Projeto do curso de relações públicas presta assessoria de comunicação a ONG’s da capital

O Curso de Relações Públicas da Universidade Federal da Paraíba (RP/UFPB) está executando um Projeto de Extensão com o objetivo de prestar serviços de assessoria de comunicação organizacional e Relações Públicas para Organizações Não Governamentais (ONG) da cidade de João Pessoa (PB).
O Projeto prevê, para este ano, o atendimento de até quatro organizações não governamentais localizadas no município de João Pessoa por um período de um ano, com possibilidade de vir a ser renovado anualmente. O trabalho não terá nenhum ônus para as ONG’s atendidas e será realizado por grupos de alunos do Curso de Relações Públicas, sempre com a supervisão e orientação de professores. A inciativa faz parte das atividades desenvolvidas pelo Laboratório de Relações Públicas (LARP), que tem como objetivo maior promover uma intersecção dos conhecimentos aprendidos no ambiente acadêmico com aqueles passíveis de serem obtidos durante o exercício da profissão.
Este é um Projeto que atende aos objetivos do Projeto Pedagógico do Curso, uma vez que os alunos terão um importante campo de estágio para desenvolver sua formação acadêmica e, ao mesmo tempo, estarão levando o conhecimento produzido no intramuros da Universidade para a comunidade local.
Para a coordenadora do curso “a ideia é ofertar serviços de assessoria de comunicação e Relações Públicas para organizações não governamentais, notadamente aquelas que não possuem as condições financeiras suficientes para a estruturação e manutenção de um departamento ou área específica de comunicação organizacional”.
A escolha de direcionar as atividades do LARP para as organizações do terceiro setor está alinhada a uma perspectiva teórica existente na área que entende que a “dimensão social” deve ser um objetivo prioritário para um Curso pertencente a uma universidade pública, gerida com recursos dos cidadãos. Esse compromisso social, hoje, norteia também todas as políticas administrativas de um grande número de organizações brasileiras, uma vez que a responsabilidade social se tornou uma importante prerrogativa em um país onde a exclusão e o desequilíbrio social devem ser combatidos de todas as formas possíveis.
As organizações não governamentais interessadas devem entrar em contato com a Coordenação do Curso de Relações Públicas até o dia 31 deste mês para obter mais informações e preencher um cadastro com dados sobre a organização. O início dos trabalhos ocorrerá já na primeira quinzena do mês de agosto. O Horário de atendimento ao público será: segundas, terças e quartas-feiras, das 15h30 às 18h30.
Os contatos podem ser feitos na: Coordenação do Laboratório de Relações Públicas (LARP), com o professor Júlio Afonso Pinho, telefone (83) 99620-2524, e-mail larp.decom.ufpb@gmail.com (link sends e-mail); Coordenação do Curso de Relações Públicas /Centro de Comunicação Turismo e Artes (CCTA) – Campus I da UFPB, com a professora, Andrea Karinne Albuquerque Maia, telefone 98883-4657, e-mail coordenacaorp.ufpb@gmail.com; (link sends e-mail) e na página www.ccta.ufpb.br/rp.
 
Fonte: UFPB

Franklin Martins afirma que o Brasil precisa de um marco regulatório das comunicações

O jornalista e cientista social, Franklin Martins, foi o primeiro convidado a participar do “Pense – Ciclo de Debates Contemporâneos da Paraíba”, promovido pelo Governo do Estado na noite desta quinta-feira, 27, na sala de concertos José Siqueira, no Espaço Cultural José Lins do Rego.
O evento foi mediado pelo cientista politico, Rubens Pinto Lyra, que deu inicio a palestra introduzindo o debate sobre a democratização da comunicação no Brasil. “Vivemos um período de restrições à liberdade de expressão, onde não há pluralismo de opiniões na imprensa brasileira.. As práticas da grande mídia se assemelham a de um regime autoritário, uma politica que avança na propagação de valores e linguagens que tentam calar os trabalhadores”, afirmou Rubens.
Franklin Martins, que foi ministro de Comunicação Social no governo de Luis Inácio Lula da Silva, afirmou que não existe democracia onde há oligopólio dos meios de comunicação. O jornalista disse que é fundamental a regulação da mídia no Brasil. “A Constituição Brasileira não tem os artigos que tratam sobre comunicação social regulamentados, como os que falam do oligopólio e do monopólio das comunicações, só para citar um exemplo do que acontece em relação aos meios de comunicação no Brasil”, frisou o jornalista.

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Jornalista Franklin Martins

“Este é um debate imprescindível para a sociedade brasileira. Estados Unidos, França, Portugal, Espanha, Suécia, e aqui na América Latina, a Argentina, já fizeram a regulação dos meios de comunicação. O Brasil precisa avançar nesta questão e debater com o povo sobre isso”.
Em relação à liberdade de expressão, o ex-ministro afirmou que com o marco regulatório das comunicações, ela será mantida e ainda mais ampliada. “Haverá pluralismo de opiniões e o que está na Constituição será colocado em prática. O marco regulatório das comunicações não tem relação nenhuma com censura à imprensa, como a grande mídia passa a ideia para a população”, ressaltou.
A imprensa, disse Franklin Martins, vive uma contradição, pois é uma concessão pública, mas é intermediada por interesses políticos, econômicos e partidários. “Os políticos no Brasil tem medo de enfrentar esse assunto, assim como o judiciário e os partidos”, enfatizou.
Entre os prejuízos trazidos pela troca de governo, Franklin citou o desmonte realizado por Temer na Empresa Brasil de Comunicação, a EBC, com a extinção do Conselho Curador da empresa, feita pela MP 744, entre outras medidas.  Mais informações a respeito podem ser lidas na matéria produzida por Mariana Martins, do Intervozes, no blog do Coletivo na Carta Capital, em 26 de maio de 2016.
O jornalista Franklin Martins fez uma “mea culpa” por não ter, no governo Lula, realizado o marco regulatório, mecanismo que está previsto no programa do Partido dos Trabalhadores. Com certeza, teria evitado o golpe produzido pela mídia, “bola” cantada pelo Coletivo Intervozes desde o primeiro governo de Lula.
O pensar continua – Os próximos convidados do “Pense Paraíba” são o também jornalista, Luís Nassif, que atualmente dirige a revista eletrônica GGN e Frei Beto, frade dominicano e escritor, ganhador de prêmios como o Jabuti. Nassif estará em João Pessoa no dia 11 de agosto e Frei Beto dia 27 de setembro.
Texto: Mabel Dias
Fonte: Blog Senhora das Palavras

Fora de lugar



É assustador. Mas existe tanto lixo no mar que parte dele já se mimetizou ao meio ambiente. Os anúncios perturbadores fazem um alerta sobre a quantidade de plástico nos Oceanos. A campanha é da ONG de proteção marinha Swiss OceanCare, criada pela agência Spinas Civil Voices.
Segundo um estudo divulgado no início de 2016 pelo Fórum Econômico Mundial, se o consumo de plástico continuar a crescer no ritmo atual, os oceanos do planeta terão mais plástico do que peixes, em peso, no ano 2050. Com o tempo, o plástico se quebra em pequenos pedaços chamados de microplásticos, mas isso não significa que ele desapareça. Ele demora para se biodegradar ou se depositar no fundo dos oceanos, e pedaços flutuantes do material se acumulam na superfície da água.
De acordo com o pesquisador Markus Eriksen, que realizou 24 expedições para obter dados sobre esse plástico através de coletas do material e registro de concentrações na superfície, há no mínimo 5,25 trilhões de partículas de plástico flutuante que, juntas, pesam 269 mil toneladas. Os resultados foram publicados em 2014 na Plos One, um jornal de divulgação científica de acesso público.
Uma das formações mais famosas de plástico flutuante é a Grande Porção de Lixo do Pacífico, uma aglomeração que se forma entre a altura do Havaí e da Califórnia e se estende até a costa do Japão. Dando um zoom no mapa é possível observar como os pontos brancos têm uma distância pequena entre si, especialmente no centro da porção de lixo. Seu núcleo mais denso, onde se concentra mais material, tem 1.000.000 km². Confira um mapa interativo sobre o lixo nos oceanos aqui.

No Brasil

O lixo que está no mar representa um grande risco à vida dos animais marinhos. De acordo com dados do Instituto Argonauta, em São Paulo, 1.200 tartarugas marinhas morreram desde janeiro de 2016 e, destas, cerca de 25% por causa da ingestão de lixo marinho.
Hugo Gallo, presidente do Instituto Argonauta, diz que 99% das manchas de lixo nos oceanos é formada por plástico descartado pelos humanos, que causam mortes, como a de uma tartaruga marinha que ingeriu bexigas, em junho deste ano, no litoral norte de São Paulo.

O biólogo João Alberto dos Santos faz um alerta, lembrando que o lixo marinho chama a atenção quando se divulga morte de animais grandes, como as tartarugas marinhas. Ele ressalta que a poluição das águas, por produtos cosméticos como pasta de dentes ou esfoliantes que contêm microplásticos, também matam seres menores, como crustáceos, afetando toda a cadeia natural do mar.
No litoral de São Paulo, o Instituto Argonauta orienta para que as pessoas, ao encontrarem animais feridos ou mortos na praia, entrem em contato com institutos de monitoramento da vida marinha da região. No caso do litoral norte de São Paulo o número é 0800 6423341. Com informações do Nexo Jornal e EBC.
 
Fonte: Comunica que Muda

Governos manipulam Facebook e Twitter, segundo estudo

Os pesquisadores da Universidade de Oxford descobriram que 29 países usam as redes sociais para orientar opiniões, dentro e fora de seus países.

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Facebook: “As redes sociais tornam as campanhas de propaganda muito mais fortes e possivelmente mais efetivas do que antes” (Getty Images/Getty Images)

Londres – Governos de todo o mundo estão recrutando “soldados cibernéticos” que manipulam o Facebook, o Twitter e outras redes sociais para direcionar a opinião pública, disseminar desinformação e minar críticos, segundo um novo relatório da Universidade de Oxford.
Em estudo que amplia as evidências cada vez maiores sobre esforços promovidos por governos para utilizar ferramentas on-line para influenciar a política, os pesquisadores descobriram que 29 países usam as redes sociais para orientar opiniões, tanto localmente quanto do público estrangeiro.
As táticas são empregadas por regimes autoritários, mas também por governos eleitos democraticamente, segundo os autores.
“As redes sociais tornam as campanhas de propaganda muito mais fortes e possivelmente mais efetivas do que antes”, disse Samantha Bradshaw, autora principal do relatório e pesquisadora do Projeto de Pesquisa de Propaganda Computacional da Oxford.
“Eu acho que as pessoas não percebem o quanto os governos estão usando essas ferramentas para chegar até elas. Trata-se de algo muito mais escondido.”
O comportamento on-line dos grupos apoiados pelo governo varia amplamente, desde comentários em postagens no Facebook e no Twitter até o foco individual em pessoas.
Jornalistas são assediados por grupos governamentais no México e na Rússia, e na Arábia Saudita soldados cibernéticos inundam as mensagens negativas sobre o regime publicadas no Twitter com conteúdo e hashtags não relacionados, para que a postagem ofensiva seja mais difícil de encontrar.
Na República Checa, é mais provável que o governo poste um trabalho de checagem de fatos em resposta a algo que considere impreciso, segundo o relatório.
Os governos também utilizam contas falsas para mascarar a origem do material. Na Sérvia, contas falsas são usadas para promover a agenda do governo e no Vietnã blogueiros disseminam informações favoráveis.
Enquanto isso, atores governamentais na Argentina, no México, nas Filipinas, na Rússia, na Turquia, na Venezuela e em outras partes utilizam softwares de automação — conhecidos como “bots” — para propagar postagens nas redes sociais de uma maneira que imita usuários humanos.
“Os soldados cibernéticos são um fenômeno onipresente e global”, disse o relatório publicado pelo grupo, que estuda como as ferramentas digitais são usadas para manipular a opinião pública.
A propaganda é uma arte obscura usada há tempos pelos governos, mas as ferramentas digitais estão tornando as técnicas mais sofisticadas, segundo Bradshaw.
Ela disse que nos últimos anos os governos perceberam a maneira em que os ativistas têm usado as redes sociais para disseminar uma mensagem e construir apoio e estão adotando alguns métodos semelhantes.
Ferramentas on-line como softwares de análise de dados permitem que os governos adaptem uma mensagem de forma mais efetiva a grupos específicos de pessoas, maximizando seu impacto.
Bradshaw afirmou que apesar de a Rússia e os regimes autoritários receberem a maior parte da atenção sobre a manipulação das redes sociais, as democracias ocidentais têm usado técnicas similares.
No Reino Unido, o Exército Britânico criou a 77ª Brigada em 2015 em parte para realizar operações psicológicas usando redes sociais. Bradshaw disse que os governos democráticos não são transparentes em relação aos esforços de propaganda digital.
“Eles estão usando as mesmas ferramentas e técnicas que os regimes autoritários”, disse ela. “Talvez os motivos sejam diferentes, mas isso é difícil de afirmar sem transparência.”
Fonte: Exame

Procon divulga lista com 500 sites de e-commerce fraudulentos

O Procon de São Paulo divulgou uma lista com 500 sites fraudulentos, voltados para aplicar golpes em consumidores e roubar seus dados pessoais e financeiros. O relatório publicado pelo órgão está disponível online e é de fácil consulta, trazendo URLs, CNPJs e o nome das empresas que estariam por trás das práticas.
Muitos dos endereços listados já saíram do ar, seja pelas mãos dos próprios administradores ou por ações das autoridades, mas a maioria deles continua online. E, em quase todos os casos, o funcionamento é o mesmo, com o golpe sendo aplicado a partir de ofertas e preços bem mais baixos que o normal em produtos de bastante procura, como smartphones, televisores ou consoles de videogame. Alguns golpistas não se limitam apenas a isso e chegam a copiar a aparência e identidade visual de e-commerces maiores, como mais uma forma de ludibriar os consumidores.
Na maioria das ocasiões, o resultado da ação é o mesmo. Na melhor das hipóteses, o consumidor realiza o pagamento e jamais recebe o produto adquirido. Em alguns casos, seus dados de cartão de crédito acabam sendo usados para mais contas fraudulentas, aumentando o prejuízo e obrigando-o a entrar em contato com a instituição bancária para cancelamento.
Junto com a lista, o Procon indica algumas ações para que os usuários confirmem a veracidade de ofertas e sites de comércio eletrônico. A principal delas é desconfiar de preços muito abaixo do mercado, principalmente aqueles incompatíveis com a categoria de produto ofertada. Caso você veja um iPhone, por exemplo, custando metade do preço da esmagadora maioria das outras lojas, é melhor ficar de olho.
Além disso, ao comprar online, é uma boa prática procurar apenas lojas reconhecidas, seja por meio de recomendações de amigos ou por comentários na imprensa. Preferir grandes varejistas também é uma maneira de fazer compras tranquilamente na internet, mas caso esteja diante de sites menores, faça pesquisas pelo nome e CNPJ do comércio em busca de reclamações ou indícios de fraude.
Fonte: Canal Tech

"Com novas ferramentas, jornalistas estão melhores hoje do que há 20 ou 30 anos"

Entrevista concedida pelo jornalista Tom Rosentiel, do Instituto Americano de Imprensa, ao jornalista Luis Fernando Silva Pinto para o Milênio — programa de entrevistas que vai ao ar pelo canal de televisão por assinatura GloboNews às 23h30 de segunda-feira, com reprises às terças (17h30), quartas (15h30), quintas (6h30) e domingos (14h05).
O jornalismo durante muito tempo definiu os nossos papéis: você recebe a informação, eu sou parte do processo de preparação disso. Mas hoje esses papéis já não se definem tão claramente. Você passou a ter fatos e imagens na palma da sua mão. Você compartilha opiniões, recebe e dá informações instantaneamente se quiser em redes sociais. O nosso meio ambiente jornalístico mudou: de informativo passou a ser informativo e participativo. Tom Rosenstiel, do Instituto Americano de Imprensa, é um veterano jornalista e pesquisador das tendências da imprensa. Ele co-editou o livro A nova ética do jornalismo, que examina o estado atual da imprensa e as perspectivas que estão surgindo. Ele é o nosso entrevistado no Milênio.
No fim das contas, o jornalismo é uma disciplina de verificação. A coisa mais importante que o jornalismo nos dá é uma base de fatos precisos. Eu atribuo meu próprio significado à notícia, mas preciso saber o que de fato aconteceu. — Tom Rosenstiel.
Luis Fernando Silva Pinto — Eu disse na introdução que tudo mudou. E a pergunta é: mudou em que direção? Então vou começar a entrevista pedindo a você uma visão geral. Nós mudamos para melhor ou não?
Tom Rosenstiel — Sempre que temos uma grande revolução tecnológica nas comunicações as pessoas se perguntam se foi para melhor ou para pior. E a resposta é sempre a mesma: “Sim. Ambos.”
Imagine a invenção da imprensa em 1450. De repente… Do sr. Gutenberg. O que antes levava um ano — a transcrição da Bíblia por um monge — podia ser impresso em um dia. O número de livros em circulação explodiu. Mas a Igreja começou a perder autoridade e as pessoas começaram a pensar de forma independente…
Luis Fernando Silva Pinto — Apesar de os primeiros livros impressos terem sido bíblias.
Tom Rosenstiel —
 Porque as pessoas começaram a lê-la sozinhas e a interpretar seu significado de formas diferentes.
Luis Fernando Silva Pinto — Se acontece algo como o 11 de setembro ou algo equivalente a isso, para onde correr?
Tom Rosenstiel —
 Eu já pensei muito sobre isso. Marshall McLuhan dizia que o meio é a mensagem, o que significa que, se eu vejo TV, só conheço parte da história. E eu acho que a história é a mensagem. Então, quando o 11 de setembro aconteceu, todo mundo ligou a TV. Todos queriam ver aquilo ao vivo.
Ainda estava acontecendo e era possível acompanhar de um lugar seguro. Horas depois, quando você quer descobrir o que a polícia já sabe e quais são as conexões, aí você vai procurar um artigo escrito que resuma a história. Ou acontece um furacão e, três meses depois, você quer saber por que o dinheiro do socorro não chegou para a reconstrução. Para onde ele foi? Isso você vai querer ler em vez de assistir.
Luis Fernando Silva Pinto — Qual é a sua âncora para confirmação de notícias, profundidade etc.? Você recorre ao New York Times, ao Washington Post, ao Wall Street Journal? O que você faz?
Tom Rosenstiel — Eu moro em Washington, mas leio tanto o New York Times como o Washington Post. E se eles estiverem alinhados, eu confio na informação. Sou de uma certa geração e os leio no formato impresso e também digital. A minha filha, que é cientista política, nem toca em papel. Ela acha que a maioria das publicações é tendenciosa e ela pega duas ou três que têm linhas diferentes e verifica se elas se alinham.
Luis Fernando Silva Pinto — Ao fazer isso, tanto você como ela, de formas muito diferentes, procuram uma lógica editorial que você pode usar para concordar com ela ou para dizer: “Ah, é isso que a outra filosofia prega”. Mas, de qualquer forma, você busca uma lógica editorial, e isso é um produto.
Tom Rosenstiel —
 Sim, é um produto, e há uma diferença entre apontar a câmera para um evento ao vivo — o que é tecnologia — e fazer escolhas: “Essa declaração é verdadeira, essa é falsa, ele se enganou ali” — o que é jornalismo. O que eu busco numa publicação — e é por isso que recorro ao New York Times, por exemplo — é que ela dedique muito tempo, a despeito de seu ponto de vista editorial, tentando verificar os fatos. No fim das contas, o jornalismo é uma disciplina de verificação. A coisa mais importante que o jornalismo nos dá é uma base de fatos precisos. Eu atribuo meu próprio significado à notícia, mas preciso saber o que de fato aconteceu.
Luis Fernando Silva Pinto — Em nossa empresa, nós temos, tanto na TV aberta quanto na TV a cabo, noticiários com grande audiência. Às vezes ótima. Por que as pessoas assistem a noticiários na TV fechada ou na aberta atualmente?
Tom Rosenstiel — É uma ótima pergunta. Elas querem ver com os próprios olhos: “Eu ouvi falar disso e preciso ver.” As notícias são uma forma de fluxo social. Ou seja, nós queremos comentar as notícias. Nossa pesquisa provou de forma contundente que o principal motivo pelo qual as pessoas buscam notícias é para discuti-las com outras pessoas. É o que usamos para interagir. Então, se o seu noticiário vai ao ar antes que as pessoas saiam para encontrar outras pessoas, ele tem mais valor.
Luis Fernando Silva Pinto — A ética sempre foi um instrumento fundamental no jornalismo. Será que isso está mudando? E como? Há alguns elementos. Antes eram verdade, independência e minimizar ou não causar danos. E agora?
Tom Rosenstiel — Essa é uma pergunta que me fazem muito. Eu acredito firmemente que os cidadãos continuam querendo as mesmas coisas do jornalismo. Portanto, as responsabilidades que os jornalistas têm para com eles são as mesmas. Em outras palavras, eu quero que você me diga a verdade. Eu preciso saber que você verificou os fatos e que eles são precisos, não apenas literalmente, mas que você os contextualizou, que eles são verdadeiros. Quero que você seja independente, quero saber que não é um agente secreto para um determinado partido político, que, se disser que acha tal coisa, que realmente ache, e que você esteja fundamentalmente do meu lado, do lado do seu público, acima de qualquer outra filiação.
Luis Fernando Silva Pinto — Que eu não queira prejudicar nem enganar você.
Tom Rosenstiel — Que não queira me explorar, que não defenda interesses de anunciantes. Há 16 anos, se você cobrisse um evento, podia decidir não publicar por achar que era falso. Hoje, aquele evento é tuitado ao vivo.
Luis Fernando Silva Pinto — Seja verdadeiro ou falso.
Tom Rosenstiel — A pessoa no palanque pode dizer o que quiser. Pode ser uma grande mentira. Hoje, o seu trabalho como jornalista é me dizer: “Aquilo que ele disse e que você ouviu há uma hora e está se espalhando pela internet não deve ser levado a sério, eis o porquê.” Portanto a sua obrigação para ser um bom contador da verdade é a mesma, mas a forma de executar essa obrigação mudou radicalmente e exige mais de você. Antes, bastava pensar: “Acho que é mentira. Não vou divulgar.”
Luis Fernando Silva Pinto — É aí que se estabelece um limite claro de transparência. “Se isso não é verdadeiro, se é errado, me diga como chegou ao ponto de ter certeza disso.”
Tom Rosenstiel —
 Pode-se dizer que antes nós vivíamos a era do “confie em mim” das notícias. Walter Cronkite fechava o noticiário com as palavras “e é assim que as coisas são”.
“Nova York, Cincinnati e Saint Louis estão sob uma montanha de gelo. Certamente, não teremos trânsito e nem aulas por hoje. E é assim que as coisas são. Segunda, 11 de setembro de 1972.” — Walter Cronkite
Luis Fernando Silva Pinto — Eu acho, mas posso estar errado, que somos profissionais melhores hoje do que éramos há 20 ou 30 anos por causa das exigências de público. Estou certo ou errado?
Tom Rosenstiel —
 Acho que os jornalistas estão melhores e acho que as ferramentas que temos são muito melhores. Nossa capacidade de explicar é muito melhor. Costumo descrever isso da seguinte forma: há 20 anos, se você estivesse cobrindo uma matéria para um jornal, tinha de fornecer umas seis coisas: a matéria principal, a manchete, uma foto, talvez um gráfico e também podia fazer uma matéria secundária. Hoje, se estiver cobrindo uma matéria, há centenas de ferramentas que pode usar, desde gráficos interativos até hiperlinks para as transcrições completas das entrevistas, de matérias anteriores… É incrível.
Luis Fernando Silva Pinto — Em algumas ocasiões, o que é divulgado nas redes sociais ajuda enormemente. Na Primavera Árabe era possível ver tudo que acontecia ou estava para acontecer no Cairo no Twitter. Mas na internet há muito ruído, às vezes ruídos maliciosos. Como separar isso?
Tom Rosenstiel — Muito tempo atrás, as pessoas diziam que uma mentira dá a volta ao mundo antes de a verdade vestir as calças. Isso era verdadeiro há 100 anos e é muito mais verdadeiro hoje. Existe um conceito econômico chamado Lei de Gresham segundo o qual a moeda ruim, ou seja, desvalorizada, pode expulsar a moeda valorizada da economia, enfraquecendo-a. É assim que a inflação acontece. Pode haver uma lei de Gresham no jornalismo, na qual a informação ruim pode dominar por ser tão provocadora.
Luis Fernando Silva Pinto — Além disso, há algoritmos que fazem com que a quantidade de coisas novas sendo geradas obstrua completamente a sua capacidade de ver o que é verdade e o que não é.
Tom Rosenstiel — Podemos pegar o exemplo de uma foto que alguém posta de um acontecimento que não é aquele. Por exemplo, o atentado de Nice. Surgem muitas fotos falsas. Existem softwares que identificam se uma foto é fala, mas ele demora a alcançar. Primeiro ele tem de identificar se a foto é real, de onde é…
Luis Fernando Silva Pinto — E a distribuição da foto falsa…
Tom Rosenstiel — Você está sempre correndo atrás, e esse é o maior problema da internet, na minha opinião.
Luis Fernando Silva Pinto — Então a solução será tecnológica? Será através de algoritmos, de filtros?
Tom Rosenstiel — Essa é uma pergunta que as pessoas estão se fazendo hoje. O Google controla muitas informações, porque 80% das buscas em dispositivos móveis e 60% de todas as buscas passam pelo Google. A empresa tem a capacidade, com seu algoritmo, de priorizar informações mais precisas, mas descobrir como fazer isso é um desafio constante. E a empresa tem de decidir se o algoritmo deve impor os valores dela e o que ela acha correto ou se deve refletir o que as pessoas procuram.
Luis Fernando Silva Pinto — Segundo um dado do livro, nenhum dos jornais americanos em 2003 cobrava pela edição digital. Hoje 450 cobram.
Tom Rosenstiel — Sim, e no caso do New York Times cerca de 60% do faturamento vem de assinaturas.
Luis Fernando Silva Pinto — Digitais?
Tom Rosenstiel — No total. E o jornal atingiu o patamar de um milhão de assinantes digitais, que só acessam o conteúdo online. Esse é um negócio importante para eles, e isso tem cada vez mais implicações. Se eu quero que você me pague por ele, meu produto tem de ser muito valioso para você. Não posso explorar você, não posso trabalhar para anunciantes. Você tem que reconhecer que o conteúdo é tão útil que está disposto a pagar. Isso exige que os jornalistas escutem, entendam e escrevam suas matérias de forma que elas agreguem valor. Com isso, a importância do leitor aumentou e o jornalista passou a ter de ouvir muito mais do que ouvia antes.
Luis Fernando Silva Pinto — Tom Rosenstiel tem uma versão americana da frase brasileira que diz: o bom disso é o ruim que está ficando, em relação à imprensa.
Tom Rosenstiel — Se fizermos nosso jornalismo não para jornalistas, mas sim um produto que ajude as pessoas a melhorarem de vida, que lhes dê mais poder, que as torne mais informadas, o jornalismo vai melhorar e as pessoas vão dar um jeito de pagar por ele. No momento, há 15 ou 16 modelos diferentes de receita sendo testados dentro de empresas de mídia.
Desde conteúdo patrocinado até eventos para atrair novos assinantes, para vender dados às pessoas, e as empresas que estão se saindo melhor são as que estão tendo sucesso em vários desses modelos, em pelo menos dez ou onze desses 16 ou 17 modelos de receita. E no coração deles está entender os dados sobre como as pessoas usam seu produto.
Portanto uma imprensa muito mais responsiva e que perceba… Não estou falando dos vídeos de gatos, que têm pouco valor, o tempo de visualização é curto, mas de matérias de leitura demorada, aprofundadas, valiosas, que podem ser lidas três meses depois. Essas são as matérias, quando você faz uma análise realmente sofisticada, que têm valor extra.
Portanto, as publicações estão descobrindo que, enquanto há 4 ou 5 anos colocavam mulheres de biquíni e vídeos de gatos para atrair visualizações… Elas agora estão percebendo que isso não significa muita coisa e que precisam de dados que informem o engajamento real. Por que as pessoas vão voltar a nós 4, 5, 6 vezes por mês? O que leva as pessoas a pagar uma assinatura? Então esse é um jornalismo mais significativo. Estamos bem no início dessas descobertas. É mais ou menos algo como: éramos bebês e agora somos adolescentes.
Luis Fernando Silva Pinto — Nós vamos ter um campo do jornalismo dinâmico, honesto, diversificado, durante os próximos 40 anos ou 100 anos na sua opinião?
Tom Rosenstiel — Acho que vai ser irregular. Acho que a qualidade do jornalismo nacional que os países terão vai melhorar. Quando você e eu aprendemos a ser jornalistas, nós prestávamos atenção nos mais velhos e tentávamos fazer as coisas que eles faziam. Assim aprendíamos a técnica e nos tornávamos escritores melhores, mas nunca nos ocorreu que inventariámos novas formas de fazer jornalismo. Aprendíamos uma habilidade que ia sendo refinada.
Hoje, um adolescente de 14 anos pode ver um dispositivo tecnológico e achar que é possível usá-lo para descobrir e aprender, e ele vai inventar um jornalismo melhor do que o que temos hoje. Essa é uma perspectiva muito empolgante. Ao mesmo tempo, também haverá instituições e políticos poderosos usando essa tecnologia para enganar as pessoas.
Então haverá uma guerra entre cidadãos que querem usar a tecnologia para aprender e instituições poderosas que querem usar a mesma tecnologia para persuadir. Essa é uma outra forma através da qual os cidadãos vão salvar o jornalismo, por causa da forma como pessoas muito jovens e também os pobres, os mais carentes, os imigrantes, pessoas que não têm poder, vão querer usar essa tecnologia para se erguer.
Luis Fernando Silva Pinto — Nós já aprendemos com os mais velhos e agora é hora de aprender com os mais jovens.
Tom Rosenstiel — Exatamente.
 
Fonte: ConJur

A publicidade infantil mudou e isso é ótimo

No última terça-feira (27), o Procon do Mato Grosso multou a Bayer por vender suplemento alimentar como bala de goma. Por meio de denúncia encaminhada pelo Instituto de Alana de conscientização do consumo infantil, a farmacêutica foi obrigada a desembolsar R$ 1,5 milhão. A medida gerou opiniões contrárias e trouxe a questão sobre a regulamentação da publicidade voltada para crianças.

Porém, se até os dias atuais o assunto ainda é tema de discussões acirradas acerca da liberdade de conteúdo, décadas atrás os anúncios pareciam não fazer a menor distinção entre adulto, a criança, o politicamente condenável e o socialmente aceitável.
Separamos alguns casos que mostram que o icônico cigarrinho de chocolate era literalmente brincadeira de criança perto do que era produzido para o público jovem daquela época.
Para abrir a compilação, apresentamos um personagem que roubava, sequestrava mulheres, era viúvo e se suicidou. Roteiro de um drama da época? Não, só a historinha contada nas figurinhas do personagem Zequinha adquiridas quando eram compradas as homônimas balas.
Confira abaixo os atos desta indecorosa vida:
Nossa seleção começa com o que não deveria ser recomendado para um garoto-propaganda de doces: beber.

Após dormir em meio à garrafas com a cabeça apoiada no poste, o intrépido beberrão parte para um “freela”.

Completamente sem limites, Zequinha também acha por bem “roubar” uma mulher. Dando vazão a uma infinidade de interpretações negativas diante de uma ilustração que não devia ser direcionada para crianças. Nem para ninguém.

Por fim, após o sequestro, por motivos ocultos, o personagem se enviúva.

Nada otimista para o futuro dos pequeninos, ele tenta se matar.

Dessa vez consegue. E assim acaba sua história no álbum.

Para mostrar que brandings como esse não eram exceções, separamos outros exemplos que mostram que o direcionamento de público era nulo e a preocupação com o resultado de posicionamento algo completamente desnecessário.
Neste print, a Lucky Strike presenteia o bondoso Papai Noel com cigarros:

Do mesmo segmento, a Marlboro usa bebês para incentivarem mães a fumarem. Confuso? Talvez naquela época não fosse…

Em um mundo que nenéns incentivavam o tabagismo, seria natural que cerveja fosse coisa para “senhoras e crianças”.

Na verdade, naquele tempo, quase tudo também poderia ser consumido por bebês. Por quê mamadeira se há refrigerante?

Mais do que isso, porque leite materno se inventaram o leite moça?

Realmente, tudo se utilizava dos rostinhos angelicais para vender. Até… papel celofane.

Depois de tudo que foi visto. Aposto que essa imagem final da lista nem chamará a atenção. Para a época era só mais um anúncio comum.

Fonte: ADNews
 
 
 

Entenda como o governo falhou em informar sobre a reforma da Previdência

Há 1 ano, maioria defendia adoção de idade mínima. 4 pontos ajudam a explicar erros na comunicação

A comunicação do governo federal sobre a reforma da Previdência Social falhou miseravelmente. Em maio de 2016, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) encomendou uma pesquisa ao Ibope, que revelou que 85% dos entrevistados discordavam de pagar mais impostos para manter as regras atuais de aposentadoria. Na mesma pesquisa, 65% concordavam com o estabelecimento de uma idade mínima para a aposentadoria. Já em maio deste ano, pesquisa do Datafolha revelou que 72% dos brasileiros eram contrários à mesma reforma.
O que mudou tanto de um ano para o outro? Quatro pontos importantes ajudam a explicar por que a comunicação da reforma falhou.
Em 1º lugar, ao contrário do que possa parecer, o resultado da pesquisa do ano passado sugere fortemente que, como é comum em se tratando de temas complexos, a maioria da população não tinha opinião formada sobre o assunto. E isso é compreensível: temas abstratos, que não fazem parte do dia a dia e cujos efeitos acontecem em um longo horizonte temporal, não integram o finito repertório de preocupações diárias que acompanha o cidadão comum. Para qualquer assunto complexo fora desse repertório, pode-se esperar, grosso modo, uma distribuição de opiniões em torno de uma curva normal, como ilustrado na figura abaixo: uma minoria bem informada a favor, uma minoria beneficiada pelo sistema que é contra, e uma massa enorme de pessoas sem opinião formada.

Em 2º lugar, a pressão de quem é contrário a mudanças em um sistema social complexo é, via de regra, bem mais forte do que a de quem é favorável (por isso a seta vermelha maior acima). Mudanças geram perdas. É um ensinamento básico da economia comportamental que a sensibilidade humana é mais forte em se tratando de possíveis perdas em relação ao status quo. Ganhar R$ 1.000 gera emoções menos intensas do que perder a mesma quantia. Mais ainda, as evidências sugerem que a ameaça de perdas é um excelente motor para propagar narrativas carregadas nas tintas em defesa do status quo. Um erro frequente por parte de governos (talvez o mais comum) na comunicação desse tipo de mudança é ignorar o fato de que todo sistema vai reagir às tentativas de alteração. No caso da Previdência, assim que a proposta de reforma alcançou o Congresso Nacional e houve tempo para que o sistema fizesse sua esperada mágica, a figura acima se transformou em algo como essa a seguir, manifestada na pesquisa do Datafolha.

Para contribuir com a oposição às mudanças, aqueles que seriam (serão) prejudicados no curto prazo por uma eventual reforma têm um argumento relevante: por que apenas nós temos de pagar o pato? Um dos julgamentos automáticos que o ser humano faz o tempo todo é o de justiça (distributiva, no caso). Em um país em que o Legislativo e o Judiciário têm gastos enormes em proporção ao PIB e em que vigora a percepção de roubalheira no meio político, é compreensível a resistência de quem será atingido pela reforma. Como ouvi recentemente de um aposentado: se a crise fiscal é tão grave, por que não está todo o mundo cortando na carne?
O 3º ponto que ajuda a explicar por que o governo federal falhou em sua comunicação está relacionado com o desenho das mensagens. Estudos mostram que o entendimento da mensagem e o consequente posicionamento da opinião dependem essencialmente do enquadramento (framing) adotado. A forma como um assunto é abordada muda radicalmente o apoio recebido. Nos EUA, o Frameworks Institute tem sido pioneiro na abordagem da comunicação de temas complexos e ideologicamente carregados. O que eles fazem? Desenham possíveis abordagens com base em valores humanos e as testam cientificamente. No Brasil, por outro lado, geralmente a comunicação é aquela baseada no que eu chamo de paradigma de jogar milho aos pombos: distribua-se a informação ao público e espere que ele “entenda” o ponto e mude seu comportamento ou visão sobre o assunto. O fato de a comunicação ser bonitinha (isto é, feita por agências de publicidade) e ser repetida à exaustão não muda nada. Tudo se passa como se o mais importante fosse apresentar informações e esclarecer as dúvidas da população, agindo como o sol que leva embora a neblina da manhã. Essa abordagem ignora as evidências de que o valor adequado, ativando as emoções adequadas, pode mudar as percepções das pessoas sobre temas complexos, facilitando as mudanças sociais.
Em 4º lugar, a abordagem da reforma da Previdência parece ter falhado em atender os requisitos que o pesquisador Edward Maibach, da George Mason University (EUA), tem mostrado como fundamentais na comunicação de cientistas sobre temas complexos. Esses requisitos são: as mensagens precisam ser simples – a ponto de conseguirem ser reproduzidas fielmente pelos membros dos públicos de interesse – e repetidas por uma variedade de fontes que o público perceba como confiáveis. Da mesma forma, recomenda-se que a comunicação seja desenhada de baixo para cima, usando o ponto de vista dos públicos que se pretende atingir.
O Brasil caminha para um estrangulamento fiscal, especialmente se não conseguir enfrentar a reforma da Previdência a tempo. O problema é, no fundo, um conflito entre gerações. É o mesmo problema, diga-se, por trás da (desesperadora) tíbia ação diante das mudanças climáticas. Deixamos de agir hoje para jogar a conta para as gerações futuras. O curioso é que pouca gente considera um cenário descrito pelo pesquisador Jørgen Randers, um dos grandes estudiosos dos efeitos das mudanças climáticas, em seu recente livro “2052”: e se a geração de jovens de hoje se recusar a assumir essa conta? (e aqui ele fala da Previdência e não do clima!).
Infelizmente, é muito comum que sejam necessárias crises fortes para romper a inércia individual e a miopia dos sistemas políticos. O Brasil não vai aprovar uma reforma previdenciária efetiva (e muito menos outras reformas importantes e também complexas, como a tributária) sem que a percepção de crise seja escandalosamente real e adequadamente comunicada.
Fonte: Poder 360

Conselho de Comunicação decide que não cabe censura ao 'Pânico na Band'


O Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional aprovou, nesta segunda-feira (3), o relatório do conselheiro Marcelo Cordeiro sobre a adequação de conteúdo do programa Pânico na Band. O Conselho examinou o assunto por solicitação do Ministério Público Federal e entendeu que o programa não viola Constituição e que não cabe censura sobre seu conteúdo.
Segundo o relator, também não cabe contestar a finalidade artística do programa, mesmo que se questione a qualidade do humor veiculado. Não se pode ainda afirmar que o conteúdo ofende valores éticos e da família, pois esses, segundo o relator, são conceitos amplos e subjetivos. A legislação em vigor exige que as emissoras indiquem a faixa etária a que o programa é adequado, definido pelo Ministério da Justiça, o que a emissora cumpre. Desta forma, observou Marcelo Cordeiro, é o espectador quem decide se o programa lhe convém.
– Todo programa de televisão, antes do início de sua exibição, deve apresentar a sua classificação por faixa etária e horário e especificar o que contém, como por exemplo, cenas de nudez, sexo explícito, linguagem vulgar, cena de violência e outras informações como forma de alertar o telespectador sobre o conteúdo a ser apresentado e dando a ele a opção de mudar o canal ou desligar o aparelho caso o problema esteja fora de seus padrões – poderou.
Mas, para o conselheiro Celso Schröder, o programa fere à Constituição:
– Esses programas representam o que de pior tem na comunicação brasileira e se apresentam como humor. Está longe de ser humor e, na verdade é exatamente, a exacerbação do preconceito e da exclusão – criticou.
Já para o conselheiro Walter Ceneviva, o Ministério Público deveria se preocupar com assuntos mais importantes.
– Se incluem nas competências da Procuradoria da Defesa da Cidadania cuidar da reforma agrária, da saúde, do tráfico de pessoas, do trabalho escravo, do sistema prisional. Acho verdadeiramente um vexame que o Ministério Público Federal perca seu tempo e gaste o nosso dinheiro com essa tolice de cuidar de um ou dois programas.
O Conselho de Comunicação Social é composto por 13 titulares e 13 suplentes, representantes das empresas de rádio, televisão, imprensa escrita, dos jornalistas, radialistas, artistas, cinema e vídeo, da sociedade civil e por um engenheiro com notórios conhecimentos na área de comunicação social.
Com informações da Rádio Senado.

Fonte: Agência Senado 

"Greenwashing" e os conflitos éticos da propaganda ambiental

A pesquisa investiga como a propaganda representa o meio ambiente e o discurso ambientalista em benefício de empresas. Para isso, foram analisadas centenas de propagandas ambientais dos mais diversos produtos e serviços. Segundo o autor do estudo, todas as empresas apresentam a mesma estratégia discursiva, com vários sinais de “greenwashing” — termo utilizado para definir o discurso que busca promover uma imagem ambiental positiva que não corresponde à realidade.
A pesquisa conclui que, mais do que vender, as chamadas “propagandas verdes” colaboram para tranquilizar os consumidores de que fizeram a melhor escolha para si, para o meio ambiente e para as futuras gerações. São elementos importantes em estratégias de marketing que muitas organizações utilizam para demonstrar seu compromisso e suas ações pela natureza.
No entanto, podem contribuir para a manutenção de valores culturais que dificultam a mudança para um novo paradigma. A qual pergunta a pesquisa responde? Como a propaganda apropria-se do discurso ambientalista? A pesquisa se propõe a mostrar como as organizações representam o meio ambiente por meio da publicidade e propaganda.
Vistas isoladamente, são apenas uma página de revista ou uma propaganda de 30 segundos, com “liberdade artística” para representar o meio ambiente. No entanto, ao longo da pesquisa, foram analisadas centenas de propagandas ambientais dos mais diversos produtos e serviços, de carros a papel higiênico, de serviços bancários a um país. E todas apresentam a mesma estratégia discursiva, frequentemente com não apenas um, mas vários “sintomas” de greenwashing. Esse alinhamento é bastante significativo do ponto de vista ideológico e científico. Por que isso é relevante? Essa questão é importante, pois entre os discursos das propagandas ambientais e suas práticas há um distanciamento muito grande que nem sempre é claro para o consumidor.
Mais do que vender, atividades promocionais como a propaganda e a publicidade colaboram para diminuir a dissonância cognitiva dos consumidores, tranquilizando-os de que fizeram a melhor escolha para si, para o meio ambiente, o planeta e as futuras gerações. Mas mais que isso: ainda é possível convencê-los de que geladeiras são 100% ecológicas, que macarrão instantâneo vem direto da horta e que dirigir um carro é expressão de liberdade. Não se trata apenas de algum tipo de “licença poética” a que a propaganda se permite, mas, sim, de ajudar na reconstrução de conceitos e estilos de vidas.
Na prática, o que temos visto é um agravamento das crises sociais e ambientais. A ação de empresas e governos, por sua vez, se dá não por meio de propostas concretas de mudança, mas de políticas de adaptação e de lançamento de novos produtos e serviços com suas promessas publicitárias de ecoeficiência. Para o cidadão comum, continua sendo mais fácil, ainda que não menos custoso, comprar do que não comprar. E, enquanto os mercados vão ficando mais verdes, o futuro do meio ambiente parece, lamentavelmente, cada vez mais cinzento.
Resumo da pesquisa
As propagandas estão presentes hoje em praticamente todos os meios de comunicação, e nelas a recorrência de temas ambientais é cada vez mais notável. As chamadas “propagandas verdes” são elementos importantes em estratégias de marketing que muitas organizações utilizam para demonstrar seu compromisso e suas ações pela natureza. Ainda assim, o meio ambiente nunca esteve sob tão forte pressão. Esse aparente paradoxo pode ser explicado pela forma como empresas, governos e sociedade põem em curso seu modelo de desenvolvimento civilizatório.
Esta pesquisa a respeito do greenwashing procura analisar o que há de mentiroso, oportunista e cínico nas propagandas ambientais. Busca também discutir de que forma esses conflitos éticos ajudam a compor um cenário favorável à manutenção de valores culturais insustentáveis que dificultam a mudança para um novo paradigma.

Como identificar o Greenwashing

Discursos: o que a organização diz Manipular o discurso ambientalista com exageros, afirmações irrelevantes, genéricas ou pretensões irreais. Omitir impactos ambientais negativos da operação de seu negócio, destacando apenas os positivos. Mentir, usar dados falsos, fazer afirmações que distorcem a realidade ou que não podem ser provadas. Usar jargão técnico incompreensível.
Estética: o que a organização mostra Usar imagens, sons ou vídeos ambientais sedutores. Omitir imagens da operação dos negócios. Destacar parceiros que compartilham compromissos “ecológicos”. Utilizar uma identidade visual ambientalista, “esverdeada”.
Ações: o que a organização faz Desviar atenção para projetos socioambientais paralelos. Tratar obrigações legais como investimentos em meio ambiente. Alegar custo excessivo de medidas ecologicamente mais corretas. Evitar intervenções externas alegando que resolverão o problema sozinhos. Infiltrar-se na comunidade ambientalista. Incentivar clientes a contribuírem, estimulando que proponham novas formas de ser e de tornar a empresa mais “verde”.
Portfolio: o que e como a organização vende. Vender produtos “ecológicos” que fazem mal às pessoas ou ao meio ambiente. Anunciar produtos “verdes” com celebridades. Criar ecolojas físicas ou virtuais.
Propaganda suspensa por ação do Ministério Público em função dos conflitos éticos:

A ocorrência do greenwashing no cenário da publicidade brasileira é uma realidade frequente e insidiosa. Até o momento, no entanto, têm sido propostas iniciativas muito fracas para o controle do que se diz nas propagandas. Embora as mentiras que as empresas contam ao público por meio de suas atividades publicitárias possam ser configuradas como crime contra o consumidor, passível de punição legal, isso raramente tem acontecido.
Esta pesquisa apontou que existe praticamente uma unanimidade dos discursos das empresas em relação ao meio ambiente. Isso revela que todas estão alinhadas, e não é com a preservação ambiental, mas com o modelo de reprodução de seus próprios negócios.
É importante que associações de consumidores e o poder público estejam atentos para coibir o greenwashing, estabelecendo regras e limites para a publicidade de forma geral e para a propaganda ambiental em específico. Confira a pesquisa na íntegra aqui.
Texto: Erico Pagotto – ecólogo formado pela Unesp (Universidade Estadual Paulista), mestre em Ciências pelo programa interdisciplinar de Mudanças Sociais e Participação Política da USP (Universidade de São Paulo), e doutorando em Sustentabilidade pela mesma universidade. Possui pós-graduação “lato sensu” (especialização) em Administração pela Faap (Fundação Armando Álvares Penteado), Marketing pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), Gestão de Projetos Sociais pela Kroton e Educação Ambiental pela Ufop (Universidade Federal de Ouro Preto). Conta com mais de 20 anos de experiência profissional, atuando como docente em cursos de graduação e pós-graduação, e como consultor nas áreas de meio ambiente, governo, planejamento e educação.
Fonte: Jornal Nexo

Como fazer pedidos de informação com maior chance de sucesso

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Fazer pedidos de informação usando a Lei de Acesso a Informações Públicas (LAI) não é uma tarefa difícil, em princípio. Basta escrever o que se quer e enviar a solicitação ao órgão público. Mas, fazer pedido que tenha maior chance de ser respondido de forma completa e que, assim, sirva de fato à apuração de reportagem exige um pouco mais de cuidado. Nos EUA, a organização Data.World criou ferramenta para ajudar a “prever” se um pedido de informação será bem-sucedido.
FOIA Predictor (algo como Previsor da LAI) estima as chances de sucesso da solicitação considerando a contagem de palavras, extensão média das frases e especificidade do texto. O banco de pedidos de informação e respostas via Lei de Acesso americana MuckRock foi usado como base para estabelecer as condições de maior ou menor sucesso.
Aqui no Brasil, ainda não há ferramenta parecida com o FOIA Predictor. Mas já é possível extrair lições de sucesso a partir do banco de pedidos e respostas Achados e Pedidos, desenvolvido pela Abraji em parceria com a Transparência Brasil.
Pedidos feitos pelos parceiros jornalísticos do projeto (Fiquem Sabendo, Lupa, Aos Fatos, E Aí, Vereador?, Livre.jor) permitem listar algumas dicas de como solicitar dados via LAI e conseguir respostas relevantes:

  1. Peça dados relativos a um período de tempo determinado;

Questão de racionalidade: a administração pública produz milhares de informações por dia. Determinar intervalo de tempo ajuda a obter os dados que realmente interessam.
Também ajuda a driblar a justificativa do “trabalho adicional de análise e consolidação de dados” usada por órgãos públicos para recusar resposta a um pedido.
Use períodos significativos, como a duração de um mandato, gestão ou legislatura; dois anos (permitindo assim a comparação entre os períodos); um ano completo; assim por diante.

  1. Listas são legais;

Não é incomum que, ao ler um texto corrido, uma pessoa ignore alguma informação ou não a registre. Para diminuir o risco de que isso aconteça com seu pedido de informação – e, assim, sua resposta venha sem uma parte –, organize o pedido em lista.

  1. Leia, releia;

Se seu texto não estiver claro, pode comprometer a resposta ou inviabilizá-la. Verifique se o que você escreveu realmente descreve o que você precisa, ou se é necessário dar mais detalhes.

  1. Vá fundo;

A beleza de usar a Lei de Acesso no jornalismo é poder ir além de perguntas simples, buscar dados complexos. Suponha que você gostaria de saber o número de cirurgias de mudança de sexo feitas pelo SUS nos últimos 5 anos. Ao invés de fazer pedido simplesmente perguntando “Quantas cirurgias de mudança de sexo foram realizadas pelo SUS de 01/01/2011 a 31/12/2016?”, por que não pedir uma planilha contendo detalhes? Algo como:
Planilha com a quantidade de cirurgias de mudança de sexo realizadas pelo SUS, discriminadas por: UF, Unidade de Saúde, Data da realização do procedimento, Tipo de procedimento realizado.
Com isto, além do número de cirurgias realizadas, seria possível fazer mapa dos Estados onde mais se realiza esse tipo de procedimento; quais são as unidades de saúde que mais a realizam; se houve aumento ou queda na quantidade de cirurgias feitas ao longo do tempo.

  1. Mas com parcimônia;

Segure a ambição. Inclua no pedido apenas o realmente necessário para sua apuração. Isso pode influir até no tempo para a resposta chegar: quanto mais coisas você pedir, mais tempo o órgão pode precisar para juntar tudo.
Se você precisa mesmo de muitas informações, agrupe-as em pedidos distintos.
Mesmo seguindo essas dicas, há risco de o pedido não ser atendido satisfatoriamente. Afinal, existem duas variáveis do processo de pedir informações públicas que independem da qualidade da solicitação: o órgão público ao qual você a direciona e o(a) servidor(a) que a recebe.
Há órgãos públicos e servidores mais preparados para atender pedidos de informação. Há órgãos pouco afeitos à transparência, e servidores sem treinamento adequado para lidar com os pedidos. É algo que se aprende à medida que se faz pedidos de informação.
É importante tentar, insistir. Se faltar inspiração, use alguma destas aqui!
Texto: Marina Atoji
Fonte: Comunique-se
 

Com foco no direito do cidadão à informação, à participação e no dever do Estado de prestar contas de suas ações, foi criada a Associação Brasileira de Comunicação Pública - ABCPública.