A constituição da comunicação pública como objeto de eleição dos estudos comunicacionais não é novidade, nem é surpreendente, se tivermos em atenção como já na origem do chamado Linguistic Turn se encontra a tomada de consciência quanto ao carácter problemático deste tipo de comunicação, precisamente. Numa formulação mais simples, podemos afirmar que a constituição da comunicação como objeto de estudo (da filosofia e das ciências humanas e sociais) se ficou a dever, por um lado, ao reforço da sua própria importância na vida humana em geral e, mais exatamente, na forma de organização das relações coletivas em sociedades mais complexas, como é o caso das sociedades modernas, e, por outro lado, à perceção das dificuldades que se colocam a essa mesma comunicação para responder satisfatoriamente às expetativas criadas à sua volta. Em qualquer destas dimensões, é de comunicação pública, de facto, que falamos: a comunicação com funções importantes a nível de organização da nossa vida coletiva e que, por esse motivo, acabaria mesmo por se tornar motivo de inspiração para um novo paradigma epistemológico das ciências sociais – o chamado paradigma comunicacional, que faz da comunicação a sua base de compreensão, propriamente dita, da vida em sociedade. (…)

Comunicação Pública: quatro andamentos (pouco concertantes) sobre um topos do pensamento social
ESTEVES, João Pissarra. Comunicação pública: quatro andamentos (pouco concertantes) sobre um topos do pensamento social. Covilhã: LabCom – Laboratório de Comunicação e Conteúdos Online, Universidade da Beira Interior, 2025. 256 p. ISBN 978-989-9229-48-8.
ESTEVES João Pissarra
