Beneficiários do Bolsa família terão acesso a plataforma de filmes nacionais

Os 14 milhões de domicílios de beneficiários do Bolsa Família que receberão o conversor para captar o sinal de TV image_previewdigital contarão também com o aplicativo Quero Ver Cultura. A plataforma de vídeo por demanda foi desenvolvida pelo ministério da Cultura (MinC), com conteúdos audiovisuais nacionais, como curtas e longas-metragens, de ficção e documentários, produzidos com apoio de recursos da lei do audiovisual.
Com o processo de migração da TV analógica para a digital, programado para começar em fevereiro e executado em todo o país gradualmente até 2018, os beneficiários do Bolsa Família receberão gratuitamente um kit contendo conversor, controle remoto e antena adaptada às condições do domicílio.
O conversor terá a interface de interatividade Ginga C e aprimoramentos desenvolvidos pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). E dará ao usuário a possibilidade de acessar aplicativos e programas com uma série de facilidades e informativos dos serviços públicos, como marcação de consultas médicas, vagas de emprego, extrato do Bolsa Família, serviços bancários e outros serviços públicos federais, estaduais e municipais.
Os filmes serão transmitidos através da antena e ficarão disponíveis para serem vistos de acordo com a conveniência do espectador, como nas plataformas de streaming, mas sem a necessidade de conexão de internet. A capacidade de armazenamento permitirá a oferta de cinco a dez títulos por semana.
O secretário do Audiovisual do MinC, Pola Ribeiro, disse à RBA que o serviço é uma forma de ampliar o público do cinema nacional: “Nos últimos cinco anos, cresceu muito a cartela de filmes produzidos, mas esses filmes têm que transcender o circuito do mercado”, observou.
“Quando a gente fala do Quero Ver Cultura, a gente está falando em entregar 14 milhões de caixinhas, que vão impactar em até 60 milhões de pessoas. Passa a ser a terceira maior entrega de conteúdo do mundo, para uma população que não tinha acesso”, afirma o secretário do Audiovisual.

Pola Ribeiro, secretário do Audiovisual
Pola Ribeiro, secretário do Audiovisual

Pola Ribeiro descreve a iniciativa como “sem paralelos” em outros países, dado o enfoque e o alcance da plataforma. Em termos de comparação, a Netflix, plataforma comercial de streaming que vem ganhando força nos últimos anos em todo o mundo, apesar de não divulgar o número de usuários no Brasil, segundo estimativas, contaria com cerca de 4 milhões de assinantes. O Quero Ver Cultura, quando chegar nas 14 milhões de residências dos beneficiários do Bolsa Família, impactaria em um público de até 60 milhões de pessoas. “São entregas de conteúdo em escala, que permitem um acesso que nunca tivemos antes.”
“Na verdade, a gente quer democratizar o acesso à comunicação e aos conteúdos audiovisuais que são produzidos com recursos públicos. A gente quer que a grande parcela da população que está fora desse acesso possa ter opções para além da tv aberta comercial. Que ele possa também acessar conteúdos por demanda, que é o que a contemporaneidade está oferecendo”, analisa Ribeiro.
Segundo o secretário, a escolha dos títulos priorizará aqueles que não encontram canais de exibição. “A gente tem milhares de curtas e documentários que não passam em lugar nenhum. A própria memória da televisão pública brasileira está fora disso”. Farão parte do acervo cerca de 25 mil títulos da Cinemateca Brasileira e produções da própria Secretaria do Audiovisual.

Interatividade

Ao funcionar junto com o aplicativo, o site do Quero Ver Cultura também possibilitará que o público aponte os filmes que desejaria ver na plataforma, bem como comentários e críticas. Essa é uma forma de conhecer melhor os gostos e expectativas de um conjunto da população que ainda tem pouca visibilidade. “Quando a gente fala de Bolsa Família, a gente está trabalhando com as pessoas que o país menos conhece. Que expressam menos os seus desejos”, comenta Pola Ribeiro.
Contudo, o entusiasmo em torno do Quero Ver Cultura e as possibilidades abertas a partir daí como uma nova plataforma de acesso massivo, tem fez com que algumas produtoras se associassem ao projeto. A Gulanne, produtora conhecida por títulos como Bicho de Sete Cabeças, O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias e, mais recentemente, Que Horas Ela Volta?, já disponibilizou conteúdos para serem veiculados no aplicativo, assim como a Maria Faria Filmes, que produz conteúdos de forte apelo social em parceria com o Instituto Alana.
“A gente tem que fazer políticas públicas para um país onde todo mundo filma e todo mundo demanda por conteúdos”, diz o Secretário Pola Ribeiro. Os filmes que contam com aportes do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), depois de cumpridas as trajetórias comerciais, também serão abertos por meio do Quero Ver Cultura.
A distribuição do conversor começará junto com o projeto-piloto de abertura do sinal de TV digital na cidade goiana de Rio Verde, no próximo dia 15 de fevereiro. Brasília e as cidades do entorno vão fazer a transição em outubro deste ano, que é quando a secretaria do Audiovisual espera que o Quero Ver Cultura também esteja em pleno funcionamento.
Em 2017, será a vez de todas as capitais da região Sudeste (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Vitória), Goiânia, Salvador, Recife e Fortaleza. Outras cidades do Estado de São Paulo e do Nordeste também passarão pela mudança no próximo ano. Já em 2018, a transição para o sinal de TV digital vai incluir as capitais e importantes cidades das regiões Sul, Centro-Oeste e Norte, todo o interior dos Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo.
FONTE: RBA – Rede Brasil Atual
http://www.redebrasilatual.com.br/entretenimento/2016/01/conversor-distribuido-aos-beneficiarios-do-bolsa-familia-contara-com-servico-de-filmes-nacionais-por-demanda-1150.html

Concentração, regulação e sustentabilidade são os maiores desafios da mídia na América Latina, afirmam especialistas

Reunir todas as partes interessadas na indústria de mídia latino-americana para debater os maiores desafios do setor é uma tarefa difícil, mas foi o que um grupo de jornalistas, membros da sociedade civil, reguladores e outros membros da área ousaram fazer no final do ano passado.
O Centro de Assistência Internacional de Mídia (CIMA) do National Endowment for Democracy e a organização alemã Deutsche Welle Akademie divulgaram recentemente o relatório “Mídia na América Latina: um caminho adiante“, um resumo da discussão e conclusões da conferência “Mídia independente e livre em sistemas de midia plurais e diversos“.
A conferência, que aconteceu em Bogotá em novembro de 2015, foi organizada por grupos de diversos setores midiáticos para debaterem juntos os maiores problemas com o desenvolvimento da mídia na região, segundo Don Podesta, editor e gerente do CIMA e autor do relatório.
Mais de 130 organizações da sociedade civil e observatórios de mídia, reguladores de radiodifusão, acadêmicos, representantes da indústria de mídia e funcionários de governos participaram, de acordo com o relatório do CIMA .
ETHRTHE
Imagem do relatório do CIMA “Media in Latin America: A Path Forward”
Os participantes falaram de assuntos como regulação da mídia, concentração de propriedade, diversidade e pluralismo midiático, reportagens investigativas e sobre prestação de contas como formas de fortalecer a democracia, impacto da era digital no jornalismo e direito à informação, segundo o programa da conferência.
Uma das principais tarefas dos presentes foi reconhecer os maiores desafios do ambiente midiático na América Latina.
O primeiro maior problema identificado foi a concentração de mídia, tanto por governos quanto pelo setor privado, de acordo com o relatório do CIMA.
“A concentração de propriedade de meios de comunicação leva ao sufocamento de vozes e à falta de diversidade na cobertura. E quando os donos da mídia estão em conluio com as elites empresariais e políticas, isso pode servir para privar direitos dos cidadãos e ajudar a consolidar essas elites no poder – o oposto do papel fiscalizador que a mídia deveria desempenhar em uma sociedade democrática”, ressalta o documento.
O relatório também aponta que a propriedade da mídia na América Latina “é sem dúvida a mais concentrado do mundo”.
Gustavo Gomez, diretor do observatório de mídia uruguaio Observacom, foi citado: “Precisamos de leis e políticas para inverter a concentração que já existe”.
Os participantes também pediram uma regulação justa e transparente “para preservar a diversidade, o pluralismo e a igualdade de condições para os novos investidores, em especial nos meios de radiodifusão”, segundo o relatório.
Edison Lanza, Relator Especial para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, falou sobre a necessidade da regulação ser independente de interesses políticos e econômicos. A concentração da mídia e seu efeito sobre a democracia tem sido uma preocupação particular do Relator Especial.
Possíveis soluções para o problema da regulação poderiam incluir a publicação de orientações de como veículos podem receber concessões, bem como orientações sobre a forma como a mídia pode ser multada. A regulação poderia ser usada para resolver o problema de maior concentração de propriedade da mídia.
O desafio final envolve encontrar maneiras de meios de comunicação independentes serem sustentáveis.
“Assegurar a sustentabilidade não significa apenas a saúde econômica e viabilidade de novas empresas de mídia, mas também novos investimentos na distribuição digital e móvel de notícias e informações e manutenção de um mercado aberto e competitivo, que permita aos novos operadores para ganhar uma posição”, disse o relatório.
Sobre a publicidade, o relatório mencionou a migração de mercados tradicionais para a Internet e a concorrência com a mídia internacional e redes sociais. Ataques físicos contra jornalistas também foram identificados como ameaças à viabilidade e sustentabilidade.
Apesar destes desafios, o relatório observou as histórias de sucesso de meios digitais de jornalismo investigativo, como La Silla Vacía e Animal Político, que podem produzir “jornalismo de qualidade de interesse público por uma fração dos custos”.
De acordo com o relatório, como resultado da conferência, observatórios de mídia lançaram uma declaração chamando a atenção do governo para o problema da concentração da propriedade da mídia.
Podesta disse que o CIMA planeja levar as conclusões da conferência aos parlamentos e congressos e, em seguida, replicar o processo em outras regiões do mundo.
O CIMA organizou a conferência de Bogotá com nove organizações parceiras, incluindo Deutsche Welle Akademie, o Gabinete do Relator Especial para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, a UNESCO e outras.
Fonte: https://knightcenter.utexas.edu/pt-br/blog/00-16608-concentracao-regulacao-e-sustentabilidade-sao-os-maiores-desafios-da-midia-na-america-

Novas medidas para eficácia da Lei de Acesso à Informação

Mecanismos de avaliação da atividade administrativa sempre devem ser estimulados junto aos órgãos de Governo. E quando se trata de acesso à informação, o assunto é ainda mais relevante. É dever do Estado garantir a todos o direito ao acesso à informação, nos moldes previstos no art. 5º da Constituição de 1988: mediante procedimentos objetivos e ágeis, de forma transparente, clara e em linguagem de fácil compreensão. Diante disso, foram publicadas duas normas para efetivar as medidas de acesso.
A primeira foi o Decreto nº 8.638, da Presidência da República, que institui a Política de Governança Digital no âmbito dos órgãos e das entidades da administração pública federal direta, autárquica e fundacional. A finalidade é gerar benefícios para a sociedade mediante o uso da informação e dos recursos de tecnologia da informação e comunicação na prestação de serviços públicos; além de estimular a participação da sociedade na formulação, na implementação, no monitoramento e na avaliação das políticas públicas e dos serviços públicos disponibilizados em meio digital; e assegurar a obtenção de informações pela sociedade, observadas as restrições legalmente previstas.
A Política de Governança Digital deverá ter o foco nas necessidades da sociedade; no compartilhamento da capacidade de serviço; na simplicidade; na priorização de serviços públicos disponibilizados em meio digital; na segurança e privacidade; na participação e controle social; e na inovação.
Comitê de aprimoramento da LAI
A segunda medida para efetivar o acesso à informação foi por meio da Portaria nº 6, da Secretaria Nacional de Segurança Pública, que instituiu o Comitê Técnico – Lei de Acesso à Informação com a finalidade de apresentar estudos sobre os reflexos da Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011, nas atividades desenvolvidas pelos órgãos de inteligência de segurança pública e apresentação de medidas que os órgãos de inteligência poderão adotar frente aos pedidos de informações.
O Comitê Técnico deverá debater a Lei no 12.527/2011 e demais normas correlatas ao tema; fazer estudos, junto aos órgãos de Inteligência de Segurança Pública, sobre os reflexos da Lei de Acesso à Informações nas atividades de inteligência; e apresentar, no formato de Instrução Normativa, orientações às agências de inteligência de como proceder no caso de pedido de informações. O CT terá até 12 integrantes e será composto por profissionais que tenham comprovada experiência e notório saber na área de inteligência, selecionados pela Coordenação-Geral de Inteligência da Secretaria Nacional de Segurança.
Lei de Acesso à Informação – LAI
O advogado e professor de Direito Jorge Ulisses Jacoby Fernandes explica que a Lei nº 12.527/2011, conhecida como Lei de Acesso à Informação, representou um gesto do Governo Federal no sentido de efetivar este comando constitucional. A norma estabelece os parâmetros gerais que serão observados pelos órgãos públicos no momento de solicitação de informações por parte dos administrados.
Para eles, as normas instituídas neste mês mostram o interesse do Governo Federal em efetivar as medidas de acesso. “O dever, porém, não está apenas nas mãos do poder central. Cada órgão e entidade do Poder Público também são responsáveis por avaliar a prestação de informações, respeitando as suas especificidades, conforme estabelece o art. 6º da Lei de Acesso à Informação”, observa.
De acordo com o artigo mencionado pelo professor, cabe aos órgãos e entidades do poder público, observadas as normas e procedimentos específicos aplicáveis, assegurar a gestão transparente da informação, propiciando amplo acesso a ela e sua divulgação; a proteção da informação, garantindo-se sua disponibilidade, autenticidade e integridade; e a proteção da informação sigilosa e da informação pessoal, observada a sua disponibilidade, autenticidade, integridade e eventual restrição de acesso.
Fonte: Brasil News, Jacoby Fernandes. http://www.n3w5.com.br/destaque/2016/01/jacoby-fernandes-lancadas-medidas-dar-mais-eficacia-acesso-informacao-lai

Não fale mais de mim desse jeito

Diz-se que mulher vende qualquer coisa, especialmente se a propaganda for sensual. E isso tem de mudar.

Campanha Mulher

A ideia para a campanha #WomenNotObjects surgiu quando a co-fundadora e chefe de criação da agência americana Badger&Winters, Madonna Badger, fez uma pesquisa no Google sobre “objetificação da mulher”. O resultado foi um monte de anúncios, de marcas conhecidas – de fast food a carro – onde a mulher-objeto é o chamariz para o consumidor. Ela coletou as peças das campanhas e transformou num filme de impacto, onde os abusos contra a mulher são pontuados um a um. E convidou todo mundo para debater o machismo na Publicidade usando a #WomenNotObjects. Desde o dia 11/01 no ar,  o vídeo já tem mais de 373 mil visualizações e soma milhares de posts no Facebook.

 

A iniciativa de Badger também ganhou repercussão no noticiário internacional – do britânico Daily Mail ao portal brasileiro da revista Exame. A UN Women, o departamento da ONU que luta pelos direitos das mulheres, fez um tweet com o vídeo. Madonna Badger é uma executiva muito conhecida do mercado publicitário americano e, inclusive, admite ter feito campanhas em que a mulher era colocada como objeto. Uma das mais famosas é a da Calvin Klein com Mark Whalberg e Kate Moss seminua, dos anos 90, considerada a propaganda mais sensual da marca até hoje. “O sexo vende”, admite a executiva nas várias entrevistas.  Com clientes como Avon, Vera Wang, Diane von Furstenberg Nordstrom, garante que pelo menos sua agência não fará mais campanhas desse tipo.

Segundo ela, a necessidade de mudar as coisas veio após uma tragédia pessoal. Em 2011, num incêndio, perdeu o companheiro e as três filhas. “Queria que minha vida tivesse um propósito. Esta é uma forma de honrar minhas filhas”, disse Wall Street JournalWall Street Journal.  A publicitária alerta que tipo de propaganda é prejudicial para as meninas e jovens mulheres em especial, minando a sua autoconfiança e a autoestima.

Fonte: Blog de Comunicação de Interesse Público da Nova/SB Comunicação. Saiba mais em: http://www.comunicaquemuda.com.br/nao-fale-mais-de-mim-desse-jeito/

Proteção à criança dos efeitos da publicidade começa no berço

Ainda estamos longe da Suécia, que já baniu a publicidade dirigida ao público infantil, com apoio de 88% da população. Mas, pelo menos, fechamos o ano com alguns avanços na legislação.
A publicidade não poupa ninguém. Nem mesmo os recém-nascidos, alvos das campanhas publicitárias desde os primeiros dias de vida. São apelos para o consumo de fraldas descartáveis, papinhas, mamadeiras, chupetas, bicos e outros produtos, alguns de utilidade duvidosa.
Publicidade Infantil
Um decreto do governo federal pode ajudar a reduzir os efeitos negativos desses produtos à saúde dos bebês. Publicado recentemente, restringe qualquer ação promocional desse tipo, incluindo publicidade, descontos, brindes, exposições especiais em supermercados e outras ações semelhantes.
Fica também proibida a utilização de fotos, desenhos e ilustrações que induzam ao uso, com expressões como “baby”, “kids”, “ideal para o seu bebê”, além da utilização nas mensagens de personagens de filmes e de desenhos animados. No caso específico dos bicos, mamadeiras e chupetas, deverá ­haver sempre um aviso aos pais sobre os prejuízos que o uso desses produtos podem causar ao aleitamento materno.
Também aqueles potinhos de alimentos industrializados consumidos por crianças de menos de três anos estão na mira da regulamentação. Autoridades da área da saúde recomendam que os bebês sejam amamentados por até dois anos ou mais e que o leite materno seja o único alimento da criança até o sexto mês de vida.
Pesquisas mostram que o leite materno protege as crianças contra diarreias, pneumonias, infecções de ouvido e alergias. Contribui também para diminuir as chances de desenvolverem, quando adultas, doenças como diabetes, obesidade, hipertensão arterial e vários tipos de câncer.
Claro que na faixa inicial da vida a propaganda é dirigida aos pais. Mas bastou a criança se aproximar dos 3 anos para começar a receber diretamente toda a carga publicitária. Com a agravante de ainda não poder discernir entre o que é propaganda e o que é entretenimento e lazer.
Quantas gerações foram induzidas ao consumo precoce atraídas por apresentadoras simpáticas e afetivas que conquistavam a criançada com esses atributos para, em seguida, mostrarem a sua verdadeira face de vendedoras das mais variadas quinquilharias, de sandalinhas a brinquedos eletrônicos.
No caso dos alimentos, o cuidado que agora se verifica em relação aos bebês deve ser urgentemente estendido aos mais velhos. Os dados em relação ao crescimento da obesidade infantil no Brasil são assustadores. Segundo o Ministério da Saúde, o ­excesso de peso já atinge 52,5% da população adulta do país. O índice de obesidade é de 17,9%. Entre as crianças, uma em cada três, na faixa dos 5 aos 9 anos, está acima do peso.
Em novembro, o Senado deu um passo importante para proteger também as crianças mais velhas da publicidade. Foi aprovada a atualização do Código de Defesa do Consumidor, explicitando como abusiva a publicidade que “se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança” e as que induzam diretamente ao consumo, causem sentimento de inferioridade ou usem crianças e adolescentes como porta-vozes diretos da mensagem de consumo.
Estamos ainda longe da Suécia que baniu totalmente a publicidade dirigida ao público infantil há mais de dez anos. A decisão foi tomada após a divulgação de uma pesquisa nacional mostrar que 88% da população apoiava a medida. Por aqui, ainda não se fez esse tipo de pesquisa, mas acredito que, apesar de todas as diferenças econômicas e culturais entre os dois países, os resultados seriam semelhantes.
Apesar disso, neste momento, cabe aplaudir os pequenos avanços ocorridos ao final do ano passado, esperando que sirvam de sustentação para ações mais ousadas que levem ao final a resultados pelo menos próximos aos obtidos em países com a Suécia.
Fonte: Lalo Leal, para a RBA publicado 17/01/2016 20:05, última modificação 17/01/2016 20:06. http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2016/01/protecao-a-crianca-dos-efeitos-da-publicidade-comeca-no-berco-421.html

Governança Digital vai estimular a participação da sociedade nas políticas públicas

A Política de Governança Digital vai aprimorar o acesso à informação e estimular a participação da sociedade nas políticas públicas. Reunindo os 224 órgãos integrantes do Sistema de Administração dos Recursos de Tecnologia da Informação (Sisp) a Política foi instituída pelo governo federal semana passada. As regras estão no Decreto nº 8.638, publicado no Diário Oficial da União.

Entre os objetivos estão o uso da Tecnologia da Informação (TI) na prestação de serviços públicos, o estímulo à participação da sociedade nas políticas públicas e a ampliação do acesso à informação. O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MP) gerencia o Sisp.

“Trabalhamos desde o primeiro semestre de 2015 na construção dessa política pública. O foco das ações de TI será nas necessidades da sociedade, na priorização dos serviços públicos disponibilizados em meio digital”, explicou o secretário de Tecnologia da Informação, Cristiano Heckert. Outros princípios são o compartilhamento da capacidade de serviço; simplicidade; segurança e privacidade; participação e controle social; e inovação.

De acordo com a nova norma, o planejamento e execução de programas, projetos e processos relativos à governança digital pelos órgãos devem seguir diretrizes como o autosserviço na prestação de serviços públicos. “Queremos evoluir rapidamente para mudar a percepção do cidadão sobre o Estado, queremos deixar de ser um conjunto de repartições aos quais o cidadão tenha de se dirigir presencialmente para nos transformarmos numa presença disponível e acessível a partir dos canais digitais”, afirmou Heckert.

Outras orientações a serem seguidas são o oferecimento de canais digitais de participação social na formulação, na implementação, no monitoramento e na avaliação das políticas públicas e dos serviços públicos disponibilizados em meio digital; a publicação de dados em formato aberto; e o compartilhamento de informações entre as entidades sempre que houver necessidade de simplificar a prestação de serviços à sociedade.

Comitê de governança

Para a implementação da política, cada órgão deverá manter um Comitê de Governança Digital. O grupo será formado por um representante da secretaria executiva, outro de cada unidade finalística do órgão e o titular da área de TI. Esse comitê será responsável, por exemplo, pela elaboração do Plano Diretor de Tecnologia da Informação (PDTI) e também pelo documento de planejamento de segurança da informação e também cibernética.

EGD

A MP publicará, nos próximos dias, a portaria que criará a Estratégia de Governança Digital (EGD). A publicação definirá os objetivos estratégicos, as metas, os indicadores e as iniciativas da Política de Governança Digital e norteará programas, projetos, serviços, sistemas e atividades relacionados. O documento terá validade entre 2016 e 2019 para coincidir com a vigência do Plano Plurianual (PPA).

Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério do Planejamento
Foto: Dataprev

 
 
 

Os equívocos da Comunicação Pública sob a ótica liberal

O conceito de comunicação pública, quando parte da premissa de que emissor e conteúdo precisam afastar-se do Estado, é “deslocado, inconsistente e redundante”.
Ao criticar o conceito de comunicação pública apoiado no paradigma liberal, o cientista político Antonio Lassance descarta a noção de que para ser efetivamente aderente aos anseios da sociedade a comunicação social precisa ser “anti-Estado”.
Ex-integrante da equipe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República – Secom, gestão do ministro Luiz Gushiken, e atualmente no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, Lassance produziu um alentado artigo (“Comunicação Institucional do Poder Público”) que rompe com a visão tradicional de comunicação pública e convida para um olhar mais abrangente.
Segundo o pesquisador, quando o Estado é encarado quase como um oponente, o conceito de comunicação pública, além de deslocado, “porque não identifica claramente seu emissor”, apresenta-se como grave dissimulação: “a tentativa de maquiar a fonte da informação e os interesses que estão por trás daquela mensagem”.
Para Lassance, a comunicação do Estado deve ser reconhecida e identificada. “Na medida em que o público adquira confiança na mensagem recebida e possa livremente modular sua relevância, pode mais facilmente credenciar sua disseminação”, argumenta.
Além de dissimular ou negar o Estado como emissor de informações, o autor acrescenta que “o conceito de comunicação pública é inconsistente por ter seu núcleo formado por uma transposição incorreta do conceito de esfera pública para dentro da organização do Estado, o que contradiz a própria noção de esfera pública (HABERMAS, 1984). Habermas, por sinal, enfatiza a importância da opinião formada pelos canais informais (não estatais e não organizados burocrática e empresarialmente) de comunicação política (HABERMAS, 1992)”.
O pesquisador faz uma ressalva de que “a discussão até ganharia algum sentido se partisse da teoria da participação, que encontra certa de afinidade com a concepção habermasiana de esfera pública; ou se estivesse associada à teoria da democracia deliberativa (THOMPSON, 2002). Mas não foi assim que a ideia foi recepcionada no Brasil”, conclui.
Ao abordar de forma crítica o conceito liberal de comunicação pública, no qual só há legitimidade quando algo é proposto pela sociedade, o pesquisador do IPEA observa que “trata-se de um conceito redundante, posto que, a rigor, toda comunicação tem alguma dimensão pública. Ainda pior, ressalta, é a expressão “jornalismo público” (conforme alerta KUCINSKI, 2006). Todo emissor se dirige a algum público. Mesmo a comunicação pessoal tem um destinatário, um interlocutor, alguém que se constituiu em receptor daquela mensagem. Na era da autocomunicação de massa, mesmo os sentimentos e os humores mais íntimos tornam-se objeto de “comunicação pública”.
Confira a íntegra do artigo:Comunicação-institucional-do-poder-público
 

Torneiras abertas comprometem o futuro

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Quem tem o hábito de escovar os dentes com a torneira aberta desperdiça em torno de 10 litros de água. Mudar a atitude das pessoas é um desafio que leva em conta também as situações de sofrimento, em várias regiões do mundo, causadas pela escassez de água.

Durante o intervalo do Super Bowl,  dia 7 de fevereiro, nos Estados Unidos, a Colgate lançará uma campanha para tentar conscientizar o público sobre o impacto positivo que um simples ato – como fechar a torneira enquanto se escova os dentes – pode fazer para o meio ambiente.

Desenvolvido pela agência Y&R Peru, o anúncio Save Water mostra um homem que deixa a torneira aberta enquanto escova os dentes. Enquanto a água flui em sua pia, várias mãos aparecem para usá-la das mais diversas formas: desde encher uma tigela à lavar um alimento. Mas a intenção do filme fica realmente clara quando aparece a imagem de uma menina que estende a mão para beber a água, seguida de uma mensagem destacando que para cada pessoa que escova os dentes com a torneira aberta, são desperdiçados mais de 10 litros de água. Isso é mais do que muitas pessoas ao redor do mundo têm por mês.

E apesar do filme já ter sido veiculado na América Latina no último ano, a nova meta da campanha é que o filme atinja cerca de 100 milhões de pessoas durante o Show Bowl, especialmente os americanos – que desperdiçam, em média, quatro galões de água por dia enquanto escovam os dentes.

Fonte: Blog de Comunicação de Interesse Público da Nova/SB Comunicação. Saiba mais em www.comunicaquemuda.com.br/cada-gota-conta-colgate/

As limitações do media training

biblioteca1No mercado existe hoje “um formato massificado de media training que não atende as necessidades específicas das organizações. Grande parte dos treinamentos e as publicações sobre o assunto estão voltados para grandes empresas, pessoas públicas de grande influência e ainda que ocupam altos cargos dos governos estaduais e federais”, ressalta a jornalista Mariane Rezende. Embora atualizado pelo dinamismo do mercado de comunicação, os formatos clássicos do media training mostram “significativa lacuna e ausência de, opções de treinamento e dicas para porta-vozes e gestores de empresas pequenas, ou até mesmo de empresas familiares. Com certeza este mercado é bem mais amplo, carente de informações e orientações, mas permanece com demandas não atendidas”.

Estas são algumas das conclusões de Mariane Rezende Soares ao abordar o treinamento de porta-vozes no artigo A IMPORTANCIA DO MEDIA TRAINING NA CONSTRUÇÃO DE UMA RELAÇÃO EFICAZ COM A IMPRENSA.

Leia a íntegra do artigo.

Dom Pedro I, ruim de mídia

Revisão histórica indica que a bancada do atraso sempre foi bem ativa
País nascido de um desarranjo intestinal. Será este o nosso destino caricato? (Museu Paulista da USP)
País nascido de um desarranjo intestinal. Será este o nosso destino caricato? (Museu Paulista da USP)

A caricatura diz: mulherengo, violento, impulsivo, irresponsável (por melhor amigo tinha um fidalguete de sintomático nome: Chalaça), criado ao pé de uma avó louca e a distância por uma progenitora beata e viperina que iria odiar o próprio filho até a morte; português no Brasil, brasileiro em Portugal, aventureiro sem bandeira, que rompeu os vínculos da pátria-mãe com a colônia tropical num gesto impulsivo e gratuito, quando padecia de uma nada glamourosa diarreia às margens do riacho do Ipiranga, o que talvez tenha o dom de explicar para as gerações de hoje por que a nação então proclamada, o Brasil, ainda apresente tantos momentos que lembrem um desarranjo intestinal.

A verdade histórica corrige: ele era uma força da natureza, bom pianista e inspirado compositor, um sujeito de convicções e ideias, ainda que suficientemente astucioso para pressentir as armadilhas do poder, liberal por  inteiro, inimigo da escravidão, que ele combateu por escrito quando no Brasil (a já musculosa bancada ruralista impediu que o desejo do imperador chegasse à Constituiçãooutorgada de 1824) e que ele proscreveu de fato ao assumir o governo de Portugal no exílio, em 1832; um forasteiro que amou o Brasil mesmo a distância e um português que decidiu voltar à terra de origem ao doloroso custo de enfrentar pelas armas, em trágico desenlace freudiano, o seu irmão déspota e usurpador do trono para empossar a filha, Maria da Glória, de apenas 15 anos.

As reviravoltas que a historiografia dá, acentuada por uma nova biografia assinada por Paulo Rezzutti, do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, indicam duas aterrorizantes certezas a respeito de dom Pedro I (D.Pedro: A história não contada. Paulo Rezzutti, Editora Leya, 464 páginas, 59,90 reais.) . 

Primeiro, que a incipiente elite nativa, atrasada, reacionária, arraigada aos preconceitos, que só queria saber dos privilégios de casta e dinheiro, e que, por isso mesmo, acabou levando dom Pedro à abdicação, em 7 de abril de 1831, lembra muito o que se assiste hoje nas reuniões da Fiesp, para não falar dos simpósios do Instituto Millenium

Segundo, dom Pedro I, mesmo que ele próprio fosse um infatigável comunicador (assinava manifestos com pseudônimos, tais como Duende, Piolho Viajante, O Espreita ou Derrete-Chumbo-a-Cacete), tinha mídia ruim e, portanto, padeceu dos mal-entendimentos e da má-fé da chamada opinião pública, perseguido que foi pela imprensa de panfletos e pelos jornais conservadores, adeptos da restauração absolutista pós-Congresso de Viena, os quais, aliás, predecessores dos veículos oligárquicos de hoje, não entendiam que o mundo tinha mudado – e, quando entendiam, brigavam ferozmente contra as mudanças. 

Um cenário de turbulência sacudia o Brasil dos Bragança refugiados – e os vizinhos que desafiavam a Coroa espanhola. A volta de dom João VI a Portugal acirrou, na colônia, os rancores entre portugueses imigrados e brasileiros natos. Restauradores e renovadores se engalfinhavam na Europa, após o Congresso de Viena de 1815. A briga chegou aqui. Assim como o pai, dom Pedro I teve de se resignar ao aprendizado da negociação, cercando-se de oligarcas pretensamente esclarecidos, tais como aqueles da família Mesquita, perdão, Andrada, procedente de São Paulo (José Bonifácio, Martim Francisco e Antônio Carlos), a fina flor de um coronelismo travestido em fatiota moderninha que iria desaguar no PSDB.

A crítica moralista ao imperador garanhão ocultava o ódio político ao governante liberal. (Museu Imperial)
A crítica moralista ao imperador garanhão ocultava o ódio político ao governante liberal. (Museu Imperial)

Santo não foi, o filho dileto de dom João VI (outro que anda merecendo reabilitação das intrigas que fizeram dele um oportunista sinuoso, uma espécie de PMDBavant la lettre). Personalidade para lá de complexa e irrequieta, esse dom Pedro I, mas é curioso observar, num inacreditável contraponto com aquele monocórdico filho que deixou como imperador do Brasil aos 5 anos de idade, como ele veio a perder a batalha da respeitabilidade e do apreço público. Comparado com a figuraça que foi o pai, o segundo dos imperadores de nome Pedro era um boboca. Nunca entendeu o Brasil. Além daquelas barbas que foram embranquecendo, criando a moldura de governante paternal e bonzinho, e além da fama bem industrializada de amante das inovações, dom Pedro II conseguiu a cumplicidade da elite tosca mercê da circunstância de não lhes ameaçar as benesses. Na pior das hipóteses, um e outro cartunista ironizava sua balofa alienação.

Dom Pedro I, ao contrário, foi perseguido pelos porta-vozes do status quo e, onde quer que fosse, não apenas no Brasil e em Portugal, não merecia trégua. Travestida em crítica moralista, era no fundo, no fundo, uma perseguição político-ideológica. Não havia internet ou redes sociais, mas o ódio já fermentava em libelos anônimos, até mesmo em peças devaudeville. Não é de hoje que o Brasil é esse rancor todo. Bem que o próprio dom Pedro facilitou as coisas para as candinhas adversárias. A incontrolável testosterona de garanhão transbordou, é verdade, na escandalosa relação com a concubina paulista Domitila de Castro Canto e Mello, a idolatrada Titília, a quem o primeiro imperador culminou de cartas melosas (assinadas como “Demonão” e “Fogo Foguinho”), poemas obscenos e uma incomum honraria nobiliárquica: nomeou-a viscondessa e, depois, marquesa de Santos. 

Com status de amante oficial, Domitila mudou-se para a Corte, família a reboque (igualmente aquinhoada com vistosos privilégios). Porém, o que atormentou a hipocrisia dos carolas – naquela sociedade na qual, da cavalariça ao trono, dos cortiços aos salons, os homens tratavam as mulheres como um submisso adereço de seu patrimônio – foi o detalhe meio sórdido de o imperador ter feito de sua amante a camareira da imperatriz Lepoldina – de forma a ter sempre por perto, até mesmo em longas viagens, como a que fez à Bahia em 1826, o confortável ménage à trois. À grosseria do marido-garanhão, Leopoldina, née Caroline Josephine Leopoldine von Habsburg-Kothringen, respondia, em público, com aquela superioridade altiva de quem se educou como arquiduquesa e filha de imperador (Francisco I da Áustria), mas, na intimidade, ela sofria (as cartas à irmã desabafavam a humilhação). De mais a mais, a imperatriz amava o marido – e era, ao modo dele, amada pelo marido.  

Leopoldina morreu aos 29 anos, na capital tropical infestada por pestilências e naquele palácio da Quinta da Boa Vista que parecia um cortiço se comparado ao Schönbrunn de Viena, onde ela pela primeira vez viu a luz. Se é que Domitila ainda sonhava em obter ainda mais legitimidade do que aquela que já tinha, ao lado do imperador, a morte da, digamos, rival teve efeito contrário. Premido pela urgência de se casar novamente, no quadro das alianças geopolíticas necessárias ao então regente do reino de Portugal e imperador do Brasil, dom Pedro enviou emissários aos plantéis dinásticos da Europa, mas, antes deles, já haviam chegado as intrigas propagadas pelos diplomatas em função no Rio, dando conta das estripulias extraconjugais do proponente. Foi tal a dificuldade que dom Pedro, para aplacar as futricas, despachou Domitila e prole de volta para São Paulo. Só quem ficou na Corte foi Isabel Maria, filha do imperador com Domitila, a qual, num de seus arrebatamentos típicos, dom Pedro reconheceu como legítima e elevou, ainda criança, à condição de duquesa de Goiás. 

Quase dois anos se passaram até que o marquês de Barbacena conseguisse, enfim, assinar, em Munique, representando o imperador, o tratado de casamento com Amélia de Leuchtenberg, princesa da Baviera e neta de Josephine de Beauharnais, segunda mulher de Napoleão Bonaparte. O “príncipe afogueado” – nas palavras de um de seus inclementes biógrafos, Otávio Tarquínio de Souza – recomendara que, entre três outros atributos apreciáveis (ter berço, ser culta e virtuosa), a candidata apresentasse como requisito sine qua non a beleza. “Ela é bela e esse é o seu menor predicado”, entusiasmou-se o enviado. Dom Pedro aprovou a escolha e se aquietou no novo leito conjugal. Acabaria cabendo a Amélia a dura tarefa de acompanhá-lo de volta a Portugal e na espinhosa missão de arejar o trono português – surrupiado pelo irmão Miguel com apoio dos absolutistas espanhóis e dos saudosos da Santa Aliança – com os ares do liberalismo constitucional. 

O agora duque de Bragança, que havia renunciado ao trono brasileiro, encontrou em Luís Felipe d’Orléans, o rei de uma França enfim liberal, um frère d’intelligence e um parceiro de ideias esclarecidas, tanto que Sua Majestade tratou de alojar dom Pedro e família no suntuoso castelo de Meudon, vizinho a Versalhes. A esfuziante Paris parece ter despertado o mundano adormecido em dom Pedro e logo ele se mudaria para um casarão na cidade, a fim de ter à mão o camarote real da Opéra Comique. Lá conheceu o compositor Gioachino Rossini, que lhe presenteou com partituras autografadas do Barbeiro de Sevilla e, por gentileza protocolar ou por respeito verdadeiro, acabaria por reger uma abertura musical de autoria do brasileiro. 

A imprensa que tanto atormentara dom Pedro no Rio faria o mesmo em Paris. Os jornais que se opunham impiedosamente ao governo de Luís Felipe – num espectro que ia dos restauradores bourbônicos aos republicanos radicais – logo passaram a atacar o protegido dele. Apelidaram-no de Don Perdu (Dom Perdido). Alegavam que a música do ex-imperador fora um dos principais motivos de o povo brasileiro exigir sua abdicação.  E que, para conquistar Portugal, bastava a dom Pedro tocar a sua música, que faria os soldados do irmão Miguel saírem correndo.

Com o apoio mascarado dos ingleses e sem precisar entoar melodia alguma, o duque de Bragança desembarcou com suas tropas no Porto, em 9 de julho de 1932, tomou Lisboa um ano depois e assinou, em 26 de maio, a Convenção de Évora-Monte, que pôs fim à guerra fratricida e selou a vitória dos liberais. Nem teve tempo para festejar. Em setembro, o libertador de dois mundos falecia em Queluz, o palácio onde nascera 35 anos antes. 

A batalha da posteridade continuaria a importuná-lo após a morte, agora com a determinante ajuda dos ideólogos do republicanismo à brasileira. Só para se ter uma ideia, quando os restos mortais de dom Pedro I e dona Leopoldina foram exumados do sarcófago no Museu do Ipiranga, em São Paulo, em 2012, os legistas decidiram checar se estava tudo bem com a ossada da imperatriz. Na crônica peçonhenta dos maledicentes do passado, sussurrava-se que, num dia de destempero, o imperador arremessara a consorte escada abaixo. A tardia autópsia inocentou, porém, o sempre visado vilão. 

*Fonte: Carta Capital http://www.cartacapital.com.br/revista/879/ruim-de-midia-1800.html

“Spotlight”: a imprensa quebrou a cultura do silêncio

Somente ao se comprometer com o sofrimento de inocente, o jornalismo produziu denúncias que abalaram a autoridade da Igreja Católica. 
João José Forni*

A estreia do filme “Spotlight – Segredos Revelados” nesta semana, não é apenas a exibição de um grande filme. Com tudo que um bom roteiro e uma boa direção podem fazer. É, antes de tudo, uma aula de jornalismo. Principalmente pelo tema escolhido: a crise da Igreja Católica com o escândalo sobre pedofilia nos Estados Unidos.
É uma oportunidade de ver como o jornalismo investigativo, ancorado numa editoria corajosa e comprometida, com uma equipe profissional de alto nível, consegue enfrentar o poderoso lobby de uma instituição poderosa e secular. Mostra a força da imprensa se digladiando com a da Igreja e da sociedade local, católica e conservadora, que fingia não saber o que acontecia nos porões da diocese de Boston. O filme retrata um momento ímpar do jornalismo; mas protagoniza também um soco impiedoso e sem escrúpulos no estômago da Igreja.
Spotlight recupera o trabalho de uma equipe de jornalistas do The Boston Globe, jornal de Boston (EUA), no começo dos anos 2000, sobre denúncias, surgidas ainda de forma muito tímida, de abusos sexuais envolvendo religiosos da Igreja Católica. Boston sempre foi uma cidade de tradição católica. O foco era um padre que tinha sido investigado anos antes e continuava atuando na Igreja, apesar de 130 relatos de abusos em menores, sem que nenhuma providência tivesse sido tomada.
Segundo o jornal britânico The Guardian, “o filme mostra que, na confraria sociável da mui leal e católica cidade de Boston, ninguém tinha grande interesse em quebrar o enjoado silêncio, cheia de vergonha, que tornou possível a cultura de abusos de padres e religiosos da Igreja Católica e, mesmo que de forma sutil, o filme sugere que o Boston Globe em si foi uma das instituições de Boston também afetadas pelo pecado da omissão. O jornal tinha provas ou denúncias de abusos 10 anos antes de a investigação retratada no filme começar. Mas de alguma forma havia um pacto não declarado para minimizar e “congelar” a história, que não andou. O que levou um novo editor, de origem judaica, e um repórter, ambos de fora de Boston, a iniciar as coisas” e provocar a direção do jornal.
O Boston Globe foi a primeira publicação mundial a denunciar a cúpula da Igreja, no início de 2002, de ter acobertado dezenas de padres acusados de molestar crianças e adolescentes. Na época, quando João Paulo II era o Papa, a mídia internacional repercutiu as reportagens do Boston Globe, mas a Igreja pareceu ainda não ter entendido a gravidade das denúncias. Pareceu surda e muda ante os depoimentos que foram aparecendo. O próprio cardeal americano, o todo poderoso Bernard Law, foi exposto ao se revelar documentos que comprovavam sua omissão diante das evidências de abusos por parte de padres da diocese.
Após a divulgação do escândalo, ainda se passaram 11 meses para o Papa João Paulo II aceitar sua renúncia. Ele foi afastado da diocese, mas recebeu uma “severa promoção”, como pároco de uma das igrejas-símbolo do Catolicismo, a Basílica de Santa Maria Maggiori, uma das quatro basílicas maiores de Roma. Ele só foi “punido” publicamente, muitos anos depois, em março de 2013, quando o recém eleito Papa Francisco visitou a Basílica e, ao vê-lo, não escondeu o constrangimento, dizendo que não “gostaria que Law frequentasse a Igreja”.
O escândalo revelado no início de 2002 pelo Boston Globe não foi suficiente para a Igreja Católica agir rapidamente. A cúpula da Igreja demorou a tomar providências sobre as acusações. Só acordou quando vítimas de abusos, por todo o mundo, foram para a Justiça, o que redundou em milhares de ações judiciais contra várias dioceses. Somente em Boston, até 2014, US$ 85 milhões foram pagos em indenizações; em Los Angeles, US$ 730 milhões; em Orange, US$ 100 milhões. Uma organização de bispos americanos estima que mais de US$ 3 bilhões foram pagos em indenizações a vítimas de pedofilia nos últimos anos, após o escândalo ser denunciado pelo Boston Globe.
Os depoimentos das vítimas nos Estados Unidos – dezenas de adultos que tiveram a coragem de denunciar – possibilitou que a partir daí milhares de pessoas que passaram em igrejas, colégios, abrigos, em vários países, saíssem das sombras, contando como foram abusadas, resultando num dos maiores escândalos da história da Igreja Católica. O ápice ocorreu por volta de 2010, quando na Irlanda, Espanha, Portugal, Alemanha e até mesmo no Brasil começaram a pipocar denúncias em cadeia. Revelou-se, então, o maior erro da Igreja, ao acobertar os acusados, transferindo-os de diocese, de igrejas, de cidades, onde eles continuavam com os abusos. Não havia registro policial; não havia punição. É desses erros que Bento XVI, depois, sob muita pressão, quando o escândalo tomou dimensão bem maior, em 2010, teve que pedir desculpas.
Spotlight tem o mérito de trazer para o cinema não apenas um episódio vergonhoso, que manchou a história da Igreja Católica, mas como o trabalho da imprensa, pela obstinação de alguns jornalistas, foi capaz de implodir um sistema hierárquico corrompido, conivente e autoprotegido. A sociedade sabia, muitos pais conheciam os abusos, a mídia também tomou conhecimento. Mas essa poeira, bastante indigesta para a hipócrita sociedade de Boston, foi varrida para baixo do tapete. Poucas vozes tiveram coragem de cutucar o vespeiro da Igreja. Alguns advogados, que aparecem no filme e ajudaram o trabalho da reportagem. Até a polícia se fechou. Prevaleceu durante anos a cultura do silêncio, inclusive com o respaldo das autoridades eclesiásticas e de Roma.
O excelente trabalho do diretor Tom McCarthy mostra como a cortina foi rasgada. O Papa Bento XVI teve que abordar o espinhoso tema e lamentar, porque, após as denúncias, não foi mais possível fingir que não sabia ou minimizar a gravidade dessa crise. Os tempos são outros. Mas há 13 anos, época de ambientação do filme Spotlight, o tema era considerado tabu, intocável. Esse o grande papel dos jornalistas, que mergulharam na reportagem, e da publicação, que lhes deu respaldo e condições de apurar, mesmo enfrentando resistência da sociedade, dos advogados, das fontes, de algumas vítimas, dos acusados, das autoridades e, no início, até da direção do jornal, sem falar no boicote ostensivo da Igreja local.
É nesse momento que a obstinação, o faro do jornalista e o trabalho investigativo brilha com toda a força, conseguindo levar de roldão toda uma estrutura criada para esconder os abusos. Passados 13 anos do acontecimento e cinco de quando o escândalo tomou dimensões globais, certamente que a Igreja Católica sai chamuscada desse filme. Mas, não há dúvidas, o jornalismo sai engrandecido.
É por isso que segundo o The Guardian, “este é um filme honrosamente destinado a evitar o sensacionalismo e a evitar o mau gosto envolvido, o que implica que os jornalistas, e não os sobreviventes de abuso infantil, são as pessoas realmente importantes aqui”.
O jornal americano ganhou o prêmio Pulitzer em 2003, com a cobertura. O filme está muito bem cotado para ganhar o Oscar. A Associação de Críticos da ‘América’ votou nele como melhor filme do ano e o Sindicato dos Produtores indicou o longa de Tom McCarthy para seu prêmio, que será outorgado em 23 de janeiro.
 
* João José Forni, professor de comunicação pública e comunicação das organizações, é especialista em comunicação e gestão de crises. Editor do site Comunicação &Crise.  Artigo publicado em http://www.comunicacaoecrise.com/site/index.php/artigos/891-spotlight-a-imprensa-quebrou-a-cultura-do-silencio
 
 

Informação e comunicação sobre pobreza: um debate oportuno

Ao discutir pobreza e desenvolvimento o especialista  José Marques de Melo , professor Emérito da USP /Diretor da Cátedra Unesco/ UMESP de Comunicação,  ressalta a desigualdade no campo do acesso aos bens simbólicos, especificamente no direito à informação. O tema foi abordado no programa Pobreza e Desigualdade, série de entrevistas do Canal Futura.

Com foco no direito do cidadão à informação, à participação e no dever do Estado de prestar contas de suas ações, foi criada a Associação Brasileira de Comunicação Pública - ABCPública.