Entre o público e o rural: dos gabinetes de comunicação ao campo do folkcomunicação

REIS, Keila Mara dos. Entre o público e o rural: dos gabinetes de comunicação ao campo do folkcomunicação. 2015. 236 f. Dissertação (Mestrado em Comunicação Social) – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2015.

REIS, Keila Mara dos

A presente pesquisa propõe um cruzamento teórico-reflexivo entre Comunicação Pública e Folkcomunicação, no intuito de compreender os processos dialógicos instaurados entre o Estado e assentados da reforma agrária. Enquanto a primeira centraliza o foco no atendimento das necessidades do cidadão, a teoria brasileira de comunicação, de Luiz Beltrão, valoriza metodologias de transmissão artesanais e horizontais, onde dados são codificados e repassados em linguagens e canais familiares à audiência. Nesse sentido, investiga-se o percurso da mensagem oficial de uma autarquia federal até comunidades rurais no interior do Rio Grande do Sul, bem como se descreve de que maneira esses agricultores recebem a informação da superintendência regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-RS) e qual o valor atribuem a ela. A interpretação baseia-se no pensamento conscientizador de Paulo Freire, reconhecendo a interação de práticas dialéticas com a realidade, e nas ideias de participação social e democrática de Juan Bordenave. Através de uma mirada socioantropológica, ancorada no método escolhido – a Etnografia de Winkin (1998), Angrosino (2009) e Geertz (1989) – tratase a comunicação pelo olhar de quem a recebe. Como técnica de levantamento de dados utilizou-se a entrevista em profundidade, com um total de 19 participantes: 6 famílias do assentamento Guajuviras (em São Gabriel) e 9 do Novo Horizonte II (em Santa Margarida do Sul), 3 extensionistas que atendem essas localidades e um funcionário do Incra que atua na região. Constatou-se que a Comunicação Pública, entre a população investigada, é mediada por práticas folkcomunicacionais, amparadas, essencialmente, na oralidade, uma vez que, na maioria dos casos, os conteúdos oficiais não chegam por meios de comunicação convencionais, como o jornal, por exemplo. A televisão é o principal veículo usado pelos agricultores, tendo em vista a precariedade dos sinais de telefonia, de internet e de rádio, e os serviços de correio. Assim, a transmissão da informação é feita por diversos agentes externos, desenhando um trajeto não-linear entre emissor (Incra) e receptores (assentados), o qual demanda uma comunicação cada vez mais relacional e interativa com os públicos e adequada às especificidades do mundo rural.

 

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