita delicadeza e profundidade, para que se possa sensibilizar e fazer o enfrentamento da questão da violência que ainda é muito grande”, ressalta.
A transexual Renata Taylor, 48 anos, já foi vítima de violência, já que não tem como passar despercebida em seus quase dois metros de altura. Ela define a campanha como uma forma de se reduzir os danos causados pelo preconceito. “Nós estamos na vulnerabilidade de sermos agredidas e as pessoas acharem que podem nos machucar e nos magoar. Este é um grande passo para esta realidade mudar”, declara.
Na abertura da campanha foram apresentados, ainda, o cartaz, o vídeo e a página na internet da campanha (www.pa.gov.br/diversidade), com notícias, dados e informações sobre toda a rede de atendimentos disponibilizada pelo Estado para o público LGBT. Também foi apresentada e distribuída a Cartilha de Cidadania LGBT do Pará.
Mais ações
A programação continua ao longo do mês, com uma ampla programação, especialmente no dia 17 de maio, quando se celebra o Dia Internacional de Combate à Homofobia. Nessa data, está programada a exibição do documentário “Bichas” do publicitário pernambucano Marlon Parente.
A campanha é a terceira promovida este ano pelo Governo do Estado, com temas como “Combate à violência contra a mulher” e “Incentivo à Leitura”, envolvendo de forma direta e indireta, toda a estrutura do Estado de maneira integrada, e nesta edição, sob a coordenação da Secretaria de Estado de Justiça de Direitos Humanos (Sejudh), da Secretaria de Estado de Comunicação (Secom), da Fundação Pro Paz e da Cultura Rede de Comunicação.
Na abertura foi realizada a palestra “O papel da comunicação no combate ao preconceito”, com o publicitário pernambucano Marlon Parente, diretor do documentário Bichas, e pocket show com a cantora Lia Sophia.
Para o secretário de Estado de Comunicação, Daniel Nardin, a comunicação é uma grande ferramenta de transformação social, não apenas como um elemento de divulgação das ações de Governo. “Ao preparar uma campanha de conscientização e utilizar a comunicação para isso, discutindo os temas que são sensíveis à sociedade. A comunicação é um elemento de engajamento, de sensibilização, de mobilização e de educação”, destacou.
CreateThumbnail

Para combater o preconceito que provoca a violência o Governo do Estado, lançou na tarde desta terça-feira (09), no Margarida Schivasapa do Centur, a campanha de combate a LGBTFOBIA. A campanha traz o tema “Diversidade. Eu respeito. E você?”. Na foto, a transexual Renata Taylor, e o coordenador da Livre Orientação Sexual da Sejudh, Beto Paes. FOTO: THIAGO GOMES / AG. PARÁ DATA: 09.05.2017 BELÉM - PARÁ
Para combater o preconceito que provoca a violência o Governo do Estado, lançou na tarde desta terça-feira (09), no Margarida Schivasapa do Centur, a campanha de combate a LGBTFOBIA. A campanha traz o tema “Diversidade. Eu respeito. E você?”. Na foto, a transexual Renata Taylor, e o coordenador da Livre Orientação Sexual da Sejudh, Beto Paes.
FOTO: THIAGO GOMES / AG. PARÁ
DATA: 09.05.2017
BELÉM – PARÁ

Para combater o preconceito que provoca a violência o Governo do Estado, lançou na tarde desta terça-feira (09), no Margarida Schivasapa do Centur, a campanha de combate a LGBTFOBIA. A campanha traz o tema “Diversidade. Eu respeito. E você?”. FOTO: THIAGO GOMES / AG. PARÁ DATA: 09.05.2017 BELÉM - PARÁ
Para combater o preconceito que provoca a violência o Governo do Estado, lançou na tarde desta terça-feira (09), no Margarida Schivasapa do Centur, a campanha de combate a LGBTFOBIA. A campanha traz o tema “Diversidade. Eu respeito. E você?”.
FOTO: THIAGO GOMES / AG. PARÁ
DATA: 09.05.2017
BELÉM – PARÁ

Igualdade de direitos
Entre as ações de políticas públicas voltadas para o público LGBT já executadas pelo Governo do Estado estão: a carteira de nome social; o casamento coletivo; ala exclusiva para pessoas trans dentro do Sistema de Segurança Pública; a criação da Delegacia de Combate aos Crimes Discriminatórios e Homofóbicos; acesso ao Cheque Moradia e Credcidadão; o Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais, que garante acompanhamento, qualidade de vida e inclusão social a essa parcela da população.
O promotor de Justiça Marco Aurélio Lima do Nascimento parabenizou o Governo do Estado pela iniciativa, que deverá chegar a todos os cantos do Estado do Pará. “Que a campanha possa fortalecer o movimento LGBT, combater a homofobia e implementar outras politicas que favoreçam este segmento da sociedade”.
O promotor colocou toda a estrutura do Ministério Público à disposição do Governo do Estado para que os objetivos da campanha sejam alcançados. “Nós estamos presentes em todos os municípios paraenses e desta forma podemos agir contra estes criminosos que cometam estes atentados contra LGBTs e assim contribuir com o combate a este tipo de violência”.
O Pará também foi o primeiro estado brasileiro a assegurar a identificação oficial junto aos órgãos e serviços públicos do Governo em um documento específico para transexuais e travestis pelo nome social, em 2013. Na época, no estado do Rio Grande do Sul, primeiro a adotar a carteira de nome social, o documento só tinha validade mediante a apresentação da carteira de identidade.
A Gerência de Proteção à Livre Orientação Sexual (Glos) da Sejudh promove capacitação de várias categorias de trabalhadores, com o objetivo de sensibilizar quanto ao respeito às pessoas LGBTs, especialmente travestis e transexuais. Uma delas ocorreu com a Cooperativa dos Taxistas da Doca (Cooperdoca) depois de um incidente envolvendo uma pessoa LGBT. No mês passado, a capacitação foi realizada em Santarém, no oeste paraense, voltada para os profissionais de Segurança Pública, para a prestação de um atendimento mais humanizado às pessoas em situação de vulnerabilidade, como mulheres, crianças, adolescentes, idosos e LGBTs.
O lançamento foi encerrado com show de Lia Sofia, que emprestou sua voz para a causa fazendo a locução da campanha. “Eu fico muito feliz de poder contribuir em tempos de tanta violência contra estas pessoas. É importante poder levar esta discussão para dentro das casas, das igrejas, das escolas, para a televisão. Tem muita gente morrendo e precisamos aprender a respeitar a diversidade, as diferenças do outro”, comentou.
Fonte: Agência Pará

Câmara debate boas práticas em mídias sociais no serviço público

img201705101233154519598
O Laboratório Hacker (LabHacker) da Câmara dos Deputados realiza, nesta quinta-feira (11), um debate com representantes do Senado Federal, do Conselho Nacional do Ministério Público, do Exército e da Universidade Federal do Espírito Santo sobre as mídias sociais dos órgãos públicos e as boas práticas.
O objetivo do evento é promover uma discussão aberta sobre o uso dessas mídias e conhecer as experiências de sucesso das instituições com suas redes oficiais.
O tenente-coronel Paulo Sousa vai falar sobre gerenciamento de crises e como a página do Exército no Facebook, que poderia ter um padrão conservador para mídias sociais, inova e chega a 3,5 milhões de seguidores com postagens de grande alcance e engajamento.
Pelo Senado, Jéssica Macedo, do núcleo de mídias sociais, vai apresentar a trajetória da página da instituição no Facebook e explicar como a equipe conseguiu um aumento do número de seguidores de 100 mil para 3 milhões somente com divulgação orgânica, ou seja, sem nenhuma postagem patrocinada como anúncio.
Direitos e deveres
A chefe da Divulgação Institucional do Conselho do Ministério Público, Luana Loschi, vai apresentar o trabalho realizado com o personagem fictício João Cidadão. O desafio dessa página no Facebook, que já tem cerca de 100 mil seguidores, é divulgar, com peças e linguagem mais modernas, os direitos e deveres dos brasileiros.
O evento também contará com a presença do especialista em redes sociais Fábio Malini, professor de mídias digitais do Departamento de Comunicação da Universidade Federal do Espírito Santo. Malini coordena o Laboratório de estudos sobre Imagem e Cultura, onde desenvolve pesquisas sobre ciência de dados, mídias digitais, movimentos sociais e redes.
Participação popular
O debate será transmitido pelo canal do LabHacker no Youtube e quem quiser poderá encaminhar perguntas e comentários.
Conheça também a página da Câmara dos Deputados no Facebook.
Fonte: Agência Câmara

Problematizar a política no campo da comunicação

Publicada pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Práticas de Consumo da ESPM-SP, a revista Comunicação, Mídia e Consumo, de periodicidade quadrimestral, está com um novo número no ar. Nesta edição, que busca, como afirma seu editorial, trazer “contribuições no sentido de problematizar a política no campo da comunicação”, há artigos que abordam temas ligados a semiótica, comunicação organizacional, feminismo e história da comunicação.
A revista aceita, em fluxo contínuo, textos de autores titulados como doutores, ou de doutorando e mestrando em coautoria com doutores.

Trump x Imprensa

A guerra do presidente dos EUA contra a mídia faz uso maciço da provocação e inclui agora uma possível lei ‘mordaça’

1494087975_053461_1494170440_noticia_normal_recorte1
Precisava disso para viver. Todo dia, das seis às sete da manhã, Donald Trump dedicava seu tempo a devorar a imprensa. Ali buscava com afinco seu nome e o de suas empresas. Esquadrinhava seus inimigos. Perseguia oportunidades de negócio. Aparecer no The New York Times representava a glória. Não acontecer isso significava um fracasso. Para o bem ou para o mal, como escreveria anos depois, sair nos órgãos da mídia se tornara necessário. Às vezes, tão desesperado estava que era ele mesmo que telefonava para os jornais e, fazendo-se passar por um inexistente porta-voz seu, dava suculentos detalhes de suas supostas relações com artistas como Madonna, Kim Bassinger ou Carla Bruni. “Carla trocou Mick Jagger por Donald”, chegou a dizer a uma repórter da revista People.
Tudo era mentira. Fake News (notícia falsa). Bruni e Trump só se viram por alguns minutos. Mas isso então não importava. Era o Trump dos anos oitenta. Efervescente e áureo. Um bilionário que buscava acima de tudo o êxito social. O preço não importava. Trinta anos depois algumas coisas mudaram. Outras, não.
 

Donald Trump, em 1987. GETTY
Donald Trump, em 1987. GETTY

Com o tempo, sua ambição se voltou para a televisão e depois para a política. A luta o transformou. Seus biógrafos concordam em que não perdeu o vício pela imprensa, mas houve uma mutação e se tornou um consumidor compulsivo da mídia sensacionalista e de ultradireita. “Como presidente ainda obtém informação de sites tão pouco confiáveis como Infowars e Breitbart”, explica o Prêmio Pulitzer e pesquisador presidencial Daniel Cay Johnston.
Paralelamente, sua atitude em relação aos jornalistas foi mudando. À medida que ganhava fama, já não lhes pedia favores, mas queria domesticá-los, subjugá-los. Alcançada a Casa Branca, levou essa pulsão até o paroxismo e empreendeu a maior batalha lançada por um presidente dos Estados Unidos contra o quarto poder. “Não há modelo de comparação. Teme tanto o descrédito que, para evitar que os que estão do seu lado acreditem nos que o criticam, iniciou esse ataque”, diz Peter Beinart, analista e professor da Universidade da Cidade de Nova York.
A ofensiva passará à história. No alvo figuram The New York Times, The Washington Post, The Wall Street Journal, CNN, a BBC… O ponto alto do jornalismo mundial. Trump os despreza. Cunhou o termo fake news para referir-se às suas matérias exclusivas e os declarou “inimigos do povo”. “Já não contam a verdade, não falam para as pessoas, mas em favor de interesses alheios”, clamou.
O ataque não é fruto, como acreditaram alguns, do caráter mercurial de Trump, mas corresponde a uma estratégia de longo alcance. Seu conselheiro áulico Steve Bannon explicou assim: “Os órgãos da mídia são o principal partido de oposição”. E o objetivo é isolá-los, tirar-lhes a credibilidade, remover-lhes o ferrão.
O jornalista Carl Bernstein olha para seu antigo colega Bob Woodward no último jantar dos correspondentes. CLIFF OWEN AP
O jornalista Carl Bernstein olha para seu antigo colega Bob Woodward no último jantar dos correspondentes. CLIFF OWEN AP

Para isso, o presidente entrou em um jogo de desgaste. Não é apenas o fato de ter dado as costas ao jantar dos correspondentes, algo que não ocorria desde 1981, quando Ronald Reagan levou um tiro. Tuita freneticamente contra a mídia crítica, seja por sua “falsa” cobertura da reforma da saúde ou suas investigações do complô russo, e em cada discurso a ataca à queima-roupa. Seu último projétil foi uma lei antidifamação. No país que em 1791 consagrou a Primeira Emenda, Trump fez com que se propagasse que quer impor uma norma para agilizar as queixas contra os órgãos da mídia. “Se um órgão da imprensa escreve algo errado, tem de se retratar, e se não o faz, deve ser julgado”, disse.
É quase impossível, segundo os especialistas, que uma medida assim prospere nos EUA, e mais difícil ainda que supere o filtro do Supremo Tribunal. Mas a ameaça não busca uma reforma legal. Sua finalidade é outra, muito mais rentável politicamente.
Trump é presidente de um país dividido. Obteve quase três milhões de votos menos que Hillary Clinton e seu triunfo se deveu à mobilização em zonas-chave de um amplo segmento da classe trabalhadora branca. Um grupo cuja fidelidade nas urnas é extrema e que vê com suspeita as publicações de referência. É para eles que o presidente dirige sua mensagem. E faz isso com enorme sucesso. “Trump sabe que as pessoas que votaram nele são desconfiadas e preferem obter suas informações da Fox e de outras fontes da direita. Atacando a grande mídia, se reconecta com sua base. A polarização nutre a desinformação”, afirma Shanto Iyengar, professor de Ciência Política de Stanford.
Para seus eleitores, pouco importa o que digam os jornais: Trump é um homem absolutamente confiável e honesto. Uma pesquisa do The Washington Post com a rede ABC revelou que 76% de seus eleitores pensam que o presidente não mente. Pelo contrário, 78% estão convencidos de que a mídia publica habitualmente histórias falsas e que isso, além do mais, representa um problema grave (80%). Muitíssimo mais do que se for Trump quem fizer isso (3%).
“Seus eleitores querem acreditar que é digno e capaz. E quando se publicam informações que sugerem que não é, rejeitam aceitá-las e preferem considerar que são fake news. Esse mesmo motivo explicava por que tantos republicanos diziam que Obama era muçulmano ou por que ainda mais democratas achavam que Mitt Romney não pagava impostos”, explica Iyengar.
A conclusão é clara. Os grandes órgãos da mídia estão perdendo a partida para os que votam no presidente. Mas a derrota tem um limite. “Entre os que o seguem pode ser que Trump triunfe, mas não está conseguindo ampliar sua base. Sua popularidade geral é baixa”, indica o professor Beinart. “E mais ainda, sua mensagem tampouco toca fundo entre os independentes: 60% desaprovam Trump. Se continuar seu ataque conta a mídia, estará cavando o próprio túmulo”, observa Iyengar.
As espadas estão erguidas. A mídia não cede. Em um confronto quase épico continua investigando com mais ardor que nunca e diariamente descobre as mentiras e meias verdades do presidente. The Washington Post chegou a contar 492 nos primeiros cem dias de mandato.
Trump, por sua vez, continua acionando a metralhadora. Insulta, ataca e volta a insultar. Seu objetivo, por ora, é conservar seu eleitorado. Não se importa com o barulho. Pelo contrário. Como disse em uma de suas primeiras batalhas com a mídia, lá nos dourados anos oitenta: “A controvérsia vende”.
Fonte: El País

As fronteiras da transparência

Apesar do consenso construído em torno da transparência como atitude indispensável para entes públicos e corporações privadas, a materialização deste conceito é complexa, onerosa, e por vezes dramática.

capatransparencia-990x600
Armando Medeiros de Faria*
Uma garota de 12 anos recebe, por engano, vaselina (em vez de soro) nas veias, e morre num hospital paulista. Tratada como “a suspeita de matar a menina”, a enfermeira que cometeu o erro fatal concede entrevista ao “Fantástico” (13/12/2010) (1) e seu depoimento é uma demonstração rara de “humanização” e exposição em meio à uma atmosfera carregada de repúdio, consternação e revolta. O erro que custou a vida da menina foi assumido numa entrevista na qual a enfermeira (não de rosto inteiro, mas com closes dos olhos, boca, nariz, mãos) confessa o equívoco trágico: “esse instante de que eu olhei para garrafa, mas não vi, esse momento que meu cérebro desligou, esse instante eu não tenho como fugir, como escapar …”
Embora a entrevista tenha sido fruto de negociações (como todas, em geral), a enfermeira dá força à ideia de transparência como uma determinação de se expor, seja quais forem as circunstâncias. Irrefutável como valor, as discussões sobre transparência podem conduzir, muitas vezes, a mal entendidos e simplificações exageradas que obliteram a funcionalidade da transparência ou a fazem pairar, como uma espécie de conceito fundamentalista-sagrado, acima das nuances e conflitos do cotidiano.
Por mais que a positividade da transparência seja inquestionável, seus limites e fronteiras precisam ser examinados. Dois elementos cruciais se apresentam. O primeiro aspecto refere-se aos conceitos de “hiperinformação”, “hipervisibilidade”, espetacularização”, em suma, a alimentação do espelho mediático por uma quantidade de cenas, dados e narrativas que “tanto expõem como apagam” (RUBIM, Albino, 2004) (2). O que está em pauta é a hipótese de que a quantidade de informações circulantes apesar de ressaltar a transparência pode, justamente, dificultá-la, como aborda Gianni Vattimo.(3)

Ao mesmo tempo em que os meios de comunicação atuam na construção da “autotransparência” da sociedade, o consumo da informação se dá de forma tão intensa que a digestão só pode ocorrer superficialmente, rápida e com o mínimo de absorção. Em outras palavras, trata-se do fenômeno de entropia, ligado à multiplicação excessiva de informações sobre a realidade que acaba por dilapidar o próprio princípio de “realidade”. Em vez de uma sociedade iluminada e transparente, o resultado é uma sociedade caótica, complexa, quase incompreensível.

O segundo elemento a ser examinado são as fronteiras da transparência com a confidencialidade e com os direitos relacionados à intimidade da pessoa humana. Algumas profissões e áreas têm na preservação de informações a base ética que sustenta a relação com pacientes, clientes e parceiros. Vale lembrar que a Declaração Universal dos Direitos Humanos, assinada pelos países membros da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, estabelece o direito à não interferência na vida privada pessoal ou familiar, princípios que também foram incorporados na Constituição do Brasil de 1988.
Mesmo os documentos de natureza pública, em alguma medida, são regulados. Na Suécia, por exemplo, que tem uma legislação avançada, as informações públicas são abertas. Mas, sob condições específicas e exceções bem definidas, alguns documentos podem ser mantidos em segredo. Em conferência, o embaixador sueco Torvald Åkesson (4) enumera como situações específicas, passíveis de sigilo, aquelas que envolvam: a segurança do país ou a sua relação com outro país ou organização internacional; a política fiscal, monetária ou cambial, a inspeção, o controle e outras operações de fiscalização realizadas pelas autoridades públicas; a prevenção ou o processamento de crimes; interesses econômicos do público em geral; a proteção da situação pessoal e econômica de particulares; e a proteção de espécies animais ou vegetais.

Transparência, portanto, deve ser entendida a partir das interfaces com o grau de democracia de um País, com o avanço dos direitos individuais, combinados também com as necessidades de proteção e de bem-estar de uma sociedade. Cabe, agora, nos limites deste artigo, um olhar mais específico sobre a transparência nas organizações.

No âmbito das corporações, cresce a normatização e uniformização dos parâmetros da transparência. A Governança Corporativa nas empresas prescreve, hoje, cada vez mais, a aplicação de procedimentos nos quais a transparência seja o fundamento das relações com acionistas, clientes, funcionários e órgãos reguladores. Isto não impede problemas como a sonegação ou falsificação de dados para acionistas em 2001 que levaram a Enron à concordata – além de chamuscarem a reputação da Arthur Andersen, responsável pela auditoria da situação contábil-financeira da empresa.
Ao final das investigações, descobriu-se que a Enron havia manipulado seus balanços financeiros, com a ajuda de empresas e bancos. A empresa não somente escondeu dívidas de US$ 25 bilhões, como apresentou lucros inflados artificialmente. Neste episódio também ficou evidenciado – uma vez mais – que das palavras aos atos, a transparência trilha um longo percurso. Todos os mecanismos de controle e de formalização das referências da transparência nas empresas são progressos mais que desejáveis, mas obviamente não garantem imunidade.

As crises econômicas mundiais que hoje protagonizam o noticiário econômico demonstram também a relação direta existente entre governança e controle de riscos, por exemplo. Para se preservar em ambientes de tanta instabilidade, as empresas estão sob a égide dos limites responsáveis de risco, em suas operações. Isso tem a ver com a prática da transparência e com o reforço permanente dos parâmetros da governança.

A atitude de transparência envolve lidar com tais tensões. A todo momento, são colocados à prova alguns princípios como o direito à privacidade, o sigilo comercial e bancário, por exemplos. Sob o argumento legítimo da ética da transparência e do trabalho em prol do interesse público, a mídia e seus agentes contribuem para abalar alicerces historicamente construídos de governança e de normatização da privacidade de informações. De um lado, absoluta transparência, clama a mídia. De outro, as exigências de obediência à regulamentação e às determinações legais de confidencialidade.
Sob a égide da “transparência”, Estado e corporações privadas se colocam à prova do escrutínio mais severo da mídia, da Justiça, de lideranças sociais e dos organismos de defesa dos cidadãos. Tal enfrentamento requer a construção de discursos sustentados em plataformas realistas uma vez que a comunicação baseada na transparência não é isenta de conflitos e da interlocução com muitos interesses. Daí que o discurso da transparência somente é edificado com a argamassa da confiança, elemento estruturante do relacionamento das organizações públicas e privadas com seus diversos públicos.

O que foi discutido de forma preliminar neste artigo teve como princípio o endosso à transparência como exigência elementar nas atividades públicas e privadas. Transparência deve ser experimentada como “regra”, e não “exceção”. Mas não se deve desconsiderar a tensão, em algumas situações, nas quais a confidencialidade precisa ser preservada, sem prejuízo algum para os imperativos da prestação de contas e do direito de saber do cidadão.

O debate não termina aqui, principalmente nestes tempos de Wikileads e destemidos como Julian Assange. Como escreveu Luís Bassets (5) referindo-se aos embates entre os defensores da confidencialidade regulamentada e os da transparência absoluta: “intelectuais e jornalistas sabem que a vida é feita de negociações e acordos: é preciso optar entre valores e gradações do mal, ao invés de angélicas ambições em defesa do bem absoluto. E mais concretamente: alguns entendem que esses dilemas referem-se apenas às autoridades públicas, outros (…) acreditam que a falta de transparência prejudica mais os consumidores das empresas privadas”.
Seja como for, vale sempre suspeitar de quem defende a transparência, mas não a aplica para si.


(*) Armando Medeiros de Faria é vice-presidente da ABCPública – Associação Brasileira de Comunicação Pública, com mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP). Foi diretor de comunicação e marketing do Banco do Brasil e coordenador na Secretaria de Comunicação da Presidência da República. Atualmente é consultor da LS Comunicação. armandomf@uol.com.br
Fonte: Coluna Conexão Pública no jornal Brasília de Fato


Referências

(1) Reportagem no Fantástico: link 1 ou link2
(2) RUBIM, Antonio Albino Canelas (org). Comunicação e Política: conceitos e abordagens. Editora Unesp-Editora UFBA, 2004.
(3) VATTIMO, Gianni, A sociedade transparente, Editora Relógio DÁgua, Lisboa, 1992.
(4) Embaixador Sueco Torvald Åkesson, na Conferencia de MISA/Instituto de Comunicação Social da África Austral – MISA-Moçambique, sobre Direito à Informação, 18 de Maio de 2011.
(5) “Um fantasma na cúpula de Davos”, 29/01/11.

Comunicação pública de Pernambuco pode estar com os dias contados

Baixo orçamento e reduzidas ferramentas de participação social podem levar ao desmonte das iniciativas de radiodifusão pública no estado
Audiência pública realizada na semana passada discutiu a precariedade da Rádio Frei Caneca e da Empresa Pernambuco de Comunicação. Foto: Beto Figueiroa
Audiência pública realizada na semana passada discutiu a precariedade da Rádio Frei Caneca e da Empresa Pernambuco de Comunicação. Foto: Beto Figueiroa

Uma audiência pública na Câmara Municipal do Recife, na última quarta-feira 26, abriu espaço para discussões sobre o abandono de diversos órgãos públicos de comunicação em Pernambuco.
Enquanto vemos na mídia privada questões importantes, como a da reforma trabalhista, sendo distorcidas ou silenciadas, veículos que poderiam contribuir para que o debate de fato exista são sucateados.
Convocada pelo vereador Ivan Moraes Filho (Psol) para discutir a Rádio Frei Caneca, a audiência abordou também o possível fechamento da TV Pernambuco (TVPE), no Recife, o desmonte das estratégias de controle social e participação da TV Universitária (TVU) e o pouco investimento nas tevês e rádios legislativas.
Apesar de algumas vitórias importantes, como a digitalização da TVU e a entrada no ar da Rádio Frei Caneca, a situação de Pernambuco reflete o que acontece em um estado onde a comunicação pública vive de promessas não cumpridas.
Também faz parte de um contexto nacional de desmonte acelerado da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) pelo governo ilegítimo de Michel Temer.
Em Recife, a Empresa Pernambuco de Comunicação (EPC), empresa pública que gere a TVPE, veicula conteúdos da EBC e conta com retransmissoras em mais de 60 municípios, ao contrário das tevês comerciais, que têm menor alcance (principalmente em regiões mais afastadas).
Mas esse cenário pode mudar.
No calendário do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), o desligamento do sinal analógico dos televisores e a substituição pelo digital estão previstos para meados de julho deste ano.
A TVPE, ainda operando com sinal analógico, deverá sair do ar na capital pernambucana, já que não foi cumprida a promessa do ex-governador Eduardo Campos de investimento de R$25 milhões para modernizar a emissora.
Vale lembrar que muitos municípios em diversas áreas do Estado não contam com transmissoras locais nem recebem sinal de cidades vizinhas. Sem acesso à informação, tais lugares tornaram-se conhecidos pelo uso das parabólicas. As antenas captam sinal de diversas regiões, não necessariamente da localidade onde estão.
O fenômeno leva as pessoas a desconhecer o que é produzido em seu Estado, incluindo aí parte de seu patrimônio cultural, assim como acontecimentos e problemas de sua região, em detrimento de outras.
Um exemplo é o que já acontece em Araripina. Segundo o representante do município na audiência pública, o blogueiro Portnalli Chuim, a emissora atualmente não chega à sua cidade.
Para resolver o problema, a sociedade civil demanda a implementação de uma estação retransmissora em Ouricuri, ponto ideal para atingir toda a região do sertão do Araripe.
Segundo o diretor-presidente da EPC, Guido Bianchi, a digitalização da TVPE precisaria começar por Caruaru, onde se localiza a geradora do sinal da emissora.
Em seu Plano de Gestão para 2016, a EPC estimou em R$ 4 milhões a implantação da transmissão digital na cidade de Caruaru e em Recife. Porém, essa não parece ser uma prioridade do governo estadual.
Enquanto as cifras para publicidade crescem, a TV pública permanece à míngua, correndo o risco de deixar de existir se não for digitalizada. No mesmo ano, conforme dados do site Ombudspe, o governador Paulo Câmara injetara 17,4 milhões de reais no orçamento previsto para publicidade oficial.
Isto sobre um montante já provado na Lei Orçamentária Anual (LOA) de R$ 54,5 milhões, somando então mais de R$ 70 milhões no total.
A farra dos gastos publicitários se repete na capital. O vereador Ivan Moraes denunciou durante a audiência pública que, em 2017, a Prefeitura do Recife já havia pedido uma suplementação de verba para publicidade, podendo chegar a gastos de R$ 15 milhões.
No entanto, parece difícil que sejam disponibilizados os R$ 1,7 ou R$ 2 milhões necessários, segundo o diretor da Rádio Frei Caneca, Patrick Torquato, para que a emissora pública municipal comece a funcionar com programação e equipe próprias.
Participação social? Só no papel
Inspirada nos moldes da EBC, a EPC foi criada atendendo a uma reivindicação antiga e persistente dos movimentos sociais de comunicação, entre outros segmentos.
A proposta de reestruturação da antiga tevê do Estado foi a mais votada da Conferência Estadual de Comunicação, em 2009. Após muitas pelejas, a lei de criação de empresa pública EPC foi aprovada e foi instituído um Conselho de Administração – com membros da sociedade civil com poder decisório.
Contudo, a nova estrutura da empresa permaneceu sem recursos compatíveis com o seu funcionamento.
Hoje, com um novo quadro eleito de conselheiros/as ainda não nomeados/as e sem previsão de orçamento para seu porte, a emissora vem deixando de atender às demandas de produção de conteúdo que poderiam ser veiculados em sua grade.
Em relação à TV Universitária – que não faz parte da EPC e é ligada à Universidade Federal de Pernambuco –, o cenário é melhor por já ter sido digitalizada, mas ainda está longe do ideal em termos de participação.
Em 2015, um comitê formado por funcionários, professores e integrantes de Organizações Não Governamentais do campo do direito à comunicação, além de representações de movimentos sociais, deram início a um processo de reestruturação do Núcleo de TV e Rádio Universitária (NTVRU), que tem alcance metropolitano.
Após vários encontros e debates, foram elaborados documentos que norteariam as práticas para uma efetiva comunicação pública: participação social; transparência e possibilidade de acesso dos diversos segmentos da cultura, entre outras áreas; construção participativa da grade de programação dos veículos, com pluralidade de conteúdos e elaboração de editais de ocupação.
No entanto, a nova direção do Núcleo, que acompanhou o processo de digitalização da emissora, ainda não tirou as propostas do papel.
Uma rara boa notícia na Rádio Universitária é o programa Fora da Curva, realizado em parceria com diversas organizações sociais.
A falta de resposta às demandas da sociedade também é a prática de gestão municipal da rádio pública Frei Caneca FM. Depois de mais de 50 anos de reivindicações, apenas em 2016 a rádio foi colocada no ar pela prefeitura, mas ainda em caráter experimental.
Desde então, a FM funciona de forma muito aquém de seu potencial e de sua proposta inicial, tendo produzido conteúdo próprio apenas durante o carnaval, quando abriu os microfones para um programa de entrevista sobre o frevo e a produção local. Durante o restante do tempo, a Frei Caneca tem ocupado sua grade de programação com música. Porém, um veículo público deveria ser bem mais que uma playlist de qualidade.
As iniciativas do legislativo para tentar resolver a falta de orçamento também têm sido ignoradas. Em 2016, o deputado estadual Edilson Silva destinou R$ 260 mil de emenda parlamentar para a emissora.
Até agora, o convênio entre a Secretaria de Planejamento e Gestão do Governo do Estado e a Secretaria de Planejamento do Recife não foi sequer firmado para recebimento da verba e os recursos correm, cada vez mais risco, de serem perdidos.
Permanecem distantes da rádio os 90 minutos diários de jornalismo (sendo 50% por cento de conteúdo local), as 3 horas semanais de programas voltados a propostas para o público infantil e infanto-juvenil (com ênfase de conteúdos locais conteúdos locais e regionais realizados, concebidos e desenvolvidos por produtores independentes do Estado), além da garantia de 20% de conteúdos radiofônicos criados e desenvolvidos por produtoras independentes do estado.
Tais diretrizes, além da constituição de um conselho com participação social, com caráter deliberativo  e fiscalizador, integram as 54 propostas apresentadas em audiência pública na Câmara Municipal do Recife, em 2014.
Passados três anos, mais uma audiência pública mostrou que as 54 propostas sequer foram homologadas pela atual administração, com a recondução ao cargo do prefeito Geraldo Julio.
“As propostas ainda não foram publicadas no Diário Oficial. Nem uma versão em papel timbrado chegou a ser apresentada. Assim, apesar toda legitimidade, elas permanecem sem valor de documento. Além disso, a rádio não tem existência jurídica e também não consta no organograma da Prefeitura. Essa falta de reconhecimento oficial lança sérias dúvidas a respeito do compromisso da gestão com o caráter público da emissora e deixa um campo aberto para arbitrariedades na Frei Caneca”, denuncia Renato Feitosa, integrante do Grupo de Trabalho (GT) que foi constituído pela Fundação de Cultura da Cidade do Recife (FCCR), ligada à Secretaria Municipal de Cultura, para a implementação dos 54 pontos.
As reuniões do GT foram suspensas pela gestão no final do ano passado.
Apesar de insistentes questionamentos de representantes do Fórum Pernambucano de Comunicação (Fopecom) na audiência pública, o presidente da FCCR, Diego Rocha, não se comprometeu com um prazo para publicar no Diário Oficial as 54 propostas, nem para realização de concurso para contratação de profissionais, efetivação de um Conselho com participação social ou a própria estruturação do órgão dentro do organograma do governo municipal.
Efetivamente, a única evolução da audiência foi que o Grupo de Trabalho que vem discutindo a implementação da Frei Caneca finalmente será formalizado em reunião aberta e voltará a se reunir na semana que vem, 09 de maio, em um dos auditórios do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães.
A falta de recursos e as formas precárias de participação social colocam em risco a própria existência de uma radiodifusão pública em Pernambuco. A sociedade está de olho, mas é preciso que as diferentes esferas do governo encarem a questão com seriedade e evitem o fim desta fundamental ferramenta para a democracia.
Texto: Eduardo Amorim e Cátia Oliveira são jornalistas e integrantes do Coletivo Intervozes. Cátia é mestra em Ciência Política pela UFPE e foi conselheira pela sociedade civil do Conselho de Administração da EPC, além de integrar o Grupo de Trabalho para implantação das propostas para a Rádio Frei Caneca. Eduardo é vice-presidente da Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco.
Fonte: Carta Capital

Com foco no direito do cidadão à informação, à participação e no dever do Estado de prestar contas de suas ações, foi criada a Associação Brasileira de Comunicação Pública - ABCPública.