A consolidação das plataformas de mídia social como relevantes espaços de circulação de informações e interação impõe novos desafios à comunicação pública e à relação entre Estado e sociedade.
A obra problematiza em que medida plataformas como Facebook e Instagram, incorporadas às estratégias de comunicação das administrações públicas, têm contribuído para além da divulgação de ações governamentais, promovendo transparência, prestação de contas, diálogo e participação social.
A pesquisa evidencia um paradoxo: embora as plataformas digitais ampliem o acesso à informação pública e as possibilidades de aproximação entre governos e cidadãos, seu uso permanece predominantemente orientado por uma lógica informativa e institucional.
A partir da análise de prefeituras da microrregião de Varginha (MG), a obra discute os limites e as potencialidades das mídias sociais como interfaces socioestatais e instrumentos de fortalecimento da Comunicação Pública.
Principais achados
• As plataformas de mídia social são majoritariamente empregadas como canal unidirecional de divulgação institucional, com baixa incidência de conteúdos que estimulem a interação e o engajamento.
• A estrutura de comunicação das prefeituras revelou-se, em grande parte, subdimensionada diante das demandas contemporâneas, composta majoritariamente por servidores comissionados com formação em jornalismo, o que compromete a continuidade e a profissionalização da gestão comunicacional.
• A ausência de diretrizes obrigatórias sobre o conteúdo a ser publicado favorece uma seleção discricionária das informações veiculadas, tendendo à promoção de uma imagem institucional favorável em detrimento da accountability.
Mensagem central
O trabalho evidencia que, embora as mídias sociais representem um potencial relevante para o fortalecimento da comunicação pública municipal, sobretudo no que concerne ao acesso à informação, a utilização pelas prefeituras da microrregião de Varginha permanece aquém do potencial dialógico e participativo dessas ferramentas. A obra pondera que esse modelo de comunicação predominantemente informativo e propagandístico fica centrado na divulgação das ações governamentais e na construção de uma imagem positiva das administrações, em detrimento da construção de uma esfera pública digital efetivamente deliberativa.

