O debate sobre os desafios contemporâneos da Comunicação Pública marcou a programação do 29º Congresso de Ciências da Comunicação na Região Sudeste – Intercom Sudeste 2026, realizado entre os dias 14 e 16 de maio, no Centro Universitário de Volta Redonda – UniFOA, em Volta Redonda/RJ. O Grupo de Trabalho (GT) Comunicação Pública reuniu pesquisadores de diferentes instituições do país para discutir temas como democracia, acessibilidade, radiodifusão pública, discurso político e transparência.
Coordenado pelos diretores regionais da Associação Brasileira de Comunicação Pública em Minas Gerais, Agnaldo Montesso, e em São Paulo, Michel Carvalho, proporcionou um espaço de intercâmbio científico e reflexão crítica sobre práticas e políticas comunicacionais no âmbito público.
Para Agnaldo Montesso, a diversidade temática dos trabalhos apresentados demonstrou a importância da Comunicação Pública como um campo estratégico de pesquisa e atuação profissional. “Muitos dos trabalhos apresentados anteriormente estavam dispersos em diferentes grupos temáticos do congresso. O fato de agora estarem reunidos em um espaço específico demonstra o fortalecimento da Comunicação Pública como área de pesquisa, reflexão crítica e produção científica”, avaliou.
Michel Carvalho, que também ministrou o minicurso “Comunicação e Políticas Públicas: o storytelling e o poder das narrativas no diálogo com a sociedade” no Intercom Sudeste, reafirmou a importância de aproximar universidade, instituições públicas e sociedade no debate sobre comunicação. “As pesquisas apresentadas demonstram como a Comunicação Pública está diretamente relacionada à garantia de direitos, à transparência e ao fortalecimento democrático. Os trabalhos evidenciam a necessidade de ampliar cada vez mais esses espaços de reflexão e intercâmbio científico”, destacou.
Ao longo do encontro, foram apresentados sete trabalhos que abordaram diferentes perspectivas da área. Ana Luiza Alves Mondego (ESPM-RJ), em parceria com professor Carlos Henrique Vale de Paiva (UFRJ), apresentou o estudo “Da campanha à presença digital: Zé Gotinha como operador de comunicação pública”. A radiodifusão pública e a divulgação científica foram discutidas por Lenize Villaça e Luiz Fernando Santoro, ambos da USP, no trabalho “Jornal da USP no ar: informação e divulgação científica na radiodifusão pública”.
O tema da acessibilidade esteve presente na pesquisa “Acessibilidade Comunicacional em Conteúdos para Refugiados no Brasil: Acesso à Informação para Venezuelanos Surdos na Operação Acolhida”, de Gisela Grangeiro da Silva Castro e Ana Clara Navarro Schneider, da ESPM-SP. Já Giselle Pereira da Silva, da UVV, apresentou o trabalho “Tabu e poder político: análise discursiva da matéria jornalística sobre o veto de Bolsonaro à distribuição gratuita de absorventes”,.
A representação de crianças e adolescentes na comunicação pública foi discutida por Dylan Pereira Campos Araújo, da UFF, no estudo “Emissoras da EBC: a representatividade de crianças e adolescentes em debates públicos”.
A crise de confiança nas instituições também integrou os debates. Michel Carvalho da Silva apresentou o trabalho “A crise de credibilidade das instituições públicas e as rupturas no contrato de comunicação”, abordando os impactos da desinformação e das transformações digitais na relação entre Estado e sociedade.
Encerrando as apresentações, Agnaldo Montesso apresentou o estudo “Cuidar do povo é soberania: enquadramentos discursivos na comunicação do Governo Federal do Brasil na crise do ‘tarifaço’”.
Os debates do GT reforçaram o crescimento da Comunicação Pública como campo de pesquisa interdisciplinar e evidenciaram a relevância de estudos voltados à transparência, inclusão, cidadania e fortalecimento da esfera pública democrática.
Os diretores da ABCPública Agnaldo Montesso e Michel Carvalho pretendem que o GT de Comunicação Pública seja renovado para o Intercom Sudeste 2027, que será realizado na FECAP São Paulo.

