E se o problema também estiver no lado do público?

Quem é de fato o leitor contemporâneo? E será mesmo que o cliente sempre tem razão? Com a proposta de “nem canonizar o leitor e nem isentar a imprensa de erro”, o jornalista Leonardo Rodrigues oferece outra abordagem para a crise da mídia.

A imprensa e os meios de comunicação vivem dias difíceis. Em época de quebra de paradigmas, a classe assiste a uma tendência de demissões de colegas, fechamento de jornais, revistas e rádios, ao aumento da desconfiança em detrimento da credibilidade e, principalmente, à falta de rumo.
Os tempos são árduos, não apenas para entender, mas explicar, ou ainda propor direções que possam reverter o quadro. Análises se multiplicam quase na mesma velocidade que problemas. Porém, há um certo ponto de partida velado, uma linha de raciocínio no inconsciente dos comunicadores: a canonização do leitor. Pode ser algo herdado de um pensamento comercial, em que o mote é “o cliente sempre tem razão”. Mas, a verdade é que o
esforço em buscar um horizonte ensolarado para a mídia parte sempre da mesma premissa.
E se o problema estiver na demanda? Afirmar pode ser precipitado, mas descartar também pode ser um erro. Fique à vontade em discordar, mas, por favor, não me condene a um extremo: canoniza-se o leitor ou isenta-se a imprensa de erros. Nenhum, nem outro. A ideia é observar por outro prisma.
Não foram apenas as ferramentas e estruturas dos veículos de comunicação que mudaram. Não se trata apenas de uma escala de evolução traduzida em um infográfico que apresenta pinturas rupestres, escritas em carvão, papiro, máquina de escrever, até ao smartphone. Claro, os meios mudaram, mas o processo base da comunicação (emissor e receptor), não. Lógico que há ruídos e outros elementos, mas a base é a mesma.
O receptor é diferente. Perfil, mentalidade, forma de processar a informação, bagagem de conhecimento já são outros. O que era singular, se pluralizou. Se antes destacava-se quem acumulava conhecimento, hoje, é quem seleciona e foca no que entende ser pertinente.
A queda na busca por informação pelos canais tradicionais potencializa a criação de novos meios, que em “tentativa e erro” comprovam sua eficácia. Mas há algum indício que possa traçar o perfil do leitor contemporâneo?
Em 2014, a pesquisa “Argumentação, Livro Didático e Discurso Jornalístico, Vozes Que se Cruzam na Disputa pelo Dizer e Silenciar” atestou que alunos brasileiros não sabem argumentar. A dificuldade desta geração seria em expor ideias, sustentar pontos de vista próprios em redações e criar teses que se tornam tarefas árduas para os estudantes do Ensino Médio.
A pesquisa serviu como tese de mestrado para a pedagoga Noemi Lemes na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. Ela analisou livros didáticos e redações produzidas por alunos do terceiro ano do Ensino Médio de escolas públicas. Foi constatado que a dificuldade está, em grande parte, ligada ao modo como os materiais de apoio abordam a argumentação, usando quase exclusivamente como exemplos produções da imprensa.
“Quase sempre é apresentado um único texto jornalístico sobre determinado assunto, expressando um ponto de vista que os alunos tendem a reproduzir”, explica. A conclusão não condena a imprensa exclusivamente, mas destaca sua influência. Esse novo leitor não pode ser considerado apenas fruto de experiências e más escolhas da mídia, como um Frankenstein.
Antes, o problema também passa pela Educação. Na pesquisa, especialistas apontaram que a ausência, nas escolas, de embasamento teórico mais profundo como um dos responsáveis por esse processo de causa e efeito. Segundo a autora, Noemi sugere mesclar ciência, filosofia e literatura como um caminho mais consistente na formação de educandos (e consequentemente de novos leitores).
Outro trabalho acadêmico, concluído em 2012, indica que mais da metade dos universitários são analfabetos funcionais. Segundo a pesquisa da Universidade Católica de Brasília, mais de 50% dos cerca de 800 estudantes avaliados sofrem com o analfabetismo funcional. Não conseguem compreender o que leem.
Universitários de seis cursos diferentes em quatro faculdades foram avaliados. A pesquisa analisou modo de estudar, o tempo de dedicação, características socioculturais e formação. A conclusão é que muitos universitários entram na faculdade sem ter o hábito de estudo, aprenderam o conteúdo de forma superficial, costumam decorar ao invés de entender e muitos são analfabetos funcionais.
Novos produtos de qualidade no mercado de mídia não dependem apenas do desenvolvimento de tecnologias. Passam também por uma reforma educacional com o objetivo de erradicar a ignorância. Assim, quem sabe, a imprensa possa ser cobrada por trabalhos com profundidade, e não apenas porque leitores possam estar insatisfeitos por estarem inchados com informações de redes sociais.
***
Fonte: texto de Leonardo Rodrigues, jornalista e chargista. Observatório da Imprensa, 27/02/2016, edição 891. http://observatoriodaimprensa.com.br/crise-na-imprensa/e-se-o-problema-tambem-estiver-no-lado-do-publico/

Boas práticas: ouvir o povo nos postos de atendimento

O cidadão poderá dar sua opinião diretamente nos postos de saúde e unidades hospitalares de Fortaleza. Uma caixa coletora vai ser instalada em todo o sistema de saúde.
A caixa coletora funciona como instrumento de avaliação da unidade por meio do qual o cidadão pode manifestar sua opinião, fazer sugestões, elogios ou críticas. As demandas recebidas passam por quatro etapas: análise, encaminhamento, acompanhamento e resposta ao cidadão. Serão instaladas 122 caixas coletoras. Para ampliar a qualidade do programa, a Ouvidoria vem desenvolvendo atividades de sensibilização com os gestores das unidades, objetivando expor a importância do novo canal de comunicação.
Criado pela Secretaria Municipal da Saúde de Fortaleza o programa desenvolvido pela Ouvidoria “Caixa Coletora” é mais um canal entre o cidadão e a gestão. A iniciativa teve início no Hospital Distrital Gonzaga Mota – José Walter (Gonzaguinha). A caixa coletora vai ser instalada nas demais unidades hospitalares e, depois, levada também aos postos de saúde.
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foto: Secretaria da Saúde de Fortaleza.
Para a ouvidora em Saúde da SMS, Dayse Fuques, o programa tem o objetivo de coletar a opinião do cidadão sobre o serviço recebido. “Com as caixas coletoras, teremos a oportunidade de conhecer as impressões dos usuários quanto ao serviço oferecido e buscar melhorar e atender os anseios da população”, destacou.
A Ouvidoria desenvolve programas como “Saúde atende você”, “Net saúde”, “Birô da cidadania”, “Ouvidores integrados” e “Ouvidoria proativa”, que geraram, em 2015, 19.415 demandas, resultando um índice de 74% de satisfação do cidadão. Desde a reestruturação da Ouvidoria em 2013, por meio de seus programas foram abertas 45.862 demandas, tendo uma resolutividade de satisfação de aproximadamente 80%. A população também pode falar com o órgão pelo telefone 0800 275 1364.
A instalação das caixas coletoras seguirá no Hospital Distrital Maria José Barros de Oliveira, (Frotinha Parangaba), Hospital Dra. Zilda Arns (Hospital da Mulher), Centro de Assistência a Criança Lúcia de Fátima (02/03) e Hospital Nossa Senhora da Conceição (16/03).
Fonte: Assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal da Saúde de Fortaleza – 26/02/2016 – http://www.fortaleza.ce.gov.br/sms/noticias/saude/secretaria-municipal-da-saude-abre-mais-um-canal-de-comunicacao-com-comunidade

Governo de Brasília lança novo portal de atendimento ao cidadão

A subchefe de Interação Social, da Comunicação Institucional e Interação Social do Governo do DF fala sobre a atualização do portal

 
computer-506756_1280O novo portal do Governo de Brasília foi lançado nesta terça- feira (23) e tem como foco oferecer serviços para a população. Para falar sobre o assunto, o Revista Brasília convidou a subchefe de Interação Social, da Comunicação Institucional e Interação Social do Governo do Distrito Federal (DF), Adriana Caetano.
Ela diz que foi feita uma pesquisa aprofundada em portais de vários países, estados e prefeituras do Brasil para identificar o que não estava atualizado. A subchefe conta que esse trabalho durou cerca de sete meses e foi feito pelos próprios funcionários do governo. Ela explica que foi identificado que as pessoas estavam buscando serviços. Então, Adriana Caetano esclarece que foi necessário focar em serviços, porque essa seria a necessidade da população.
Entre as mudanças, a subchefe diz que a primeira que o cidadão vai perceber é a aparência: “a gente fez um trabalho de design bem aprofundado para ficar mais bonito, mais atraente, mais moderno e mais amigável, ou seja, tudo você encontra com mais facilidade”, esclarece.
Ela conta ainda que o novo site do governo do DF tem informações como telefones de polícia, oFale com o Governo, serviço de busca, história de Brasília, dados atualizados sobre o DF.
Clique aqui para conhecer o novo site.
Fonte: Agência Brasil

Veja dicas para ter sucesso no crowdfunding

Cresce o número de projetos jornalísticos financiados coletivamente, diz pesquisa
O Ministério da Justiça brasileiro começou a investigar a General Motors do Brasil após uma reportagemmostrar casos de explosões em carros. Uma nova empresa de mídia lançou seu site na Venezuela,oferecendo uma nova fonte de informação independente para os cidadãos daquele país. Na Argentina,uma organização de checagem de informação pode cobrar políticos e outras figuras públicas aocomparando as suas declarações com a realidade dos fatos.
Estas iniciativas poderiam não ter sido lançadas se não tivessem tido a ajuda do financiamento coletivo – oucrowdfunding. A ferramenta tem sido usada cada vez mais no mundo e tem permitido a viabilização de maisprojetos jornalísticos, segundo uma pesquisa publicada em janeiro pelo Pew Research Center.

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Projecto Público de Reportagem do site de notícias digitais brasileiro Agência Pública. (Printscreen da campanha)

De acordo com os dados analisados pelo Pew, na plataforma Kickstarter, 17 projetos jornalísticosreceberam aporte em 2009, número quase triplicado no ano seguinte, quando a plataforma teve 64iniciativas bancadas pelo público. O aumento continuou, com 168 projetos financiados em 2014, e 173 nosnove primeiros meses de 2015.
Ainda de acordo com apesquisa, o número depessoas que apoiaram essasiniciativas também aumentou– de 792 em 2009 para 25,6 mil em 2015. A maioria dosprojetos jornalísticos doperíodo era independente(71%), sem ligação com umaempresa de mídia específica.
Na América Latina, projetosde mídia independente têmusado a estratégia definanciamento coletivo paraobter apoio de leitores econseguir realizar projetosespecíficos de reportagem.
Dos 111 projetos listados com a classificação ‘jornalismo’ no site brasileiro de crowdfunding Catarse, 57 foram completamente financiados – a maioria postada nos últimos dois anos.
Para Natalia Viana, codiretora da brasileira Agência Pública, o financiamento coletivo é uma estratégia“essencial”. O veículo fez a primeira campanha em 2013, e colocou os doadores no conselho editorial, ouseja, eles participaram da definição das pautas. A segunda campanha, em 2015, arrecadou mais dinheiro eestá ainda publicando as reportagens financiadas.
“É um terreno que está crescendo no Brasil e é muito promissor. O crowdfunding tem a vantagem que não éuma ‘compra’ de um produto. É um apoio coletivo a uma causa – no nosso caso, o jornalismo investigativo”,disse ela em entrevista ao Centro Knight para o Jornalismo nas Américas.
“É uma campanha, mesmo, precisa engajar centenas de pessoas, fazer um planejamento meticuloso. A principal vantagem é que ela não é só uma estrategia de financiamento: é uma maneira de engajarpessoas na sua organização e com o jornalismo que você produz.”
Outro projeto que usou a ferramenta de financiamento coletivo é o Efecto Cucuyo. Criado pela jornalista Luz Mely Reyes para viabilizar o jornalismo independente na Venezuela, o Efecto Cucuyo realizou uma campanha no começo de 2015, juntando 35% do objetivo final em dólares.
O site de notícias digitais da Venezuela Efecto Cocuyo usou a plataforma IndieGoGo para angariar milhares de dólares. (Printscreen de campanha)
O site de notícias digitais da Venezuela Efecto Cocuyo usou a plataforma IndieGoGo para angariar milhares de dólares. (Printscreen de campanha)

Mas, com a valorização do dólar nos meses seguintes, o valor quase dobrou na moeda local. “O que deu certo foi a visibilidade da proposta nacional e internacionalmente. Também tivemos investimento de venezuelanos em outros países e aqui […] A conexão dos doadores com a causa também é muito importante. O custo da aprendizagem é que fizemos toda a campanha internamente, com o pouco conhecimento que tínhamos e, portanto, não empregamos todas as  ferramentas que poderiam ter gerado maior impacto”, disse Luz Mely em entrevista ao Centro Knight.
Já os argentinos do projeto de checagem de informações Chequeado estão mais confortáveis com a estratégia de crowdfunding, depois de terem passado por três campanhas bem sucedidas. O grupo não depende do financiamento coletivo para se sustentar – eles contam com aportes de empresas, com cooperação internacional e vendem ainda notícias a veículos de comunicação.
“A estratégia é boa porque permite ser autônomo. E se alguém um dia para de lhe apoiar, não significa ofim do meio. Também o crowdfunding implica trabalho. Na Argentina não há muita cultura de apoio. Muitasvezes o resultado não é imediato. Implica uma estratégia de comunicação, contatos com aliados, etc”,explica Laura Zommer, diretora executiva em entrevista ao Centro Knight.
Conselhos para uma campanha de sucesso
A Agência Pública listou em um texto publicado em 2014 os aprendizados com as campanhas definanciamento coletivo e dicas para ter o projeto bem sucedido. Uma delas é ser honesto e “transparenteem relação a metas, intenções e uso do dinheiro.”
Laura Zommer recomenda que se defina claramente a mensagem a ser comunicada. “É preciso que fique claro o porquê de estarem pedindo dinheiro e é importante que haja transparência com os fundos, que mostrem a equipe e as pessoas que estão trabalhando. Uma outra recomendação é que não se imponham projetos hiperambiciosos, mas sim objetivos modestos que permitam o êxito.”
Luz Mely diz que é importante “investir na criação de uma narrativa que permita a possíveis doadores conhecer a história e as razões da iniciativa”. Depois, ela recomenda localizar um público chave, organizar uma carta ou vídeo de apresentação e buscar apoio não apenas financeiro. “Muito de nossa repercussão foi devido a colegas, amigos e pessoas que nem nos conheciam nos ajudaram a divulgar a proposta de maneira gratuita”.
Por fim, Luz Mely diz que “é preciso estar preparado para falar, contar, contatar e voltar a falar, contar e contatar.”
Fonte: Journalism in the Americas

Estudo analisa impacto de peças publicitárias no consumidor

 o produto é resultado de uma pesquisa de dois anos
o produto é resultado de uma pesquisa de dois anos

A criação de uma estratégia de comunicação geralmente é feita a partir de uma visão subjetiva.
O profissional que desenvolve a peça publicitária – o emissor – deve ser capaz de compreender as necessidades e desejos do consumidor e, a partir disso, projetar qual seria o impacto de sua mensagem sobre esse receptor.
No entanto, o real impacto da comunicação, que determinará seu sucesso ou fracasso, só pode ser avaliado depois que a informação é absorvida pelo próprio receptor.
Pensando nisso, a Forebrain, empresa especializada em neuromarketing, acaba de lançar o maior estudo sobre o tema produzido no Brasil, o BRAIN 500.
O produto é resultado de uma pesquisa de dois anos, baseada na neurociência do consumo, que avaliou como os consumidores foram estimulados e reagiram a mais de 500 anúncios.
O objetivo do estudo é aproximar marcas e consumidores por meio de estratégias de comunicação eficientes, que só são possíveis quando o receptor da mensagem é influenciado efetivamente. Todos os comerciais analisados ficam disponíveis em uma plataforma online, chamada BRAIN Analytics, que permite a análise e comparação de filmes publicitários e criação de insights de comunicação.
Por meio de técnicas neurocientíficas, foram mensuradas as reações inconscientes de mais de 1200 consumidores.
O estudo traz aprendizados sobre o que faz o consumidor prestar mais atenção na mensagem, quais formatos podem aumentar a memorização do comercial, ou mesmo como criar anúncios capazes de provocar uma resposta emocional mais impactante nos consumidores.
Segundo Billy Nascimento, co-CEO da Forebrain, a comunicação é caracterizada em sua maior parte por estratégias de comunicação unilaterais, onde não há uma resposta direta do receptor. Ainda assim, a publicidade apresenta claramente expectativas com relação a um retorno do consumidor ao medir indicadores como intenção de compra, recall, brand awareness e market share.
“Quando analisamos as respostas neurais dos consumidores frente a uma peça publicitária, podemos entender, de fato, como ele decifra os códigos enviados pelo anunciante, sem intermediários”, explica Billy..
Para conhecer melhor o BRAIN 500, a empresa disponibilizou um trial do estudo, composto por seis cases, disponível para download aqui.

Fonte: Exame

Ação contra pedofilia é tão perturbadora quanto pede o tema

Para alertar os pais sobre os perigos que seus filhos podem correr ao navegar na internet, a organização Save the Children criou uma ação que tem como base imagens tão perturbadoras quanto o tema.
Assinada pela Young & Rubicam Mexico, a campanha não deixa dúvida a respeito do que quer alertar: a pedofilia. As peças falam por si só e ainda conta com um dado alarmante sobre o problema. “No México, 1 em cada 7 crianças são vítimas de abuso sexual online. Cuidado com os predadores”.
Confira abaixo:
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Fonte: Exame

Marketing no setor público

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A proposta do marketing social é atuar para promover mudanças sociais ou difundir e defender ideias. Mas quais parâmetros são adotados quando é necessário avaliar as ações e apurar resultados?  
De autoria de Paulo Ricardo dos Santos Meira, Cristiane Pizzutti dos Santos e Douglas Pinto Mafra, a obra “Marketing Social: Aplicações e Métricas no Setor Público” tem dupla proposta: discutir os principais conceitos teóricos do marketing social e proporcionar instrumentos para o administrador público, com diferentes abordagens de reflexão ética sobre sua prática.
O livro aborda as formas de conhecimento em marketing e percorre a origem e evolução do pensamento em capa_mkt_socialmarketing social, sem deixar de apontar aspectos éticos da área. Com olhar para o dia a dia dos gestores, o conteúdo mergulha na avaliação de resultados, proposição de uma estrutura de avaliação de programas sociais, branding em marketing social e  endobranding. As novas fronteiras do marketing social (como parcerias e redes sociais) estão presentes também no percurso.
Sob a premissa do uso eficiente dos recursos públicos, a proposta central do livro consiste em oferecer subsídios técnicos e teóricos aos gestores e pesquisadores, de diferentes esferas de atuação pública (federal, estadual e municipal), em relação ao planejamento e à execução de programas de marketing social.
Os autores acumulam ampla experiência acadêmica e atuação no setor público. Paulo Ricardo Meira é Doutor em Marketing pelo PPGA/Universidade Federal do Rio Grande do Sul, (UFRGS) e Analista do Senado Federal. Cristiane Pizzutti dos Santos é Doutora também pela UFRGS, com pós-doutorado na HEC-Montreal. É professora da Escola de Administração da UFRGS . Douglas Pinto Mafra é Bacharel em Administração pela mesma UFRGS e Pós-graduação em Gestão de Políticas Públicas pela FGV. É servidor do Detran/Rio Grande do Sul.
Conexão Pública conversou com um dos autores, Paulo Ricardo dos Santos Meira.
 
Não soa estranho o termo “marketing social” num contexto político que engloba as relações do Estado com a sociedade (e vice-versa), uma equação complexa, baseada na legitimidade dos conflitos, na construção de regras democráticas e instituições que asseguram leis, direitos e fortalecimento da cidadania?
Paulo: O termo “marketing social” foi cunhado no início dos ano 70 – mais precisamente em uma edição do Journal of Marketing em 1971 – para diferenciar o marketing tradicional (destinado ao êxito comercial de produtos tais como sabonete ou shampoo) do uso de marketing para promover a mudança social planejada, ou seja, a venda de ideias (desde que em prol de grupos ou coletividade). O livro aborda alguns dilemas éticos que porventura surgem tanto em relação à ideia social (o “produto” vendido) até questões éticas ligadas ao público-alvo e sua segmentação. Mas há usos “acima de questionamentos”, tal como uma campanha de vacinação infantil, onde é consenso de todos (ciência, governo e sociedade) sobre sua importância e legitimidade.
Pode exemplificar algumas métricas válidas e adequadas para o setor público?
O livro apresenta um esquema estrutural de avaliação dividido didaticamente entre avaliação de input (diagnóstico, inicial), processo (avaliação formativa) e resultados (avaliação somativa). Apenas como exemplo, a categoria de INPUT (prévia ao programa de marketing social) envolveria um processo constituído de várias fases.
Quais seriam?
Inicialmente, com a identificação do problema, problema este que possa ser respondido por uma “oferta” social. Em seguida, a questão de mérito: validade ou relevância do programa, sob a perspectiva de combate ao problema identificado. Também é fundamental a análise de custos e recursos disponíveis: o programa pode não ser viável em um determinado momento. Outros pontos abordados incluem a segmentação do público-alvo que pode ser feito pela necessidade da ação, ou pelo perfil psicográfico (demográfico e estilo de vida). Atenção deve ser dada ao que chamamos de “concorrência social”, ou seja, avaliação de comportamento concorrente, ou de informações contrárias à desejada. Igualmente relevante é a avaliação do momento político: em determinados períodos, se próximo a eleições, por exemplo, as campanhas podem ser mal interpretadas. O processo inclui, ainda, detectar o nível de conscientização do problema, o grau de propensão à mudança ou adoção e avaliação ética do planejamento do programa, com discussão dos possíveis impactos e consequências.
A obra está disponível em: http://livraria.senado.gov.br/

A imagem institucional de uma universidade pública brasileira ao longo do tempo

O artigo “A imagem institucional de uma universidade pública brasileira ao longo do tempo: um estudo de caso sobre construção e gerenciamento da marca” de Jorge Luiz Lordêlo de Sales Ribeiro e Antônio Virgilio Bittencourt Bastos da Universidade Federal da Bahia examina a imagem da universidade pública brasileira analisando notícias veiculadas na imprensa, e as formas de gerenciamento da marca através de informações contidas nos arquivos da própria universidade.
Confira aqui o artigo

Comunicação governamental: o local como foco de análise

O maior mérito da comunicação com o cidadão é contribuir para garantir direitos na rotina e na vida diária das pessoas. 
Organizado pela professora Mariângela Furlan Haswani, o livro Comunicação governamental: o local como foco de análise (Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, ECA-USP, São Paulo, Brasil, 2015) reúne vários autores em torno do tema e das diversas práticas da comunicação governamental.
Na introdução da obra, Mariângela Haswani, professora do Departamento de Relações Públicas da ECA-USP, relembra que “a expressão ‘comunicação pública’ tem três possíveis definições, que envolvem pontos de vista distintos: o da origem da formulação das mensagens e sua emissão – neste caso, exclusivamente o Estado; o da finalidade – aqui, principalmente as organizações do terceiro setor e o do objeto que, quando é o interesse geral, pode ter origem no Estado, no Mercado e no Terceiro Setor”.
Para a especialista, a classificação acima, de Paolo Mancini (2008), “abre um horizonte teórico abrangente para a comunicação pública, permitindo centenas de derivações, que vão das ações organizacionais privadas às decisões do poder estatal constituído. Aqui, o leque de possibilidades avança, também, nos três poderes estabelecidos na Constituição Federal brasileira de 1988 – Executivo, Legislativo, Judiciário – e nos três níveis desses poderes: Federal, Estadual e Municipal”.
Na perspectiva de que a comunicação pública, a ser exercida por poderes federais ou locais, é uma garantia da Carta Magna, o livro transita por abordagens de comunicação vinculadas à experiência local. “Na prática, o ambiente local é o mais próximo e palpável pelas pessoas. A rua de casa, o posto de saúde, o mercado municipal, o ônibus dos destinos diários: tudo é parte do dia a dia, da intimidade de todos nós. Se qualquer aspecto da vida local falhar, inviabiliza toda a nossa rotina ou parte dela; acarreta, no final das contas, desrespeito a um ou mais direitos”, explica.
O papel da comunicação governamental, sob a ótica da proximidade com o cidadão, bem como os desafios conceituais e os dilemas dos gestores que atuam no Executivo, Legislativo e Judiciário, são as reflexões centrais presentes no livro.
O tema implica, também, discussões em torno do direito à informação e do papel social da mídia. Viviany De Pianti (autora de “Comunicação e Democracia: compreendendo teoria e realidade”), aponta para um debate necessário: “em tempos de transformação, qual será o deadline dos controladores da mídia? Por quais terrenos circulam seus planos e quais são as chances desse modelo de democracia conseguir sustentar por muito mais tempo uma comunicação que não segue a lei, a lógica e nem a vontade da maioria?”.
 Leia mais aqui
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Além do artigo de Viviany De Pianti, o livro tem os seguintes textos:

  • A esfera pública virtual: o virtual como legítimo espaço público no século XXI, de Alexandre Augusto Giorgio.
  • Comunicação pública: Rio+20 e a questão da resiliência aos desastres naturais, de Iara Maria da Silva Moya.
  • Lei de Acesso à Informação: elementos para uma discussão sobre discurso, poder, acesso e comunicação organizacional em órgãos públicos, de Marcus Vinicius de Jesus Bonfim.
  • Grupos de interesse organizados, de Perolah Caratta Macêdo Portella Silveira.
  • Divulgação e comunicação institucional da USP — como tornar a comunicação mais pública, de Adriana Neves Cruz / Eliete da Rocha Viana.
  • Marketing público ou comunicação pública. Eficácia ou falácia?, de Antônio Peres
  • A divulgação de informações produzidas pela Faculdade de Saúde Pública da USP por meio de notícias, de Carlos A. Teixeira / Lucas P. Bonanno.
  • Comunicação governamental como alimento da comunicação eleitoral: o caso das gestões petistas em Guarulhos, de Elaides Basilio Andrelino.
  • A educação paulista: o potencial comunicativo da Internet na divulgação de informações da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, de Francine Altheman.
  • O olhar da comunicação pública sobre a experiência do Orçamento Participativo, de Jamile Coutrim Dalri.
  • A ouvidoria da EBC e o desafio da participação, de Jorge Pereira Filho.
  • Gestão do Trânsito — Rumos da mobilidade na metrópole Paulistana, de Valdenete Gomes de Moraes.
  • No desenvolvimento do turismo regional — Uma questão de direitos e oportunidades de deliberação, de Patricia Guimarães Gi.
  • Assessoria de Comunicação Governamental: uma análise da realidade teórica e prática, de Simone da Silva Labres.
  • O caso “Reaja Piracicaba” — Internet e mobilização no contexto local, de Victor Kraide Corte Real.
  • Cacique Social, de Wisney Martins de Souza.

 

Para brasileiro, corrupção é um problema dos outros

 
Pesquisa do Instituto Data Popular revela atitudes corruptas diárias, mas que não recebem a devida importância
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Operação Lava-jato, Petrolão, dinheiro em cueca de político, propina… O tema corrupção ganhou espaço na agenda e nos pensamentos dos cidadãos. O problema é que, para o brasileiro, o corrupto sempre é o outro. Foi isso que uma pesquisa do Instituto Data Popular revelou ao perguntar para 3.500 pessoas, em 146 cidades, se elas já tinham cometido alguma atitude ilícita ou conheciam alguém que já tivesse. Os resultados mostram que, mesmo cometendo ações ilícitas no dia-dia, o brasileiro não admite o mau comportamento.
Confira o vídeo.

 
Fonte: Época

Pessoas dão informação pessoal na internet de forma "negligente e ingênua"

Comissão de Proteção de Dados avisa que é cada vez mais fácil “roubar a identidade” porque “as pessoas disponibilizam” demasiada informação

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A Comissão de Proteção de Dados alertou este domingo que as pessoas disponibilizam informação pessoal na internet de forma “negligente e ingênua”, como o fazem também empresas e entidades públicas.

Num ano em que a CNPD elegeu como de combate à usurpação de identidade, Clara Guerra, coordenadora do serviço de informação e relações internacionais, avisa que é cada vez mais fácil “roubar a identidade” porque “as pessoas disponibilizam” demasiada informação na internet.

Criando uma identidade falsa podem ser abertas contas bancárias, fazer-se empréstimos ou compras. Clara Guerra diz que o roubo de identidade para fins ilícitos sempre existiu, mas lembra que “antigamente quando havia um roubo quase sempre se recuperavam os documentos”, o que não acontece hoje, porque “há um mercado de documentos”.

Com a internet os criminosos tiveram a vida facilitada, afirmando a responsável que é fácil num motor de pesquisa aceder a listas com nomes associados ao número do cartão de cidadão ou de identificação fiscal.

“Hoje a internet é um meio fértil para recolher informações”, há “muitas empresas e entidades públicas que divulgam informação pessoal” e, por vezes, alegando transparência, “publica-se na internet”, diz Clara Guerra, exemplificando com o Ministério da Educação, que durante anos publicava na internet, “em página aberta”, listas de professores com os números dos bilhetes de identidade associados.

“Divulgar o número do bilhete de identidade/cartão de cidadão não é correto”, há informação disponibilizada com boa intenção “mas que é violadora e pode ser usada de forma abusiva por terceiros”, avisa.

A internet “representa um repositório muito grande de informação pessoal e, por isso, há riscos acrescidos”, diz a responsável da CNPD, acrescentando que as redes sociais vieram ainda piorar a situação. E conta que, ao contrário do que se poderia pensar, os jovens estão mais sensibilizados para o problema do que os adultos, “que facilmente partilham informações pessoais que lhes podem sair caras”.

Clara Guerra dá como exemplo a rede social Facebook, que dá uma “falsa sensação de segurança”, e adianta: “antigamente as pessoas preservavam os contactos, os amigos, mas hoje expõem a sua rede, dizem com quem se relacionam, o tipo de relações, a família, os amigos, os colegas de trabalho”.

As pessoas não têm a noção de que aquilo que colocarem nas redes sociais pode influenciar na obtenção de um emprego e também expõem em demasia os filhos, disse a responsável, lembrando um acórdão do Tribunal da Relação de Évora e que a revista semestral da CNPD (Fórum de Proteção de Dados) cita.

Neste acórdão, os juízes impuseram aos pais o dever de se absterem de publicar nas redes sociais fotografias ou informações identificando a filha, afirmaram que proteger a imagem e a vida privada é tão importante como promover o sustento, a saúde a educação dos filhos, que “não são coisas ou objetos pertencentes aos pais e de que estes podem dispor a seu bel-prazer”.

O acórdão cita várias normas para dizer que há “um perigo sério e real adveniente da divulgação de fotografias e informações de menores nas redes sociais”.

No início do mês a PSP também já tinha alertado que os pais não devem de publicar fotografias das caras dos filhos, a localização ou os nomes, avisando que uma fotografia que se publica na internet é para sempre.

A proteção de dados pessoais é um direito fundamental consagrado na Constituição (artigo 35) e que completa 40 anos a 02 de abril.

Para evitar o adágio “depois de casa roubada trancas à porta”, a CNPD, na sua página na internet, faz um teste para avaliar o grau de vulnerabilidade face aos ladrões e deixa conselhos de proteção.

Fonte: Diário de notícias

Como os brasileiros consomem mídia no Brasil

A televisão segue como o principal meio de penetração nos lares brasileiros, com uma diferença: 37% das pessoas dá atenção a ela e a internet ao mesmo tempo.
Entre os telespectadores, cresceu 77% o número dos que pagam para assistir canais a cabo no país, de 2010 para 2015. A maior parte deles é da classe A e B e tem entre 25 e 44 anos.
Essas mudanças de hábitos estão no estudo Target Group Index, da Kantar IBOPE Media, sobre o consumo e tendências de produtos, serviços e mídia dos brasileiros.
Confira a seguir os principais dados apurados na pesquisa:
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Fonte: Exame

Com foco no direito do cidadão à informação, à participação e no dever do Estado de prestar contas de suas ações, foi criada a Associação Brasileira de Comunicação Pública - ABCPública.