Frente ampla na política e “mea culpa” na comunicação: a entrevista de Lula à mídia independente de Pernambuco


Mesmo com as traições partidárias que tiraram Dilma Rousseff da Presidência da República, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva defende a formação de mais uma frente ampla para que o PT e a esquerda voltem a governar o Brasil a partir de 2019. Ele rebateu as críticas à sua aproximação com o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e José Sarney (PMDB-MA). “Quando um partido político como o PT procura fazer essas alianças é porque ele tem clareza de que sozinho não consegue ganhar as eleições e se ganhar não consegue governar sem maioria no Congresso Nacional”.
A declaração do ex-presidente, que teve repercussão nacional, foi dada em entrevista à mídia independente de Pernambuco numa edição especial do programa Fora da Curva, durante a passagem de sua Caravana pelo Estado. A conversa com jornalistas da Marco Zero Conteúdo, Fora da Curva, Terral Coletivo de Comunicação Popular e Associação Nacional de Radiodifusão Comunitária (Abraço) teve transmissão ao vivo pela Rádio Universitária 99,9 FM e AM 820 e streaming de áudio distribuído para mais de 2 mil rádios comunitárias de todo o país. Na Internet, alcançou mais de 400 mil visualizações.
Lula lembrou as três eleições consecutivas que perdeu para a presidência da República (89, 94 e 98) para justificar a necessidade de o PT buscar o máximo de apoio partidário para a disputa eleitoral. Em 2002, ele decidiu superar a barreira dos 30% de votos por meio da aliança com setores do empresariado, o que se consolidou com a escolha de José Alencar para o cargo de vice-presidente. “Eu é que não queria ter um partido como o Partido Comunista Italiano, que durante 30 anos era considerado o melhor partido comunista do ocidente, mas não passava de 30% dos votos. Aqui no Brasil para você ganhar tem que ter 50% mais um dos votos”.
Movimentos sociais e eleição parlamentar
Para Lula, a autonomia política da esquerda vai crescer na medida em que as forças populares conseguirem ampliar sua força eleitoral, aumentando a representação no Poder Legislativo. “O povo, as entidades, os movimentos sociais, a CUT, o MST, os sem-teto, os estudantes, os movimentos de mulheres, o movimento LGBT têm que pensar que, se todo mundo se organizar para conseguir que a gente eleja uma maioria de deputados comprometidos com algumas transformações, aí a gente não precisa fazer aliança”.
O ex-presidente fez uma distinção entre a necessidade de aliança para vencer uma eleição presidencial e a necessidade de aliança para garantir a governabilidade dentro do Congresso Nacional, lembrando que o PT elegeu 91 deputados em 2002 para um universo de 513 parlamentares. “Para ganhar uma eleição você nem precisa muito de aliança. A Dilma em 2010 precisava de aliança política porque ela precisava de tempo de televisão para se tornar conhecida e mostrar o que tinha feito. Em 2014, a Dilma já não precisava de aliança desse ponto de vista. Acontece que se você não faz aliança, todo mundo vai para o outro lado e aí fica difícil. Para ganhar você não precisa fazer tanta aliança. No meu caso, por exemplo, que sou mais conhecido do que nota velha de 1 real”.
O problema, segundo Lula, é a base de apoio que o partido vencedor vai garantir no Congresso. “Se você ganhar e tiver 300 deputados e 50 senadores, ótimo. Agora se eu ganhar e tiver 10 senadores e 70 deputados vou ficar refém do Congresso Nacional. Você tem que procurar buscar alianças mesmo que não sejam acordos definitivos, sejam acordos programáticos. Você precisa fazer alianças pontuais. Se eu mando uma medida provisória para regular os meios de comunicação, alguém no governo precisa conversar com os deputados, eu preciso construir uma maioria para votar. E eu não posso conversar com suplente, com quem não tem voto. Ou com um cara muito bom que não tem voto. Eu tenho que conversar com o cara de direita que tem voto”.
Na opinião de Lula, é preciso que setores de esquerda estabeleçam metas para eleger bancadas fortes. Ele disse que tem conversado com vários segmentos cobrando esse tipo de planejamento. O ex-presidente citou o exemplo do movimento sem-terra, que possui três representantes no Congresso contra 140 da bancada ruralista. “Quando eu criei o PT imaginei que trabalhador votava em trabalhador, mas não é assim. O voto não é uma equação matemática, é o despertar da consciência política da sociedade. Então eu estou convencido de que aliança política é necessária”.
Relação com Renan, Sarney e Renata Campos
Na entrevista, Lula foi questionado sobre a aproximação dele com o senador Renan Calheiros, que apoiou publicamente o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff. Renan e o seu filho Renan Filho, governador de Alagoas, foram os principais anfitriões da Caravana de Lula em sua passagem pelo estado nordestino. Na resposta, Lula foi claro sobre a gratidão que tem ao senador alagoano. “Vou te falar uma coisa. O Renan pode ter todos os defeitos, mas ele me ajudou a governar esse país. Se ele cometeu algum erro… eu sou da opinião que todo mundo é inocente até prova em contrário”, disse, referindo-se às investigações da Operação Lava-Jato.
entrevista Lula
A entrevista exclusiva à mídia independente de Pernambuco aconteceu no Hotel Atlante Plaza, em Boa Viagem, na manhã da sexta-feira (25), antes de a comitiva seguir para o município de Ipojuca onde realizou evento em defesa do setor naval. Na noite da quinta-feira (24), o ex-presidente teve um longo encontro com a cúpula do PSB de Pernambuco. Ele jantou na casa de Renata Campos, viúva do ex-governador Eduardo Campos. Entre os convidados estavam o governador Paulo Câmara e o prefeito Geraldo Julio. Os dois apoiaram o impeachment de Dilma e deram sustentação política ao governo Michel Temer. A bancada do PSB na Câmara depositou 29 dos seus 32 votos pelo afastamento de Dilma.
Lula pediu aos ouvintes que não confundissem a sua relação política com a relação pessoal. “Eu nunca rompi politicamente para romper no nível pessoal. Amizade é uma coisa, política é outra. Todo mundo aqui sabe da minha relação com Eduardo Campos, todo mundo aqui sabe da minha relação com a família desde o tempo de Arraes e dona Madalena. Eu quero manter essa relação independentemente do partido que eles forem, da posição política”.
Sobre as notícias nas redes sociais de que a sua ida ao Maranhão estava causando tremenda dor de cabeça aos organizadores para compatibilizar as agendas com o governador Flávio Dino (PCdoB) e com a família Sarney, arqui-inimigos locais, Lula foi taxativo: “Eu sou grato ao Sarney. É importante dizer que eu sou grato ao Sarney como presidente do Senado. Teve um tempo em que as pessoas queriam que eu rompesse com o Sarney e eu ia ganhar de presente (como presidente do Senado) o Marconi Perillo (atual governador de Goiás, do PSDB). Você vai deixar de ter um tubarãozinho manso para ter um tubarão novo te mordendo até o pé?”.
O crescimento da representação da esquerda no Congresso é a chave para mais autonomia, segundo Lula, mas a decisão final cabe sempre ao eleitor no momento solitário do voto. “Quando o assunto é aliança, você precisa medir essa decisão em cada momento. Você não precisa fazer acordos definitivos, pode fazer em cima de cada projeto. Eu gostaria que a esquerda tivesse mais força, que o PC do B elegesse 50 ou 60 deputados, que o PSOL elegesse mais 50 ou 60. O PSTU elegesse 50 ou 60. A esquerda do PMDB elegesse 80… Eu queria, mas quem vota é o eleitor. E quando o eleitor vota, nós temos que nos subordinar aos desejos das urnas”.
Mea culpa na comunicação
Demanda histórica de amplos segmentos da esquerda brasileira, a regulamentação da mídia também foi tema da entrevista. A cobertura parcial da mídia corporativa no processo de impeachment de Dilma e das investigações da Lava-Jato, se posicionando claramente como um ator político, tornaram a regulação um consenso no campo da esquerda para a garantia da pluralidade e diversidade de opiniões e na defesa dos valores da democracia.
Lula começou sua fala reconhecendo que os governos do PT poderiam ter realizado mais nesta área. “Eu começo fazendo um mea culpa porque eu acho que nós poderíamos ter feito mais e não fizemos no que diz respeito à regulação dos meios de comunicação. Era um pouco uma visão menor sobre a necessidade”.
Revelou que era frequente a atuação de setores políticos ligados ao governo para evitar a regulação. “É preciso dizer que tem sempre aqueles que vêm conversar conosco dizendo que precisamos sentar e tomar um café com o José Roberto Marinho (vice-presidente do Grupo Globo), que você precisa almoçar com a Folha ou almoçar com a Veja. Que o problema é a falta de diálogo. Ora, o problema não é nada disso. Não é de falta de diálogo. Eu hoje tenho muito convencimento disso”.
Lula lembrou da realização da primeira Conferência Nacional de Comunicação em 2009, com ampla participação dos movimentos sociais defensores do direito à comunicação, e de como, a partir da Confecom, foi produzido um projeto de lei com as principais propostas aprovadas pelos delegados. O projeto caiu não mãos do ministro das Comunicações de Dilma, Paulo Bernardo, em 2011, mas nunca foi enviado ao Congresso Nacional para apreciação e votação. “Certamente a companheira Dilma não mandou por alguma decisão, por alguma orientação”, disse Lula.
Compromisso de honra com a democratização dos meios
“O fato concreto é que nós não mandamos para o Congresso Nacional e o fato é que  eu tenho agora como um compromisso de honra de que nós vamos fazer a regulação”. Mas, para o ex-presidente, o desejo de um futuro governo de esquerda de encaminhar o projeto de democratização dos meios de comunicação precisa estar atrelado à construção e sensibilização de uma maioria no Parlamento. “Obviamente, isso vai estar vinculado à correlação de forças que nós vamos ter no Congresso Nacional. Precisamos nos dar conta de que as reformas que a gente quer fazer estarão intimamente ligadas à capacidade que a gente tenha de convencer a sociedade a dar ao presidente que for eleito uma força dentro do Congresso Nacional capaz de encaminhar as mudanças, senão vai ficar tudo só no discurso”.
Lula enfatizou a importância de que a esquerda valorize a disputa ao Legislativo e associe essa disputa à governabilidade do Executivo. “Não adianta ficar xingando o Congresso Nacional, dizendo que não presta. Os deputados e senadores que estão lá representam a cara do povo brasileiro no dia da eleição. O povo foi votar com aquela cara. Parimos aquilo. Depositou ódio na urna e colheu aquilo lá. Plantou vento, colheu tempestade…É preciso que durante o processo eleitoral a gente diga claramente o que a gente quer desse país para que o deputado que vai ser votado tenha um compromisso com a gente, porque senão ele não vai ter compromisso nenhum com o projeto quando chegar lá no Congresso”.
A entrevista de Lula à mídia independente, que durou mais de 1 hora, foi acompanhada durante todo o tempo pela presidenta nacional do PT, senadora Gleise Hoffmann (PR). Durante a transmissão, a ex-presidenta Dilma Rousseff chegou ao hotel para acompanhar a agenda de Lula em Pernambuco e foi convidada pelo líder petista a participar da conversa ao vivo.
O golpe para enquadrar o Brasil no neoliberalismo
Dilma chamou a atenção para o fato de que o golpe não tinha por objetivo o impeachment em si, mas a imposição de uma agenda de longo prazo de perda de direitos. “Esse golpe não se traduz num ato. Nós sabemos o retrocesso que eles estão impondo. Essa maluquice que é limitar por 20 anos os gastos com educação, a lei de terceirização, a reforma trabalhista que, na verdade, é a destruição das relações de trabalho reguladas no Brasil. O reino da selvageria. O objetivo é enquadrar o Brasil econômica, social e geopoliticamente no neoliberalismo”.
Segundo Dilma, a partir do “golpe sem crime de responsabilidade”, houve um imenso desequilíbrio entre os poderes, com conflitos entre o Ministério Público e o Judiciário,  a extrema politização do próprio Poder Judiciário, a antecipação de sentenças pelos juízes, a “compra aberta de votos no Parlamento”.
entrevista Dilma
Essa divergência e esses conflitos nascem, na opinião da ex-presidenta, porque as forças políticas que impulsionaram o impeachment não têm segurança sobre sua capacidade de tomar o poder nas urnas em 2018. “Todo esse processo tem uma razão de ser: eles não têm um bom candidato para 2018. Eles hoje praticam algo que considero extremamente grave que é a justiça do inimigo para cima do ex-presidente Lula. O objetivo é destruir civilmente como cidadão, moralmente, uma pessoa. Quando um procurador diz que não tem provas, tem convicções, nós voltamos à idade média”, afirmou em referência à apresentação do já famoso power point do procurador da Operação Lava-Jato Dalton Dellgnol incriminando Lula.
“Estamos vivendo o segundo momento do golpe que é o de tirar a alternativa progressista, popular, do jogo. Mas não basta só isso”, alerta.
A reforma política em tramitação no Congresso Nacional é o meio pelo qual, na visão de Dilma, as forças políticas pró-impeachment estão se articulando para permanecer no poder. “Eles querem agora discutir o parlamentarismo por uma terceira vez e, além disso, querem o tal do distritão. O parlamentarismo é sempre uma saída conservadora em momentos de ruptura institucional. Foi assim com Jango, foi assim depois da Constituição de 1988. E obviamente é uma tentativa dos sem-voto de permanecer para além de 2018. E tem mais: a tentativa de nos varrer da face da terra que é o distritão. Porque quem ganha com o distritão é quem tem dinheiro, quem tem poder. É obvio que lá no final nós vamos derrotar o distritão porque o povo não vai aceitar uma representação montada completamente em cima do poder econômico e da mídia e das oligarquias tradicionais”.
O momento para Dilma é de unir forças no campo da esquerda e resistir. “Agora nós temos que fazer o que o ex-presidente Lula disse. Temos que resistir, mas não somos só nós aqui sentados nessa mesa.  Quem tem de entrar nesse processo de resistência são os jovens, são todos os segmentos populares que estão contrários a tudo isso que está acontecendo. Que percebem a que esse golpe veio, para que ele foi feito, a quem ele beneficia. Está tudo muito claro”, afirmou lembrando da exclusão de mais de 1 milhão de pessoas do Bolsa Família e do recém anunciado pacote de privatizações do governo Temer, incluindo a Eletrobrás.
A entrevista concedida aos jornalistas Paulo Reis (Fora da Curva), Laércio Portela (Marco Zero Conteúdo), Débora Britto (Terral Coletivo de Comunicação Popular) e ao radialista Wagner Souto (Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária) foi considerada histórica pelos comunicadores. Pela primeira vez, os ex-presidentes Lula e Dilma falaram ao vivo e de forma exclusiva para veículos independentes da mídia regional, rádios comunitárias e do sistema de comunicação pública.

Fonte: Marco Zero

Agência nordestina escancara o assédio na publicidade

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A cada hora 503 mulheres são violentadas no Brasil, segundo o Datafolha. Desse modo, a cada minuto mais de oito delas são vítimas de violências. Se engana, ou se esforça para não ver, quem pensa que tais atitudes acontecem só em casa ou longe de nossos olhos. No ambiente de trabalho elas também ocorrem. Questionadas sobre assédio em lugares públicos, 40% das mulheres com mais de 16 anos dizem já ter sofrido esse tipo de agressão. No entanto, 66% dos brasileiros falam que presenciaram agressão física e verbal no último ano.
Tido como um lugar com maior liberdade e respeito às diferenças, o mercado publicitário ao invés de se tornar palco desta necessária discussão, parece também ignorar tantos números e casos. Preocupadas com todo esse cenário alarmante, as mulheres da agência TagZag de João Pessoa não se calaram e criaram uma plataforma para expor tudo o que sofrem diariamente.
Nomeado de “Esse Case é Foda”, o projeto brinca com a predileção que o pessoal tem por cases de sucesso na propaganda e faz com que ele seja impactado por um assunto que nem todos querem se lembrar. Pois, como dito no início do texto, nesse um minuto de leitura mais uma mulher foi violentada em algum lugar do país e provavelmente você já se esqueceu disto.
Para escancarar toda essa triste realidade, a agência paraibana realizou uma pesquisa nos 9 estados da região, com 200 publicitárias. Nela, entre outros números, é demonstrado que 71% das profissionais da área já sofreram assédio no trabalho. Confira abaixo o resultado de toda essa pesquisa:





Divulgada organicamente numa espécie de “boca a boca virtual”, a ação completa conta postagens nas redes sociais, envio de cartazes para agências do Nordeste e relatos que expõem o que as profissionais da área sofrem rotineiramente. Veja abaixo a confissão que chega a chocar por ser tão direta e ao mesmo tempo tão próxima:

Para entender toda a abrangência da estratégia que consegue tratar de um assunto vergonhoso com criatividade e disrupção, batemos um papo com Carol Crozara, head de digital da TagZag. As ilustrações criadas pelas colaboradores da agência para a plataforma ilustrarão a entrevista.

Qual a história das criadoras do trabalho?
Aqui na agência tem bastante menina engajada na causa feminista, então o assunto sempre estava na pauta. Somos de diversos departamentos e diferentes localidades também: tem mineira, goiana, paraibana, paulista e, independente do mercado, o assunto sempre surgia. Muitas de nós somos amigas acima de colegas de trabalho, então isso facilita encontrar uma pauta em comum.
Por quê o nome “Esse Case é Foda”?
O “foda” tem dois sentidos, né? A gente utiliza quando acha algo muito incrível e quando acha algo muito ruim, então quisemos brincar com isso para despertar a curiosidade do pessoal. Lançamos um teaser falando dos cases mais foda do Nordeste e, quando entrava no hotsite, a pessoa via que estávamos falando de assédio. Publicitário adora cases e, por estarmos conversando com esse público, tivemos liberdade de utilizar termos específicos do mercado e deixar a linguagem mais direta.

Você sofreu preconceito ou dificuldades para viabilizar o projeto?
Especificamente por causa do projeto não. Sofro preconceito e dificuldades todos os dias. hahaha É muito difícil ser mulher na nossa sociedade e a luta feminista é algo que defendo muito, então regularmente tenho embates e discussões sobre isso. Talvez por estar nessa luta sempre, não vi uma reação diferente pela criação do projeto. Nós encontramos muito apoio das meninas e percebi um mercado que está desesperado por mais igualdade.

Maria Guimarães, do meia cinco dez, também é nordestina. Há alguma ligação entre a região e a gana por expor as violências contra as mulheres?
Acho que o movimento de expor as violências contra as mulheres está super em alta, independente do estado. Ainda bem. As pessoas têm falado mais sobre isso, as mulheres têm lutado mais e estamos aceitando cada vez menos a realidade que sempre nos foi imposta. Um exemplo disso é que a campanha mapeou apenas as publicitárias do Nordeste, mas estamos recebendo contato de meninas de todo o país se identificando com a causa e com as situações que expomos.

Como tem sido a resposta das agências aos dados apresentados?
Extremamente positiva. As pessoas sabem que aquilo é uma realidade, porque as pessoas vivem isso. Não estamos contando um grande segredo, só estamos escancarando algo que muitas vezes fica velado. Acho que as publicitárias se viram com voz e, por isso, receberam tão bem a campanha. Recebemos muito apoio dos homens também. Estamos em uma sociedade bastante machista e a discussão é necessária. Acho que o primeiro passo da campanha foi dado, que é fazer as próprias agências olharem para dentro e repensarem seus ambientes. Afinal, somos nós que produzimos o material que acaba impactando a sociedade como um todo. Se estamos em um ambiente tão machista, a publicidade acaba sendo machista e retratando a mulher da forma errada.

Há intuito de continuidade deste trabalho?
Sim. Igualdade de gênero no mercado de trabalho é uma luta, e lutas não podem parar. Tivemos um embrião dessa campanha ano passado, quando mapeamos apenas o mercado de João Pessoa e publicamos um 360 no Facebook com alguns dados. Este ano já quisemos entender a realidade do Nordeste todo, e foi muito bem recebido. Ainda não sabemos o que vamos fazer ano que vem, mas sei que não podemos ficar paradas.
Fonte: ADNEWS
 

Ao 'fugir' da disputa da comunicação, governos populares deram espaço ao golpe

Para gestores e analistas em debate do Centro Barão de Itararé, os erros da esquerda que deram brecha ao golpe e à surra nas urnas em 2016 continuam sendo cometidos pelas gestões progressistas
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A “regressão civilizatória” por meio do desmanche do pouco que se conquistou no país em termos de direitos sociais é fruto da derrota da esquerda brasileira e dos governos democráticos e populares na disputa da comunicação. A análise é do presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, Altamiro Borges, o Miro, durante o painel que discutiu o papel das secretarias de comunicação, na tarde deste sábado (26), já no encerramento do seminário Os desafios da Comunicação nas Administrações Públicas, em São Luís, Maranhão.
“Subestimamos a comunicação. Tivemos avanços no segundo mandato de Lula, mas com Dilma houve retrocesso nessa disputa. E pelo jeito, não aprendemos nada com essa derrota”, disse. A conclusão, segundo ele, está no desinteresse das mais de 300 prefeituras de todo o país comandadas pelo PT, PSB, Psol, PCdoB e Rede que não manifestaram disposição para debater o tema neste primeiro seminário, que contou com apoio do governo de Flávio Dino, no Maranhão. “Um horror. Não fazemos a disputa. Para se ter uma ideia  há sites desatualizados há tempos; sem campo para contatos, telefones, nada. Parece que queremos continuar apanhando”, disse.
Para ele, há experiências interessantes, como as apresentadas neste mesmo seminário que começou na noite de sexta-feira (25) e se estendeu ao longo de todo o sábado. Entre elas, a do município de Maricá, no Rio de Janeiro, que constituiu uma equipe multidisciplinar na área de comunicação que formula estratégias para todos os meios de comunicação disponíveis para informar as ações, serviços e políticas da gestão – desde rádios de poste e carro de som até programas de TV em canais nas redes sociais. E a prefeitura fluminense confirmou apoio para a realização do segundo seminário para voltar a debater a comunicação e gestão pública.
Outro bom exemplo é o do Maranhão, que revitalizou a rádio estatal Timbira, que já é a segunda mais ouvida no estado, e investe no fortalecimento das rádios comunitárias, entre outras ações. O pioneirismo da gestão do petista Jaques Wagner, na Bahia, que além de derrotar nas urnas a oligarquia de Antonio Carlos Magalhães (ACM), encarou o desafio de realizar a conferência estadual de comunicação e de ter criado o primeiro Conselho Estadual do setor sob o comando do engenheiro à frente da pasta Robinson Almeida (PT), atual deputado estadual.
“Mas em geral as experiências são muito negativas; foi uma dificuldade impressionante convocar esse evento. Temos aqui representantes de dez estados. Era para ter muitos gestores aqui. A impressão que dá é que as secretarias de comunicação estão ainda seguindo o modelo tradicional, para mexer com publicidade e fazer assessoria de imprensa. E das mequetrefes. Acho que vamos ter de repensar tudo isso e dar contribuição ao processo. Precisamos debater mais e ver mecanismos para envolver mais a sociedade para que não se confunda mais liberdade de expressão com liberdade de monopólio”.
Lembrando que os recursos empregados por gestores em publicidade são públicos, o que é legítimo, Miro defendeu a democratização na distribuição dessas verbas. Para ele, não apenas os veículos de maior circulação ou audiência devem ser contemplados. Mas também os pequenos, como forma de incentivo para o fortalecimento da diversidade e da pluralidade na comunicação.

Além de novos seminários, Miro propõe a formação de um grupo para troca de experiências de gestões já a partir da próxima semana, e uma agenda de debates nos dez estados que tiveram representação em São Luís.

Aparelho midiático

A última mesa do seminário em São Luís teve a participação do ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência durante o governo Lula, Franklin Martins, do ex-secretário de Comunicação do Estado da Bahia e atual deputado Robinson Almeida (PT-BA), e Sandra Recalde, da equipe de comunicação da prefeitura de Maricá.
Franklin Martins, que considera não haver receita pronta para comunicação na gestão pública – cada caso é um caso –, acredita que há na esquerda muito político que ganha a eleição e esquece que tem pela frente a disputa da comunicação e que a oposição tem todo o seu aparelho midiático em defesa de sua agenda e interesses. Ele lembrou que Lula, no começo do governo, dava poucas entrevistas e amargava “derrotas de 5 a zero” para a oposição e todo seu aparato hegemônico.
Destacou que os governos têm de estar preparados para o enfrentamento do massacre midiático. “A verdade só prevalecerá se for exposta em cada ambiente político, em cada disputa, em cada momento, até vencer”. E que o partido, ou a coligação, não podem ser inocentes e achar que a oposição, por meio da mídia, terá boa vontade. “Nessa conjuntura atual, é considerado inimigo todo aquele que está ao lado do povo. Por isso tem de ser destruído.”
Para Robinson Almeida, é preciso entender que os gestores vão lidar com a mídia tradicional, tornando-se assim clientes. “Isso empodera o gestor, que vai sentar à mesa para negociar. Então a aplicação das verbas publicitárias precisa atender a critérios técnicos, mas também a critérios políticos e institucionais”.
Na sua avaliação, os governos petistas erraram ao permitir a manutenção da lógica de concentração econômica dos meios ao não encaminhar os resultados da Conferência Nacional de Comunicação realizada em 2009. Entre outras coisas, a conferência defendeu a atualização do marco regulatório, tendo como princípios fundamentais o direito à comunicação, a participação social e o respeito e estímulo à diversidade. “Temos que fazer a autocrítica para continuarmos o enfrentamento”.

EBC

No debate sobre a radiodifusão pública e comunitária, a jornalista e fundadora da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) Tereza Cruvinel lembrou as dificuldades para a criação e instalação da empresa em meio a uma conjuntura desfavorável, dos anos de pancadaria e distorção e da cobertura pré-golpe. “Temer logo avançou contra a empresa e a comunicação. Suspendeu editais para rádios comunitárias e recentemente anunciou a fusão da NBR com a EBC”, criticou.
O jornalista e professor aposentado da USP Laurindo Lalo Leal Filho destacou a criação da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), em 2007, como maior acerto de um governo popular e democrático no área. “A medida, que Juscelino Kubstcheck não tomou por ter sido ameaçado por Assis Chateaubriand nos anos 50, colocou o Brasil no mesmo patamar das democracias ocidentais que têm suas TVs estatais, a exemplo da Inglaterra, que tem a BBC”, disse.
Segundo Lalo, que foi ouvidor da empresa, havia ali um conselho curador com representantes de todos os segmentos da sociedade brasileira, que estabelecia as diretrizes da programação. “O jornalismo crescia e se mostrava uma alternativa, com pautas que eram proibidas em outras emissoras.”
A independência da linha editorial da estatal nos governos petistas foi destacada pelo  jornalista Ricardo Melo, que foi nomeado presidente da empresa e teve a nomeação revogada por Michel Temer, logo após o golpe. “Até o início do governo golpista, a EBC nunca foi correia de transmissão do governo. Nunca recebi ordens, uma ligação que seja, para determinar que a cobertura fosse assim ou assado”, disse, lembrando que a extinção do conselho curador elogiado por Lalo foi a primeira iniciativa para transformar a empresa de comunicação pública em veículo de propaganda do governo. “Em seguida acabou com o mandato do presidente  e acabou com a dotação orçamentária que dava autonomia. Hoje há censura no noticiário, com mudança até nos títulos das matérias.”

Internet

A internet também foi debatida no seminário principalmente como ferramenta a ser usada pelo poder público para maior transparência, participação popular e fortalecimento da democracia, como na realização de consultas e plebiscitos.
O diretor da agência de comunicação CobraCriada, Leandro Fortes, destacou a força da internet na reorganização da forma de se fazer comunicação. “Confortável ou não, temos de nos adaptar. A questão é que, para o usuário, há uma mudança importante: o fim do intermediário entre ele e a informação. O trabalho básico do jornalista, em última instância, é dar às pessoas a capacidade de compreender o mundo através da sua visão. Agora, essa relação mudou”.
Esse novo cenário traz novidades também para a administração pública. “Se o governador fala alguma coisa em seu Twitter, a mídia tem que pescar a informação no ambiente do governador, o que dificulta a mentira e desinformação, ainda que existam”, disse Fortes.
O editor do Portal Fórum, Renato Rovai, falou sobre a transição da sociedade industrial para a sociedade da informação e os desafios e oportunidades trazidos para a comunicação. “Hoje é possível organizar atos dos movimentos sociais. Pensar comunicação tem que ser de forma conectada com esses novos modos de vida”, ressalta. “O prefeito de São Paulo, João Doria, demonstra ter entendido isso bem mais que os gestores progressistas”.
As políticas de comunicação, dentro de todos os órgãos e secretárias, têm de ser estratégicas para o governo, segundo Rovai. “Comunicação do governo não pode ser divulgação de feitos e defesa do mandato”, alerta, argumentando que “fazer comunicação em tempos como o que vivemos é investir no aprofundamento do processo democrático e de intervenção popular”.
A coordenadora geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Renata Mielli, lembrou da submissão do país aos ditames do mercado quando se trata de políticas de acesso à Internet. “A questão do acesso é um gargalo estrutural. Temos 60 milhões de domicílios no Brasil e 34 milhões estão conectados. Ou seja, 50% dos domicílios do país. No Maranhão, 40% dos domicílios têm algum tipo de acesso à Internet – 60% não tem”, diz. “A esmagadora maioria desses números têm acesso apenas a partir do aparelho celular, e não Internet fixa, o que configura um acesso precário”
Renata criticou a maneira como o assunto tem sido tratado no Brasil e defendeu  a Internet como um direito e um serviço essencial, que tem de ser prestado pelo poder público. “Pelas lei brasileira, a Internet não é um serviço essencial e por isso segue as regras do mercado”.
Em meio a esse cenário, é dever do poder público agir de forma a induzir, econômica e socialmente, o desenvolvimento da Internet e das tecnologias da informação. “É o Estado que tem que fazer um contrapeso para que esse quadro não se torne prejudicial à sociedade, até porque a sociedade tende a se dividir ainda mais com os rumos que as corporações da Internet têm tomado”.
Fonte: Rede Brasil Atual

Observatório da Comunicação Pública completa dois anos de atividades

Neste último domingo, dia 27 de agosto, o Observatório da Comunicação Pública (OBCOMP) completou dois anos de vida, o projeto é referência na área da comunicação pública. Doutorandos, mestrandos e estudantes de graduação vinculados ao Núcleo de Comunicação Pública e Política (Nucop), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, pesquisam e registram centenas de informações, produções acadêmicas, mídias e produtos de comunicação gerados por instituições estatais, organizações privadas e universidades em torno de temas de interesse público.
O OBCOMP foi criado com recursos públicos do CNPq (Edital 43/2013) e sua manutenção se deve ao investimento técnico e funcional da UFRGS. Constitui-se também como importante prática no campo da democracia digital, que demarca as pesquisas do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia/Democracia Digital (INCT-DD), do qual o Nucop/UFRGS participa. Ao longo desses dois anos, o projeto produziu mais de 175 notícias e 18 textos inéditos, entre entrevistas e artigos assinados; divulgou 80 eventos acadêmicos; compilou mais de 60 campanhas publicitárias, sempre sobre temas de interesse público que provocam a reflexão sobre os processos de comunicação constituídos pela sociedade, pela mídia ou pelo Estado. Além disso, na biblioteca do Obcomp, uma das seções mais acessadas do Observatório, são referenciados mais de 175 livros e outros 168 artigos acadêmicos nas áreas de comunicação pública, democracia digital, deliberação, mídias, comunicação governamental, informação, política e opinião pública; 125 periódicos com indicação de Qualis; mais de 140 teses e dissertações divididas em oito áreas: comunicação pública, comunicação política, comunicação de estado e governamental, opinião pública, esfera pública e deliberação, mobilização social, jornalismo e interesse público, mídias e internet; além das pesquisas em andamento ou já finalizadas pelos principais pesquisadores brasileiros.
Tudo isso nos permite comemorar e ratificar a certeza de que o Observatório de Comunicação Pública se faz necessário em tempos de questionamento da democracia. As características de funcionamento do OBCOMP e seu compromisso com a comunicação pública tem gerado estudos que permitem discutir cidadania e o acesso à comunicação do estado democrático. Na contramão, o descaso demonstrado pelo Estado em relação à comunicação pública e o investimento simbólico que vem sendo realizado para justificar a necessidade de extinguir órgãos como a EBC e a Fundação Piratini (no RS) demonstram o distanciamento dos governos e políticos para com a sociedade. A falta de discussão sobre os temas vitais que transitam no Congresso Nacional desqualificam a nossa democracia.
Fonte: OBCOMP
 

As cidades inteligentes devem ser reflexo de uma sociedade inteligente

As novas tecnologias de informação e comunicação das chamadas ‘smart cities’ precisam tornar-se parte indissociável das políticas públicas urbanas, em um esforço concertado para construção de uma agenda positiva.
Cidades inteligentes, do futuro, conectadas, resilientes, habitáveis, sustentáveis… uma profusão de expressões que apontam características quase todas ligadas às novas tecnologias de informação e à sustentabilidade pouco avançam em direção ao planejamento e à gestão das políticas públicas de caráter urbano. Isso nos impõe a formação de uma agenda para as cidades.
O prefeito João Doria tem insistido em promover a meta de transformar São Paulo em uma “smart city” até o final de sua gestão. Sem nos aprofundarmos em conceituações, “smart city” ou cidade inteligente é aquela que faz uso de tecnologias de informação e comunicação tais como câmeras, sensores, smartphones, aplicativos e plataformas digitais como instrumentos de gestão urbana para tornar-se mais eficiente e, em última instância, melhorar a qualidade de vida dos cidadãos.
Não há dúvida de que o uso de tais tecnologias é importante para a modernização dos sistemas urbanos. Mas os esforços de inovação devem estar contextualizados, inseridos no desenvolvimento e implantação de políticas públicas urbanas mais amplas. Uma cidade somente poderá ser considerada “inteligente” na medida em que a sociedade, as instituições públicas e o mercado sejam mais inteligentes ou mais eficientes, mais prósperos, justos e democráticos.

Entretanto, a despeito do desenvolvimento desse complexo arcabouço, convivemos ainda com uma lacuna significativa entre a legalidade e a realidade. Ou seja, a política urbana não se concretiza nas práticas de planejamento e gestão urbanos da grande maioria dos municípios brasileiros: os planos diretores desenvolvidos pelas cidades são peças utópicas que permanecem como institutos não regulamentados e, tão ou mais discrepante, o direito à cidade continua como um conceito indecifrável e bastante distante das demandas cidadãs.
Da mesma forma, ao contrário do que prevê a legislação, o que se vê no dia a dia das cidades brasileiras é um urbanismo ad hoc que convive com processos de produção e reprodução de espaços urbanos centrais e periféricos em que as demandas dos grupos sociais e econômicos se conflagram em um balcão de negócios. Nesse processo, as forças de mercado tendem a ditar os rumos da expansão urbana.
Com base nessa lógica, é importante confrontar o discurso e as práticas das “smart cities” com a realidade das cidades brasileiras – das pequenas cidades às regiões metropolitanas. Diferentemente do que pensa o prefeito Doria, não é possível alcançar resultados significativos de redução da violência urbana se os investimentos em novas tecnologias de monitoramento não estiverem articulados a esforços que visem à redução da pobreza, das desigualdades socioespaciais, da falta de moradia adequada ou à ampliação das oportunidades de trabalho, das estruturas de educação e cultura, etc.
Com base nessa lógica, é importante confrontar o discurso e as práticas das “smart cities” com a realidade das cidades brasileiras – das pequenas cidades às regiões metropolitanas. Diferentemente do que pensa o prefeito Doria, não é possível alcançar resultados significativos de redução da violência urbana se os investimentos em novas tecnologias de monitoramento não estiverem articulados a esforços que visem à redução da pobreza, das desigualdades socioespaciais, da falta de moradia adequada ou à ampliação das oportunidades de trabalho, das estruturas de educação e cultura, etc.
O conceito de “smart cities” não pode ser um fim em si mesmo, mas deve abarcar sistemas, instrumentos e indicadores (aliados às práticas de governo aberto com transparência, participação social e prestação de contas, à Nova Agenda Urbana e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, por exemplo) para atingir as metas que os diversos planos propõem.
As novas tecnologias de informação e comunicação devem se tornar parte indissociável das políticas públicas de segurança, de mobilidade, de saneamento, de habitação, de desenvolvimento econômico, educação, saúde, mas não podem incidir apenas pontualmente em determinado sistema urbano. É necessário um esforço concertado e continuado de planejamento urbano e de desenvolvimento de políticas públicas com o uso das novas tecnologias e é importante que os atuais governantes e também a sociedade se atenham a isso. Assim como a cidade é reflexo da sociedade que a habita, uma cidade inteligente só se realiza com uma sociedade inteligente.
Algumas cidades ao redor do mundo podem nos inspirar com experiências que mesclam esforços de planejamento e gestão a investimentos em tecnologia. Nova York talvez seja o caso mais emblemático.
Em 2007, o prefeito Michael Bloomberg lançou um plano – chamado PlaNYC – para gerenciar o desenvolvimento sustentável da cidade pelos próximos 25 anos. O plano foi mantido por seu sucessor, o atual  prefeito Bill de Blasio. Mecanismos importantes desse plano são o Mayor’s Office of Technology and Innovation, um escritório com a função de facilitar a coordenação e a colaboração entre os diversos atores do ecossistema tecnológico da cidade; e o New York City Council, um conselho com representantes de todas as regiões e distritos com a função de monitorar a atuação de todas as agências municipais. Ao longo do processo, a cidade tem desenvolvido diversas ações – todas de base tecnológica – tais como um programa de mobilidade (Sustainable Streets) com o objetivo de tornar seu sistema de transportes mais sustentável, com melhor infraestrutura, mobilidade crescente e espaços públicos mais bem utilizados; um programa de gestão energética; quiosques (antigas cabines telefônicas) com wi-fi de alta velocidade; um programa chamado DataBridge para integrar os bancos de dados de 40 agências municipais em uma única plataforma analítica; um programa para localização de disparos de tiros, entre muito outros.
Outro bom exemplo é Barcelona com seu pioneiro e inovador 22@Barcelona e sua Estratégia Barcelona Smart City. O primeiro é um projeto iniciado em 2000 que transformou uma antiga área industrial num distrito com espaços modernos com foco na concentração de iniciativas ligadas à sociedade do conhecimento, tecnologia e inovação que se tornou rapidamente num modelo de transformação urbana, econômica e social. O segundo, um programa da prefeitura de Barcelona, lançado em 2011, que agrega atualmente 122 projetos em diversas áreas, todos com planejamento participativo, de forma integrada, e que usa a tecnologia de modo transversal para administrar mais eficientemente os serviços e recursos públicos: coleta seletiva de resíduos com sensores para medição de níveis em coletores, sistema de iluminação inteligente, programa de gestão energética, programa de mobilidade inteligente, internet pública, sistema de monitoramento por câmeras, práticas de governo aberto com aplicativos e plataformas de dados abertos, etc.
Muitas outras cidades como São Francisco, Berlim, Paris, Nova Délhi, Tóquio, Xangai, Singapura, Cidade do Cabo, Bogotá e Cidade do México têm se empenhado em definir de forma concertada agendas que as transformem em cidades inteligentes com melhores serviços públicos, com mais vigor econômico, bem-estar social e qualidade ambiental.
Aqui no Brasil, o tema é urgente: é fundamental que as lideranças políticas, gestores públicos, pesquisadores, organizações da sociedade civil, movimentos sociais e empreendedores delineiem conjuntamente uma agenda comum de médio e longo prazos que articule as políticas públicas às novas tecnologias de informação e comunicação de modo a tornar nossas cidades mais inteligentes e sustentáveis. Fábio Ferraz é economista, doutorando em urbanismo pela PUC Campinas e diretor-executivo da urbeOmnis Cidades Inteligentes e Sustentáveis.
Texto: Fábio Ferraz é economista, doutorando em urbanismo pela PUC Campinas e diretor-executivo da urbeOmnis Cidades Inteligentes e Sustentáveis.
Fonte: Nexo

'Robôs' motivam até 20% de debates em apoio a políticos no Twitter, diz estudo

Debate entre Dilma Rousseff e Aécio Neves, na Rede Globo, nas eleições de 2014
Perfis automatizados, operados at do exterior, motivaram debates no Twitter em situaes de repercusso poltica brasileira desde as eleies de 2014, aponta estudo feito pela FGV (Fundao Getlio Vargas).
Em momentos como os debates presidenciais de 2014, manifestao pelo impeachment de Dilma Rousseff em maro de 2016 e a greve geral deste ano, apoiadores de um dos lados interagiram em cerca de 20% com “robs” na rede social –como so chamados esses perfis.
Os robs impactam nos assuntos discutidos na internet e, segundo a pesquisa, promovem “a desinformao com a propagao de notcias falsas e campanhas de poluio da rede”.
E estavam por todos os lados. Havia perfis que apoiaram Dilma Rousseff (PT) em 2014, assim como Acio Neves (PSDB) e Marina Silva (ex-PSB, hoje Rede).
Em 2016, eles estavam no lado contrrio e no favorvel ao impeachment. Nas eleies municipais de So Paulo, participaram de discusses a favor de Joo Doria (PSDB), Fernando Haddad (PT) e ainda de Celso Russomanno (PRB).
O estudo, feito pela Diretoria de Anlises de Polticas Pblicas (DAPP) da FGV, verificou no Twitter seis momentos-chave da poltica, entre o primeiro turno de 2014 e a votao da reforma trabalhista pelo Senado, em julho.
Os pesquisadores, no entanto, ressaltam que as contas na rede social no so necessariamente operadas por polticos ou pessoas que estejam nos seus entornos.
“O estudo tira do campo da hiptese a informao de que todos usam robs –esquerda, direita e centro– para propagar suas ideias”, afirma Marco Aurlio Ruediger, diretor da DAPP.
Segundo ele, a anlise foi feita apenas no Twitter porque permite comparao internacional –nos EUA, Donald Trump usa a ferramenta para se manifestar ao pblico e imprensa– e uma plataforma amplamente usada por polticos e partidos.
O DAPP conclui que “o crescimento da ao concertada de robs representa uma ameaa real para o debate pblico, representando riscos, no limite, democracia”.
FAKE NEWS
Depois de filtrar os dados, os pesquisadores analisaram 2.153 contas suspeitas de serem robs nos casos escolhidos. Nem todas eram completamente automatizadas (algumas publicavam tanto por meio de robs como pelo prprio usurio).
A avaliao no levou em conta se os contedos que espalhavam eram “fake news” ou no, mas aponta que esse um dos propsitos dos robs, assim como o de promover ataques virtuais.
“A eleio do ano que vem que vai ser extremamente importante para o pas e, com a importncia que as redes sociais vo ter nela, impossvel imaginar que haver menos robs do que j houve”, afirma Ruediger. Ele faz previses catastrficas: “Estamos identificando um ‘tsunami’ [de robs] chegando. Temos que nos preparar para isso, com centros de pesquisas se aparelhando e rgos pblicos competentes para monitorar esse fato.”
Em 2014, um levantamento feito a pedido da Folha ao Laboratrio de Imagem e Cibercultura da Universidade Federal do Esprito Santo j apontava que as conversas no Twitter e Facebook no debate presidencial do segundo turno, na Rede Globo, foram fortemente influenciadas pela presena de robs.
Em 2016, a mesma entidade apontou ataques virtuais de robs contra o candidato Marcelo Freixo (PSOL) no Rio.
ROBOTIZADOSContas automatizadas interagiram na internet em momentos-chave da pol
Fonte: Folha de S.Paulo
 

Elas se acham menos aos 6


Um estudo publicado no início do ano na revista Science sugere que garotas de até 6 anos são levadas a acreditar que os homens são inerentemente mais inteligentes e mais talentosos do que as mulheres, tornando-as menos motivadas para realizar atividades inovadoras ou carreiras ambiciosas. Que tais estereótipos existem não é nenhuma surpresa, mas as descobertas mostram que podem afetar as crianças em uma idade muito jovem que se supunha.
“Como sociedade, associamos um alto nível de habilidade intelectual mais aos homens do que às mulheres, e nossa pesquisa sugere que esta associação é captada por crianças bem pequenas, entre 6 e 7 anos”, disse Andrei Cimpian, professor associado do departamento de Psicologia da Universidade de New York. Cimpian é co-autor do estudo, que analisou 400 crianças entre 5 e 7 anos.
Na primeira parte do estudo, meninas e meninos contaram uma história sobre uma pessoa que é “realmente, realmente inteligente” e depois tiveram de identificar essa pessoa entre as fotos de duas mulheres e dois homens. As pessoas nas fotos estavam vestidas profissionalmente, pareciam a mesma idade e pareciam igualmente felizes. Aos 5 anos, meninos e meninas tendiam a associar a imagem do brilhantismo ao seu próprio gênero, o que significa que a maioria das meninas escolheu mulheres e a maioria dos meninos escolheu homens.

Perguntando o que vem depois da Marcha das Mulheres? Perguntando-se por que o New York Times escreveu sobre os pais enquanto as mães estavam marchando?

Mas à medida que envelhecem e começaram a frequentar a escola, as crianças aparentemente começaram a endossar estereótipos de gênero. Aos 6 e 7 anos, as meninas foram “significativamente menos propensas” a escolher as mulheres. Os resultados foram semelhantes quando as crianças receberam fotos de crianças.
Curiosamente, quando solicitado a selecionar crianças que parecem ir bem na escola, ao contrário de ser inteligente, as meninas tendem a escolher meninas, o que significa que suas percepções de brilhantismo não são baseadas no desempenho acadêmico.
Na segunda parte do estudo, as crianças foram apresentadas a dois novos jogos de tabuleiro, um descrito como uma atividade “para crianças que são “realmente, realmente inteligente” e a outra “para crianças que não é realmente muito difícil”. Garotas e meninos de cinco anos tinham a mesma probabilidade de jogar o jogo para crianças inteligentes, mas aos 6 e 7 anos, os meninos ainda queriam jogar, enquanto as meninas optaram pela outra atividade.
“Não há nada sobre o jogo em si que se torna menos interessante para as meninas, mas é a descrição dele como sendo para as crianças que são realmente, realmente inteligentes”, explicou o pesquisador.
Como resultado, acreditando que não são tão talentosas quanto os meninos, as meninas tendem a se afastar de atividades que exigem mais esforço intelectual, levando a grandes diferenças nas aspirações e escolhas de carreira entre homens e mulheres. “Esses estereótipos desencorajam a busca das mulheres de muitas carreiras de prestígio. Ou seja, as mulheres estão sub-representadas em campos do conhecimento cujos membros apreciam o brilhantismo”, escreveram os autores.
Ainda não está claro de onde os estereótipos provêm. Pais, professores e colegas e os meios de comunicação são os suspeitos habituais, disse Cimpian. Mas é evidente que devem ser tomadas medidas para que esses distúrbios não prejudiquem as aspirações profissionais das meninas. “Instigar a idéia de que o sucesso em qualquer linha de trabalho não é uma habilidade inata, seja o que for, mas sim reforçar que é preciso ser apaixonado pelo que faz”, disse Cimpian, acrescentando que a exposição a modelos de mulheres bem-sucedidas também ajudam.
Empresas de brinquedos como a Mattel , fabricante da boneca Barbie, estão tentando adotar medidas para tentar reduzir os estereótipos de gênero. A campanha de “Você pode ser qualquer coisa” da Mattel diz às meninas que podem ser paleontologistas, veterinários ou professores, entre outras carreiras. A campanha também mostra a possibilidade de uma menina se imaginar como uma princesa de fada.
Rebecca S. Bigler, professora de psicologia da Universidade do Texas em Austin, descreveu o estudo de Cimpian como “um trabalho excepcionalmente agradável”. Ela sugeriu que os estereótipos se desenvolvessem no início do ensino fundamental quando os alunos são expostos a cientistas, compositores e escritores famosos, os “gênios” da história, que são esmagadoramente homens. Bigler disse que é importante combinar esse conhecimento com informações sobre discriminação de gênero.
“Precisamos explicar às crianças que as leis foram criadas especificamente para evitar que as mulheres se tornem grandes cientistas, artistas, compositores, escritores, exploradores e líderes”, acrescentou Bigler. “As crianças serão então … mais propensas a acreditar em seu próprio potencial intelectual e contribuir para a justiça social.”.
Fonte: Comunica que muda
Com informações Publicadas pela revista Fortune

Lançada a 2ª edição da revista "Imprensa Nacional – Novos rumos da comunicação pública"

Esta edição traz aos leitores assuntos relacionados à temática da comunicação pública, como a reportagem sobre o Sistema Eletrônico de Informações (SEI), a matéria sobre os perigos na era digital e uma entrevista com Silviano Santiago sobre “Machado”, sua mais recente obra. Essas e outras matérias estão presentes no segundo número da nossa revista.
No dia 25 de julho, foi lançada a segunda edição da revista Imprensa Nacional – Novos Rumos da Comunicação Pública, dando continuidade ao projeto iniciado em maio de 2017. A revista tem tido boa recepção, por tratar de temas de interesse da sociedade e do setor público.
Esta edição traz aos leitores assuntos relacionados à temática da comunicação pública, como a reportagem sobre o Sistema Eletrônico de Informações (SEI), ferramenta que tem revolucionado a gestão de documentos na Administração Pública. A matéria sobre os perigos na era digital alerta sobre a necessidade de a sociedade falar abertamente de assuntos tabus. Na seção Cultura, o professor e pesquisador Silviano Santiago nos deixa vislumbrar um pouco do seu vasto conhecimento sobre nosso maior escritor. Essas e outras matérias estão presentes no segundo número da nossa revista.
A Revista é um canal institucional que, além de divulgar os serviços da Imprensa Nacional, fomenta a discussão sobre o impacto das mudanças tecnológicas, culturais e de gestão no mundo contemporâneo. Transformações essas que afetam o setor público e sua relação com a sociedade.
Para acessar a versão digital da Revista, acesse:
http://portal.imprensanacional.gov.br/acesso-a-informacao/revista-imprensa-nacional
 
Fonte: Imprensa Nacional
 
Fonte:

Maranhão sedia seminário sobre Desafios da Comunicação na Administração Pública


São Luís do Maranhão sedia, nos dias 25 e 26 de agosto, o Seminário Os desafios da comunicação nas administrações públicas. Promovido pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, o evento tem como proposta extrair ensinamentos – dos acertos e, principalmente, dos erros – e refletir sobre as experiências em comunicação nos governos, levando em conta que esta frente é estratégica para qualquer administração pública.
O público alvo do Seminário são governadores e prefeitos, secretários de comunicação, jornalistas e assessores de várias prefeituras e governos estaduais. Uma rica oportunidade para sistematizar estas experiências e para impulsionar uma comunicação mais saudável no país.
Além do Barão de Itararé, realizador do Seminário, o evento conta com o apoio do Governo do Maranhão, da Fundação Mauricio Grabois, da Fundação Perseu Abramo, da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini e do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).
INSCRIÇÕES

As inscrições podem ser feitas até o dia 18 de agosto, sendo que o investimento é de R$ 200 e estudantes pagam a metade do valor (R$ 100). São 150 vagas disponíveis. Garanta a sua participação preenchendo o formulário ao fim desta página e realizando o pagamento pelos botões do PagSeguro.

PROGRAMAÇÃO

25 de agosto, sexta-feira, às 18 horas

Balanços e perspectivas

– Flávio Dino – governador do Maranhão (PCdoB);

– Edivaldo Holanda Júnior – prefeito de São Luís (PDT);

– Fernando Haddad – ex-prefeito de São Paulo (PT);

– Clécio Luis – prefeito de Macapá (Rede);

– Edmilson Rodrigues – ex-prefeito de Belém (Psol).

26 de agosto, sábado
9 horas – A força da Internet

– Renata Mielli – coordenadora geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC);

– Leandro Fortes – jornalista e diretor da agência de comunicação CobraCriada;

– Juan Pessoa – especialista em redes sociais;

– Renato Rovai – editor da Revista Fórum

13 horas – A radiodifusão pública e comunitária

– Tereza Cruvinel – jornalista e fundadora da Empresa Brasil de Comunicação (EBC)

– Ricardo Melo – ex-presidente da EBC;

– Laurindo Lalo Leal Filho – jornalista e professor aposentado da USP;

– Márcio Jerry – secretário de Comunicação do Maranhão e ex-diretor da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço);

16 horas – O papel das secretarias de comunicação

– Franklin Martins – ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República;

– Altamiro Borges – presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé;

– Robinson Almeida – ex-secretário de Comunicação do governo da Bahia e deputado federal (PT-BA).

***
Faça a sua inscrição clicando aqui
Fonte: JornalGGN

Em estudo inédito, ECA e Institute of Cultural Capital analisam o legado cultural dos Jogos Olímpicos Rio 2016

Segundo o professor Paulo Nassar, do Departamento de Relações Públicas, Publicidade e Propaganda (CRP), grandes eventos culturais são excelentes oportunidades para que os territórios possam estruturar as “narrativas de sua história, de seu povo e suas realizações” e o modo como eles se apresentam perante as demais comunidades do mundo. Em estudo sobre as narrativas de territórios desde o final dos anos 90, com foco no Brasil e no Rio de Janeiro, o professor afirma que estas narrativas são essenciais para que países e cidades possam “atrair capital financeiro, talentos e turistas”.

Aproveitando a oportunidade dos Jogos Olímpicos Rio 2016, que completaram um ano desde seu término em 5 de agosto, Nassar coordenou uma equipe de pesquisadores da ECA no estudo Impacto Cultural dos Jogos Olímpicos do Rio 2016, que analisou o impacto que as narrativas criadas pelo evento esportivo acerca do Brasil deixaram no imaginário popular daqui e do exterior.

O estudo é uma parceria entre o Grupo de Estudos de Novas Narrativas (GENN), coordenado por Nassar, o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da ECA (PPGCOM), e o Institute of Cultural Capital, ligado à Universidade de Liverpool e à John Moores Liverpool University, e cuja coordenadora, pesquisadora Beatriz Garcia, é uma das maiores autoridades na análise do legado cultural de grandes eventos globais. Também contou com o apoio da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) e do Newton Fund, agência de fomento à pesquisa do governo britânico.

A pesquisa centrou-se no modo como os conteúdos trazidos pelas Olimpíadas “tinham presença nas publicações brasileiras e estrangeiras de grande visibilidade”. De acordo com Nassar, foram analisados cerca de 311 artigos publicados na mídia brasileira e 144 na imprensa britânica, em veículos como O Globo, a Folha de São Paulo, o Estado de São Paulo, o The Economist, o The Guardian, e o Financial Times, entre outros, todos os quais falavam de momentos-chave da trajetória do Rio de Janeiro enquanto sede dos Jogos Olímpicos, desde a escolha da cidade ao período após o encerramento do evento.

Nesse processo, os pesquisadores brasileiros e britânicos notaram que, do ponto de vista do legado cultural, as narrativas prometidas pelas Olímpiadas, não deixaram quase nenhum impacto no modo como o país costuma ser percebido, as chamadas “metanarrativas”, compostas geralmente pelos cinco S – Sound (som), SambaSoccer (futebol), Sand (areia) e Sun (sol) e pela violência e corrupção, conforme pontua Nassar.

O estudo revelou que o contexto sociopolítico do país pesou no modo como as Olimpíadas foram representadas nos meios de comunicação e assim, a realidade brasileira e seus efeitos no evento esportivo foram priorizados em detrimento das narrativas pretendidas pelos Jogos: categorias como as crises econômica e política e suas relações com o Rio 2016; a carência de uma política de Estado para a cultura; violência urbana; abandono das estruturas olímpicas; as dívidas milionárias deixadas pelo evento, e o apagamento da história da escravidão no projeto de reformulação da zona portuária do Rio se impuseram. “Em lugar de falarmos de esperança, de futuro, de expressar os nossos territórios em representações mais positivas, a gente teve toda uma narrativa voltada para o caos, para a divisão da sociedade e para todos os ressentimentos que a gente tem atravessado,” comenta o professor.

Ainda que tenham surgido algumas exceções nessa representação do país, como o Museu do Amanhã e a abertura dos Jogos, que foram metáforas de nossa criatividade e competência, os pesquisadores julgam que, nesse momento, “o Brasil perdeu a oportunidade de começar a colocar uma narrativa no mundo que faça uma promoção do nosso território em aspectos de nossa cultura, beleza natural e indústria”, conforme explica Nassar. “É muito importante estruturarmos uma narrativa brasileira à altura do nosso país e da criatividade do nosso povo,” revela. “Esses grandes eventos são vitrines das narrativas dos países e cidades e dificilmente nós vamos ter, nos próximos anos, uma plataforma tão forte de comunicar com o mundo as questões brasileiras”, revela.

Segundo Nassar, a abertura dos Jogos impressionou o mundo, mas não veio seguida “de uma política de Estado para a cultura e uma visão de que é por meio desta e da educação que vamos projetar um país melhor para o futuro”. Foto: The Mirror

Na próxima semana, os resultados do estudo serão apresentados em São Paulo, no dia 15 de agosto, na sede da Aberje e no Rio de Janeiro, no dia 17 de agosto, no Museu do Amanhã.

Texto: Victória Martins

Fonte: ECA – USP

Anúncios sexistas banidos

Modelo extremamente magra no anúncio da Gucci foi banido na Grã-Bretanha por promover padrão não-saudável de beleza.

Por enquanto é só na Grã-Bretanha, mas quem sabe a novidade se espalha mundo afora. Os anúncios que perpetuam estereótipos de gênero ou tentarem burlar as novas regras podem ser banidos. O anúncio oficial foi feito hoje (18/7) pelo chefe da Autoridade de Padrões de Publicidade(ASA) da Grã-Bretanha, Guy Parker.  O Comitê de Prática de Publicidade trará novos padrões de publicidade para reprimir as peças que caracterizam os papéis estereotipados de gênero ou padrões de imagem e comportamento não-saudáveis devem entrar em vigor em 2018.
Guy Parker disse que os anúncios que caracterizam papéis ou características de gênero estereotipados têm um impacto nocivo, particularmente nas crianças. As novas regras vão afetar as propagandas sexistas, as que exibem a mulher como única responsável pela limpeza ou homens tentando e não realizando tarefas de cuidar dos filhos ou domésticas simples. Além das que sugerem que uma atividade específica é inadequada para meninos porque está associada a meninas ou vice-versa. E, claro, as que promovem padrões de beleza não saudáveis como a campanha acima, com uma modelo extremamente magra, da Gucci.
“Os retratos que reforçam visões desatualizadas e estereotipadas sobre os papéis de gênero e podem ter um impacto prejudicial em toda a sociedade”, disse o executivo-chefe da ASA, Guy Parker, ao jornal The Guardian. “Embora a publicidade seja apenas um fator em um debate mais amplo, padrões de publicidade mais duros podem desempenhar um papel importante na luta contra as desigualdades em benefício dos indivíduos, da economia e da sociedade como um todo”.
A necessidade de regras mais rígidas é justificada por uma extensa pesquisafeita pela ASA sobre a influência dos estereótipos na vida da população – Representações, Percepções e Danos. As propostas da ASA, delineadas em um relatório realizado com a empresa de pesquisa GfK, fazem parte de um esforço para abordar a forma como as mulheres são retratadas em anúncios.
A ideia é fortalecer a prevenção a campanhas que tragam mensagens sobre como o “corpo envergonha” as mulheres jovens. Como a controversa campanha “Beach body ready” da Protein World, que não foi banida apesar de uma petição com 70.000 assinaturas alegando que a representação de um modelo de biquínis em um anúncio para um produto com perda de peso é socialmente irresponsável.

De acordo com o estudo, representações como essa podem limitar a forma como as pessoas se vêem, como as outras as vêem, e as decisões de vida que tomam. O relatório apresentado pela agência identificou seis tipos diferentes de estereótipos de gênero na publicidade, incluindo “ocupações ou posições” e “atributos ou comportamentos” associados a um gênero específico, além de campanhas que possivelmente debochem de pessoas que não pareçam ou se comportem de maneira “não estereotipada”. A sexualização e a objetivação também foram identificadas como tipos de estereótipos de gênero.
O endurecimento das regras contra a publicidade, segundo afirmou o diretor da ASA, visa proteger especialmente as crianças pequenas de  estereótipos nocivos, pois eles são mais propensos a internalizar as mensagens que vêem, o que, por sua vez, pode limitar seu desenvolvimento.

Entre, os anúncios que tiveram reclamações junto à ASA no ano passado incluíram uma campanha do gigante da roupa, Gap, com uma imagem de um menino pré-escolar, rotulado como “o pequeno estudante”, vestindo uma camiseta com o rosto de Albert Einstein, ao lado de uma menina com orelhas de gatos e rotulada como “borboleta social”.
Ella Smillie, o autor principal da pesquisa, explicou que, embora não existam problemas endêmicos na publicidade, os consumidores não gostam de ver a falta de diversidade na publicidade nem estereótipos com o potencial de limitar as expectativas. Ela explica que o papel do ASA não é dizer às marcas o que elas deveriam fazer, mas dar-lhes exemplos tangíveis do que deveriam evitar. “Desafiar os estereótipos de gênero pode levar à criação de publicidade criativa brilhante”, acrescentou. Confira abaixo a entrevista dela:

Tendência

A preocupação do departamento regulador britânico, mostra uma tendência mundial. No mês passado, a UN Women lançou uma “Unstereotype Alliance” global para banir os estereótipos de gênero na publicidade. Os adeptos incluem empresas como Unilever, Google e Facebook.
O movimento segue um importante projeto de pesquisa de J Walter Thompson New York e The Geena Davies Institute in the Media, que analisou 2.000 anúncios e descobriu que as mulheres em publicidade são “sem humor, mudo e na cozinha”. Segundo a pesquisa,  48 % das mulheres na propaganda são mostradas na cozinha.
Com informações da Reuters, The Guardian e Campaign Live UK.
Fonte: Comunica que muda

EBC: Desrespeito com os profissionais e desmonte da comunicação pública

O Sindicatos dos Jornalistas e Radialistas do DF, RJ e SP e a Comissão dos Empregados da EBC vêm a público, mais uma vez, denunciar o sistemático desrespeito da diretoria da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) com seus trabalhadores e da tentativa de, dia após dia, desmontar a comunicação pública nacional.
Nessa sexta-feira (11), os jornalistas correspondentes da Agência Brasil no Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Ceará foram surpreendidos com portarias da empresa constando a remoção desses empregados para o RJ e Brasília. Os jornalistas sequer foram informados e tinham suas alocações em vigor até janeiro de 2018.
Os correspondentes traziam uma dimensão nacional para cobertura da empresa, enviando diariamente notícias para a Agência Brasil e de forma complementar para a Rádio Nacional e TV Brasil. Esses trabalhadores foram selecionados por processo seletivo interno e os custos era quase nenhum, já que utilizavam em sua maioria a estrutura das afiliadas à rede pública.
Assédio
A atitude representa mais uma ação de perseguição da chefia da Agência Brasil, em acordo com a Diretoria de Jornalismo e com a Presidência da EBC, que são complacentes ao assédio moral cometido contra os repórteres do veículo, como denunciado em carta aberta dos empregados à direção da empresa.
No final de junho, o Ministério Público do Trabalho já havia notificado a EBC e proposto um Termo de Ajuste de Conduta para que a empresa tome medidas efetivas para combater o assédio moral. É mais um sinal de que essa diretoria não respeita a legislação e busca cotidianamente humilhar seus trabalhadores.
Governismo
As ações dos gestores da empresa seguem ainda a tentativa do Governo Federal de desmontar a comunicação pública. Desde a posse de Laerte Rimoli à frente da empresa e da mudança da lei da EBC por Medida Provisória, a comunicação pública federal vem sofrendo retrocessos diários.
Diversos programas da TV Brasil e da Rádio Nacional foram tirados do ar, enquanto programas pró-governo foram criados. A censura nas redações são denunciadas cotidianamente pelos jornalistas, que vêem  suas matérias editadas favoravelmente ao Planalto. Setoristas da área política e social foram tirados dos seus postos de trabalho. Com o fim do Conselho Curador pelo Governo, resta aos empregados a resistência diária e a denúncia pública do que vem ocorrendo na empresa.
Já não bastasse o corte da verba de custeio da EBC em mais de 60% pelo Governo, a direção não se move para buscar a destinação da Contribuição para o Fomento da Comunicação Pública, que já soma mais de 3 bilhões de reais e segue congelada pelo governo. São gastos milhões com ponto eletrônico dos empregados, mas a Rádio Nacional da Amazônia continua fora do ar e até os contratos de estagiários são suspensos.
Mordaça
A direção da empresa ainda buscar silenciar seus profissionais com a criação de um verdadeiro código de “mordaça”, batizado como de conduta, para impedir que os trabalhadores da comunicação pública possam se expressar sobre o que a direção da empresa vem fazendo
A empresa prepara um plano opressor de Desligamento Voluntário, buscando retirar da empresa os mais antigos funcionários sem prever nenhum concurso para repor estes postos de trabalho. Enquanto isso, dezenas de profissionais, impedidos até de se licenciar sem seus vencimentos, pedem demissão por não serem reconhecidos como profissionais, não suportarem o assédio e a pressão governista e verem a comunicação pública desrespeitada.
Os Sindicatos seguirão resistindo na luta pelo cumprimento do preceito constitucional de uma comunicação pública independente e pelo respeito aos trabalhadores da EBC.
Sindicato dos Jornalistas do DF, RJ e SP
Sindicato dos Radialistas do DF, RJ e SP
Comissão de Empregados da EBC

Com foco no direito do cidadão à informação, à participação e no dever do Estado de prestar contas de suas ações, foi criada a Associação Brasileira de Comunicação Pública - ABCPública.