Magno Medeiros – 4º ComPública impulsiona o potencial da comunicação pública no território nacional

Informer n’est pas communiquer et communiquer n’est pas transmettre (Wolton)

Ao observamos os números parciais do 4º Congresso Brasileiro de Comunicação Pública, constatamos que o evento está se desenhando com formas, cores e vozes potentes. Encerrado o período de submissão de resumos expandidos, no último dia 22 de junho, o sistema registrou 192 trabalhos entregues e mais de 750 pessoas inscritas. Com o tema “Uma agenda para a cidadania”, o 4º ComPública será realizado no período de 16 a 18 de setembro de 2026, na Câmara dos Deputados, em Brasília/DF. O evento é uma realização da Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública), que comemora 10 anos de existência, e da Câmara dos Deputados, que celebra o seu bicentenário.

Do total de inscritos até o momento, verificamos que há participantes de 27 unidades federativas, o que garante representatividade em todo o território nacional. É importante frisar que dois terços são do gênero feminino (67% mulheres e 33% homens). A maioria é formada por profissionais de comunicação (515) com pós-graduação completa (407). Quanto ao vínculo institucional, predomina o setor público federal com 377 inscrições (52%), seguido dos setores estaduais (20%), municipais (14%) e de outros órgãos (14%).

O 4º ComPública contará com a participação de palestrantes de renome nacional, além de pesquisadores(as), professores(as), profissionais e estudantes de todos os estados brasileiros. Além de palestras, haverá a entrega do Prêmio Neuza Meller para as melhores produções em vídeos e banners e a oferta dos seguintes minicursos: 1) Experiência do usuário na comunicação pública: da jornada à implementação; 2) Linguagem simples: como comunicar qualquer coisa com clareza; 3) Boas práticas na gestão de contratos de publicidade pública; 4) Inteligência artificial como método: como extrair valor, evitar erros e escolher ferramentas; 5) Comunicação interna de impacto: afetiva, criativa, efetiva; 6) Comunicação pública no WhatsApp: templates, fluxos e IA a serviço do cidadão.

Nos grupos de trabalho, haverá apresentações em duas modalidades: artigos científicos e relatos de experiência. Os trabalhos científicos são resultado de pesquisa acadêmica e têm como autores(as) doutores(as), doutorandos(as), mestres(as), mestrandos(as) e especialistas. Profissionais com graduação e estudantes de especialização e/ou graduação podem apresentar trabalhos nesta modalidade, desde que em parceria com doutores(as) e mestres(as). Os trabalhos científicos serão apresentados nos GTs 1, 2 e 3, que definem recortes temáticos específicos aos quais as submissões apresentadas deverão se enquadrar. Já os relatos de experiências são resultado de intervenções práticas e técnicas no ambiente organizacional ou profissional e têm como autores(as) profissionais que tenham atuado decisivamente na sua realização. Serão apresentados nos GTs 4, 5 e 6.

Os(as) autores(as) submeteram o resumo expandido para avaliação “cega” de pareceristas. Cada autor(a) e coautor(a) puderam submeter, no máximo, dois artigos, sendo um por GT. O trabalho pode ter até cinco autores(as), e pelo menos um deles deverá estar presente durante toda a sessão do GT, uma vez que os debates serão realizados, preferencialmente, ao final de cada sessão. Somente depois do aceite, deverão enviar o trabalho completo, conforme cronograma estabelecido na chamada pública.

Os GTs do 4º ComPública estão assim organizados: GT1 Governança digital e transparência pública (coordenadores: Magno Medeiros e Tiago Mainieri); GT2 Direitos humanos, inclusão e interseccionalidades (Francine Altheman e Ana Paula Lucena); GT3 Cidadania, democracia e participação (João Curvello e Kátia Vanzini); GT4 Gestão e regulação da comunicação (Kárita Sena e Rachel Gonçalves); GT5 Experiências audiovisuais e digitais (Alessandra Lessa e Verônica Lima); GT6 Projetos, produtos e serviços (Mariana Borges e Michel Carvalho).

O “GT1 Governança Digital e Transparência Pública” acolhe artigos científicos sobre governança digital, compreendendo gestão e regulação dos serviços de Internet, notadamente de organizações de Estado. Discute perspectivas, desafios, gargalos e possibilidades de modelos de governança no ambiente digital, envolvendo disputas de poder, espaços midiáticos e interesses econômicos de diversos atores políticos, redes e plataformas digitais. Contempla estudos que explorem criticamente as diferentes práticas empreendidas em ambientes on-line a partir da noção de governo digital, soberania digital, accountability e transparência pública. Analisa as implicações da Inteligência Artificial (IA) nas práticas sociais, nos processos culturais e na comunicação de órgãos públicos.

Já o “GT2 Direitos Humanos, Inclusão e Interseccionalidades” acolhe artigos científicos sobre direitos humanos, diversidade e acessibilidade, incluindo abordagens que tratem de questões territoriais e de classe e voltadas para a análise da comunicação pública de múltiplos atores políticos. Contempla pesquisas de natureza teórica e empírica sobre violações dos direitos humanos em diferentes ambientes organizacionais, incentivando a elaboração de políticas públicas de inclusão social e digital. Debate questões referentes à adoção da linguagem simples e inclusiva na comunicação de instituições públicas, considerando as dimensões sócio identitárias e suas interseccionalidades: classe social, migrações, gênero e sexualidade e relações étnico-raciais.

O “GT3 Cidadania, Democracia e Participação” recebe artigos científicos sobre cidadania, democracia e participação. Abrange perspectivas teóricas, conceituais e metodológicas de práticas comunicacionais e midiáticas relacionadas às esferas das cidadanias comunicativa, econômica, social, educativa, política, cultural, intercultural, global e socioambiental. Discute pesquisas e ações que versem sobre diálogos entre comunicação pública e educação para a cidadania, educação ambiental, educação midiática e letramento político. Aborda estratégias e ferramentas que estimulem o engajamento cidadão na tomada de decisão política, com foco na melhoria da gestão pública e no fortalecimento dos mecanismos de controle por parte da sociedade.

O “GT4 Gestão e Regulação da Comunicação” acolhe relatos de experiência relevantes sobre gestão e regulação da comunicação pública, considerando as múltiplas experiências de sucesso em diferentes níveis de governo (municipal, estadual e federal). Ênfase em projetos e práticas comunicacionais em instituições de Estado e empresas de interesse público. O grupo mantém ênfase em governança organizacional, políticas públicas e estratégias digitais de comunicação, considerando a diversidade de atores sociais e públicos de interesse.

O “GT5 Experiências Audiovisuais e Digitais” discute relatos de experiências inovadoras sobre produções audiovisuais e digitais. Contempla estudos de caso sobre estratégias eficientes e soluções criativas na produção de vídeos, filmes, podcasts, videocasts, programas em canais de streamingreels, posts, dentre outros produtos e serviços veiculados em mídias tradicionais e digitais. Ênfase em ferramentas, perfis, páginas e sistemas de plataformas e redes sociais digitais, abordando formatos, gêneros, linguagens, usabilidade e interatividade.

Por fim, o “GT6 Projetos, produtos e serviços” contempla relatos de experiências de impacto social e organizacional, decorrentes de projetos, produtos e serviços de comunicação pública. Ênfase em boas práticas em comunicação governamental, comunicação integrada, comunicação interna, publicidade institucional, cerimonial, relações públicas e marketing digital. Prioriza trabalhos focados em políticas institucionais, rotinas operacionais, oficinas produtivas, prospecções criativas, dentre outros desafios e soluções do dia a dia profissional.

Mantendo foco no cidadão, no interesse coletivo, no compartilhamento de informações de utilidade pública e na manutenção de laços sociais (Zémor, 2005), acreditamos que o 4º ComPública caminha para a sua consolidação no território nacional. A sua potência advém do espírito público de profissionais, pesquisadores(as) e cidadãos que reconhecem na comunicação pública a saída necessária para um diálogo participativo, transparente, democrático e afinado com os direitos humanos. Na perspectiva de Wolton (1999, 2009), para além de simplesmente informar e transmitir, é preciso resgatar o papel do receptor, “destecnificando” a comunicação e impulsionando a construção de elos de coexistência social com respeito às diversidades étnicas, políticas, econômicas e culturais. Assim se constrói uma agenda para a cidadania.

Referências:

WOLTON, D. Informer n’est pas communiquer. Paris: CNRS, 2009 (Éd., coll. Débats).

WOLTON, D. Penser la communication. Paris: Flammarion, 1999.

ZÉMOR, P. La communication publique. 3è édition. Paris: PUF, 2005 (Que sais-je ?).

Magno Medeiros

Doutor pela USP, pós-doutor pela UnB, professor titular da Faculdade de Informação e Comunicação da Universidade Federal de Goiás, docente dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) e em Direitos Humanos (PPGDH) da UFG. Integra a Comissão Científica e coordena o GT1 Governança digital e transparência pública do 4º ComPública. E-mail: magno@ufg.br.

Referência: Magno Medeiros – 4º ComPública impulsiona o potencial da comunicação pública no território nacional – OBCOMP – Observatório da Comunicação Pública

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