Chefe da Agência Brasil reclama de ‘rebeldia’ de repórteres a diretor

Coura alega que enviou texto por engano. Funcionários questionam contrato da EBC.
Um chefe da Agência Brasil reclamou da “rebeldia” de repórteres ao diretor de jornalismo da EBC (Empresa Brasil de Comunicação). Em mensagem obtida pelo Poder360 nesta 6ª feira (23.fev.2018), Alberto Coura diz que os funcionários se recusam a cobrir o Fórum Mundial da Água.

No último dia 4, o Poder360 mostrou que a estatal usa seu braço público para vender conteúdo favorável ao próprio governo, por contrato de R$ 1,8 milhão com a ANA (Agência Nacional de Águas).
Coura, gerente executivo da Agência Brasil, mandou a seguinte mensagem ao grupo “Alerta NBR” no WhatsApp. O texto foi enviado nesta 6ª por volta do meio dia.
“Roberta, bom dia. Gostaria de conversar com Lourival, depois do almoço (ou mesmo na segunda), para tratar dos repórteres orientados pelo sindicato a recusar pautas sobre o Fórum Mundial da Água. Alegam que não trabalham em empresa comercial e que não foram contratados para fazer “matérias pagas”. Esta rebeldia ser fortemente logo no início do Fórum. O que deveremos fazer?”.
Logo depois a mensagem teria sido apagada. Eis uma imagem

Gerente executivo da Agência Brasil mandou mensagem em grupo de WhatsAppFoto: Reprodução

Segundo funcionários, ele se refere a Lourival Antonio de Macêdo, diretor de Jornalismo da EBC, e a Roberta Almeida Dante, chefe de gabinete de Lourival. O diretor foi denunciado no começo do mês à Comissão de Ética da Presidência por suposto conflito de interesses na elaboração do PDV (Plano de Demissão Voluntária). Ele e Luiz Antonio Duarte, diretor de Administração, Finanças e Pessoas, teriam criados regras melhores para eles mesmos no plano.
No último dia 4, o Poder360 mostrou que, por contrato de R$ 1,8 milhão com a ANA, a EBC submeteria publicações à “aprovação” da agência vinculada ao ministério do Meio Ambiente. A EBC negou interferência e alegou “tempos de orçamento apertado”. A praxe era que só a TV NBR e o programa Voz do Brasil fizessem esse tipo de serviço. O outro braço da estatal, considerado público, deveria ter veículos independente editorialmente. É o caso da Agência Brasil TV Brasil. 
Alberto Coura disse à reportagem que mandou a mensagem por engano, mas minimizou o tema. Afirmou que trata-se de uma discussão interna, sem grande relevância.
“A iniciativa de pedir essa reunião com o Lourival foi minha. Eu quero conversar com eles porque a gente percebe que as pessoas estão se sentindo mal em fazer isso aí”. 
“Eu preferiria que a mensagem que eu coloquei aqui… ela acabou indo para o endereço errado. Na verdade, pediram uma orientação da empresa caso isso venha a acontecer. Caso as pessoas venham a questionar. Aí a gente vai encontrar uma alternativa normal, sem problemas”. 
O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal rebateu a acusação de Alberto Coura de que a entidade orienta funcionários a recusar pautas. “A Agência Brasil não é lugar de venda de matérias, isso afeta a credibilidade do veículo. Não aceitamos que um gerente faça qualquer retaliação aos jornalistas e acuse o sindicato por defender a legalidade e legitimidade da EBC”, diz Gésio Passos, coordenador geral do sindicato.
Procurada, a EBC afirmou que todos os funcionários “devem seguir a orientação da gestão da casa e cumprir as pautas jornalísticas determinadas pelas respectivas chefias”. A direção diz que o contrato com a ANA é “oportunidade única de a EBC demonstrar sua relevância e competência jornalística”. A estatal não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre a “rebeldia” atribuída aos repórteres por Coura. Nem citou a mensagem do gerente executivo da agência. A EBC também não informou se está interferindo indevidamente nas reportagens.
Leia a íntegra da nota da Empresa Brasil de Comunicação:
“Todos que trabalham na Empresa Brasil de Comunicação são empregados da EBC, independentemente do cargo que ocupam e da atividade que desempenham. São todos regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e todos devem seguir a orientação da gestão da casa e cumprir as pautas jornalísticas determinadas pelas respectivas chefias, como acontece em toda e qualquer empresa de comunicação.
O contrato firmado com a Agência Nacional de Águas (ANA) é público e se refere à contratação da EBC para executar serviços previstos na lei de criação da empresa. A direção da casa vê no contrato uma oportunidade única de a EBC demonstrar sua relevância e competência na atividade jornalística, em todas as plataformas, visto que diz respeito a um plano de cobertura de um evento mundial, que, pela primeira vez, se realiza no Hemisfério Sul e em Brasília, onde está localizada a sede da Empresa Brasil de Comunicação.”

Fonte: Poder360.

ABCPública a favor da Compolítica

A Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política (Compolítica) vem a público manifestar sua solidariedade e apoio ao professor e pesquisador Luis Felipe Miguel (Universidade de Brasília), um dos sócios fundadores desta instituição, vice-presidente na gestão 2013-2015, diante da ameaça do Ministério da Educação (MEC) em comunicado que diz pretender encaminhar à Advocacia-Geral da União, ao Tribunal de Contas da União, à Controladoria-Geral da União e ao Ministério Público Federal solicitação de apuração de suposta improbidade administrativa face à oferta de disciplina na graduação em Ciência Política da UnB que visa a discutir o golpe de 2016 e o futuro da democracia no país. O movimento parte justamente de entidade a que compete zelar pela autonomia universitária, conforme prescreve o artigo 207 da Constituição Federal.
A comunidade acadêmica tem sido vítima frequente de arbítrios semelhantes nos últimos meses. Mesmo após o trágico episódio que envolveu o suicídio do professor Luiz Carlos Cancellier, então reitor da UFSC, prisões, conduções coercitivas e demais gestos indicativos de abuso de poder, ora orquestrados pelo Judiciário, ora pelo Executivo, têm indicado aos professores, alunos, servidores técnico-administrativos e demais membros da comunidade um exagero e um ímpeto manifesto em desqualificar o ambiente da universidade pública e das instituições de ensino superior de modo geral.
O curso proposto pelo colega da UnB, a partir da disciplina “Tópicos Especiais em Ciência Política 4”, com o tema “O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil” tem os seguintes objetivos: “(1) Entender os elementos de fragilidade do sistema político brasileiro que permitiram a ruptura democrática de maio e agosto de 2016, com a deposição da presidente Dilma Rousseff; (2) Analisar o governo presidido por Michel Temer e investigar o que sua agenda de retrocesso nos direitos e restrição às liberdades diz sobre a relação entre as desigualdades sociais e o sist ema político no Brasil; (3) Perscrutar os desdobramentos da crise em curso e as possibilidades de reforço da resistência popular e de restabelecimento do Estado de direito e da democracia política no Brasil.” O programa contempla bibliografia lúcida, de autores relevantes nas Ciências Humanas e Sociais do país.
Além disso, conforme o próprio pesquisador afirma, em nota posterior à divulgação do caso, “Trata-se de uma disciplina corriqueira, de interpelação da realidade à luz do conhecimento produzido nas ciências sociais, que não merece o estardalhaço artificialmente criado sobre ela”, ao que emenda “A única coisa que não é corriqueira é a situação atual do Brasil, sobre a qual a disciplina se debruçará”. Em outras palavras, a disciplina se propõe a um exercício de análise de conjuntura, uma das mais sofis tic adas e intricadas vertentes teórico-epistemológicas.
A nota emitida pelo Ministério da Educação enxerga como “ataque às instituições brasileiras”, uma proposta de discussão e debate em alto nível sobre a realidade social no país após 2016.
Esta Associação reafirma seu compromisso com a defesa da autonomia universitária e estimula iniciativas que busquem aprofundar a análise do atual cenário político e midiático brasileiro.
Atenciosamente,
Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política (COMPOLÍTICA)

Lobby precisa superar sua má narrativa com ética e transparência, diz Paulo Nassar

Diretor-presidente da Aberje afirma que faltou comunicação com a sociedade em PL que visa regulamentar a prática
Na visão do jornalista Paulo Nassar, diretor-presidente da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), o lobby só vai superar sua má narrativa no Brasil com “ética e transparência”.
Em entrevista ao JOTA, Nassar afirma que o PL 1.202/07que visa regulamentar a atividade de lobby no país, não está mobilizando a iniciativa privada por falta de comunicação do parlamento com áreas de “relações com o mercado e de gestão de institutos e fundações”.
“Esse tipo de envolvimento que vai além das salas do Congresso é que confere legitimidade a uma aprovação feita por um parlamento que tem uma imagem péssima e quase nenhuma confiança no âmbito da sociedade brasileira”, disse Nassar, que também é professor titular da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).
O presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ) já afirmou que pretende colocar o projeto em pauta no plenário até o fim de março.
“O que o cidadão vai pensar quando souber que a relatora do projeto é a deputada Cristiane Brasil? Ela pode até ser uma santa, mas como essa parlamentar está em meio de controvérsias ruins isto contamina a narrativa de um projeto que vem para ‘purificar’ a representação privada junto aos políticos”, afirmou Paulo Nassar.
Confira a íntegra da entrevista:
É importante regulamentar o lobby no Brasil?
A regulamentação do lobby no Brasil está contextualizada dentro de uma questão maior: a necessidade de mudança do paradigma em que se dão, historicamente, as relações público-privadas em nosso país. Um tipo de relacionamento de conluio em que o perfil dos participantes, as conversas, as agendas, os objetivos, as trocas, os ambientes, dentre outros aspectos, estão sendo postos em xeque principalmente pelo Poder Judiciário.
Assim qualquer projeto de regulamentação do lobby tem que estar alinhado a um outro paradigma em que os relacionamentos entre a sociedade e aqueles que fazem as leis e a gestão pública sejam balizados pela competência, pela legalidade e abençoados por uma legitimidade de grande abrangência social. Se não respeitar esse novo contexto, o projeto se transforma em mais um factoide, produtor de mais um cartório, apenas mais um protocolo de relacionamento, sem potência transformadora. O projeto corre o risco de se transformar em uma fábrica de carteirinhas que dão acesso a um clube old-style.
O presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia pretende colocar em votação o projeto de lei 1.202/07 em breve. Por que este projeto pode ser votado agora se existem projetos semelhantes desde o início da década de 1990 nunca votados?
Nunca existiu dentro do Congresso Nacional, nem nas Assembleias estaduais e Câmaras Municipais vontade política para discutir com profundidade e abrangência social a questão do lobby no Brasil. A causa disso é o ambiente cleptocrata que tem balizado as relações público-privadas brasileiras. Uma realidade desnudada no âmbito da academia por intelectuais como Raymundo Faoro e o genial Roberto DaMatta. É nesse contexto larápio, em que a gestão pública está nas mãos de piratas que coloca-se em pauta a questão deste tipo de regulamentação.
A iniciativa privada está mobilizada pelo projeto? 
Não. O projeto infelizmente não foi bem comunicado. Para mim, parece que a discussão sobre o projeto não conseguiu envolver suficientemente, por exemplo, outras áreas de relacionamento empresarial, como as áreas de comunicação, de relações com o mercado e de gestão de institutos e fundações. E, extrapolando o âmbito empresarial, não mobilizou o terceiro setor neste projeto importante.
Esse tipo de envolvimento que vai além das salas do Congresso é que confere legitimidade a uma aprovação feita por um parlamento que tem uma imagem péssima e quase nenhuma confiança no âmbito da sociedade brasileira. O que o cidadão vai pensar quando souber que a relatora do projeto é a deputada Cristiane Brasil? Ela pode até ser uma santa, mas como essa parlamentar está em meio de controvérsias ruins isto contamina a narrativa de um projeto que vem para “purificar” a representação privada junto aos políticos.
Reputação, imagem são ingredientes importantíssimos para uma nova narrativa e para que um novo lobby seja bem percebido e legitimado pelo brasileiro que quer o melhor para o país.  O lobby precisa superar a sua má narrativa com uma nova narrativa, baseada na ética e na transparência. É preciso entender que qualquer assunto que é discutido no âmbito do Parlamento, em seus diferentes níveis, interessa a toda a sociedade. Não é apenas um capricho retórico a atividade de representação junto a governos ser denominada, cada vez mais, nos EUA como Public Affairs. Relações Governamentais é uma expressão cada dia mais superada. Estamos falando de assuntos públicos, de temas que interessam para todos os públicos.
O projeto faz parte de um movimento de compliance ou é algo separado?
A necessidade do tema é anterior a este projeto. O movimento ligado à boa governança empresarial, onde se insere o movimento de compliance, é vento a favor da mudança das velhas relações público-privadas, que tanto mal tem feito à sociedade brasileira.
Quem pode ser lobista? Eles precisam de credenciamento?
Numa perspectiva inspirada em Alexis de Tocqueville, o cidadão mais simples da sociedade brasileira pode ser lobista, pode representar os seus interesses nas casas e juntos aqueles que ele elegeu. O lobista profissional pode e deve dar qualidade para esse processo que começa no desejo cidadão ou de segmento que necessite de alguma representação. A participação de especialistas nesses processos de representação é sempre uma consequência desse tipo de interesse primal de qualquer cidadão.
O que não pode faltar em um projeto de lei que regulamenta o lobby?
Liberdade de expressão e igualdade para todos aqueles que precisam defender uma causa.
 
Fonte: Jota.

Quais as implicações da ferramenta que permite trocar rostos em vídeos

Proliferação de ‘deepfakes’, vídeos falsos gerados por algoritmo, traz à tona questões de consentimento e autenticidade da imagem digital

Quando o termo “pós-verdade” foi eleito a palavra do ano pelo dicionário Oxford em 2016, o principal foco da discussão era proliferação de notícias falsas e a desvalorização dos fatos no debate político, que estariam perdendo espaço para boatos.
O universo das fakes news vem ganhando uma nova dimensão em 2018: vídeos falsos tem atingido, recentemente, enorme popularidade em tópicos da rede social Reddit. Dados do Google Trends mostram picos em busca por esse conteúdo em meados de dezembro de 2017 e no fim de janeiro e início de fevereiro em 2018.
Chamados de “deepfakes“, os vídeos em questão são gerados pela aplicação de uma tecnologia semelhante ao “face swap” (troca de rostos, em tradução livre) utilizado no Instagram e em outras redes.
O algoritmo tem sido usado para sobrepor rostos de personalidades femininas, como os da atrizes Emma Watson, Gal Gadot e Natalie Portman, ao de pessoas em vídeos pornográficos.  O resultado, como define uma transmissão da rádio pública americana NPR, podem ser vídeos falsos altamente realistas.
“O que acontece com questão de consentimento quando vídeos como esses proliferam na internet? E quais as implicações para a integridade de qualquer vídeo na era digital?”, questiona uma reportagem publicada em 31 de janeiro pelo site Vox.

Como começou
A “mania” dos deepfakes foi reportada pelo primeiro portal de tecnologia da Vice, o Motherboard, em uma reportagem publicada em dezembro de 2017.
“Pornô falso com celebridades, em que imagens são ‘photoshopadas‘ para parecer que pessoas famosas estão posando nuas, é uma categoria de pornografia que já tem anos de idade e uma base de fãs fervorosa”, escreveu a editora Samantha Gole em um primeiro texto sobre o assunto, que se desdobraria em vários outros. “Este [os deepfakes] são o mais novo avanço desse gênero”.
De fato, segundo a reportagem da Vox, o tópico CelebFakes, dedicado ao compartilhamento desse tipo de imagem, existe desde 2011 no Reddit, onde conta com mais de 50 mil seguidores.
A “evolução” teria vindo de um dos usuários dessa comunidade. No fim de setembro de 2017, um usuário chamado “deepfakes” postou uma série de vídeos em um tópico que pedia imagens alteradas da atriz de “Game of Thrones” Maisie Williams. A ferramenta nova surpreendeu outros usuários e acabou gerando um tópico especializado nesse tipo de material, batizado de deepfakes.
A pedidos, ele compartilhou a programação de scripts usada para a sobreposição de rostos no vídeo. Com o tempo, outros programadores do tópico foram aprimorando o algoritmo para criar trocas cada vez mais convincentes.

Como funciona
Baseado em aprendizado de máquina, o algoritmo é “treinado” pelo processamento de centenas de fotos do rosto de uma pessoa.
É por isso que atores e atrizes conhecidos são alvos fáceis: qualquer pesquisa online fornece um banco de imagens volumoso o suficiente para abastecer o algoritmo.
Conforme essa tecnologia se torna mais avançada e acessível, no entanto, rostos menos conhecidos podem se tornar vítimas dos vídeos falsos, segundo a NPR.
Desde que se tenha uma quantidade suficiente de fotos, os deepfakes podem facilmente ser feitos a partir do perfil de qualquer pessoa no Facebook ou Instagram, disse a editora do Motherboard, Samantha Cole, à emissora.
Não é mais preciso te conhecimento de programação para gerar deepfakes. Aplicativos já estão “democratizando” essa tecnologia.

Consequências
O título da reportagem da Vox se refere aos deepfakes como um “prenúncio de distopia”.
“Esse novo tipo de pornô falso mostra que estamos prestes a viver em um mundo no qual é trivialmente fácil fabricar vídeos críveis de pessoas fazendo e dizendo coisas que elas nunca fizeram ou disseram, escreveu Cole no Motherboard.
Em entrevista à NPR, Cole diz que celebridades atingidas por esse tipo de prática podem processar por apropriação indevida de sua imagem. Pessoas comuns, porém, teriam menos recursos para lidar com isso, uma vez que, segundo ela, a tecnologia tem andado mais rápido que a lei.
Para além do enquadramento legal da criação desse tipo de vídeo, expurgá-lo da rede depois de compartilhado é extremamente difícil. É possível solicitar que as imagens sejam retiradas de plataformas mainstream, como Giphy e mesmo o Pornhub, e consegui-lo com certa rapidez.
Mas sites mais obscuros não têm nenhum tipo de regulação para combater a prática de regulação para combater a prática de revenge porn (pornografia de vingança, em português), a divulgação sem consentimento de imagens íntimas.
“Embora a gente não tenha uma lei específica sobre revenge porn, [no Brasil] esses casos poderiam ser enquadrados no código penal como injúria ou difamação”, disse Natália Neris, coordenadora da área Desigualdades e Identidades do InternetLab, em entrevista ao Nexo. “Também se poderia mobilizar o código civil, entrando com algum pedido de indenização por danos morais.”
A preocupação maior de especialistas e outros, porém, é que os vídeos com face swap se disseminem como uma nova forma de violência sexual virtual contra mulheres.
Com selfies armazenadas voluntariamente em nuvens como o Google Photos, bases de dados dos rostos de muita gente estão sendo criadas e expandidas cotidianamente. Entre 2015 e 2016, 24 bilhões de selfies foram salvas na plataforma, segundo o Google.
“Não é difícil de imaginar um programador amador usando seu próprio logaritmo para criar uma ‘sex tape’ de alguém que ele queira assediar”, projetava Samantha Cole em dezembro.
Em uma nova reportagem publicada no fim de janeiro, Cole já tratava dessa forma de assédio como realidade. Ela monitorou tópicos com vídeos pornográficos falsos envolvendo conhecidas, amigas, ex-namoradas e colegas de classe.
Em entrevista a Cole em dezembro, a atriz pornográfica Grace Evangeline levantou que a questão ética principal em torno dos deepfakes está no consentimento. “Criar cenas de sexo falsas de celebridades tira o consentimento dessas pessoas. É errado.”

Fonte: Nexo.

Conar avalia publicidade governamental da Previdência

O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) abriu um processo de ética para avaliar o formato de uma das peças publicitárias do governo federal sobre a reforma da Previdência.
Segundo a assessoria do órgão, o alvo do processo é uma propaganda veiculada em dezembro, no Jornal da Manhã da rádio Jovem Pan FM, de São Paulo. O Conselho levanta dúvidas sobre a clareza de que o material faz parte de um informe publicitário já que foi transmitido durante um programa jornalístico.
Para o Conselho, ainda que o locutor da publicidade avise que se trata de um informe publicitário, o processo de ética buscará esclarecer se o conteúdo pode confundir o ouvinte por não fazer nenhuma menção à autoria da peça publicitária.
A publicidade desmente a tese de que a reforma da Previdência prejudica os mais pobres e destaca que nada vai mudar no sistema de aposentadoria dos trabalhadores rurais. “Então, gente, como eu acabei de mostrar, a reforma da Previdência propõe mudanças somente para quem ganha mais e não muda para quem ganha menos”, diz a publicidade do governo.
O julgamento do processo de ética está previsto para ocorrer em 22 de fevereiro ou, no máximo, na primeira semana de março. Se avaliar que a publicidade pode confundir o ouvinte, o Conar vai recomendar a alteração do formato para deixar claro que o material é uma propaganda e não um conteúdo jornalístico.
Fonte: Valor.

Extrema-direita é quem mais propaga notícias falsas nos EUA, diz estudo

Grupos conservadores de extrema-direita compartilharam mais notícias falsas no Facebook do que todos os demais grupos políticos juntos nos três meses que antecederam o discurso do presidente Donald Trump sobre o Estado da União, no mês passado. A constatação é de pesquisadores independentes.

Pesquisadores do Instituto da Internet da Universidade de Oxford analisaram as afiliações políticas e os padrões de postagem de quase 48 mil páginas públicas do Facebook e de 14 mil usuários do Twitter, para identificar quais grupos postaram o maior número de informações erradas oriundas de sites duvidosos da internet.

A análise, um dos estudos mais amplos  feitos até hoje sobre as notícias falsas (“fake news”, em inglês) veiculadas nas redes sociais, deverá elevar a pressão sobre as empresas de tecnologia para que enfrentem o problema das informações falsas na rede mundial de computadores, especialmente por causa de seu foco no alcance dessas informações.

Os pesquisadores constataram que grupos dos dois extremos do espectro político consumiram e compartilharam o maior volume de notícias falsas no período entre outubro de 2017 e janeiro deste ano. No entanto, os “conservadores linha dura”, da extrema-direita espalharam o maior número de informações falsas, enquanto que as contas com hashtags favorecendo o presidente Donald Trump dominaram as notícias falsas postadas no Twitter.

“Há evidências crescentes do aumento de uma polarização no cenário noticioso dos EUA, em resposta à eleição [presidencial] de 2016”, constataram os pesquisadores. “A confiança nas notícias está visivelmente dividida entre as linhas ideológicas, e um ecossistema de notícias alternativas está florescendo, alimentado por comentários extremistas, sensacionalistas e conspiratórios disfarçados, notícias falsas e outras formas de notícias enganosas.”

Os pesquisadores usaram inteligência computacional para identificar 13 grupos ideológicos que eles classificaram em categorias que vão de “conservadores linha dura” ao movimento “Occupy” e “direitos das mulheres”.

No Facebook, o grupo conservador linha dura compartilhou links para mais de 90% dos sites identificados pelos pesquisadores como fontes de “propaganda e informações políticas ideologicamente extremas, hiperpartidárias e conspiratórias”.

A pesquisa, que não foi revisada por especialistas, constatou que os diferentes grupos ideológicos se mostram profundamente polarizados. Os defensores de Trump foram os mais isolados no Twitter, compartilhando o menor número de links com notícias que também eram mencionadas por outros grupos.

Segundo Lisa-Maria Neudert, pesquisadora de Oxford, as notícias falsas compartilhadas antes do discurso de Trump sobre o Estado da União, em 30 de janeiro, incluíram um artigo afirmando que as vacinas contra a gripe são “a maior fraude médica da história mundial”. Outra alegava que a União Europeia é respaldada por uma ideologia “luciferiana”.

O estudo também avaliou se os grupos compartilham artigos que se enquadram em pelo menos três de cinco categorias “junk”,  incluindo o não fornecimento de informações reais sobre os autores, a imitação de organizações noticiosas verdadeiras e o compartilhamento de visões partidárias exageradas.

As redes sociais há muito alegam que seus negócios dependem dos usuários poderem compartilhar histórias sem censura. No entanto, essa ideia vem sendo questionada desde que foi revelado que mensagens falsas oriundas da Rússia alcançaram quase 150 milhões de usuários do Facebook antes das eleições presidenciais americanas de 2016.

Segundo uma pesquisa do Reuters Institute, quase metade dos usuários das redes sociais nos EUA hoje usam o Facebook desde que foi revelado que mensagens falsas oriundas da Rússia alcançaram quase 150 milhões de usuários do Facebook antes das eleições presidenciais americanas de 2016. Segundo uma pesquisa do Reuters Institute, quase metade dos usuários das redes sociais nos EUA hoje usam o Facebook em busca de notícias.

As pressões por medidas reguladoras contra essas plataformas tecnológicas vêm aumentando em toda a Europa. No ano passado, a Alemanha introduziu multas de até € 50 milhões para empresas que não removerem mensagens de ódio ou notícias falsas até 24 horas depois do recebimento de uma reclamação.

Com as companhias de tecnologia se movimentando para afastar as críticas, o Facebook revelou amplas mudanças em seu fluxo de notícias no mês passado, num esforço para priorizar as notícias de “qualidade” que sejam “confiáveis, informativas e locais”.

“As pessoas querem ver informações confiáveis no Facebook – assim como nós”, afirmou o Facebook. Estamos interrompendo os incentivos econômicos porque sabemos que a maioria das notícias falsas tem motivação financeira.”

Fonte: Valor (Matéria original publicada no Financial Times).

Por contrato de R$ 1,8 mi, Agência Brasil publicará conteúdo positivo do governo

Textos passarão por agência reguladora. Argumento foi dificuldade de verbas.

A EBC (Empresa Brasil de Comunicação) usa seu braço público para vender conteúdo favorável ao próprio governo. Contrato de cerca de R$ 1,8 milhão com a ANA (Agência Nacional de Águas) de dezembro determina matérias positivas da Agência Brasil, por exemplo. A praxe era que isso fosse feito somente pela TV NBR e pelo programa Voz do Brasil. Funcionários da EBC ouvidos em reserva pelo Poder360 relatam desconforto com a negociação.

O contrato (eis a íntegra), que teve dispensa de licitação, foi assinado em 15 de dezembro de 2017 e custou R$ 1.799.750,93. A ANA, vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, desembolsará o valor para promover o 8º Fórum Mundial da Água, que será realizada de 18 a 23 de março em Brasília. A EBC entregará o conteúdo de 31 de janeiro até 30 de abril, de veículos como Agência Brasil e TV Brasil, que deveriam ser livres de interferência editorial.

Será obrigatório o crivo da ANA antes da publicação para materiais mais elaborados, como matérias especiais e programas de estúdio –também pelo braço público da estatal. Esses conteúdos terão de ser “submetidos à aprovação da contratante [ANA] antes da veiculação”, diz o contrato.

A lei da EBC é de 2008 e teve algumas modificações no ano passado. A lei afirma que “é vedada qualquer forma de proselitismo na programação das emissoras públicas de radiodifusão”, e que deve haver “autonomia em relação ao governo federal para definir produção, programação e distribuição de conteúdo no sistema público de radiodifusão”.

Há 2 braços da EBC: 1 considerado público, com veículos independentes editorialmente. Entre esses estão a Agência Brasil e a TV Brasil. Outro ramo da estatal vende serviços ao governo e é abertamente governamental, como a TV NBR e o programa de rádio obrigatório “Voz do Brasil”.

A ANA, agência reguladora vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, estabelece temas gerais para as matérias. Por exemplo: boas práticas em gestão da água e uso sustentável da água.

EBC NEGA INTERFERÊNCIA

Procurada, a estatal nega interferir na produção jornalística. “O jornalismo da EBC não está submetido à ANA ou à pauta do 8° Fórum. Muito ao contrário, a ANA é quem está contando com a força de um conglomerado de comunicação para potencializar o alcance de conteúdos noticiosos de interesse mútuo”. Ainda, diz que as pautas “são definidas pela direção de jornalismo, e não pelo contratante”. Contudo, o contrato estabelece que deve haver “aprovação” da ANA antes da veiculação.

A EBC também diz que o tema da água é de interesse “tanto da TV NBR, do governo federal, como das oito emissoras públicas de rádio, da Agência Brasil, TV Brasil e Voz do Brasil”. O contrato também foi defendido por conta dos “tempos de orçamento apertado”.

Leia a íntegra da nota da EBC:

“O contrato da EBC com a Agência Nacional de Águas (ANA) é único, porque trata do 8º Fórum Mundial da Água, evento que pela primeira vez acontece no Brasil. A decisão de firmá-lo tem amparo na Lei de Criação da EBC (Lei n°11.652, de 2008). Seu artigo 8º, inciso VI, diz expressamente que “compete à EBC prestar serviços no campo de radiodifusão, comunicação e serviços conexos, inclusive para transmissão de atos e matérias do governo federal”. A direção da empresa também entendeu que, a partir de um trabalho de excelência em torno de um evento internacional de grande repercussão, a EBC terá oportunidade inédita para reafirmar sua competência e relevância como empresa pública de comunicação.

A EBC é uma empresa pública, que tem compromisso com a cidadania e a missão de criar e difundir conteúdos que contribuam para a formação crítica das pessoas. Neste contexto, nada mais obrigatório que o engajamento de todos os seus veículos na causa do 8º Fórum, independentemente de haver ou não contrato. Mas nestes tempos de orçamento apertado em todo o setor público, é o contrato que cria condições financeiras para a produção e realização de programas especiais e grandes reportagens em todo o Brasil. Custos com programas e transmissões ao vivo, especialmente durante os sete dias de evento, também serão cobertos pelo contrato.

Estimular o debate e produzir informações sobre o bom e o mau uso da água, o reúso, o compartilhamento da água, a crise hídrica, o saneamento básico são tarefas das quais uma empresa pública de comunicação não pode se omitir. Estes temas são de interesse tanto da TV NBR (do governo federal), como das oito emissoras públicas de rádio, da Agência Brasil, TV Brasil e Voz do Brasil.

As ações de comunicação não se resumem à cobertura jornalística do evento internacional, que será realizado de 18 a 23 de março, em Brasília. Também estamos produzindo conteúdos jornalísticos, informativos e educativos para sensibilizar e mobilizar o cidadão para a importância do tema e do Fórum da Água. Pelo contrato, a EBC também produzirá programas de caráter educativo que a ANA pretende distribuir nas escolas da rede pública. A conscientização das crianças e jovens sobre o uso racional da água é fundamental para garantir a preservação deste bem para as gerações futuras.

O jornalismo da EBC não está submetido à ANA ou à pauta do 8°Fórum. Muito ao contrário, a ANA é quem está contando com a força de um conglomerado de comunicação para potencializar o alcance de conteúdos noticiosos de interesse mútuo. O contrato não limita a produção de matérias e reportagens sobre a questão da água. Não há interferência. As pautas são definidas pela direção de jornalismo, e não pelo contratante. O contrato não produziu nenhuma alteração na grade de programação dos veículos da EBC.”

Fonte: Poder360.

Raquel Dodge questiona R$ 99 milhões em verba para publicidade estatal

PGR usa exemplos de peças da Previdência. ‘Não pode valer-se de recursos públicos’.

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, apresentou ao STF (Supremo Tribunal Federal) uma ação (íntegra) contra a lei que abriu crédito de R$ 99 milhões para comunicação estatal. A presidente do Supremo, Cármen Lúcia, pediu esclarecimentos sobre o caso ao presidente Michel Temer e ao presidente do Congresso, Eunício Oliveira (MDB-CE), em 10 dias.

Dodge argumenta que o uso de recursos públicos para implementar políticas “é natural”. “Se, porém, o governo entende que deve esforçar-se por persuadir a população do acerto de uma proposta polêmica, não pode valer-se de recursos financeiros públicos para promover campanha de convencimento que se reduza à repetição de ideias, teses e juízos que não são de consenso universal”, afirmou.

A “proposta polêmica” que o governo tem encampado nas suas propagandas é a reforma da Previdência. O Planalto adotou uma estratégia de gastar com peças de publicidade a favor da reforma para mudar a percepção da população sobre o novo texto.

“A publicidade em favor de uma medida notoriamente controvertida é substancialmente distinta de uma publicidade em favor da conscientização da população sobre a necessidade de cuidados, por exemplo, para evitar a proliferação do mosquito da dengue”, disse a procuradora-geral.

A ação será relatada pelo ministro Marco Aurélio Mello. O STF está em recesso e apenas a presidente da Corte, Cármen Lúcia, está de plantão.

O governo sancionou uma lei que abriu R$ 6,9 bilhões em créditos. Entre eles, R$ 99 milhões para serem usados pela comunicação social do Planalto. A nova lei 13.528 de 2017 determina que R$ 99.317.328 serão investidos em comunicação institucional. Esse dinheiro deve ser repassado para investimentos em publicidade estatal.

Deputados exigem que o governo reverta a percepção da população sobre a reforma da Previdência para que a proposta possa ser votada no plenário da Câmara.

O publicitário Elsinho Mouco, chefe da publicidade do governo, disse ao Poder360, à época, que a próxima estratégia do governo, após a propaganda em redes de rádio e de TV, é investir em redes sociais e em eventos.

Fonte: Poder360.

Com foco no direito do cidadão à informação, à participação e no dever do Estado de prestar contas de suas ações, foi criada a Associação Brasileira de Comunicação Pública - ABCPública.