RS tem regional da ABCPública

Primeira reunião oficial da ABCPública Rio Grande do Sul. Da esquerda para a direita, Jéfferson Curtinovi (Ministério Público Federal e coordenador da regional da ABCPública no RS), Adriana Langon (Ministério Público Federal), Lisiane Dias (associada, consultora em comunicação pública) e Rita Becco (prefeitura de Porto Alegre).

Acompanhe a transmissão do evento da ABCPública em GO

Evento é transmitido pela página da ABCPública no Facebook

Está sendo transmitido ao vivo o debate promovido pela ABCPública em Goiânia, por meio da seção regional da entidade, sobre transparência e comunicação com a professora Nelia Del Bianco, vinculada aos programas de pós-graduação da Universidade de Brasília (UNB) e da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Também participam do debate os jornalistas Lincoln Macário, presidente da ABCPública, e Jorge Duarte, diretor de Relações Acadêmicas da ABCPública e a coordenadora da associação em Goiás, Alessandra Lessa.

Acompanhe aqui:
https://www.facebook.com/abcpublica/

EBC unifica canais público e estatal e viola Constituição


A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) formalizou nesta terça-feira (9) a unificação da TV Brasil, principal canal público de televisão do país, com a emissora estatal NBR, que veicula atos e informações do governo federal. A medida consta na Portaria nº 216, assinada pelo presidente da empresa pública de comunicação, Alexandre Graziani Jr. O ato, que já havia sido anunciado pelo governo há algumas semanas, constitui-se numa flagrante violação do princípio constitucional da complementaridade entre os sistemas público, privado e estatal de comunicação, expresso no artigo 223 da Carta Magna, e pode indicar prevaricação da direção da empresa. Trata-se de um verdadeiro aparelhamento da emissora pelo governo Jair Bolsonaro, na intenção de criar uma mera agência de propaganda governamental. 

Na prática, ao juntar as duas emissoras, mesclando programações com finalidades distintas em uma só, o governo enterra o projeto de comunicação pública com foco no cidadão e pautado pela pluralidade, diversidade e independência de conteúdo. A “nova” TV Brasil que resulta dessa fusão enxerta, no que deveria ser uma emissora pública, uma programação com forte apelo governamental, tendo boa parte do conteúdo marcadamente chapa-branca, auto-referenciado no governo e sem qualquer tipo de participação social, muito menos autonomia e independência editorial.  Com isso, o Brasil distancia-se ainda mais das paradigmáticas experiências de comunicação pública em países de democracia avançada, nos quais as emissoras públicas buscam desenvolver conteúdos que reflitam a diversidade da população, estimulem a reflexão e o debate público, e apresentem uma variedade de formatos e gêneros, indo além do que é oferecido pelos meios de comunicação comerciais.  Em um toque de desfaçatez, a Portaria que unifica emissoras pública e estatal, acabando com a complementaridade entre os dois sistemas, invoca esse mesmo princípio, contido no artigo 223 da Constituição Federal, para justificar a medida, que vai exatamente na contra-mão do que esse dispositivo legal determina. A Portaria ainda desrespeita a própria lei da EBC em vigor, que prevê a “autonomia em relação ao Governo Federal para definir produção, programação e distribuição de conteúdo no sistema público de radiodifusão” (inciso VIII, parágrafo 2º, da Lei 11652/2008).  A esse episódio de desmonte, juntam-se outros ataques que a EBC vem sofrendo nos últimos anos, que incluem a extinção do Conselho Curador, colegiado que garantia a participação da sociedade na definição da programação das emissoras públicas, além da eliminação do mandato do diretor-presidente da empresa, mecanismo que assegurava maior autonomia em relação aos governos de plantão. Essas duas mudanças, aliás, já foram consideradas, em nota técnica da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), do Ministério Público Federal (MPF), como inconstitucionais e, portanto, passíveis de questionamento judicial, por enfraquecerem a independência das emissoras públicas e torná-las vulneráveis aos desmandos e manipulação por parte do governo.  A nova programação divulgada pela emissora é mais uma demonstração do desrespeito pela previsão constitucional. Boletins com notícias do governo irão ao ar de hora em hora e ocuparão ao menos 15 minutos do jornal noturno da TV, o Repórter Brasil. O jornal da manhã foi extinto, em seu lugar entrará um noticiário do governo, o “Brasil em Dia”, acompanhado de um semanal de entrevistas com integrantes do governo Bolsonaro. Ainda estão previstos especiais sobre a Marinha e do Exército em plena programação da emissora pública. Em contrapartida, programas como “Estação Plural”, apresentado por pessoas LGBTs, saiu do ar, bem como outros programas de ampla reflexão social. Além disso, as emissoras da EBC vem sofrendo com fechamento de retransmissoras em diversos estados, sucateamento de equipamentos, censura de matérias ou conteúdos que desagradam o governo, entre outras arbitrariedades que atentam contra o direito à comunicação da população brasileira e violam o exercício da liberdade de expressão, uma garantia básica da democracia. A Frente em Defesa da EBC e da Comunicação Pública repudia mais esse gravíssimo retrocesso e convoca todas as organizações que defendem o direito à comunicação a lutarem, com todas as medidas cabíveis, pela restauração de um projeto de comunicação pública em linha com que preconizam a própria Constituição Federal e as melhores práticas internacionais do mundo democrático. Não nos calaremos.

Brasília, 10 de abril de 2019. 

Frente em Defesa da EBC e da Comunicação Pública
Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) 

Organizações que subscrevem a nota (por ordem alfabética) 
Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública)
Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço)
Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc Brasil)
Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG)
Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)
Central Única dos Trabalhadores (CUT)
Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé
Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social
Ciranda – Comunicação Internacional Compartilhada
Comissão de Empregados da EBC
Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conam)
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee)
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Ensino (CNTE)
Conselho Curador da EBC (cassado)
Dom da Terra AfroLGBTI
Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO-UFRJ)
Federação Interestadual dos Trabalhadores e Pesquisadores em Serviços de Telecomunicações (Fitratelp)
Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)
Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social
Instituto de Desenvolvimento dos Direitos Humanos  (IDDH)
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
Plataforma de Direitos Humanos – Dhesca Brasil Portal Vermelho
Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF)
Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo (SJSP) 
Sindicato dos Radialistas do Distrito Federal 
Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo
Terra de Direitos
Ulepicc-Brasil (União Latina de Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura) 
União Brasileira de Mulheres (UBM)
União Brasileira dos Estudantes (UNE)
União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) 

Personalidades que subscrevem a nota (por ordem alfabética) 
Ana Flávia Marx – jornalista
Carlos Tibúrcio – jornalista, ex-coordenador da equipe de discursos dos presidentes da República Lula e Dilma
Conceição Lemes – jornalista
Débora Cruz – jornalista e ex-secretária adjunta de comunicação do Governo do Distrito Federal
Hildegard Angel – jornalista
Laurindo Lalo Leal Filho – ex-Ouvidor Geral da EBC
Lourdes Nassif – jornalista
Lúcia Rodrigues – jornalista
Olímpio Cruz Neto – ex-secretário de Imprensa da Presidência da República no governo Dilma Rousseff
Paulo Donizeti – jornalista
Renato Rovai – jornalista
Tereza Cruvinel – jornalista, ex-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC)
Vanessa Martina Silva – jornalista 

Envie sua assinatura de apoiamento para o e-mail secretaria@fndc.org.br. 

Para ver a lista atualizada dos apoiadores acesse: www.fndc.org.br

Congresso de Comunicação Pública reunirá profissionais de todo o país em SP

Evento é aberto a estudantes e a profissionais de órgãos da Justiça, do MP e outras organizações públicas

O maior evento do país voltado para profissionais de comunicação de instituições públicas do Sistema de Justiça reunirá, entre os dias 29 e 31 de maio, em São Paulo, centenas de jornalistas, publicitários e universitários de comunicação social.

O Congresso Brasileiro dos Assessores de Comunicação do Sistema de Justiça (Conbrascom) é uma iniciativa do Fórum Nacional de Comunicação e Justiça (FNCJ), que tem por objetivo promover o desenvolvimento de políticas e ações de comunicação voltadas ao esclarecimento do cidadão, além de contribuir para a democratização das instituições e o acesso à Justiça.

Apesar de direcionado a gestores e servidores que atuam em instituições que integram o Sistema de Justiça, o evento é aberto a estudantes e a profissionais de outras organizações, além de contar também com a participação de magistrados, procuradores, promotores, defensores públicos e representantes de associações.

Este ano, a 15ª edição do Congresso terá como temática principal a “Inovação, Criatividade e Diversidade em Comunicação Pública” e será sediado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

Em três dias de encontro, especialistas em comunicação no Brasil e no mundo vão ministrar palestras, como “Comunicação que inspira e transforma”, “Inovar é preciso. Mas dá para fazer isso no serviço público?”, “Por que diversidade importa?” e “O papel da comunicação para uma Justiça acessível e inclusiva”.

Na última noite do evento também é realizada a cerimônia de entrega do Prêmio Nacional de Comunicação e Justiça, que reconhece os melhores projetos e trabalhos, inscritos no Prêmio, desenvolvidos pelas assessorias de comunicação integrantes do Sistema de Justiça.

A premiação, que comemora 17 anos, destaca trabalhos inscritos em 14 categorias, como mídia impressa, digital, radiofônica, social, publicação especial, fotografia, grande reportagem, programa de TV, comunicação interna, campanha institucional de interesse público, relacionamento com a mídia, artigo acadêmico, prêmio honorário e grande prêmio.

As inscrições online para participar do Conbrascom 2019 vão até 22 de maio de 2019. Clique aqui para acessar o site do evento.

Fonte: Conbrascom

Nove estados e o DF têm seções regionais da ABCPública

CE, GO, MT, MS, RS, PR, RO, SP e DF já contam com seções

A ABCPública começa uma nova fase com a criação de seções regionais para mobilizações, estudos e discussões sobre comunicação pública. Nove estados e o Distrito Federal já possuem seção. Na relação abaixo, em quais Estados as seções estão presentes e começando as articulações.

A ABCPública reúne e representa os comunicadores da área pública-governamental e do terceiro setor.

Fundada em 2016 por profissionais de diversos estados e do Distrito Federal, vem se consolidando como um espaço de reflexão, análise e debates sobre os desafios desse setor nas diversas instâncias (Executivo, Legislativo, Judiciário, Ministério Público) e esferas (federal, estadual e municipal).

Os associados da ABCPública têm acesso a conteúdos exclusivos e inéditos sobre a comunicação pública, além de descontos em eventos.

Veja aqui como fazer parte da ABCPública: https://abcpublica.org.br/associe-se/

Ceará
Ludmila Wambergna 
(Hospital Universitário Walter Cantídio)

Distrito Federal
 
Cláudia Lemos 
(Câmara dos Deputados) 

Goiás

Alessandra Lessa 
(Governo de Goiás)

Mato Grosso 
Gabriel Rezende Faria 
(Embrapa Sinop)

Juliana Carvalho
(Governo de Mato Grosso)

Mato Grosso do Sul
Clarice Fontes 
(Embrapa Dourados)

Rio Grande do Sul
Jéfferson Curtinovi 
(Ministério Público Federal)

Minas Gerais 
Lília Gomes 
(Ministério Público do Trabalho)

Marcílio Lana 
(Universidade Federal de Minas Gerais)

Paraná
Kátia Pischelli 
(Embrapa Curitiba)

Rondônia 
Renata Silva 
(Embrapa Porto Velho)

São Paulo
Eduardo Luís Correia 
Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS)

Cartilha orienta jornalistas em casos de assédio on-line

Publicação da Abraji “Como lidar com assédio contra jornalistas nas redes”  está disponível para download

Recentes ataques coordenados a jornalistas nas redes têm ameaçado a liberdade de imprensa e afetado o cotidiano das vítimas, que nem sempre sabem como reagir ao assédio on-line. É nesse contexto que a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) lança a publicação Como lidar com assédio contra jornalistas nas redes. 

Com a cartilha, a organização pretende sensibilizar veículos, jornalistas, empresas de tecnologia, entidades ligadas ao jornalismo e à liberdade de expressão e autoridades policiais e da Justiça para a gravidade do assédio on-line, bem como enfatizar a necessidade de jornalistas e redações elaborar protocolos de defesa a esse problema. “Criamos esse material para que nossos associados e todos os jornalistas tenham um guia de referência rápida sobre como lidar com o assédio”, afirma.

No material disponível on-line e para download, há orientações práticas para lidar com ataques nas redes, além de recomendações que prezam pela privacidade dos jornalistas e por um uso consciente das redes sociais. A Abraji entende que registrar na polícia comportamentos abusivos e eventualmente buscar seus direitos na Justiça são meios de mostrar aos agressores que há consequências para a violência praticada na internet.

A publicação foi produzida pelos jornalistas Marcela Donini e Moreno Osório, do Farol Jornalismo, com supervisão da diretoria da Abraji. Foram consultados especialistas em segurança digital, segurança de jornalistas, crimes cibernéticos, gestão de crise, além de advogados, entre outras fontes. Também foram ouvidos repórteres e editores que sofreram assédio on-line no exercício da profissão.

Fonte: Site Abraji

Comunicação pública fortalecida é instrumento contra fake news

Reflexão foi compartilhada pela Patrícia Roedel, da ABCPública, durante o seminário Reboot 2019

A comunicação pública precisa se fortalecer muito mais neste momento em que todos são comunicadores potenciais e há uma profusão de “fake news”, sem balizamento da fonte. Essa foi uma das principais conclusões da integrante da ABCPública Patricia Roedel, que participou do seminário de comunicação Reboot 2019 como palestrante e debatedora.

Abordando o tema “O desafio de transparência no novo portal da Câmara dos Deputados”, a jornalista, que coordena o processo de mudanças do portal, salientou que a transparência das informações nas fontes primárias e a linguagem simples — pilares da comunicação pública — são formas de mitigar as fake news, já que a fonte primária de informação é utilizada não apenas pelo cidadão comum, mas também pela imprensa e sites analíticos.

Patricia  salientou a importância, no novo portal da Câmara, das ferramentas de participação integradas transversalmente ao conteúdo. Para ela, é uma forma de combater o que, já na década de 60, os teóricos da comunicação chamavam de disfunção narcotizante, que ocorre quando a mera leitura de um excesso de informações e a simples expressão de sua opinião fazem com que o cidadão se sinta partícipe do processo político, sem que na realidade tenha qualquer influência. “Na década de 60, Lazarsfeld e Merton já haviam cunhado essa expressão, quando tudo o que o cidadão tinha eram três jornais, rádio e TV. Imaginem como a profusão atual de informações amplia essa disfunção no que se refere ao debate de leis. Nem estou me referindo ao “idiota da aldeia” aqui. A existência de canais de participação e diálogo no portal da Câmara permite que a opinião do cidadão seja direcionada ao receptor correto, quebrando essa disfunção”, apontou.

A jornalista mostrou as novas funcionalidades do portal e falou sobre como foi o desafio de quebrar tecnicidades para dialogar com o cidadão comum interessado em política, e não apenas com especialistas. O novo portal da Câmara foi reformulado em sua arquitetura, que se tornou mais simples e intuitiva; na linguagem, que foi simplificada e está mais imagética; na adição de vídeos explicativos, glossários e páginas educativas; e na criação de páginas de transparência com dados gráficos. “Porém, o mais importante virá em março, com o lançamento da ficha de tramitação amigável, que vai permitir o acompanhamento fácil dos projetos de lei, de uma forma visual”, explicou.

Sobre o desafio de transparência, ela afirmou: “Alguns deputados se ressentiram do excesso de transparência. Mas é uma mudança de cultura e de costumes. Não acredito que a Presidência ou a alta administração da Casa volte atrás. Estão sintonizados com as demandas da sociedade, que está cobrando muito mais”, acredita.

“A comunicação pública é um direito dos cidadãos assegurado pelo artigo 5º da Constituição, e se contrapõe a interesses de Estado ou particulares. Na dúvida entre o interesse público, estatal ou particular, o público deve prevalecer”, argumentou.

Foto: Genilson Frazão

Nova regra iguala comunicação social a jardinagem e limpeza

Portaria que regulamenta terceirizações no governo federal foi assinada nos últimos dias da gestão Temer

Em um de seus últimos atos como presidente da República, Michel Temer assinou portaria regulamentando a terceirização de diversas áreas da administração pública. Entre elas está a Comunicação Social.

Publicada na edição do dia 28 de dezembro do Diário Oficial, a portaria 443 entra em vigor no dia 22 de janeiro deste ano. Para a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a medida representa um risco à liberdade de expressão e manifestação dos profissionais porque torna mais fácil ao governo “tolher as manifestações públicas de jornalistas terceirizados do que de servidores concursados e com estabilidade. A justificativa de reduzir custos implica delegar amplamente a terceiros uma atividade essencial que concretiza, na prática, o direito humano à comunicação, materializado em um sistema que deveria ser tripartite (público, estatal e privado)”.

A Fenaj também considera que a portaria mais um movimento no sentido de viabilizar a concretização da extinção da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Proposta defendida pelo próprio presidente Jair Bolsonaro ainda na época da campanha eleitoral.

“A comunicação pública vem sendo privatizada há muito tempo. Os jornalistas contratados de forma terceirizada têm seus direitos aviltados, sobretudo o da jornada de trabalho”, afirmou a presidenta da Federação, Maria José Braga.

Leia a íntegra da portaria 443

Fonte: Site Portal Imprensa


Unisc terá especialização em Comunicação Pública

Curso vai proporcionar conhecimento teórico e prático para qualificar a comunicação de interesse público

A Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) oferecerá um novo curso de especialização, intitulado Comunicação Pública e Desenvolvimento Regional.  A iniciativa se destina a profissionais da área de Comunicação que atuem ou desejam atuar na comunicação do setor público, em mídias independentes e alternativas, ou junto ao terceiro setor (ONGs, sindicatos, associações, cooperativas, consórcios regionais, entre outros).

Segundo a universidade, o objetivo é proporcionar conhecimento teórico e prático para qualificar a comunicação de interesse público (ou comunicação pública) desenvolvida pelo Estado, organizações privadas e sociedade civil, considerando-se a sua centralidade estratégica para o desenvolvimento regional ao informar, oportunizar espaços de diálogo e de participação e na qualificação do debate público. As aulas iniciam em março e se encerram em fevereiro do próximo ano. Além disso, serão presenciais, com encontros programados para ocorrer a cada três ou quatro semanas, nas sextas-feiras à noite e sábados durante o dia, no campus de Santa Cruz do Sul, além de atividades orientadas à distância.

Os professores têm atuação em instituições privadas, públicas e em Universidades de diversos Estados do Brasil. As disciplinas estão distribuídas em quatro eixos de formação principais: um em Comunicação Pública, um em Desenvolvimento Regional, um Comunicação de Estado e ou em Comunicação e Organizações da Sociedade Civil. Dentre as quais, incluem-se Teorias do Desenvolvimento, Comunicação Pública, Estado e Formação Sócio-política e Espacial do Brasil, Comunicação Pública Digital, Relações Públicas Governamentais, Radiodifusão Pública, Assessoria de Imprensa, Media Training, Propaganda de Interesse Público, Jornalismo Independente, Empreendedorismo em Comunicação, Comunicação e Acessibilidade, Relações Públicas e Publicidade e Propaganda em organizações do terceiro setor.

O curso será coordenado pelas professoras Ângela Felippi e Patrícia Schuster, da Unisc. Mais informações podem ser obtidas no link http://www.unisc.br/pg/lato-sensu.html ou pelos e-mails de Ângela Felippi (angelafe@unisc.br) e Patrícia Schuster (pati.jornalista@gmail.com), coordenadoras do curso.

Fonte: Site Unisc

Exército leva blindados à EBC por “segurança de transmissão da posse”

O governador Rodrigo Rollemberg reagiu à medida nas redes sociais, assim como o Sindicato dos Jornalistas

O esquema de segurança organizado para a posse do presidente eleito, Jair Messias Bolsonaro (PSL), colocou, neste domingo (30/12), carros de combate do Exército na entrada da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), no início da Asa Sul. De acordo com o Estado-Maior, os veículos foram levados ao local para “garantir a transmissão das imagens para o Brasil e o mundo”. No entanto, após repercussão negativa, os militares retiraram os veículos do local.

Segundo Gilberto da Silva Brevilieri, chefe do Estado-Maior da 3ª Brigada de Infantaria Mecanizada, ligada ao Comando Militar do Palácio do Planalto, o local onde a sede da EBC está localizado em “um ponto sensível” para a segurança da posse de Bolsonaro. “Os carros são apenas mais um dos instrumentos que fazem parte do esquema de segurança como um todo”, completou o coronel.
Servidores da EBC, que desde a vitória de Jair Bolsonaro têm sido ameaçados com o fim da empresa pública, manifestaram-se contra a medida. A reportagem do Metrópoles conversou com ao menos três funcionários da empresa – eles falaram em condição de anonimato por medo de represálias. De acordo com os jornalistas, em nenhuma das posses presidenciais anteriores foi necessário a presença de militares na porta ou dentro da sede.

No fim início da noite deste domingo (30), o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), foi às redes sociais criticar a medida do futuro governo federal. Segundo ele, a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) poderia garantir a segurança do local.

Em nota, Victor Ribeiro, coordenador do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF (SJPDF), criticou a medida do Exército. “Nós, do Sindicato dos Jornalistas ficamos bastante espantados com essa tentativa de demonstração de força com manobras do Exército no Setor de Rádio e TV Sul. O uso do estacionamento da EBC é exagerado, desnecessário, inadequado e inédito. A EBC é um órgão civil, uma empresa pública de comunicação. Ela foi criada para ser o símbolo da redemocratização e a gente tem certeza de que a EBC voltará a ser sinônimo de democracia quando retomar a autonomia”, afirmou.

A reportagem do Metrópoles esteve na sede da EBC na noite deste domingo (30) e constatou que os veículos foram retirados por volta das 21h. O Comando Militar do Palácio do Planalto não se manifestou sobre a saída dos carros de guerra. O governador Rollemberg foi, novamente, às redes sociais para comunicar a mudança de entendimento.

Fonte: Site Metrópoles

Jornalismo enfrentará credibilidade em baixa

Terceira edição do projeto realizado pelo Farol Jornalismo e pela Abraji indica que transparência, fortalecimento da colaboração e reaproximação com o público serão fundamentais em 2019

As eleições de 2018 ofereceram uma prévia do cenário a ser enfrentado pelo jornalismo brasileiro em 2019. As campanhas eleitorais, em especial a do presidente eleito, Jair Bolsonaro, aceleraram um processo de desintermediação característico da internet social. Impôs-se de maneira decisiva a máxima de que a informação precisa cada vez menos de mediadores tradicionais para circular, abalando a já fragilizada credibilidade do jornalismo.

Beneficiada por um cenário de polarização, intolerância e agressividade, a lógica de conexão ponta a ponta construiu uma realidade que muitas vezes esteve alheia aos fatos. Nesse novo ecossistema, atores políticos, de um lado, apresentam cenários que mais lhes interessam. Do outro, o público recebe uma narrativa que melhor representa o seu modo de pensar. Tudo isso passando ao largo do jornalismo e sua função mediadora.

As estratégias de comunicação do governo de transição e a sua postura em relação à imprensa acenam não só para o agravamento dessa realidade que emergiu ao longo de 2018, mas apontam para uma tendência que transcende o jornalismo político.

Em 2019, será trabalho do jornalismo estar atento a esse modus operandi. Expor as entranhas das plataformas sociais será essencial. No entanto, não será o suficiente para convencer novamente a sociedade da importância do nosso trabalho. Para responder à desintermediação, o jornalismo precisará aprofundar a sua relação com o público. Isso significará não apenas entendê-lo melhor. Será fundamental compreender que as pessoas estão cada vez mais atentas às contradições das nossas práticas. A resposta a essa desconfiança será aumentar a transparência e investir mais em diversidade e colaboração.

Pela terceira vez, Farol Jornalismo e Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) convidam jornalistas e pesquisadores para projetar o jornalismo no ano que se aproxima. Desafiados ao pensar 2019 em um momento no qual a poeira do pleito eleitoral estava longe de assentar, os autores desta edição do especial O jornalismo no Brasil esboçaram um quadro que contempla parte do cenário complexo que 2018 nos deixa. O horizonte é de grandes desafios, mas também de grandes oportunidades. Para aproveitá-las, entretanto, será preciso acordar.

Talvez o maior exemplo da dicotomia entre desafios e oportunidades esteja no que entendemos como credibilidade. A jornalista e pesquisadora Sílvia Lisboa buscou na filosofia subsídios para nos dizer: não basta um veículo jornalístico afirmar ser credível — a credibilidade construída em um único sentido não passa de estratégia mercadológica. É preciso demonstrá-la de maneira que a audiência a perceba.

Uma das possibilidades de garantir essa percepção, segundo Lisboa, é o veículo ser mais transparente em relação ao seu financiamento e à sua postura diante dos fatos. Outra, é que o jornalismo “saia da armadilha de ser um mero reflexo das guerras culturais que brotam no subterrâneo da internet e procure pautar uma agenda que se reconcilie com os pilares dos ideais modernos”, de acordo com a jornalista e pós-doutora em Comunicação Rosane Borges.

A transparência também permeia a reflexão do jornalista e editor do Projeto Comprova, Sérgio Lüdtke, sobre desinformação. Frente a um ecossistema marcado por bolhas de paredes cada vez mais espessas, para conter a desinformação, é imperativo que os atuais esforços de fact-checking sejam mantidos. Mas não bastará que os jornalistas sigam apenas expondo o problema. Será preciso convencer as pessoas de que a narrativa jornalística busca o bem comum. Para isso, o jornalismo necessita de “novo contrato de confiança com a sociedade”.

Esse novo contrato passa por um esforço maior para conhecer o público. No caso da checagem de fatos, a jornalista do Filtro Fact-Checking e pesquisadora Taís Seibt sugere a adoção de formatos que conversem melhor com os ambientes onde o brasileiro costuma se informar. Ela acredita que checagens em vídeo ou em áudio podem ter mais chance de circular no WhatsApp, por exemplo.

No caso do jornalismo realizado nas periferias, a pesquisadora Cláudia Nonato ressaltou o desafio de compreender os anseios de parte da população que votou em Jair Bolsonaro. Quase sempre de viés progressista, iniciativas jornalísticas que procuram dar visibilidade a camadas populares precisarão adaptar estratégias para se aproximar e acolher essas pessoas, mas sem deixar de lado os padrões éticos que regem a profissão.

As estratégias de diversidade também serão importantes para o jornalismo em 2019. O pesquisador Gean Gonçalves sinaliza a possibilidade de as redações brasileiras adotarem editores de gênero, a exemplo do que fizeram El País e NYT neste ano. Caberá também ao jornalismo, ressalta Gonçalves, estar atento às pressões que grupos de mulheres e pessoas LGBT possam vir a fazer frente às políticas do novo governo, bem como “monitorar e reportar as violações que possam se agravar e afetar com mais afinco essas comunidades”.

A vigilância aos passos dados por Bolsonaro também vai nortear o jornalismo realizado na Amazônia. A jornalista Elaíze Farias chama a atenção para as dificuldades de se atuar de maneira independente em uma região estratégica, porém distante do centro econômico e político do país. Para combater a subserviência que normatiza a devastação, a cobertura precisará abraçar a complexidade amazônica, deixando de lado estereótipos e chavões.

O desafio a ser enfrentado pelo jornalismo na Amazônia não é apenas narrativo, mas também financeiro. A falta de recursos não estrangula apenas o jornalismo na região norte. Em todo o país, o jornalismo local sofre com modelos de negócio quebrados que inviabilizam a inovação, conforme observa Sérgio Spagnuolo, editor do Volt Data Lab e coordenador do projeto Atlas da Notícia. A distância em relação ao jornalismo realizado nos grandes centros aumenta. Com ela, a desintermediação. Sem veículos capazes de cobrir pequenas e médias cidades, a população fica à mercê da desinformação.

Uma das soluções, em termos de negócio, pode estar no que Patrícia Gomes, diretora de produtos no JOTA, chamou de “journalytics”. Olhar com atenção para os dados gerados pelos usuários pode ser um jeito de conhecê-los melhor. Adaptar os produtos jornalísticos ao comportamento de quem os consome ajudará a reestabelecer uma relação de confiança entre jornalismo e seu público.

Em 2019, o jornalismo brasileiro precisará reencontrar o seu público. Ao reencontrá-lo, precisará se desarmar. “A crise de credibilidade que a imprensa vive hoje deve mais e mais contribuir para que jornalistas se desencastelem, e perguntem aos seus leitores a razão de não confiarem no que leem na imprensa profissional”, escreveu Guilherme Amado, repórter do Globo e da Época.

A afirmação do jornalismo como mediador social relevante depende desse reencontro. Não apenas no ano que se avizinha, mas também nos outros que virão. Porque para vencer a guerra pela verdade, os guardiões — a Pessoa do Ano de 2018 da revista Time — vão precisar do público ao seu lado.

Fonte: Site Medium 
Este texto faz parte da série O Jornalismo no Brasil em 2019.

Evento da Aberje e ABCPública será transmitido pela internet

Evento será realizado na Câmara dos Deputados

O evento que será realizado nesta quinta-feira (06/12) pela Aberje e ABCPública, em Brasília, será transmitido ao vivo pelo youtube da Câmara dos Deputados (camara.leg.br/youtube).

Os palestrantes convidados apresentarão projetos e discutirão o uso de inteligência artificial e comunicação digital no relacionamento de órgãos públicos com os cidadãos.

O evento será realizado dia 6 de dezembro, das 9 às 13h, no auditório da TV Câmara, na Praça dos Três Poderes, Ala C. A iniciativa busca apresentar projetos de excelência em comunicação, informação e relacionamento de órgãos públicos brasileiros e contribuir com a formação de profissionais para trabalhar na área.

Veja a programação:

9h Boas-vindas
Paulo Henrique Soares, Diretor de Comunicação do Instituto Brasileiro de Mineração/IBRAM e Diretor do Capítulo Aberje Brasília
Lincoln Macário, Presidente da ABCPública, Associação Brasileira de Comunicação Pública
David Miranda, Diretor de Comunicação da Câmara dos Deputados

9h30 Mesa-redonda: Iniciativas de comunicação digital para relacionamento com a sociedade

– Virada digital
Patrícia Roedel, Gerente do projeto do novo portal da Câmara dos Deputados na internet

– Ulysses, inteligência artificial para oferecer informações legislativas ao público
Patricia Gomes Rêgo de Almeida, Coordenadora de Governança e Gestão de TIC da Câmara dos Deputados

– E-cidadania
Alisson Queiroz, Coordenador do Programa de Participação Digital do Senado Federal

11h Roda de conversa entre palestrantes e plateia

11h30 Visita guiada ao Congresso Nacional

Com foco no direito do cidadão à informação, à participação e no dever do Estado de prestar contas de suas ações, foi criada a Associação Brasileira de Comunicação Pública - ABCPública.